Child of Nature

12 Tess, a melhor irmã


Notas iniciais
Esse capítulo foi mais para ter algo a que postar e para fugir um pouco do enredo de Aaron vs. Maslow. Prometo que o próximo terá mais ação e irei mostrar uma Captura à Bandeira mais divertida (até porque Maslow estará mais experiente no assunto).





Aaron desabou no gramado assim que os feixes da luz do sol pararam de atacá-lo. Ele não teve tantos danos quanto um mortal teria, muito pelo contrário, Aaron na verdade teve a pele um pouco avermelhada e as pernas e os braços chamuscados em carne viva. Nada mais do que isso. Era como se ele tivesse de alguma forma bloqueado uma enorme parte do dano.

Era seu ódio.

O vento forte levou todos a se deitarem no chão para que não fossem levados pelo ar. Maslow teve a brilhante ideia de furar o gramado com sua foice o mais profundo que podia para que tivesse algo a se segurar, como um machado de escalada.

– Que diabos foi isso? – murmurou Maslow, um pouco sem voz pelo desesperante acontecido. Melissa se virou para ele com os olhos arregalados e seus cabelos loiros estavam arrepiados por causa do vento.

– Jessica é a filha de Apolo mais poderosa que já pisou no acampamento – respondeu Melissa, ofegante. Ela emitiu o som de uma coruja e o escudo tornou-se novamente uma pulseira. – Não é a primeira vez que ela faz algo do tipo, mas essa foi a maior demonstração de poder que já vivenciamos dela. Incrível.

Quíron e o Sr. D. se aproximaram de Jessica e encararam o inconsciente e chamuscado Aaron no gramado. As náiades colocaram seus olhos para fora das águas e as dríades saíram de suas árvores para observarem a cena, perturbadas pelo barulho.

– Precisava fazer isso tudo ao garoto, Jessica? – perguntou Quíron, exasperado.

– Não acho que ela fez o errado – resmungou o Sr. D., impaciente. – Aquele garoto retardado precisava de uma lição. Apenas isso. Atacar sua prole com feixes de luz é uma coisa que muitos pais deviam fazer para educar os seus filhos, sabia?

Maslow não fazia ideia se Dionísio estava sendo sarcástico ou era mesmo o seu modo de falar. Sendo ele carrancudo e resmungão, não era muito fácil de saber qual era a dele. O garoto preferiu parar de pensar e se levantou, arrancando sem muita dificuldade a foice do gramado.

– Me... desculpa – murmurou Jessica, quase em um zumbido. Quíron e Sr. D. a olharam ao mesmo tempo. – Eu não devia ter feito isso com ele, eu... sei lá, não sei o que deu em mim. Eu havia o avisado que era pra parar e então ele me desafiou...

– Tudo bem, Jessica, tudo bem – respondeu Quíron calmamente. – Você fez o correto, o Sr. D. está certo... de alguma forma. Aaron ia machucar Maslow de modo irreparável. Sabe como são os filhos de Ares quando odeiam alguém de verdade. Viram demônios.

Jessica concordou com a cabeça e analisou uma Celine desesperada correndo na direção do inconsciente Aaron. Maslow ainda não entendia como uma garota como ela conseguiu se interessar por aquele babaca, mas, como sempre, preferiu deixar os pensamentos de lado. Pensar muito é um rápido caminho pra depressão ou algo do tipo.


Maslow acordou no meio da noite, depois de jurar de pés juntos que alguém batera na porta. Tess, sua irmã e conselheira do chalé de Deméter, apenas pediu para que ele dormisse e parasse de bancar o mané; não demorou muito tempo para o garoto perceber que o sono a deixava de mau-humor. Com uma acentuada insônia, decidiu esperar a alvorada na frente da janela.

Assim que o sol ousou nascer, todos os filhos de Deméter acordaram também, isso para que fossem praticar o ritual diário para Deméter abençoar a colheita de morangos. Maslow não faltou a nenhum, era uma de suas atividades preferidas de todos os dias.

– Tess – disse ele, durante a colheita.

– Chora – Tess golpeou os arbustos de morangos com sua foice e foi jogando os morangos na cesta de palha. Maslow deu uma breve risada e esperou que ela terminasse de colher aquela vaga de morangos.

– Por que não podemos ver nossa mãe?

– Porque é algo restrito – respondeu Tess em um suspiro. – Sei lá, é entre aspas errado os deuses verem suas proles mortais. Eu não concordo que deveria ser assim, mas quem sou eu para julgá-los?

Maslow concordou com a cabeça e golpeou mais um arbusto de morangos, os quais caíram todos em sua cesta de palha. Os outros irmãos conversavam entre eles enquanto colhiam. Eram menos sociáveis a Maslow do que Tess.

– Você gosta daqui? – perguntou o garoto para Tess.

– Gosto sim – respondeu ela, secando o suor nas dobras de cabelo da testa com as costas da mão. – As pessoas que vivem aqui são legais e eu prefiro viver aqui do que... você sabe, com meu pai mortal.

– Por quê? Tem algo de errado com ele?

– Sei lá, ele mora com uma outra mulher agora – disse Tess. – E eu não suporto aquela voz irritante que ela emite. Sinceramente, prefiro muito mais o stress de Dionísio às seis da manhã do que a simpatia dela às sete da noite.

– Ela é chata nesse nível? – riu Maslow. Tess fez que sim com a cabeça enquanto franzia a testa. Eles conversaram durante toda a colheita, que passou tão rápido que nem perceberam que suas cestas transbordavam morangos. Maslow se divertiu bastante e logo viu que Tess era disparada sua melhor meio-irmã.

O restante da manhã foi muito divertido. Foi provavelmente o único amanhecer que Maslow passou com os seus meio-irmãos. — o qual foi também o melhor — Os filhos de Deméter eram totalmente iguais; gostavam das mesmas coisas, falavam com o mesmo sotaque de fazendeiro texano e ainda eram parecidos fisicamente!

Contudo, depois do almoço, teriam que se preparar para a canoagem e, ainda mais tarde, para a Captura à Bandeira. Quão grandemente Maslow estava desanimado com a notícia. De qualquer jeito, procurou se divertir com seus irmãos, nem lembrando da existência de amizades alheias.

Durante a tarde, revelou-se um calor modorrento e o lago de canoagem parecia clamar pelo nome de Maslow. Era como se pedisse que ele saltasse ali dentro. Por sorte, algo arrebataria aquele insuportável calor: a próxima atividade. Canoagem! Maslow nunca havia participado de canoagem antes, entretanto, como estava acompanhando seus meio-irmãos, teria que cumprir com seus costumes.

– Maslow, escolha uma canoa, vamos em dupla! – disse Tess, sorridente. Maslow voltou para a realidade assim que a garota clamou pelo seu nome. Absorto e relutante, foi tentar desamarrar a canoa de uma das toras do trapiche. – Deixa que eu te ajudo. – Tess deu uma gargalhada e, em poucos segundos e sem nenhuma dificuldade, desamarrou as cordas que prendiam a canoa.

Quando foram colocados na água, Maslow sentiu um desequilíbrio estrondoso e estava completamente perdido. Não sabia o que fazer muito bem com os remos, estava tremendo de aflição por medo da canoa virar e percebeu que todos os seus irmãos eram muito bons nisso. Menos ele.

Entretanto, ficou um pouco feliz pelo fato de ter algo que o divergia de seus irmãos.