Notas iniciais
Oie! Bom, fiquei tão feliz com os comentários e com os fantasminhas que apareceram que resolvi correr e postar esse ! Bom, obrigada! Não sabem como fico happy. Boa leitura.

– Eu aconselho vocês a tirarem os sapatos . — Jonathan avisou.

– E por quê?- o rei indagou.

– Andaremos pela praia. E, como é areia, fica mais confortável. mas a escolha é sua, óbvio.

Robert , relutante, tirou os sapatos e ajudou a mulher a fazer o mesmo. O fato é que ninguém presente ali já andara numa praia. Alec seguia o resto da família e Jonathan. Este, permanecia calado, apenas andando. A mãe, Maryse, segurava Max, chorando silenciosamente e andando ao lado do marido, que estava com a cara amarrada desde a saída de Clarissa. O pai era teimoso , uma qualidade não tão boa.

Isabelle andava ao lado dele, olhando para o nada. E Jace estava mais atrás. Alec o conhecia bem e sabia que estava se castigando. Se martirizando, achando que era sua culpa o que acontecera com Max.

O moreno pensou na visão do castelo todo destruído. Em nenhum momento ele achou que algum mal pudesse afligir a morada da família dele. Lá era como uma prisão. Os guardas rondavam os corredores e os jardins a toda hora ; as janelas eram fortes e as marcas de proteção auxiliavam o quanto podiam.

Ainda não havia entendido como os demônios haviam invadido a cidade. Claro que não haviam provas de que eram mesmo demônios. Mas depois do ataque que Clarissa e Jonathan combateram, eram sua maior aposta.

– Vai demorar para chegar?- o pai perguntou, o suor escorrendo em sua testa.

– Você pergunta isso de 5 em 5 minutos. Apenas ande.- Jonathan respondeu. O tom frio e cortante ,por fim , calou o rei.

Jace só ouvia poucas coisas do que o pai ou Jonathan falava. Estava imerso em um sentimento de culpa. Se não tivesse lá atrás dos guardas, se estivesse com Max, talvez ele estivesse rindo agora com eles. Ou conversando e fazendo piadinhas. Coisa bem contrária do que estava acontecendo na realidade.

Clarissa havia se jogado à frente do demônio tarde demais. Max já estava contaminado com o veneno de Drevak. Mas ele tinha que admitir que se não fosse por ela, Max poderia estar morto.

De quando em quando passava a mão na testa para tirar as gotículas de suor que se alojavam ali. A família estava andando na frente. Andavam num terreno seco e de terra. A areia entrava por entre seus dedos, uma sensação boa. Já estavam caminhando há algumas horas. Se perguntava onde a garota ruiva estava. Falou que ia procurar a ajuda de algum feiticeiro para ajudar Max. Mas, como ela chegaria a tempo?

– É simples, ela faz um portal e puf. Está aqui.- Jonathan respondeu.

– Mas como..?

– Eu leio mentes.- esclareceu. Jace permaneceu calado. Não deveria estar nada surpreso.

O sol já estava descendo. Jonathan pediu para que todos se juntassem. Adicionou que já chegariam. E de fato, eles chegaram após alguns minutos. A casa era bem simples.

Jonathan fez uma fogueira. Aquela noite estava excepcionalmente fria. Grande ironia visto o calor que havia os atrapalhado a tarde inteira.

– Onde são os quartos?- Isabelle perguntou. O cabelo estava desajeitado e o vestido , antes rosa, agora tinha manchas marrons em sua coloração. Os sapatos tinham um dos seus saltos cuidadosamente feitos , quebrado.

– Por ali.- Jonathan apontou para um corredor.

Maryse não sabia como se comportar na frente de um dos piores inimigos da Clave. Mas nas condições em que estavam, era a única esperança que tinham para salvar Max. Este estava deitado sobre o sofá, a expressão calma , o peito descendo e subindo regularmente. A primeira vista , parecia que estava dormindo. Mas não.

Viu o filho de Valentim retirando ervas de um pote e fervendo água . Viu que a cozinha estava toda suja, as marcas de sangue ali. Também viu Jace alinhando as almofadas dos sofás e as cadeiras na mesa. Sabia que o filho gostava de tudo organizado.

O marido estava sentado ao lado dela no sofá duro em que estavam. A filha já havia desparecido em algum daqueles cômodos e Alec permanecia imóvel, com toda a certeza, pensando em algo. Alec sempre fora avoado, distraído.

Jonathan preparava uma antiga receita que aprendera com a mãe. Ela gostava de mexer com ervas medicinais e antídotos. Chegava o mais perto de uma feiticeira. Afinal, era uma necessidade deles ter a ajuda de um feiticeiro. E não se podia confiar em ninguém . Mas um antigo amigo de família da mãe era confiável. E foi para ele que a irmã foi .

O chá não demoraria a ser pronto. Sabia que o menino iria se curar. Mesmo sem admitir, ele se preocupava com o garotinho. A água já estava fervida e então ele colocou as ervas e levou a xícara para a sala. Viu todos os olhares dirigidos a ele.

– Esse chá é para quê?- Maryse perguntou.

– Ele ajuda a conter o veneno de demônio para que este não se espalhe.- falou, ponto o chá em cima da mesa de centro. Maryse apressou-se, pronta para dar de beber ao filho.

Jonathan deu a ela a xícara quente e então levantou e foi revistar a casa e arrumar os quartos para os novos hóspedes. Isabelle, a princesa ,dormia tranquilamente no quarto de Clary. Parecia que havia se ajeitado ali. Sabia que a irmã nem ia se incomodar, visto que ela quase nem dormia.

Fechou a porta do quarto e seguiu para os outros cômodos recheados de pó e teias de aranha. Não haviam limpado os outros quartos, até porque só usariam três deles. Mas ele se obrigou a fazer isso.

Na sala, Alec olhava a mãe dar de beber o chá ao irmão. Isabelle já havia voltado da pequena soneca que fizera, desta vez, mais animada. Havia arrumado os cabelos em um coque . Ela estava com uma expressão preocupada no rosto. Sempre prezou pela saúde do irmão caçula. Assim como todos ali.

Jace havia dado uma geral na sala, enquanto esperava notícias do feiticeiro e de Clarissa. Estava impaciente, ansioso. A mãe já tinha dado toda a xícara de chá para o irmão e, mesmo sabendo que agora era esperar, não conseguia.

•••

Clary tinha chegado na frente da casa do feiticeiro. Precisava mesmo botar o papo em dia, ironizou. Mas queria que o feiticeiro fosse logo com ela. Já tinha demorado demais na caminhada até a ala dos feiticeiros. tentou enviar uma mensagem telepática a Jonathan, mas foi sem sucesso. Como se sentisse a presença da menina, Bane abriu a porta antes mesmo de ela bater.

– Ora, ora vejamos quem temos aqui?- Magnus falou. Estava diferente da última vez que o vira. Os cabelos espetados traziam um brilho nas pontas. O calção era amarelo e a blusa, verde com glitter. Segurava o gato de estimação com zelo e tinha uma cara amassada, como se tivesse acabado de acordar.

– Bane.- cumprimentou-o.

– Morgenstern. Entre. Vamos logo.- pediu , saindo da frente da porta para ela entrar. A mesma entrou, esperando o feiticeiro fechar a porta e dirigir-se à ela.

– Vejamos que seu velho hábito de não usar vestidos continua.- observou. Ela apenas revirou os olhos.

– Não é para isso que vim, feiticeiro.

– Acha mesmo que eu achei que era por isso?

– Não. Preciso de sua ajuda.

– Isso ficou óbvio. Em quê?

– Um menino. Foi contaminado com veneno de Drevak. Preciso ajudá-lo. E então, você me ajuda.

– Não antes de me contar quem. Clarissa, se não fosse importante, você não teria se dado o trabalho de vir aqui e pedir minha ajuda.

– Magnus..

– Eu soube do ocorrido com o palácio. Está todo queimado , os guardas mortos. Um ataque de demônios foi detectado logo ali. Acha que não sei que você e seu querido irmãozinho não estão envolvidos?

– Sim. Estamos envolvidos . E , esse menino é Maxwell.

Magnus ficou sem reação, mesmo sabendo que suspeitava que fosse. Clarissa era filha de uma grande amiga do feiticeiro. Jocelyn Fairchild. Ela havia se casado às escondidas com Valentim Morgenstern, um dos inimigos da Clave. Desde então, ele havia encobertado todas as fugas desesperadas e impulsivas para qualquer canto do mundo. Até que foram pegos e desde então, Magnus ajudava Clary e Jonathan.

– Isso é perigoso Clarissa. Afaste-se deles. Esta família os caça e vocês os ajuda?

– Você não entende? Magnus, precisamos ajudá-los! Max vai morrer se o deixarmos lá!

– Sabe que poderia resolver isso sozinha , não sabe?

– Já não sou estranha o suficiente?

– Não. Você é o que você é. E o rei não é uma das minhas pessoas favoritas e você sabe. Nenhum deles é qualquer das minhas pessoas preferidas.

– Você é impossível mesmo.

– Vá! O menino Max precisará de toda a sua ajuda Clary. Não poderei ajudá-la.

– Droga , feiticeiro. Não sei o que minha mãe tinha na cabeça ao pedir sua ajuda sempre.

– Tchau, Morgentern. Que os bons ventos te levem.- desejou, um sorriso brincando nos lábios.

– Igualmente.- ela disse, sem humor, não captando o estado dele.

Magnus a levou até a porta. Clary ao menos se despediu e ele não fez questão de fazê-lo. Mesmo que seu coração mole dissesse que ele deveria ir o mais rápido possível curar o garoto,não arriscaria um encontro com o rei. Viu aqueles cabelos ruivos se afastarem e então fechou a porta, querendo apenas uma noite de sono.

•••

Clary saiu dali sentindo-se derrotada. Sentiu a porta de Magnus fechar-se atrás de si, um ruído baixíssimo.

Andaria até um campo que tinha visto na ida até a casa de Bane. Ainda tinha chão para andar. Se pegou imaginando um mundo em que todos eram felizes, inclusive ela. Ela , o irmão e a família todos juntos, ali. Brincando como crianças normais, vivendo como Caçadores de Sombras normais.

Aquele pensamento a preenchia tantas vezes por dia. Por hora. Se pegava imaginando a vida do lado avesso. Ela se repreendia todas as vezes que se pegava pensando nisso. Ela adorava a vida que tinha.

No fim, ficou invisível para não ser reconhecida pelos vampiros dali. Já era noite então eles sairiam das casas. Não procuraria por Simon agora. Max precisava dela.

Andou rápido, alternando em correr e andar. Chegou ao grande campo e sacou sua estela. Desenhou o portal imaginando a casa. Não demorou muito e então ela entrou, sentindo a tontura inicial ao se teletransportar para outro lugar.

•••

Clary foi jogada na entrada da casa. Nem recuperada da queda naquele capim alto correu para a entrada da casa.

Eles a encararam e então o irmão enviou a ela uma mensagem.

Conseguiu?– perguntou, a voz esperançosa.

Não. Ele não quis vir. Quer que eu use os meus poderes.– suspirou pesadamente, atraindo a atenção de todas as pessoas.

Isso é muito arriscado.

E daí? O que nunca é arriscado para nós? Me diga, Jonathan.

Tem razão.– admitiu.

Fez algo para deter o veneno?– falou, tentando adiar o máximo, mesmo querendo que fosse rápido.

O chá que Jocelyn nos ensinou. Lembra?– perguntou o irmão, fazendo com que imagens de quando eram crianças viessem à mente da irmã.

Sim. Bom, vou tomar uma atitude.– devolveu, caminhando em passos decididos até o meio da sala. Max estava deitado no sofá, coberto com uma coberta e dormindo em um sono profundo. Todas as poltronas em volta do garoto estavam ocupadas pela família. Robert,Maryse, Alec , Isabelle e Jace a olhavam curiosos.

A verdade é que ela estava com medo de fazer algo errado. De fazer com que o menininho indefeso deitado no sofá só piorasse com a interferência dela. Não suportaria perder mais uma pessoas. E por sua culpa. Já bastava a morte dos pais.

Pegou a estela do bolso. Recebeu mais olhares curiosos , mas expeliu todos os sons e a atenção que ela recebia. Agora era a hora em que era tudo ou nada. Aplicou a runa em Max e sentiu a força esvaindo-se, fugindo dela , enquanto repetia cure, cure, cure. O corpinho magro de Max estava tremendo. Claro Todos estavam tremendo ali. A força de Clary era fria e gélida. Mesmo assim, continuou com o processo até que não sentia mais força. Não conseguia mais fazer nada. Sentiu a estela escorregar da mão e seu corpo cair para trás. A última coisa que ela ouviu foi a mensagem do irmão que dizia : Concentre a força , Clary.

Notas finais
Oee aqui estou de volta! Só queria pedir que vocês continuassem a comentar a favoritar e a fazer com que eu me anime a postar! Só isso! Não sabem a satisfação que eu sinto a cada capítulo! Até o próximo!