Children
7 Vai escovar os dentes
Notas iniciais
Nem parece que dormi a noite inteira, pois acordei extremamente cansada! Misericórdia, jamais pensei que fosse ser tão difícil cuidar de duas crianças pequenas!
Me espreguicei e rolei para o lado, sentindo um incômodo por causa do colchão molhado. Abri os olhos e vi a pequena Sakura dormindo tranquilamente ao meu lado, mas nada do Sasuke... Espera, o colchão está molhado?!
Levantei da cama num pulo e me senti até um pouco tonta... Sabe aquele momento que você se levanta rápido demais e sente que tá tudo girando, como se seu tempo nesse mundo estivesse se acabando? Pois é...
Por causa da visão embaçada, peguei meu óculos sobre o criado mudo e coloquei para poder enxergar melhor.
Sakura continuava dormindo feito um anjinho em seu canto, parece que nem se mexeu à noite. No meio da cama havia uma enorme poça e meu pijama ficou molhado de... xixi?! Ah, não!
Cadê o Sasuke? Aquele diabinho está aprontando, eu sinto isso!
Caminhei até a sala, onde encontrei o pequenino sentado no chão, parecendo uma criança comportada e assistindo desenho.
Ufa, pelo menos não aprontou, mas... ele tá molhado!
– Sasuke! — Chamei com a voz firme e ele olhou para mim.
– Oi, tia. — Ele sorriu de orelha a orelha.
– Você tá molhado... — Sorri, fingindo animação — Você está molhado de xixi, sentado no tapete da sala...
Pelo menos não sentou no sofá.
– Eu não queria te acordar, tia, e não sei onde estão as minhas roupas. — Ele falou tão docemente que eu quase esqueci que ele fez xixi na cama. Quase...
– Você faz isso sempre? — Indaguei desanimada, temendo a resposta.
– Sim. — Ele assentiu simplesmente — Ah, tia, o que é uma prostituta? — Sasuke perguntou inocentemente e eu fiquei claramente confusa.
– Prostituta? — Uni as sobrancelhas.
– É.
Olhei para a televisão. Droga! Tanto desenho infantil e essa criaturinha foi achar logo o canal onde passa South Park! Ah, cacete!
– Sasuke, você não pode ver isso! — Peguei o controle e desliguei a televisão.
– Tia, o que é prostituta? — Ele tornou a perguntar.
Maldição! Criança não esquece fácil das coisas, droga!
– É uma fruta. — Dei a primeira resposta que me veio à cabeça.
– Uma fruta? — Levou o dedo indicador até o queixo e fez uma carinha confusa — Eu nunca vi.
– Pois é, mas é uma fruta.
– Ah, tia, eu quero experimentar. — Ferrou! — Tia, eu quero comer uma prostituta!
Se minha mãe escuta isso, minhas chances de ter um irmão no futuro vão zerar totalmente.
– Sasuke, essa fruta não nasce aqui. — Respondi — Esquece isso.
– Ah... — Ele fez beicinho — Eu queria provar.
– Para de falar besteira! Vou te levar pro banho e preparar o café da manhã.
– Eu já comi, tia.
Ele... Já comeu?
Deus, por favor, que a cozinha esteja inteira.
Corri até a cozinha e meu coração quase veio parar na garganta. A geladeira está aberta, tem leite no chão — que por acaso o Jon Snow está lambendo -, o pacote de biscoito está aberto sobre a mesa e tem várias migalhas sobre ela, isso sem falar na maçã parcialmente comida e jogada sobre a pia.
Por que ele tem que fazer bagunça em tudo?
– Sasuke, você podia ter me acordado. — Suspirei. Já me sinto cansada só de pensar em ter que limpar tudo isso.
– Fiquei com medo de você brigar comigo. — Ele se defendeu — Por isso eu vim aqui preparar meu próprio café da manhã.
Aí derramou leite, estragou uma maçã, sujou a mesa toda de biscoito e meu gato ainda se entupiu de leite. Se ele der dor de barriga, a culpa vai ser dessa coisinha atentada!
– Tá bom, Sasuke... — Suspirei com pesar — Da próxima vez você me chama. E, por favor, nunca mais mexa na cozinha.
– Tá bom... — Sasuke assentiu.
Meu pequeno pai era uma criança tão meiga, pena aprontar tanto!
– Já pro banho, você está fedendo.
– Você também, porque sua roupa tá molhada.
Mereço...
Só estou molhada porque essa pequena criatura me molhou!
– Pro banho, criança...
Sasuke entortou os lábios, então lancei um olhar ameaçador e ele sacou o recado. Foi direto para o banheiro, sem contestar.
Aproveitei pra limpar a cozinha e arrumar a bagunça que o pequeno Sasuke fez.
Eu só espero estar mentalmente normal quando esses dois voltarem a ser adultos. Não aguento mais.
Levei um mega susto com o barulho da campainha tocando. Putz, desde quando sou tão neurótica? Ah, dane-se, essas duas crianças estão me pondo louca!
Caminhei até o portão e o abri, dando de cara com Boruto.
Droga, meu amigo chegou aqui em casa e eu tô parecendo o Smeágol! Credo!
– Bom dia, Sarada... — O loiro já foi entrando e eu fechei o portão.
– Não tem nada de bom! — Resmunguei.
– Cadê os anjos? — Ele foi entrando em casa e indo direto para o sofá.
– O único anjo que tem aqui em casa é o Jon Snow. — Respondi antes de sentar ao lado do meu amigo no sofá.
– Seus mini pais estão dando muito trabalho? — Esse sonso pergunta rindo, já sabendo a resposta, só pra me ver irritada.
Não se deve irritar um nativo do signo de Áries, meu pai sabe bem disso... Mamãe e eu já estamos quase deixando o coitado louco.
– Imagina. — Ironizei — Eu estou amando isso, sabe... Eles são verdadeiros anjos e eu nem quero meus pais de volta.
– Ah, essa sua ironia... — Suspirou — Sarada, posso te fazer uma pergunta meio indiscreta?
– Ué, faça. — Dei de ombros.
Não sei por que usam essa pergunta clichê. É claro que ninguém vai responder "Não, não é pra fazer perguntas" porque a curiosidade sempre é enorme!
– Tem alguma coisa fedendo. — Ele fez uma careta.
– Digamos que alguém estava com a torneira ligada à noite. — Respondi com desânimo.
– Quem?
– Meu pai! — Respondi — Aquela miniatura de gente fez xixi em mim!
– Ah, caramba! — O rapaz caiu na gargalhada — Que épico!
– Porque não foi com você! — Rosnei — Vá à merda, Boruto!
– Ah, você tá esquentada hoje, hein!
– Por quê? Não tenho motivos pra estar?
– Sarada, são duas crianças pequenas. — Falou tranquilamente como se fosse fácil — Você é dramática demais.
– Ok, então. — Esbocei um sorriso desafiador — Me ajude com eles, quero ver você aguentar!
– Desafio aceito! — Boruto riu com um ar de superioridade.
Espera... Ele levou a sério? Na moral, mesmo?
Ok, não confio no Boruto nem pra cuidar de um peixinho de aquário, mas, na atual situação, tô apelando pra tudo mesmo!
– Enfim, o que você veio fazer aqui? — Mudei de assunto.
– Ah, sim! — Alarmou — Eu descobri sobre essa parada aí dos seus pais.
– Sério? — Arregalei os olhos e cheguei mais perto do loiro — Me conte! Por favor, me conte tudo que você descobriu.
– Vou contar, mas antes... — Suspirou — Vá escovar os dentes.
– O quê? — Indaguei com a voz esganiçada.
– Sarada, eu não queria dizer nada, mas tô sentindo seu bafo daqui. — Quanta audácia — Escova os dentes, depois a gente conversa.
Filho de uma égua! Ai, cacete, a tia Hinata é um amor... Droga, esse infeliz me faz até xingar os outros!
Não tive tempo pra nada hoje, só pra limpar bagunça! Ora essa, ele tá pensando que é o que pra vir falar isso pra mim? Eu devia não escovar os dentes agora só de implicância, mas vou só porque isso também tá me incomodando.
Só pra deixar claro que eu vou porque tenho que ir, não porque o Boruto mandou.
– Tá bom, seu chato! — Levantei do sofá e joguei um almofada em Boruto.
Fui até o banheiro para poder escovar os dentes, claro, eu estava precisando. Foi quando lembrei que tem duas crianças — muito quietas, por sinal — morando na mesma casa que eu.
Aí tem...
Acho que é melhor ir verificar primeiro, depois escovo meus dentes.
Fui devagarzinho até o quarto dos meus pais, abri a porta e me deparei com a minha pequena mãe sentada no chão e brincando inocentemente com um par de algemas enfeitadas com plumas cor de rosa... Oi?!
– O que é isso? — Indaguei, dando um susto na menina.
– Tia, olha que legal. — Ela mexeu nas plumas, achando aquilo muito lindo — É fofinho.
Céus, meus pais usam isso? Será que minha mãe tem fantasias com o Christian Grey ou coisas do tipo? Argh, credo, misericórdia!
Tanta coisa pra uma certa criaturinha achar no quarto dos meus pais, ela foi achar logo essas malditas algemas, ainda com plumas! Se bem que... É melhor do que ter achado um chicote ou algo assim.
Ai, credo, depois dessa eu não sei nem o que pensar. Nunca mais vou conseguir olhar pra eles do mesmo jeito!
– Menina, me dá isso! — Tomei as algemas da mãozinha dela e coloquei sobre o criado mudo — Não é pra mexer. Não é de criança.
– É rosa... E tem pluminhas.
Ai, socorro!
– Mas não é de criança. — Retruquei — Cadê o Sasuke?
– No banheiro.
Não sei por que, mas fiquei com uma leve impressão de que o garoto está fazendo alguma coisa que não devia.
Na pontinha dos pés, silenciosamente, caminhei até o banheiro dos meus pais e abri a porta. Senti meu coração vir parar na garganta quando vi meu pequeno pai sentado no mármore da pia enquanto, tranquilamente, mexia no aparelho de barbear.
– Sasuke! — Gritei.
Infelizmente não pensei duas vezes antes de dar um berro e, bem, o garoto se assustou... e se cortou... e começou a chorar.
– Meu dedinho! — Sasuke abriu o berreiro, mostrando seu dedo indicador com um pequeno corte que sangrava.
Merda!
Peguei o garoto enrolado na toalha e o coloquei no chão, logo depois tirei o aparelho de barbear de sua mãozinha que não está machucada e coloquei de volta no lugar.
Misericórdia, que peste! Será que ele não vê que isso corta? Meu pai é um homem tão inteligente, não é possível que tenha sido burro quando pequeno.
– Sasuke, sem choro. — Falei calmamente e me abaixei pra ficar na mesma altura que ele — Olha só, quase nem cortou.
– Sarada? — Ouvi a voz de Boruto e olhei em sua direção, encontrando o rapaz parado na porta do banheiro — Escutei um grito, o que foi?
– Alguém cortou o dedo... — Olhei para Sasuke e o pequenino fez beicinho.
– Eu só tava brincando... — Disse com a voz chorosa.
– Sarada, algumas coisas têm que ficar fora do alcance de crianças. — Boruto falou.
– Eu sei... — Suspirei — Sasuke, já passou?
– Tá saindo sangue... — Ele me mostrou novamente o dedo.
Ah, qual é, nem tá sangrando tanto assim! Que dramático!
Se bem que meu pai não pode pegar um resfriado que já acha que tá morrendo, então é compreensível. Ele não mudou muita coisa.
– Mas tá doendo? — Indaguei.
– Não.
– Então não tem porquê chorar.
– Tia... — Sasuke falou meio desconfiado.
– O que foi?
– Vai escovar os dentes.
Mereço...
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