Chicago Softcore
6 Capítulo 6
No dia seguinte, acordei cedo e saí de casa o mais rápido possível. Peguei minha mochila e fugi pela porta de trás. Ainda era muito cedo para ir para a escola, então peguei minha bicicleta e corri para a casa do Joe.
Joe tinha acabado de acordar, mas me deixou entrar. Contei pra ele que tinha fugido, mas ele estava com muito sono para me repreender. Tomamos o café da manhã e a mãe dele me fez um sanduíche para o lanche. A mãe do Joe era daquele tipo de mãe que faz tudo para os filhos... Dos outros. Pobre Joe.
Quarenta e sete minutos depois, fomos para a escola. Chegamos bem em cima da hora, assim como 90% dos alunos. Cada um de nós foi para o seu lado do corredor para pegar os livros. Quando eu já estava saindo, Pete apareceu.
- Oi.
- Oi. Você não vai chegar atrasado?
- Primeiro e segundo tempo de educação física.
- Aé... Que chato, né?
- É... Fazer o que?
- Então, acho que eu tenho que ir. Weiss, sabe?
- Tá. Ainda vamos sair hoje, certo?
- Claro. Te vejo depois.
- Tchau Rick.
Corri para alcançar minha sala, mas consegui chegar antes do Weiss. A aula foi normal, meio cansativa para o primeiro tempo, mas não foi tão ruim. Joe até ficou acordado dessa vez. O segundo tempo foi de artes, e eu tive que ficar com Victoria Asher e fazer um trabalho ridículo. Joe ficou com uma garota qualquer e parecia bem feliz. Não que a Vicky fosse uma pessoa ruim, mas ela é unha e carne com o Gabe e isso significava que qualquer coisa que eu dissesse ou fizesse poderia ser usado contra mim e duraria até eu me formar... Na faculdade. Não estou brincando.
O trabalho consistia basicamente em desenharmos coisas que nos faziam sentir bem. Acho que era só mais um jeito da escola de impor amizade entre nós, mas como valia 17% da nota do bimestre, nem pensei em contestar. Deveríamos fazer o trabalho como uma dupla, mas Vicky só ficou colada no telefone — Provavelmente com Gabe — enquanto eu fazia tudo sozinho. Perguntei se ela gostava de música, e como ela respondeu sim, desenhei algumas notas e trechos de músicas. E foi só.
Minha dupla conseguiu um B+ e eu fiquei livre da Vicky. O sinal tocou mais uma vez e saímos todos para a cantina. Joe e eu sentamos no corredor mesmo, porque todas as mesas do refeitório estavam ocupadas, e ficamos conversando. Ele não parava de mencionar o show de terça que iria com o Andy e parecia que qualquer assunto que eu levantasse levava de volta pra isso. O menino precisava de ajuda.
- As músicas novas são ótimas, cara. Você tem que ouvir.
- Eu já falei que trash não é muito o meu estilo.
- É... Você gosta mais dessas bandinhas de menina que tem por ai.
- Cala a boca.
- Não calo. Minha mãe fez sanduíche pra você.
- Eu falo mil vezes que você foi adotado, mas você não me ouve...
- Muito maduro, Stump.
- Olha quem fala, o Sr. Ainda brinco de boneca.
- São figuras de ação e cala a boca, Patrick!
- Ah, agora o jogo virou, né. Bem feito.
- Filho da mãe.
- Pelo menos a minha não me troca por qualquer um. Se bem que eu sou bem melhor que você mesmo.
- Odeio você, sua bicha.
- Assim você me magoa, Joseph. Você sabe que eu te amo.
- Eu vou embora — Ele socou o meu ombro e se levantou, me forçando a olhar pra cima para falar.
- Tá, parei. Senta ai.
- Faltam quatro minutos e a aula é do Massucco. Vamos entrar logo.
Joe estava certo e, conhecendo o humor instável do nosso professor, era melhor nos apressarmos. Massucco chegou na sala pegando fogo. Seis pessoas, incluindo a Vicky, ficaram do lado de fora porque chegaram hm, sete minutos atrasados. Ele mandou abrirmos os livros e lermos todo o capítulo e perguntar se tivéssemos dúvidas. Como ninguém se atreveu a levantar a mão, a aula inteira foi de puro silêncio, tirando as reclamações sobre tudo e mais um pouco que ele fazia a cada 0.2 segundos.
Quinze minutos antes de acabar a aula, Dan apareceu e disse que nossa bibliotecária já estava de volta — E nessa hora senti um alívio enorme, porque eu já tinha esquecido o que ele tinha me pedido. Também, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo... — e que tinha conseguido um professor de educação física, vulgo, treinador do time. Isso acabou com todas as minhas espectativas, e de toda a minha turma, eu acho, de passar o ano sem passar pela quadra da escola. Tirando o fato de que aula de educação física significa suor e suor significa ter que — Ew! — tomar banho no banheiro da escola. Com todo mundo.
O sinal tocou pela última vez e Joe e eu fomos para a minha casa. Quando chegamos, o carro de William já estava dentro da garagem, mas o gramado continuava arrebentado. Minha mãe estava na sala pendurada no telefone, provavelmente falando com Lawrence, e mal falou com a gente. Nós subimos para o meu quarto e eu tranquei a porta.
- Ai, cadê o seu padrasto? — Ele deitou na minha cama e ligou a tv, trocando os canais frenéticamente.
- Sei lá. Você acha que eu devia hm, ligar pra ele? Er, o Lawrence.
- Acho.
- Tá... Eu, eu não sei direito o que fazer. Eu tô com medo do William... Tô com medo do que ele pode fazer.
- Com você? Pelo que você já me falou, ele nunca aprovou vocês serem gays, mas nunca encostou a mão em nenhum dos... Droga, o Bulldogs tá ganhando.
- Aff.
- Quê?
- Nada. Sabe, eu vou sair com o Pete hoje.
- Legal, cara. Vocês vão aonde?
- Não sei, não perguntei. Você sabe quando é o próximo ensaio?
- Essa quinta, casa do Andy. Ai, depois é na minha casa. E depois... Você sacou.
- Não sei se William vai querer entregar a garagem pra gente.
- Dá teu jeito.
- Valeu pela força, Trohman.
- De nada. Você sabe que pode contar comigo. Ai, você tem todos os canais desbloqueados?
- Er, vou fingir que você não me perguntou isso.
- Tá, esquece. Quando você vai sair com ele?
- Às seis. Ele vai vir aqui me buscar...
- Que românti- Epa! Ele vem aqui, com o seu pai desse jeito?
- Primeiro: É meu padrasto; Segundo: Pensei na mesma coisa, mas sei lá, ele foi tão fofo que eu não consegui dizer não.
- Ai meu Deus... Você parece uma garotinha.
- E você parece um mendigo. Corta essa juba.
- Não! É minha marca registrada. Faz parte do charme.
- Charme? Que charme? Para de ficar fumando essas coisas. Sua mãe e eu estamos muito decepcionados.
- Vai à merda — Ele se sentou na cama e ligou o video-game, agarrando o controle — Ai, você já zerou o Resident Evil? Peguei uns cheats sinistros.
- Tá dentro do console. É cheat dessa fase?
E nessa conversa, Joe atravessou mais da metade da fase. Quando os cheats dele acabaram ficamos jogando um contra o outro na Fifa Soccer até as cinco e quarenta. Joe não ficou muito feliz quando eu praticamente joguei ele pra fora de casa pra começar a me arrumar, mas acho que ainda somos amigos. Coloquei uma camiseta nova, jeans escuros e um hoodie azul. Deixei os óculos em cima da cabeceira da cama e fui esperar do lado de fora. Quando passei pela sala, minha mãe ainda estava no telefone, mas pelo seu tom, não parecia ser o Lawrence. Pensei em falar com ela, só pra dizer que eu estava em casa esse tempo todo, mas me contive.
Pete chegou quinze minutos depois. Ele vestia apenas uma camiseta vermelha e jeans bem apertados, e já chegou sorrindo de orelha a orelha.
- Oi.
- O-oi...
- Vamos?
- Claro. Hm, pra onde mesmo?
- Não sei. Podemos só andar por ai... O que você acha?
- Tudo bem. Sabe, no centro tem uma praça enorme que fica vazia. Que tal?
- Ótimo.
Caminhamos algumas quadras e chegamos em umas das pontas da praça. A árvore onde Joe e eu ficamos da última vez estava bem na nossa frente. Do lado esquerdo, uma fileira de bancos se estendia até o outro lado. Nós nos sentamos no banco mais próximo do início da rua. Ele se sentou bem próximo de mim e segurou a minha mão, me fazendo corar. Ele riu e eu fiquei ainda mais vermelho.
- Então...
- Então. Eu gosto de você.
- Eu gosto de você também. Muito...
A minha mão suava por baixo da dele e meu coração batia acelerado. Ele se aproximou de mim e me beijou. Comecei a sentir a outra mão dele correr pelo meu cabelo, e pouco tempo depois, nossas línguas já gladiavam dentro da minha boca. A sensação era incrível. Dessa vez, tínhamos fôlego de sobra.
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