Children's Angel.
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Quando Jace a viu pela primeira vez seu rosto irradiava coragem e destreza; agora tudo o que o loiro conseguia ver sem seu rosto era medo . A família ainda estava em choque, as bocas fechadas, sem proferir nenhuma palavra. O silêncio era opressor e incômodo. Não havia entendido o motivo daquela raiva que ambos os irmãos irradiavam e seus irmãos também não tinham descoberto a razão.
Simon estava à frente dos dois irmãos e olhava todos com interesse. Agora ocorrera a Jace que se Simon estava ali Clary e Jonathan haviam o resgatado. Isso explicava o fato de eles terem armas nos cintos, o que já era costume ver, e diversos arranhões expostos.
– Alguém pode nos explicar o que está acontecendo aqui? — Isabelle perguntou . Com essas palavras todos pareceram sair do torpor que os envolvia.
– Theresa explica. Se nos dão licença.- Jonathan falou e logo ele e a irmã já se encaminhavam para a porta.
– Mas e Simon?
– É simples. — Clary virou para eles.- O resgatamos hoje de manhã. A casa é dele ele sabe se achar aqui.Já fizemos nosso papel.- disse e saiu pela porta , onde o irmão a esperava.
– Tessa , você poderia explicar à eles o que acabou de acontecer? — Robert perguntou, irritadiço.
– Você já sabe? Vocês?- Izzy perguntou aos pais. Maryse baixou os olhos e Robert assentiu. Os olhares se voltaram para Tessa, que estava branca como papel.
– Eu conheço Clarissa e Jonathan de outras primaveras, Isabelle .- a mulher disse, torcendo as mãos no colo.
– Isso já percebemos Tessa. Mas por que eles nutrem esse sentimento por você?- virando o rosto confuso novamente em direção à garota.
– Robert? Maryse? Lembram , há 3 anos, quando denunciei o paradeiro de Jocelyn e Valentim?
– Ah , claro. Um gesto de muita utilidade e lealdade de sua parte.
– Naquele dia, os irmãos Clarissa e Jonathan se tornaram parabatai um do outro.- exclamações de surpresa saltaram das bocas da maioria dos presentes. Ninguém sabia que Clary e Jonathan eram parabatai.- Eu e Magnus fomos convidados para realizar a cerimônia , já que a Clave não poderia saber o paradeiro deles. Pouco depois de realizado o ritual e a cerimônia eu e Jocelyn nos desentendemos seriamente. E então, numa impulsividade maior que a raiva que eu estava sentindo naquele momento, avisei Robert onde Jocelyn e Valentim estavam. E então os Morgesntern foram mortos.É por isso que ambos os irmãos me ideiam. Eu traí a confiança de Jocelyn e ela e o marido foram mortos na frente dos dois.
Tessa, que a essa altura já estava chorando muito , olhou para os rostos de cada pessoa ali presente. Quase todos os rostos exibiam caretas de surpresa e choque. O de Robert demonstrava uma alegria maior que o sorriso que expunha para todos verem.
É claro que a feiticeira já havia se arrependido logo depois de ter denunciado o paradeiro ao rei. Tentou enrolá-lo , com a ajuda de Magnus, mas ele estava decidido a matar os Morgenstern de qualquer forma. E o que mais queria era que Clarissa e Jonathan a perdoassem.
Recuperado o choque, Maryse foi terminar de preparar o jantar com a ajuda de Tessa. As duas sussurravam coisas ininteligíveis a jace. Sabia que conviver com os mandantes do assassinato de seus pais era demais. Mas trazer a informante era ultrapassar os limites. Dava para ver ,sem esforço algum , o sofrimento e o arrependimento expostos nos olhos de Tessa sobre aquele ato tão mal pensado. Divagou por mais algum tempo, até que ouviu o chamado de Maryse , dizendo que o jantar já estava sendo servido. Levantou-se e seguiu para a mesa de jantar.
– Voltaremos ao palácio amanhã.- disse Robert, repentinamente.- Já está tudo arrumado e restaurado.
– O quê? — Izzy falou. — Por que amanhã? Por que não nos contou ?
– Era para ser uma surpresa. Não estão felizes? Eu estou dando pulinhos de alegria.- disse o rei, sorrindo. A ideia de continuar ali para ele era repugnante.
– Que horas? — Izzy indagou , dessa vez exibindo uma careta de preocupação.
– Logo cedo já estaremos partindo. Por isso vamos logo arrumar nossas malas.
– Teremos que avisar Clarissa e Jonathan. Simon também.- Maryse falou, servindo suco para Max.
– A tia Clary e o tio Jonathan não vão vir com a gente?- o garotinho perguntou, procurando os olhos da mãe.
– Max, querido, mesmo que oferecêssemos a eles para virem com a gente Clary e Jonathan não aceitariam a proposta. Possivelmente , é capaz que eles nem voltem hoje para conseguirmos avisar que iremos embora.
– Por que eles não aceitariam?- Max perguntou. Maryse olhou para Robert, Will e Tessa.
– Max , nossa relação com eles não é tão cordial quanto pensa. Deixaremos um bilhete caso não voltem.- ele agora tinha os olhinhos marejados. — Mas podemos vir visitá-los a qualquer instante.
Depois disso o jantar correu em completo silêncio. Todo mundo estava pensando nas suas próprias coisas, envoltos em sua própria bolha de pensamentos e dúvidas. Izzy, por exemplo, pensava no que iria levar para o castelo. Robert pensava em estratégias e assim por diante. Acabado o jantar, todos foram para a varanda. Estava um calor quase insuportável, tanto dentro quanto fora da casa. Simon chegou logo depois de toda a família ter saído da casa, que agora estava toda aberta.Perguntou sobre Clary e Jonathan e todos caíram em silêncio. Simon sentou então ao lado de Isabelle , que contou a ele tudo o que havia acontecido enquanto ele estivera fora. Contou o porquê de Clary e Jonathan terem tratado tão mal a visitante, já que ele já não estava mais lá quando Tessa contou a história. Com essa parte já contada , informou-o sobre a volta ao palácio o dia seguinte. Ele reagiu bem com a notícia, mas negou quando ela o convidou para ir com eles, mesmo sem a autorização do pai para fazer isso. Ele alegou que aquele não era o seu lugar.
Naquele mesmo momento, longe dali, Clary esmurrava uma árvore fazia algum tempo. Sabia que se não descarregasse todo aquele sentimento iria sobrar para ela. E , definitivamente, ela não desejaria isso nem em seus piores pesadelos.
Jonathan fazia a mesma coisa , mas atirava em um alvo que havia construído. Poucas vezes havia saído tão do sério como agora, naquele momento. Jurava que não voltaria para a casa de Simon enquanto aquela família estúpida e arrogante estivesse hospedada ali. Clary com certeza o acompanharia nessa situação.
Já estava ficando tarde quando, enfim, se acalmaram. Saíram em busca de abrigo e encontraram uma caverna desabitada a oeste. Estavam muito longe da casa de Simon e esse era um dos motivos que deixava ambos os irmãos alegres. Haviam decidido que Jonathan seria o primeiro a ficar de guarda.
Na casa de Simon, muito longe dali, o barulho e anarquia rolavam soltos naquela hora. Eram roupas para cá, móveis para lá, acessórios espalhados , uma verdadeira zona.
As horas foram passando rapidamente e nada de Clary e Jonathan. Max olhava as janelas à procura dos irmãos que haviam o resgatado ao que parecia em outra vida. Simon também sentia falta deles. Queria dizer que estava tudo bem entre os três o mais cedo possível.
Isabelle, por mais que simpatizasse com eles , não tinha tempo para se preocupar com os Morgenstern. Estava totalmente histérica. Seus vestidos não poderiam ser levados de uma vez só. Seus sapatos também não. As horas passavam e nada de Clary. Queria agradecer as aulas que a ruiva lhe dera, que surtiram o efeito desejado. Também queria explicar para Clary como ela teria que fazer para enviar o restante das roupa ao palácio. Mas quanto mais o tempo passava, mais a urgência crescia e acabou que eles não chegaram a ver a família real partir.
Max foi embora chorando , agarrado em Jace. Este também estava triste, por mais que tentasse não demonstrar. Chegando ao palácio , já reformado e restaurado como Robert havia dito , ajudou William a descarregar as malas da carruagem em que tinham vindo embora. Isabelle gritava instruções para que tomassem cuidado e não se quebrasse nada na mala dela.
Quando tudo foi descarregado e organizado em seus devidos lugares, a família real se reuniu na sala de reuniões. As garotas e Max foram dispensados , pois eles tratariam de estratégias de guerra e Max era muito novo para participar.
Por horas cansativas e ininterruptas Jace, Alec, Robert e Will debateram as melhores formas de ataque aos demônios e seus aliados. Na prática , todos sabiam, que os combatentes teriam de ser rápidos e ágeis, com reflexos bons. Mas a forma de ataque e defesa , principalmente, fazia com que eles nunca chegassem a um plano concreto.
Jonathan e Clary estavam viajando por Idris, cada vez mais longe. Os dois ão sabiam que a família real já partira à duas semanas. Eles andava, corriam, treinavam e até permitiam-se brincar, como outrora faziam quando eram só os dois. Desconheciam o bilhete deixado por Isabelle , o de Jace, agradecendo a tudo ,principalmente por terem salvado Max, o de Maryse e o de Tessa. Não sabiam que Simon estava na Índia, visitando uns amigos mundanos. Estavam alheios a tudo o que acontecia.
Clary estava alegre com sua nova conquista : seus poder de cura expandira-se e agora ela podia curar todo e qualquer tipo de ferimento, desde o mais profundo até o mais superficial. descobrira que isso a deixava muito cansada e até ficava desacordada por um tempo, como acontecera com Max, mas não se importava . Ouvia boatos de que os demônios estavam cada vez mais fortes, mas decidira que não iria , de maneira alguma, ajudar o rei Robert sair dessa. Ela e o irmão sabiam jogar tão bem quanto ela.
Passou-se então um mês da partida da família real para o palácio quando o primeiro ataque fora realizado contra os Caçadores de Sombras. Era aniversário de Isabelle, que completava 18 anos. Todos os nephilim da cidade foram convidados e tudo estava na maior festa. Quando os demônios atacaram, todos já haviam praticamente ido embora, mas isso não diminuiu o estrago realizado por eles.
As mulheres e crianças que ainda estavam ali foram mandadas para o fosso da cidade. O armazém onde se guardavam as armas fora aberto e agora homens e algumas mulheres lutavam , tentando combater os demônios que estavam ali.
Jace e Alec lutavam lado a lado. Até agora Izzy lutava e tentava se sair bem das investidas dos demônios. Mas Alec sabia que a sorte de Izzy estava tendo não ia durar por muito tempo mais do que já durava. Por isso saiu de perto de Jace e foi ajudar a irmã necessitada.
Jace lutava com agilidade e precisão. Mas nem mesmo ele podia evitar ficar cansado. A batalha já durava muito tempo. Ele já levara uns arranhões . Os demônios fizeram com que afesta fosse dominada pela anarquia, onde pessoas gritavam, espadas caíam e sangue era derramado a três por dois. Os demônios já estavam escasseando. Jace já desviava a atenção para os mortos, esperando não encontrar nenhum rosto conhecido. Mal percebeu a aproximação de um dos guardas enfeitiçados. Só teve tempo de sentir a ponta da lâmina perfurando o seu corpo e então ele desligou-se de tudo.
Clary e Jonathan estavam hospedados na casa de Magnus quando a batalha aconteceu. Ficaram sabendo por meio do próprio feiticeiro , que iria ajudar a curar as pessoas.
A princípio, os dois haviam ficado apreensivos , mas Magnus disse que os Caçadores de Sombras venceram. Clary escutou uma batida na porta. Ignorou mas ela foi ficando cada vez mais forte e ficou realmente difícil para ela ignorar. Abriu a porta e um menino com óculos e rosto manchado por lágrimas estava parado ali à frete, visivelmente desesperado. Max. Clary o puxou para um abraço rápido.
– Max o que está fazendo aqui? Como nos achou?
– Clary, precisamos da ajuda de vocês!
– Para quê?
– O Jace.. ele tá mal!
– O que ele tem Max?
– Ele foi atingido! Magnus não sabe se ele vai sobreviver! Me lembrei que você me salvou e pode salvar Jace também. Por favor tia Clary!
Então ela soube que iria ajudar.
Passados alguns minutos Clary e Jonathan já estavam a caminho do palácio. Chegando lá seguiram Max e entraram numa salinha pequena. Lá dentro estavam todos da família real e Magnus olhava o além. Clary havia escancarado a porta e todos a olhavam.
– Como é de praxe, precisam de minha ajuda.- falou chegando mais para dentro da sala.
– Ninguém pediu a ajuda de você Morgenstern.- Robert cuspiu.
– Engraçado mas é só ela que poderá ajudar.- Jonathan falou, cortante.
– Me expliquem o que aconteceu brevemente, por favor.
– Ele levou uma facada. Não fez muito estrago mas o problema é que ela estava envenenada. Já parei o efeito do veneno mas não consigo reparar o corte por onde sai muito sangue. Agora é com você Clary. — Magnus disse.
Entregou a espada ao irmão. Aproximou-se da mesa de Jace e deixou que as emoções fluíssem.Então a raiva da família real veio à tona, o amor que sentia pela sua , a dor que a perda fez cm que ela sentisse. Memórias de sua infância alegre a certo modo e os momentos escassos de felicidade ao lado de Jonathan depois da perda dos pais. Suas mãos passavam tudo isso e faziam com que tudo se regenerasse , como se nada tivesse sido acontecido. Como sempre acontecia quando forçava seu dom , caía , sem forças, sabendo que mesmo que sentisse dor havia feito seu trabalho ali. Pela segunda vez sabia que havia feito o certo.
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