Child Of The Damn

4 Child Of The Damn - Rage


Notas iniciais
A pessoa em que ela mais confia já tem outros planos para o futuro...

- E assim, Isabella Salvatore matou Katherine Pierce, uma das mais poderosas vampiras da época. — Sheila alisava sua xícara com o olhar perdido. Bonnie e Elena se entreolharam, não havia mais o que temer sobre Isabella, agora elas sabiam como ela se sentia e, de certa forma, davam razão à ela. — Oh, deixei a nossa convidada sozinha na sala! — a bruxa bateu em sua própria testa. — Vão até lá, eu vou aquecer a água de novo.

— Vejo que Sheila já contou toda a minha história a vocês. — Isabella disse sentada no sofá de três lugares sem desviar seus olhos de uma das janelas. Bonnie e Elena sentaram-se de frente para ela.

— Isabella, eu sinto muito tê-la tratado mal, agora eu entendo como você se sentia. — Elena pronunciou-se atraindo a atenção da mais nova para si.

— Poupe-me de sua misericórdia, Elena, nós três sabemos que eu fiz a coisa certa. — gabou-se Isabella e Bonnie revirou os olhos.

— Então, o que houve no dia seguinte? — Bonnie perguntou interessada, Isabella sorriu.

— Bom, felizmente meu pai foi o primeiro a encontrá-la. Isso livrou todas as suspeitas sobre mim, entretanto... — Bella cruzou as pernas. — papai começou a nos dar verbena, para ver se éramos um deles e para nos proteger. Emily era a nossa salvação.

— Ela os ajudou? Mesmo depois do que você fez à sua ama? — Elena franziu o cenho.

— Claro, Katherine era tão insuportável que Emily deu graças quando ela se foi. — a vampira revirou os olhos como se fosse óbvio. — Mas não posso dizer que ela era cem por cento eficiente também.

— O que aconteceu? — Elena e Bonnie perguntaram praticamente ao mesmo tempo.

— Um dia, Emily esqueceu-se de trocar minha xícara pela que não tinha verbena.

— Então o que ela fez? — Bonnie sorriu, divertida.

— Nada. — Bella sorriu. As meninas fizeram cara de interrogação. — Só então ela descobriu que eu era resistente à verbena que crescia em Mystic Falls.

— Mas não era a qualquer verbena. — Sheila corrigiu chegando à sala com a bandeja cheia de xícaras de chá fumegantes.

— O que quer dizer? — Elena intercalou os olhares.

— A verbena que crescia aqui em Mystic Falls era híbrida, com as propriedades em pouca concentração.

— Então para fazer algum efeito... — Bonnie disse enquanto Isabella recuperava a fala tomando um gole de chá.

— Deveria ser uma espécie pura, mais forte. — ao passo que Sheila terminou a fala, Isabella caía inconsciente no chão. — Vamos, não temos muito tempo.

— O que diabos a senhora fez? — Bonnie perguntou assustada.

— Dei a ela verbena. — a senhora deu de ombros e se levantou. — Isabella está de volta à cidade em busca de vingança, eu não poderia permitir isso. Agora, andem, ela deve acordar daqui a alguns minutos.

— Certo, certo. — mesmo contrariada, Elena ajudou Sheila e Bonnie a colocarem Isabella no carro e dirigiram apressadas até a mansão Salvatore.

— Sheila, mas que surp... — Stefan ia dizendo enquanto abria a porta, mas quando viu a mais nova, paralisou. — O que significa isso?

— Stefan, foi para o próprio bem dela. — Elena tentou explicar, logo, Damon se juntava a eles.

— O que aconteceu com ela? Isabella? Você está bem? — aproximou-se da irmã tocando-lhe o rosto adormecido.

— Eu dei verbena. — Sheila pronunciou-se séria. — Ela está aqui em busca de vingança, eu não poderia deixar isso acontecer na minha cidade. — deu de ombros, por fim.

— Está louca? Tem noção de que acabou de cutucar a onça com vara curta? Ela vai estar irada quando acordar! — Damon praguejou.

— Não se tivermos as armas corretas.

— Armas? Ela é nossa irmã! — Stefan disse entredentes.

— Eu entendo que isso é muito difícil para vocês, mas é preciso. Agora... vocês ainda têm aquele porão?

— Claro, por aqui. — Stefan apontou para uma porta no final do corredor e olhou confuso para Damon que mantinha as sobrancelhas unidas.

— Deixe-a comigo. — Sheila tomou a dianteira, carregando Isabella sozinha para o porão.

— Stefan, você não pode permitir isso! — Damon contestou inquieto.

— Minha avó sabe o que está fazendo. — Bonnie disse entre dentes.

— É o que veremos. — respondeu ele irritado.

~*~

Sheila arrumou as mãos de Isabella amarradas acima da cabeça e ergueu seu corpo, deixando-o pendurado ao canto do porão. Ela parecia saber exatamente onde procurar, embora não tivesse muito tempo. Logo, a pequena Salvatore já estaria acordando e era melhor que estivesse preparada.

— Stefan... — murmurou a menina, acordando aos poucos. — Sheila? — franziu o cenho, sentindo-se um pouco tonta. — O que você fez comigo? — ela tentou se movimentar, mas seus pés também estavam amarrados. — Me tira daqui! — remexeu-se desconfortável.

— Não posso permitir que a cidade sofra em suas mãos, Isabella. — a bruxa colocou-se diante da vampira, séria.

— Como ousa? Eu confiei em você.

— Eu não confio em vingadores.

— Eu nunca traí sua confiança. — Bella irritou-se, mexendo-se cada vez mais violentamente, ignorando os cortes que a corda fazia em seus pulsos e a ardência da solução de verbena que havia nelas. É claro que havia verbena nelas, pensou a menina.

— Para tudo há uma primeira vez. — Sheila caminhou até ela segurando uma peça pontiaguda de madeira na mão.

— Me solta.

— Só depois disso. — a bruxa enfiou o cilindro de madeira bem no centro do tórax de Isabella, fazendo-a gritar desesperada enquanto o artefato seguia cada vez mais fundo por entre os ossos. Nunca havia experimentado tamanha falta de ar, a dor que parecia rasgá-la de ponta a ponta.

— STEFAN! — ela gritou chorosa. Lá em cima, o garoto fez menção de descer, mas foi barrado por Elena.

— Não é seguro você ir até lá, ela deve estar furiosa.

— Você ouviu a voz dela, Isabella está sofrendo. — Damon interferiu.

— Está certo disso? Porque eu tenho certeza de que ela está fingindo só para chamar a atenção. — Bonnie cruzou os braços, cética.

Outro grito. Outra estaca lhe atravessava, dessa vez o abdômen. A visão escureceu rapidamente e o corpo pendeu para frente.

— STEFAN! — gritou ela de novo, reunindo forças.

— Você sabe o que esse grito significa. — Damon olhou o anel com o brasão da família, fingindo descaso, mas a verdade era que estava desesperado por dentro.

— O que esse grito significa? — Elena adiantou-se em saber antes que o namorado descesse para o porão.

— Desde criança, Isabella sempre chama pelo Stefan quando está machucada ou passando mal. — o moreno continuava a fingir descaso.

— E você, Damon? Nunca foi requisitado? — debochou Bonnie.

— Ela chama pelo Damon quando está triste. — Stefan adiantou-se antes que o irmão se descontrolasse.

— Muito conveniente... — Elena foi interrompida por um terceiro grito, dessa vez mais forte. Era a última estaca, inserida pelas costas, paralela ao coração. Sheila soltou Isabella, agora que se certificara de que a menina não poderia se mexer e a deixou deitada no chão, saindo em seguida.

— STEFAN! Stefan... — gritou Bella tentando se mexer no chão sem sucesso.

— Eu não sei você, mas estou descendo e é agora. — Damon levantou-se furioso pela falta de ação do irmão.

— Está louco? Se isso for uma armadilha ela pode matá-lo! — Bonnie o pegou pelo braço. Damon a olhou.

— Prefiro me certificar de que ela esteja bem do que a deixar sofrer, vou com você. — Stefan pronunciou-se seguindo os dois em alta velocidade.

— Stefan, Stefan... — murmurava a menina quando os irmãos Salvatore chegaram ao porão.

— Meu Deus, Isabella, o que aconteceu? — Stefan disse rapidamente enquanto abria a porta e colocava-se ao lado da irmã.

— Tira isso de mim, 'tá doendo. — suplicou ela, remexendo-se no chão.

— Não se mexa, esse aqui pode se desviar e atingir o coração. — Stefan a imobilizou pelos ombros.

— O que sua avó fez com ela? — Elena parou na porta com a mão na boca, horrorizada.

— Eu confiei nela. — protestou Isabella irritada.

— Calma, calma, vamos tirar isso. — Damon tentou conseguir a atenção da irmã para si. — Aqui, segure minha mão. — estendeu-lhe a mão, a qual ela apertou com força.

— Stefan, ‘tá doendo. — ela gritou rapidamente quando o irmão fez menção de puxar uma das estacas para fora.

— Você pode apertar minha mão o quanto doer está bem? Eu não vou te largar. – Damon disse calmo próximo ao ouvido de Isabella.

— Vou começar pela do abdômen está bem? Respire fundo.

— NÃO STEFAN, ‘TÁ DOENDO. — gritou ela, raivosa e desesperada.

— Vai acabar bem rápido, eu prometo. — Damon sussurrou em seu ouvido novamente, ofegante de nervosismo.

— Pronta? Um, dois, três. — ele puxou o primeiro cilindro sob os gritos horripilantes da irmã. — Calma, calma, uma já foi.

— Pode apertar minha mão, não tenha medo.

— Eu não vou aguentar, faz isso parar. — implorou ela.

— Damon, segure-a, depois dessa daqui ela não vai poder se mexer ou a estaca atinge o coração.

— Sua avó não deveria ter feito isso a ela. — Elena olhava de Isabella à Bonnie.

— Talvez ela não esperasse que os dois viriam para cá. Tem ideia do quanto ela ficará furiosa quando as feridas cicatrizarem?

— Não quero estar perto quando isso acontecer. — Gilbert encolheu os ombros sentindo o calafrio do medo percorrer seu corpo.

— Está pronto? — Stefan perguntou a Damon que acenou afirmativamente.

O mais novo Salvatore tentou puxar o mais rápido que pôde sem comprometer a posição da irmã, mas isso não a impediu de gritar e chorar ainda mais. A sensação de falta de ar aliviou levemente, mas ela estava muito fraca. O tempo das estacas em seu corpo já havia sido o suficiente para deixá-la assim. Damon a mantinha parada segurando-a pelos ombros quando seu desejo era se encolher toda para que a dor amenizasse.

— Só falta mais uma, meu amor, e depois acabou ok?

— Nunca ouvi Stefan tratá-la assim. — Elena segredou com Bonnie que revirou os olhos.

Stefan puxou a última estaca lentamente, com cuidado para não atingir o coração de Isabella, o que só a fez gritar por mais tempo, apertando a mão de Damon o quanto conseguia, já parecendo quebrá-la em duas partes. Mas ele não parecia se importar, continuava com seu olhar focado entre o pedaço de madeira que deixava o peito da irmã e a própria, ainda chorando.

— Pronto, acabou. — Stefan sussurrou. Damon a abraçou por trás, envolvendo-a pelos ombros.

— Vai ficar tudo bem. — sussurrou o mais velho, também a abraçando.

— Me perdoa. — murmurou a mais nova entre os dois irmãos, enquanto ainda gemia pelas feridas cicatrizando. Damon e Stefan se entreolharam, o mesmo fizeram Elena e Bonnie, ela estava falando sério?

— Corram, saiam daqui. — disse Stefan rapidamente. Elena e Bonnie se entreolharam e começaram a seguir escada acima quando ouviram uma risada sinistra vir do porão.

— Isabella. — Damon repreendeu, mas tão logo estava de cara no chão. Ele e Stefan haviam sido deixados para trás.

Ao chegarem à porta, Elena e Bonnie deram de cara com Isabella encostada na mesma.

— Vocês não saem daqui até que eu diga o contrário.

— Quer apostar? — Bonnie deu um passo em direção à porta e Isabella rapidamente se colocou atrás dela, suas mãos fechando-se ao redor do pescoço da bruxa.

— Você sabia que demora menos do que um quarto de segundo para eu quebrar o seu pescoço? — Bella sussurrou, Elena estava paralisada ao seu lado. — E sabe o que isso significa? Morte. Súbita. Então eu sugiro que vocês façam como eu mando.

— Ok, nós ficamos. — Elena disse com a voz trêmula. Isabella sorriu.

— Muito bem. Agora, para o sofá, já. — ela apontou a sala e as duas seguiram para a mesma, tensas. Bella sentou-se de frente para elas, cruzando as pernas. — Será do meu jeito e quando eu quiser, então vão se acostumando. — sorriu de canto. — Queridos irmãos, é tão bom vê-los se juntando a nós. — a mais nova disse poucos segundos antes de Damon e Stefan pisarem na sala. Eles vieram em silêncio e pararam no sofá atrás de Bonnie e Elena.

— O que você quer Isabella? — Stefan suspirou pesarosamente.

— E o que mais eu poderia querer, caro irmão? — riu a menina. — É hora da vingança.