Childhood Love
23 A Luz no Fim do Túnel
Notas iniciais
Anaru POV
Estava extremamente confusa... Onde eu estava? O que eu fazia aqui?
Conversei um pouco com a doutora... Mas por que eles diziam de uma tal Anaru? Esse nome não me é estranho... Se é que isso era um nome.
Anaru: Quem é essa Anaru que vocês tanto falam?
Yukiatsu: C-Como assim Ana... Quer dizer, Anjou? Você... — A doutora o cortou
Takiyama: Vamos com calma, sr. Atsumu. Anjou, sua pressão está normal — Tirou o aparelho do meu braço — Vou fazer alguma perguntas e você me responda tudo que lembrar, ok?
Anaru: Sim, senhora.
Yukiatsu: Enquanto isso, eu vou fazer uma ligação, já volto. — Ele saiu e me deixou sozinha com a doutora.
Takiyama: Qual é o seu nome?
Anaru: Naruko Anjou.
Takiyama: Idade, série, nome da escola...?
Anaru: Tenho 16 anos, estou no segundo ano e estudo na escola... Er... Não me lembro do nome, mas sei que fica na rua Kitsune.
Takiyama: Certo. Você namora?
Anaru: Sim... — Só não me lembro do seu rosto... Mas o nome dele era Jin... Jin o que mesmo?
Takiyama: Seu namorado vinha aqui todos os dias. Ele realmente se importava com você. Você devia agradecê-lo depois.
Anaru: A senhora conheceu meu namorado?
Takiyama: Mas é claro! Dia e noite, fazia sol ou chuva, ele estava aqui para te ver — Se ele vinha todos os dias... Cadê ele?
Anaru: Ele já veio hoje...? — Ela me olhou com uma expressão completamente confusa, parecia que eu havia perguntado algo sobrenatural.
Takiyama: Ele acabou de sair do quarto! Sua memória está tendo pequenas falhas...
Anaru: O Yukiatsu? Ele é meu namorado? — Hã? Eu realmente não me lembro dele como meu namorado...
Takiyama: Ele é um ótimo rapaz. Vinha conversar e te trazia presentes sempre que podia. Já perdi as contas de quantas vezes ele dormiu no hospital, esperando você acordar.
Eu tentava colocar minha mente no lugar. O Yukiatsu fez tudo isso por mim? Ele me amava tanto a ponto de ter cuidado de mim todo esse tempo? Espera. Quanto tempo? É verdade... Quanto tempo eu estava aqui? Por que eu estava aqui? Tinha um trilhão de perguntas para fazer à doutora.
Jintan POV
Era um dia como outro qualquer. Estava trancado no meu quarto e jogando meu mais novo vídeo game: WiiU.
Isso não era novidade para ninguém. Nunca gostei muito de sair e principalmente agora que minha namorada estava hospitalizada... Quer dizer, não é bem agora... Já faz sete meses.
O tempo passava cruelmente... Sem perguntar-nos se queríamos ou não. Meu celular já não servia para mais nada a não ser como enfeite do criado-mudo... Até então.
O objeto começou a tocar... Que coisa rara de se ver. Na época do acidente ele tocava com mais frequência, mas depois que comecei a ignorar a todos e a tudo, eles cessaram.
Corri, todo desajeitado e alcancei o bichinho... Era o Yukiatsu. O que esse ser vivo queria comigo depois de tanto tempo? Devo atender? Não devo? Será que ele realmente tinha algo de importante para falar comigo?
Enfim, achei melhor atender, ele não me cobraria uma visita depois de tanto tempo né?
Jintan: Alô? — Atendi com uma má vontade inigualável
Yukiatsu: Jintan? Como vai? Quanto tempo! — Havia uma felicidade explícita na voz dele.
Jintan: Indo... Mas o que houve? É incomum você me ligar
Yukiatsu: Claro! Você não atendia por ordem alguma! Mas dane-se, me ouça. A Anaru... Ela acordou!
Jintan: Ela o quê?
Yukiatsu: Isso mesmo que você ouviu! Ela acordou!
Depois da minha última frase, não escutei uma só letra que o Yukiatsu pronunciou. Meu celular escorregou da minha mão devido a ausência de força que tive para segurá-lo. Paralisei-me dos pés à cabeça.
Eu queria vê-la. EU PRECISAVA VÊ-LA! Corri feito louco, mal pude esperar por esse momento. Confesso que fui um covarde e tanto por tê-la abandonado, mas independente de tudo, eu vou me encontrar com ela.
***§***
Cheguei ao hospital e logo perguntei para a recepcionista qual era o número do quarto dela, afinal, não lembraria por ordem alguma.
Depois de descobrir, fui correndo para as escadas, pois o elevador iria demorar um século, já que o hospital tinha 10 andares. Só que encontrei alguém no meio do caminho.
Yukiatsu: Jintan! Que bom que você veio!
Jintan: Oi Yukiatsu. Como está a Anaru? — Minha mente só pensava nela.
Yukiatsu: Ela está bem, só que... — Peguei-o pelo pulso e corri com ele em direção à escada.
Jintan: Depois você me conta os detalhes! Eu só quero vê-la. — Resolvi cortar o Yukiatsu porque ele iria contar tudo nos mínimos detalhes.
Corremos e finalmente chegamos. Bati na porta e ouvi um "entra", que deve ser da doutora responsável.
Entramos e lá estava ela. Não sabia se era possível ficar tão feliz e emocionado ao mesmo tempo. Não mudou nada... Era como se o tempo não mudasse somente para ela.
Takiyama: Seu amigo chegou, Anaru. — Eu não era um amigo... Eu era o NAMORADO dela!
Jintan: Anaru... Eu... — Chorava mais do que uma criança... Era um milagre ela ter sobrevivido de um acidente que matou 78 pessoas.
Eu a abracei e não sabia o que falar. Queria dizer o quanto eu a amava, quanto eu senti falta dela... De quanto ela era importante pra mim e que meu mundo havia acabado durante esses sete meses.
Ela parecia estar confusa com tudo, ela mal retribuiu meu abraço, mas tentava me acalmar.
Takiyama: Senhor... Ela está confusa ainda e... — Ouvi a doutora dizer algo, mas logo foi cortada pelo Yukiatsu que colocou a mão no ombro dela e a silenciou.
Jintan: Anaru, que bom que você está bem! — Minhas lágrimas estavam insaciáveis.
Anaru: É bom te ver também... Er... Jin? — Jin? De onde ela tirou esse apelido? Ela nunca me chamou assim.
Jintan: Sim, seu Jintan.
Anaru: Meu? Ah sim! Lembrei! Meu amigo de infância!- Amigo de infância? Quer dizer, eu sou... Mas também...
Jintan: Sim, eu mesmo. Sua memória não está 100% não é?
Takiyama: Por isso que temos que pegar leve, ela precisa de repouso... Que tal tomarmos um café?
Yukiatsu: É verdade Jintan, desde que ela acordou estamos deixando-a mais confusa, né Anar... Anjou. — Anjou? A gente não estava nos chamando pelos apelidos?
Jintan: Sim, claro... Você ficará bem sozinha, amo- Anjou? — Se ele chamou, acho melhor chamá-la também.
Anaru: Certo, irei dormir um pouco então.
Saímos do quarto e fomos tomar um café na lanchonete. Mal nos sentamos e resolvi abrir o jogo.
Jintan: Ok doutora, pode falar. O que há de errado com a Anaru? Por que a memória dela se encontra desse jeito?
Takiyama: Imaginei que me perguntaria isso... Bem, ela sofreu um acidente muito grave como sabemos, e o que ela está passando agora é muito comum, que é uma amnésia pós coma. Depois que uma pessoa retorna de um coma, todo o metabolismo tenta se regularizar junto, mas tudo ao seu tempo, como por exemplo: o que se recupera primeiro é a frequência cardíaca, em seguida a coordenação motora e os instintos. Por último vêm a memória e o raciocínio.
Yukiatsu: Então isso tudo é normal? Não tem nada de anormal?
Takiyama: Não, nada mesmo. Agora torceremos para que ela não fique com nenhuma sequela.
Jintan: Nem diga isso... Se Deus quiser ela voltará como antes.
Takiyama: Por isso meninos, peço que não fiquem fazendo muitas perguntas a ela... Acreditem, ela irá se lembrar de tudo, é só questão de tempo.
E finalmente acordamos de um pesadelo que julgávamos como infinito... Achamos nossa luz no fim do túnel.
Fale com o autor