Children's Angel.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Clary e Jonathan já haviam repassado o plano diversas vezes. Sabiam que seria arriscado, pois tinham consciência que a vila podia estar sendo vigiada constantemente pelos guardas. Sem contar o grande número de pessoas que habitavam a vila. Não pessoas. Membros do Submundo. Todos eram separados,e isso chegava a irritar Clary de certo modo. Os Caçadores de Sombras viviam em vilas mais distantes daquela que eles iriam.
Ela estava suada e cansada. A vila era extremamente longe do lugar no qual eles estavam. Jonathan caminhava em silêncio, provavelmente estava cansado, e não demonstrava, mas sabia que a irmã o conhecia mais do que ele próprio. Ela também estava cansada. No último encontro deles com a Clave, conseguiram escapar com apenas alguns ferimentos.
O silêncio era incômodo. E aquela nuvenzinha do tédio pairava sobre o ambiente. Ambos os irmãos odiavam se sentir entediados. Ela suspirou, atraindo a atenção do irmão, que até ali , olhava sempre a frente.
– O que foi?- perguntou.
– Estou entediada. Argh!- respondeu, fazendo uma careta.
– Somos dois; Mas a ideia foi sua.- retrucou, sorrindo. Clary assentiu, derrotada. Ela insistira, nenhuma novidade, considerando o quão teimosa ela era, em procurar o caçula da família real. Situação um tanto estranha, afinal, considerando a situação. Mas, só de imaginar o menininho na mão das pessoas , à mercê de quem o sequestrou, seu coração apertou. O que, considerando que ela não deveria sentir absolutamente nada , a não ser um ódio extremamente forte da família do menino, ela sentia simpatia, pois imaginava o que a família dele estava sentindo no momento.
O plano seria seguir até a vila e ver se continham boatos de Max ter passado por ali. Ou se ele estava ali. Ou qualquer outra coisa que tivesse alguma coisa a ver com aquele lugar. Se alguma informação passasse por algum dos ouvidos dos dois eles continuariam a morar ali. Caso contrário, partiriam dali e nunca mais sairiam atrás do inimigo.
Já estavam andando a algumas horas. Lado a lado, como sempre . Os Morgenstern contra o mundo! Era isso. Ela sabia o significado do lema. E no fim era esse significado que se tornava realidade a cada dia. Tanto o pai quanto a mãe repetiam o lema da família. E agora, sobrara aos filhos . Eles sentiam falta da calma
e ternura que a mãe emanava, e da coragem que o pai transmitia. Os valores que eles ensinaram aos filhos desde crianças.E as habilidades que deviam ter.
– Sabe o quanto teremos que andar até chegar lá?- ela perguntou , quebrando o silêncio.
– Mais algum tempo.- ele apenas respondeu, nem se dando ao trabalho de checar.
– Uh, droga.
– Já está cansada?- ele provocou. Um sorriso brincalhão surgiu involuntariamente. Clary sabia o que aquele sorriso, aparentemente inofensivo significava : desafio.
– Nem um pouco. Por quê?- respondeu voltando a cabeça para ele.
– Quero ver me alcançar nessa corrida.- ele retrucou e um minuto depois, um Jonathan e uma Clary estava correndo rapidamente para a frente.
•••
– E então? Alguma notícia dos Morgenstern?- um Robert , já desgastado e extremamente estressado indagava aos guardas.
– Não senhor. — respondeu um deles.
– Como? Algum vestígio deles ? — exigiu, visivelmente irritado.
– Apenas a casa queimada. Só.- respondeu outro.
– Droga. E Max? Alguma notícia?
– Nada senhor.
– Podem se retirar. Avise Maryse que já estarei descendo.
– Sim , senhor.- concordou um deles , seguindo para fora do ambiente de paredes brancas, estantes cheias de livros , mapas e armas históricas e sendo seguido pelos outros.
Robert não se conformava com o desaparecimento do filho mais novo. E mais ainda , debaixo de seu nariz. Suas suspeitas viajavam aos filhos de Valentim e Jocelyn. Os temidos Morgenstern. Clarissa e Jonathan pareciam ter as mesmas habilidades dos pais. Se foram eles que ousaram tocar em Max, ah, eles vão pagar, pensou.
Se levantou e seguiu para a sala de jantar, onde se encontravam Maryse, sua esposa, e os filhos Jace, Isabelle e Alec. A cada dia que se passava a tristeza de apossava da família. Mais e mais. Logo que entrou , os olhares se voltaram para ele.
– Alguma novidade sobre Max? — a esposa perguntou.
– Nada. — respondeu.
– E Clarissa e Jonathan? Algum sinal deles?
– Eles queimaram a casa, nada.
Para os filhos do casal real, era estranho ouvir os pais falarem de outros adolescentes. Quer dizer dos irmãos Clarissa e Jonathan. Eles eram os fugitivos e Robert procurava deixar os filhos de fora quando o assunto era esse.
– Acha que foram eles que sequestraram Max?
– Tenho certeza.- acabado de falar isso, um dos soldados adentrou a sala com uma expressão de cansaço.
– Desculpe entrar assim meu senhor, mas tenho notícias.- Robert o chamou para falar a sós com ele.
– Pode falar. — autorizou.- É sobre o quê?
– Clarissa e Jonathan.
– O que tem eles?
– Eles lutaram agora pouco com os guardas do palácio.
– E então? Pegaram-nos?- o rei perguntou, com um pouco de esperança na voz.
– Não, senhor. Eles venceram.
– Como assim? Droga! E Max? Estava com eles?
– Não, senhor. Andavam sozinhos.
– Notícias de onde eles estão?
– Não, senhor. A última vez que os vimos foi na luta.
– Ótimo. Mande reforços para ir atrás deles agora. Não devem estar tão longe.
– Sim, senhor.
– Pode ir.- dito isso, o guarda saiu.
Isabelle, Alec e Jace ainda permaneciam calados. Maryse havia se sentado em uma das cadeiras. Todos estavam esperando Robert chegar e falar algo.
– Ao que tudo indica, não forameles que raptaram Max. Mas as buscas ainda continuam.- ele informou.
–O que ele queria com você?- a esposa de Robert indagou.
– Me contar que eles lutaram com Jonathan e Clarissa agora pouco. Não se preocupe. Vamos encontrá-lo.- ele garantiu. Sabia como a esposa estava com o desaparecimento do filho mais novo.
O silêncio se estabeleceu na sala. Isabelle estava pensativa, pensando que o pai já havia feito de tudo para encontrar o irmãozinho. Colocara cartazes em todos os lugares do reino, tropas em busca dele, checara as câmeras, falara com um feiticeir...Não. Eles não havia feito isso. Ela se lembrou de um feiticeiro que havia vindo no palácio anos atrás. Como era o nome dele mesmo? M...Mag..Magnus! É isso. Magnus Bane. Sabia o quão perigoso seria tocar nesse assunto com o pai. Mas era isso ou aguentar Max sumido.
– Pai?-chamou. Todas as cabeças se voltaram para ela.
– Sim, Isabelle?
– O senhor não acha que, mesmo que pareça errado e, não seria uma chance de encontrar Max, chamar um feiticeiro e pedir para rastreá-lo?- a garota falou. Já podia sentir a irritação e a descrença do pai do outro lado da mesa.
– Não. Não há necessidade disso Isabelle. — ele respondeu. Pelo menos não gritou.
– Ok. Desculpe. Foi só uma sugestão.
– Você e todos os seus irmãos podem ir agora.- dito isso, Jace , Alec e ela se levantaram e seguiram para os seus quartos.
Jace estava procurando caminhos inexistentes, pistas que não existiam , qualquer marca que denunciasse onde Max havia sido colocado. Sabia que o irmãozinho o adorava, falava que era seu herói. Ele se sentia na obrigação de achá-lo. Considerando a situação, ele não achara ruim a ideia da irmã, Izzy. Pelo contrário. Era uma chance e tanto de encontrar o irmão mais novo. Entrou no quarto e então adormeceu pensando em um modo de convencer Isabelle, o que julgava não ser tão difícil, e Alec, que já era outra história , de encontrar o tal feiticeiro.
•••
Isabelle acordou com tudo em mente. Logo que entrou no quarto, na noite anterior, teceu um plano que ela julgava ser magnífico. Convenceria os irmãos a ajudarem-na a encontrar Magnus Bane. Mesmo que isso trouxesse uma enxurrada de problemas , já que o pai não aprovaria nunca. Se vestiu e foi tomar café. Mesmo que ela tivesse dormido pouco na noite anterior pelo plano que havia bolado ter deixado sua mente ligada, tratou de fingir que estava tudo bem. Todos estavam lá exceto a mãe e o pai. O pai estaria fazendo uma viajem até outro país do qual o nome ela não se recordava e a mãe simplesmente havia parado de fazer qualquer coisa após o sumiço de Max. Não parecia a mãe dela. Não mais.
Fez um sinal para Alec e Jace falarem com ela após o café da manhã, que aliás estava muito bom. Nunca foi uma pessoa comilona, mas apreciava a culinária do palácio. Tudo era feito a esmo, coisa que ela adorava. bebeu um último gole de suco de laranja e se retirou, alegando já estar satisfeita.
Foi até o jardim sentindo os passos dos dois irmãos logo atrás dela. Ela adorava o jardim de lá. As flores , o perfume que exalavam davam um ar de tranquilidade. Caminhou até o banco e sentou-se. Fez um sinal para que eles se sentassem também. Jace também queria falar com os dois.
– Não sei vocês, mas eu não aguento mais!- a menina desabafou.
– Defina '' não aguento mais''.- Alec pediu.
– Olhe como todos estão depois do desaparecimento de Max! Mamãe nem come mais , e quando vai jantar só remexe a comida. Papai tenta esconder mas não dá certo. Ele está mal. Vocês também! Eu também. por isso, coloquei essa minha cabeça para pensar e então , resolvi pedir a ajuda de vocês.
– Fala.- Jace pediu.- Para o quê?
– Pode ser que o papai não aprove, mas eu quero ir falar com o Magnus! Ele é uma chance. Talvez a única. E aí? Topam?
– Se é para encontrar Max.. eu vou- Jace respondeu. Izzy bateu palminhas. — E você Alec?
– O que eu não faço, não é?
– Ótimo, então euvou começar a explicar o plano para vocês, pequenos gafanhotos.
•••
No dia seguinte, Isabelle , Alec e Jace sairiam do palácio. Mas não de uma forma correta. Iriam no caminhão que saía do palácio para abastecer a geladeira. Por sorte, um guarda concordou em ajudá-los e acobertá-los. Todos programaram seus despertadores para antes de o sol nascer. Tudo teria que dar certo.
Isabelle ouviu o despertador tocar e resistiu à tentação de jogá-lo contra a parede.Levantou relutante e colocou uma roupa muito simples. Uma calça jeans e uma blusa. Nada de saltos. Ok. Caminhou até o jardim e os irmãos já estavam lá, com o guarda que ela esquecera o nome. Nem sabia se ele havia dito o nome para eles.
– Até que enfim, a princesa Isabelle deu o ar de sua graça para nós, simples mortais.- Jace ironizou, anunciando a sua chegada. Ela apenas deu a língua para ele e se encaminhou para o caminhão. Nunca havia andado em um caminhão. Os irmãos também não. Resolveu encarar como um passeio. Um pouco sujo , mas um mesmo assim. Passariam na vila mais próxima, a vila dos Habitantes do Submundo: feiticeiros, fadas , vampiros e lobisomens.
As casas não tinham um padrão exato. Isabelle sentia-se desconfortável com aquela calça e blusa. Eram tão estranho aquele tipo de vestimenta. Estava com um pouco de poeira por conta da viajem no caminhão.Alec e Jace andavam ao seu lado. As blusas de ambos era colada ao corpo e as calças jeans tinham alguns rasgos. Pareciam trabalhadores. Isabelle teve que rir da situação.
– O que foi?- Alec perguntou.
– Uh, nada.- ela respondeu tentando parar de rir. Ela sabia o endereço de Magnus. Na ala dos feiticeiros. Ela não entendia o por que de os seres do Submundo morarem separados. Talvez pela rixa que eles tinham. O que importava é que eles já tinham passado pelos vampiros. O próximo seriam os feiticeiros.
Depois de andarem por pouco tempo, finalmente viram a placa indicando a ala que procuravam. Até agora ninguém tinha os reconhecido, afinal , estavam acostumados com a filha toda impecável e os irmãos totalmente eretos e arrumados.
Chegaram a uma casa de dois andares, com flores amarelas na janela. A placa continha as iniciais M. B. Magnus Bane. Jace bateu à porta. Não sabia ao certo se ele atenderia, afinal o sol acabava de nascer. Mas então um ser com cabelos espetados cobertos com um gorro rosa , olhos parecidos com os de um gato e o que parecia o conjunto de um pijama nada discreto e pantufas.
– Quem ousa me acordar à essa hora da noite..?- ele perguntou abrindo a porta e então, logo que os viu , abrindo a boca em um ''o''.- Mas o qu..?
– Creio que já percebeu quem nós somos .- Jace , que estava mais perto do feiticeiro, respondeu.
– Vamos logo! Entrem.- Magnus, que parecia ter se recuperado da surpresa , disse puxando os três para dentro. A casa tinha um ar confortável. Ou não. Os sofás tinham uma capa extremamente estravagante, com aquela cor dourada com brilhos para todos os lados. As almofadas eram verdes néon e as paredes eram rosa choque. Ficou claro que o feiticeiro não gostava da normalidade.- E então, a que devo essa ilustre visita?
– Precisamos da sua ajuda!- dessa vez Isabelle falou.
– Em que , mais precisamente?- ele disse, claramente interessado.
– Max. Nosso irmão. Ele foi sequestrado e queremos sua ajuda para encontrá-lo.
– Eu soube. Mas , então? Por que o rei não está aqui?
– Viemos escondidos dele.- esclareceu Alec, se pronunciando pela primeira vez. Os olhos do feiticeiro viajaram ao príncipe parado , olhos azuis e cabelos negros. Que pedaço de mal caminho, pensou.
– Oh, que coisa feia. Mas saibam que eu só ajudarei com ele aqui.
– Magnus! Por favor!- Isabelle pediu.- Ele nunca iria. E Max?
– Só com ele aqui.
– Por quê?
– Apenas com ele.- ele apenas disse isso. Isabelle assentiu. Estava planejando como convenceria o pai a tomar a decisão.
– Caso ele venha, por favor, não conte que nós já viemos aqui.
– Feito. Aliás, adorei o seu cabelo.- ele concordou. Izzy sorriu. Jace já estava se encaminhando para a porta sendo seguido pelos irmãos. Estava curioso para saber o por que que Magnus só os ajudaria com o pai ali. E frustrado por não conseguir a ajuda do feiticeiro. — Se escondam bem.
Eles já haviam saído da casa. Os pais estavam dormindo ainda, isso era certo. Teriam que tecer um plano para convencer o pai a ir até ali. E os três sabiam que não seria nada fácil. Pelo contrário. Já haviam saído da seção dos feiticeiros. O guarda que os havia acobertado estaria esperando um pouco depois do fim da ala dos vampiros. Não teriam que andar muito. Os dedos dos pés de Izzy estavam doendo. Teria um trabalhão para vestir os saltos. Eles avistaram o caminhão parado. Os guardas rodeavam ele. Ela foi a primeira a subir. Se acomodou em meio as comidas que estavam lá. Suspirou, tirando o suor da testa. Teria que se manter mais em forma.
– Cansada?- Jace perguntou.
– Mais do que nunca. E vocês?
– Nem tanto.- Jace respondeu. Ah,claro. Ele praticava luta nas horas vagas. — E você Alec?
– Também.- ele disse, meio grogue. Uma coisa que Alec não abria mão, era seu sono.
A viajem se seguiu em silêncio. Alec dormiu, o que já era previsto. Isabelle arrumava o cabelo. E Jace viajava em pensamentos. Não demorou muito e a porta do caminhão foi aberta.
– Chegamos.- um dos guardas avisou. Eles se levantaram e seguiram para dentro do castelo, sorrateiramente. Os pais não haviam acordado. Isso permitiu que os três ficassem apresentáveis o bastante para dar a impressão de que era só mais um dia normal. Tentariam convencer o pai.
Isabelle , Alec e Jace se encaminharam para seus respectivos quartos. Cada um pensando em uma maneira de dobrar o rei.
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