Child of Nature

17 Angélica e a missão


Quíron trotou pelas areias devagar, ainda muito confuso com a situação ao seu redor. Ele tentava dispersar a aglomeração que se formava em volta de um congelado Rupert, mas os curiosos olhos dos meios-sangues não eram páreos à sua grande autoridade. Um burburinho insistente ecoava por toda a praia, junto ao calor modorrento e a maresia cortante. Era a primeira vez que Maslow, ou qualquer outro campista presente, presenciava o centauro em um tão profundo estado de choque.

Apesar do burburinho, Maslow e Angélica sentiam como se tudo estivesse silencioso e sombrio. Como se um frio abatedor se apossasse das árvores e de todo o litoral. O coração do garoto batia forte. Ele não sabia como reagir naquele momento.

Angélica não conseguia parar de chorar, incapaz de olhar para o corpo de Rupert e assistir à histérica Celine gritar com todo o ar de seus pulmões. Sr. D. já estava tentando tirá-la de perto, cochichando calma e inexpressivamente para que ela o acompanhasse. Apesar de sua carranca, era possível enxergar, entre a penumbra, uma umidade nos seus olhos.

— Você acha que ele morreu? – perguntou um garoto para um grupo de semideuses. Todos deram de ombros simultaneamente, o que fez Angélica chorar ainda mais. Maslow apenas conseguia abraçá-la pelos ombros e acariciar seus cabelos com os dedos, ainda muito chocado e abatido.

Então ele começou a chorar.

Era como se toda a dor da sua vida tivesse se concentrado em dez mil litros de lágrimas. Seus olhos se encharcaram e não demorou a encharcar seu rosto também. Angélica o abraçou mais forte, comprimindo os lábios e cerrando os olhos molhados com muita força.

Então Quíron bateu seu casco sobre a areia.

— Agora tivemos a confirmação – Sua voz soou firme, mas seu rosto estava franzido em uma expressão furiosa. Angélica finalmente levantou o rosto. Suas lágrimas escorriam pelas suas bochechas, mas ela não estava mais chorando. Seus olhos e os de Quíron se encontraram quase num baque. Todos os campistas ficaram em silêncio. – Angélica, acompanhe-me.

Todos se viraram para a filha de Nêmesis.


Angélica, acompanhada de Quíron, Sr. D. e Celine, atravessou a porta d’A Casa Grande. Seus joelhos tremiam conforme andava pelo assoalho barulhento, formando o único som entre todo aquele silêncio. O centauro pediu para que Dionísio acalmasse a filha de Hermes em outro cômodo, que o deus fez sem pestanejar.

— Senhor, eu não sei... – Angélica se prontificou a dizer, rouca, mas foi interrompida pelo centauro. De repente, ela sentiu muita vontade de chorar, a qual segurou com toda sua força.

— Srta. Mussain, eu sei que você não possui nenhuma ciência do ocorrido – Quíron parecia mais calmo, mas muito abatido –, mas também sei que você é a pessoa mais próxima de Monisi dentro do acampamento. Não restam mais dúvidas de que esses... infortúnios... foram perpetrados pela unigênita de Despina.

— Como ela pôde machucar Rupert daquele jeito? – Angélica se pôs de pernas cruzadas sobre uma grande poltrona, enquanto Quíron, impaciente, trotava pela sala de estar. Ele acendeu a lareira em silêncio, pensativo. O fogo alaranjado iluminou todo o cômodo – Depois de tudo que ele fez por ela... que nós fizemos por ela.

— Não podemos nos prender aos motivos no momento, Srta. Mussain – Quíron finalmente resolveu falar, coçando sua barba grisalha. – Está claro que Monisi é um perigo à segurança dos nossos campistas e precisamos encontrá-la.

— E onde eu entro nisso? – Angélica se levantou.

Quíron analisou a campista por um momento. O misterioso silêncio não era tão efetivo, no entanto, já que o choro amargurado de Celine podia ser ouvido pelas paredes. O centauro se aproximou da filha de Nêmesis.

— Preciso que você a encontre.


Maslow estava muito nervoso sentado sobre a areia da beira-mar. Tess estava ao seu lado na tentativa de confortá-lo, mas era claro que a garota precisava de muito mais conforto que ele. Sua maquiagem estava toda borrada, denunciando o choro histérico de algumas horas atrás.

Rupert ainda não havia sido declarado morto, principalmente porque Quíron não se apresentou à ala hospitalar até aquele momento, deixando que seus aprendizes tomassem conta do filho de Hermes até que ele desse as caras.

— O que você acha que aconteceu? – Maslow resolveu quebrar o silêncio, deixando que Tess apoiasse a cabeça no seu ombro.

— Não faço a menor ideia – disse a irmã, comprimindo os lábios e encarando as ondas da maré alta. Ela tinha algumas suspeitas, na verdade, mas não tinha forças e nem estrutura para citá-las naquele momento, principalmente por se tratar de um de seus melhores amigos.

— Acha que foi aquela Monisi?

— Você não conheceu a Monisi, Maslow – Tess suspirou. – Ela nunca foi uma pessoa ruim, entende? Inclusive, era a melhor... amiga da Angélica. Elas passavam o tempo todo juntas e tinham uma conexão muito bonita. E você sabe como ela é boa julgando as pessoas.

— Sei bem...

— Bom, eu não sei o que pode ter acontecido para mudá-la... mas, pelo que me lembro, ela não seria capaz de fazer isso com o Rupert, principalmente porque ele cuidava muito das duas.

E então Tess começou a chorar. Maslow abraçou a irmã bem forte, transmitindo toda energia positiva que podia, mas já estava farto de chorar. Apenas queria entender aquela situação e estar lá por Angélica. Seu coração bateu mais forte e gelou, porque imaginou como ela poderia estar.

Ao menos sabia que ela podia se cuidar muito bem sozinha. Isso o era reconfortante.


— Como uma missão? – gaguejou Angélica, não sabendo muito bem como reagir. Seus olhos azuis encararam Quíron por um tempo, estreitos e impacientes. A garota já estava se irritando com as longas pausas do centauro, já que sua ansiedade em meio a toda aquela situação já estava a consumindo como chamas.

— É, como uma missão – disse Quíron. – Chame como quiser. Eu aconselho você a levar um sátiro de companhia e proteção. Posso indicá-la algum que combine com sua forma de trabalho, se quiser...

— Mas... – disse Angélica. Por algum motivo, ela estava muito nervosa com o fato de reencontrar Monisi. – Como vou encontrá-la?

— Você a conhece, Srta. Mussain. Siga seus rastros.

— E se... e se eu não estiver pronta?

Quíron se aproximou de Angélica e pôs suas grandes mãos sobre os ombros da garota, olhando bem fundo nos seus olhos. A filha de Nêmesis se sentiu desconfortável por longos segundos, mas, de repente, ao perceber o quão convicto o centauro estava de recrutá-la àquela missão, se encheu da mais pura confiança. Ela franziu o cenho e concordou com a cabeça.

— Eu estou pronta.

Notas finais
eu nem acredito q tô aqui no nyah novamente postando um capitulo da minha fic de 2014 gente mds kk ♥ eu tava relendo child of nature por pura motivação dos meus ~fãs~ (brinks) que me acharam da forma mais aleatoria possível. deu MUITA saudade de escrever sobre esses meus bebes em forma de personagens (principalmente a angelica pq ela eh a melhor SIM bjs) bom, espero que gostem, mores. que essa experiência seja tão nostálgica p vcs como foi p mim ♥ e agradeço aos meus ~fãs~ por proporcionarem indiretamente esse ~comeback~ da sky ferreira do nyah
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.