Acordei no dia seguinte à mil. Declarei a sala meu reinado e expulsei todos de casa. Arrumei todos os papeis da pesquisa e deixei em cima da mesa da cozinha. Limpei meu quarto. Fiquei andando pra cima e pra baixo até suar. Geralmente, apenas Joe vinha até a minha casa. Ter desconhecidos me deixa com TOC.

Os dois chegaram por volta das nove. Alex se sentou no sofá ocupando o menor espaço possível, enquanto Joe se esparramou pelos dois lugares restantes. Sorri para ele, que retribuiu timidamente.

- E ai, como vamos fazer isso?

- Pensei em pegarmos e organizarmos toda a pesquisa aqui. Depois o Nate resume. Vamos pegar os tópicos maiores e deixar os pequenos pra ele.

- Eu acho que não devemos dar mole pro Nate. Ele que se vire.

- Ai, Alex.

- Qual é? Ele nem tá doente.

- Mas-

- Eu menti, tá. Ele me pediu pra fazer isso.

- Por que?

- Nada... Será que podemos fazer esse trabalho logo?

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Segunda-feira finalmente chegou. Cheguei na escola com Joe e fui procurar por Pete. Ele estava com Gabe, sentado na grama do pátio. Os dois conversavam muito baixo e Gabe parecia bem triste. Me aproximei tão devagar que eles só notaram minha presença quando eu já estava de frente para eles. Era real: Gabe Saporta estava chorando.

- Oi...

- Oi, Rick.

- O que aconteceu?

- Nada — Gabe passou as palmas das mãos pelo rosto — Não aconteceu nada.

- Tá, desculpa.

- Quer falar comigo, Rick?

- Queria, mas eu posso esperar. Alguém sabe se o Nate chegou?

- Não — Gabe olhou direto nos meus olhos e eu cheguei a me arrepiar. Resolvi deixá-los sozinhos e fui procurar por Joe.

Joseph Mark Trohman estava pegando cadernos no armário como se sua vida dependesse disso. Eu estava bem do lado dele, mas parece que ele não tinha notado, porque se virou na minha direção e nós colidimos. Ele estava elétrico.

- Dude! Sabe da maior?

- Não! O que foi?

- Acham que a Vicky tá grávida. Do Novarro.

- Nate?! Como assim?- Sei lá. Mas a Sandra e a Monique estão espalhando pro colégio todo. Duvido que um dos dois venha hoje.

- Puts... Por isso o Gabe tá daquele jeito.

- Que jeito? Hm, ai, acho que a gente tinha que tirar o Nate do trabalho. Vai dar rolo.

O sinal da aula tocou, interrompendo nossa conversa. Enquanto passávamos pelos corredores, dava para ouvir a notícia se espalhando. Parecia um pesadelo. A aula era do Massucco, mas quem estava dentro da sala era Dan. Ele tinha cortado a barba. Não totalmente, mas boa parte dela. Geralmente, significava que alguma coisa estava errada. Ele esperou que todos se sentassem para começar a falar. Em toda a classe não se ouvia um pio; Todos queriam saber se isso tinha a ver com o caso do Nate. Mas esse não era o jeito do Dan.

- Suarez? — Todos se viraram para Alex. A curiosidade era tanta que o movimento foi totalmente sincronizado.

- Sim?

- Para minha sala, por favor.

Ele se levantou e acompanhou Dan para fora da sala. Massucco entrou, a cara emburrada como sempre. Ele correu os olhos pela sala.

- Stump, sente-se na cadeira do Suarez.

- Por que?

- Porque eu mandei. Quem fazer companhia a ele na diretoria?

Levantei do meu lugar bufando e me sentei três cadeiras a frente da onde eu estava. Joe me pediu para ficar calmo.

Alex não voltou depois que a aula do Massucco acabou. Barker começou a falar de quadrados e triângulos, mas eu não prestei atenção. Mandei uma mensagem para Pete perguntando se Gabe estava melhor e avisando do enforcamento do Alex. No meio da aula, Joe pediu para trocar de lugar e ficamos lado a lado de novo. Quando eu digo que esse garoto me ama...

O sinal do recreio tocou e Joe e eu fomos direto para a cantina garantir uma mesa. Pete apareceu com Gabe. Ele segurou a minha mão o tempo todo, mas não tirou os olhos do amigo. Ninguém sabia se os rumores eram verdadeiros, mas ele já devia estar arrasado. Nenhum de nós falou até o segundo toque do sinal. Nos separamos e voltamos para a sala. Quando o terceiro sinal soou, pensei se realmente deveria chamar Pete para ir à Chicago.

Assim que passei pela porta, vi o carro de Scott estacionado. Lawrence saiu e me abraçou quando me aproximei. Pete chegou logo em seguida. Estranhei ele ter deixado Gabe para trás, mas não comentei nada.

- E ai? Como vão as coisas?

- Bem...

- Le-gal. Ai, Pete: Gosta de Chicago?

- Claro — A voz dele estava meio rouca, mas suave. Não como se estivesse chorado, mas estivesse ferido — É uma ótima cidade.

- Hm, já viu alguma foto do Patrick bebê?

- O que?! — Isso não está acontecendo, não está acontecendo.

- Na verdade, não. Você tem alguma?

- Multiplique alguma por várias — Traidor. Sua morte será lenta e dolorosa.

- Eu ainda estou bem aqui!

- É claro que está, fofucho.

- Eu odeio tanto você.