Chiarascura

6 Uma realidade que a monarca não conhecia


"Se tem que destruir todos que não dão um retorno para a sociedade. A sociedade tem que ser feita de pessoas aptas, corajosas e que saibam se adaptar às mudanças e dificuldades. Aqueles que ficam procurando um motivo para não evoluir, devem ser eliminados ou sair de Primazia!"

ᅳ Palavras de William Shield durante um discurso

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Chiara sorria olhando pela janela do trem, achando interessante a sensação de estar ali. Bencatel e Louis não se falavam, apenas estavam sentados próximos um do outro, enquanto o ponto de parada da casa de Bencatel não chegava.

ᅳ Ela não vai sobreviver lá! ᅳ Bencatel comentou, baixo. ᅳ Você, como noivo dela, tem que arranjar uma viagem e fazê-la sumir daqui. Onde eu moro é pobre, não é seguro e não tem o mínimo de infraestrutura. Se algum dos meus vizinhos descobrir que ela está em minha casa, eles irão lá somente para matá-la e entregar sua cabeça para o rei!

ᅳ O que eu posso fazer? ᅳ Louis perguntou, sem ligar muito para aquilo. ᅳ Esse não é o meu mundo e eu não sei nada sobre aqui! Principalmente como protegê-la, ok? Você precisa me ajudar!

ᅳ Eu não quero te ajudar ᅳ Bencatel disse.

ᅳ Bencatel, ela não tem culpa ᅳ Louis a defendeu, pois o espírito que habitava o corpo de Chiara, era sua irmã em outro plano. ᅳ Eu ouvi o que você conversou com a rainha, e o rei omite todas essas coisas dos cidadãos. Acha que ela, que está sendo treinada ainda, teve ciência da pobreza extrema que algumas pessoas vivem? Com certeza, Chiara deve achar que é tudo perfeito, graças ao poder de Ascian.

ᅳ Eu vou ajudá-la com casa e comida por alguns dias ᅳ o soldado foi firme em sua decisão. ᅳ Depois disso, vocês irão embora de lá para sempre!

ᅳ Eu vou ᅳ Louis confirmou. ᅳ E ela vai ficar com você, tá? Agora, Bencatel, ela é sua responsabilidade! Eu não estava lutando por ela, mas por minha vida.

ᅳ Você se inscreve voluntariamente para isso, e diz que não estava lutando por ela?

ᅳ Não estava! ᅳ confirmou mais uma vez. ᅳ Agora eu vou voltar de onde eu vim e não pretendo nunca mais pisar nesse lugar. Chiara agora é sua e pode se virar com ela! Que eu queria, infelizmente, ela não vai poder me dar.

ᅳ Não vou protegê-la ᅳ o homem negou-se a qualquer coisa. ᅳ Se alguém me oferecer um bom dinheiro por ela, eu a entrego e deixo até fazerem rituais com a princesinha asciana.

ᅳ Eu não ligo ᅳ Louis pareceu ressentido com alguma coisa, balançando seus ombros.

ᅳ É aqui ᅳ o soldado levantou-se. ᅳ Chame sua ex-Alteza.

ᅳ Chiara, é aqui! ᅳ Louis a chamou-a, pegando a sua mochila e a bolsa de Chiara. ᅳ Bem-vinda ao mundo real, princesa.

ᅳ O quê? ᅳ ela perguntou, confusa.

O trem parou e os três desceram.

O lugar era cheio de lama e cheio de casas feias. Algumas até eram tampadas com madeiras velhas ou placas de alumínio. Era bem estranho, pois não era como ela tinha ciência de que aqueles guetos ainda existiam. Ela hesitou várias vezes, antes de pôr o pé na lama e olhou para trás onde só tinha o mar e os trilhos do trem. Louis voltou, pegando-a em seu colo para atravessá-la até a parte mais limpa.

O cheiro de lixo daquele lugar era insuportável e ela sussurrou para Louis:

ᅳ Nunca me contaram sobre isso ᅳ Chiara continuava chocada.

Louis não respondeu nada e continuou a carregá-la em seus braços. Bencatel ia na frente deles, pois já conhecia o local. Ele parou na frente de uma casa e, pelo que Chiara tinha reparado, era a casa mais arrumadinha do lugar. Assim que chegou ao lado dele, Louis colocou Chiara no chão novamente e Bencatel apertou o ombro dela.

ᅳ É aqui ᅳ anunciou. ᅳ Acho que é bastante diferente do que imaginou, né?

ᅳ Sim ᅳ respondeu, com sua voz trêmula. ᅳ Meu pai sempre falou que não tinha pobreza... As estatís...

ᅳ Ela mentem! ᅳ Bencatel cortou Chiara. ᅳ Seu pai conta que, várias vezes por ano, ele manda incendiar aqui? Fazendo várias pessoas morrerem? ᅳ ele parecia culpá-la. ᅳ Entrem, por favor. ᅳ ela abriu a porta da casa para os dois entrarem.

A casa era bem simples, porém arrumada. Tinha um homem sentado no sofá com uma bebida na mão e com os botões da camisa um tanto abertos. Dava até para ver o peitoral peludo do mais velho e a corrente que carregava. A casa estava em silêncio e a TV ligada, então Bencatel pegou um chinelo, jogando no homem e gritando para ele acordar.

ᅳ Filho, deixa seu pai em paz! ᅳ uma voz feminina gritou, da parte de cima da casa.

Chiara agarrou-se ao braço de Louis, enquanto Bencatel desligava a TV e jogava sua mochila no sofá vazio. Com raiva, ele pegou o copo da mão de seu pai e a garrafa de bebida, enchendo o recipiente e jogando o líquido no rosto do mais velho, porém ele não acordava.

ᅳ De novo deixando ele beber até não acordar mais, mãe? ᅳ Bencatel perguntou, alto.

ᅳ Ben, deixe isso pra lá ᅳ a mulher falou. ᅳ Suba aqui, pois seu filho está doente.

ᅳ Você tem um filho? ᅳ Chiara perguntou, surpresa com a informação e Bencatel assentiu, saindo da companhia dos dois.

Chiara sentou-se ao lado de Louis no sofá, pegando sua mãe e pensou:

Não posso ficar aqui por muito tempo.

Chiara acordou com um barulho de uma criança chorando. Ela nem lembrava mais o que era ouvir aquele som ᅳ que particularmente, achava irritada ᅳ desde que Lorenzo nasceu.

Ela estava no quarto de Bencatel e Louis não estava com ela, como sempre. Ele tinha saído para passear antes dela deitar-se e os pais de Bencatel não sabiam que ela estava "escondida" na casa deles. Chiara levantou-se, olhando para o quarto que era minúsculo e ainda parecia ser compartilhado com outra pessoa que não estava ali no momento. Embora tudo aquilo fosse surpreendente para ele, Chiara ainda não tinha "aceitado" que Bencatel tinha um filho e não tinha contado nada, mesmo depois de tantas conversas.

Tinham dois porta-retratos ao lado da cama do homem. Uma tinha a somente dele e no outro lado, tinha a foto dele com uma mulher. A monarca pegou a moldura e admirou o rosto dela. Ela tinha a pele negra e cabelos marrons, era magra e muito bonita. Os dois pareciam bastante felizes um com os outros e, por um momento, ela sentiu-se incomodada por conta da felicidade tão iminente ali. Ela até se perguntou se essa possível esposa dele, acharia dela por ali.

Chiara colocou o porta-retratos no lugar de onde tirou e voltou a se cobrir por conta do frio. Ela nunca costumava sentir frio por conta de todo aquecimento que tinha no palácio, só que a casa de Bencatel tinha apenas as coisas mais básicas e ela sentiu frio de verdade, pela primeira vez na sua vida.

Talvez o aquecimento não deva ser tão bom assim. ᅳ tentou pensar daquela forma.

Um barulho na porta, fez Chiara encolher-se mais na cama, quase atravessando as grades de ferro do móvel. Seu coração acelerou de medo e fechou os olhos, esperando pelo pior. Só quem tinha entrado, era uma mulher ruiva e aparentava ter uns quarenta anos. Ela usava roupas simples e pretas, a mulher também aparecia um pouco "cansada" demais para sua idade, porém aquilo não tirava a beleza dela.

ᅳ Alteza ᅳ fez uma reverência.

ᅳ Eu não sou mais uma Alteza ᅳ falou com uma entonação triste em sua voz. ᅳ A senhora pode me chamar de Chiara.

ᅳ Meu nome é Amme Fritz-Bencatel ᅳ se apresentou. ᅳ Sou a mãe de Benício, seu soldado.

ᅳ Ah... O nome dele é Benício? ᅳ Chiara sorriu.

ᅳ Sim. Possivelmente deve chamá-lo pelo sobrenome, acertei? ᅳ Amme sentou-se na ponta da cama. ᅳ Eu vi a luta pela TV...

ᅳ O que achou? ᅳ perguntou, querendo ter uma resposta de que ele tinha sido vista como a vítima. ᅳ Queria saber como ficou na televisão... Se eu pareci uma pessoa querendo me defender de um possível homicídio ou uma assassina.

ᅳ Me pareceu uma garota assustada por conta dos jornais ᅳ sorriu de forma doce, tentando aliviar qualquer tensão por ali. ᅳ Muitos deles tentaram aumentar as vendas por conta da lenda da tal maldição. Você acredita?

ᅳ Eu sei. A Reyna leu uma passagem de um dos jornais, minutos antes da luta ᅳ Chiara fechou seus olhos, lembrando do tom de voz ameaçador de sua irmã. ᅳ Ela sabia que eu acredito nessas coisas... Muitas coisas que estão no livro das profecias aconteceram, então por que essa não aconteceria? Há muitas coisas que eu não sabia como eram de verdade. Aliás, eu nunca soube dessa pobreza toda, e Bencatel nunca me disse, mesmo que tenhamos conversado várias vezes... As conversas não valeram de nada.

ᅳ Você e meu filho são próximos? ᅳ Amme pareceu um pouco preocupada com aquilo.

ᅳ Não como pensa ᅳ respondeu logo, sentindo-se nervosa. ᅳ Ele era vigia noturno no andar que ficava o meu quarto e, às vezes, pela noite, fazia segurança na minha porta. Ele me ajudou em algumas noites de insônia, mas ele sempre dizia que gostava muito da família... E... E ele nunca me revelou que era casado.

ᅳ Ele não é. Só teve uma namorada chamada Leah ᅳ Amme falou, lembrando-se da garota. ᅳ Ela engravidou e após seu parto, foi executada. Sabe como a lei é dura para quem tem filhos antes dos dezoito anos ou fora do casamento, né? É crime contra o Império ᅳ a mulher levantou-se. ᅳ Eu vim avisá-la que o café está pronto e se quiser descer para comer algo, eu estarei lhe esperando.

ᅳ Obrigada ᅳ respondeu baixo, antes da dona da casa sair.

Chiara levantou-se da cama, colocando a capa que sua mãe tinha colocado nela antes de sair. Ela achava que aquilo poderia dispersar o frio, já que era bem quente a peça.

Ela foi até sua bolsa, onde começou a tirar as coisas que tinha colocado ali, pegando uma necessaire que tinha colocado umas coisas básicas para higiene e saúde. Chiara procurou por um banheiro e no final do corredor, tinha uma porta quebrada e aquilo parecia um banheiro, então entrou no banheiro que estava tudo quebrado, além de ser apertado.

Quando saiu de lá, ela ficou curiosa por ver uma porta aberta e Bencatel estava deitado em uma cama e com um menino pequeno em seus braços. Chiara entrou ali, observando os dois e o homem parecia bem cansado e se espantou com ela por ali. Ela recuou por conta depois de trocarem olhares e voltou para o quarto que estava "hospedada", guardando suas coisas.

Ao olhar-se no espelho que tinha na parede, ela obrigou-se a tomar um banho. Já estava praticamente um dia com a mesma roupa e o dia de ontem ainda parecia gravado em sua pele e roupas. Chiara desceu as escadas tentando não fazer barulho, porém era quase impossível aquilo. Louis estava dormindo no sofá e Amme parecia fazer tudo em silêncio para não acordá-lo. Ela observou os cantos, procurando o pai de Bencatel e não o achou, sentindo-se até mais segura.

ᅳ Quer ajuda? ᅳ perguntou para Amme.

A mais velha riu, quase como se estivesse com pena da moça.

ᅳ E você sabe fazer alguma coisa?

ᅳ Comida, não ᅳ comentou. ᅳ Mas não é como nunca tivesse ajudado os funcionários com alguma tarefa. Só que se me ensinar, eu posso aprender a fazer o que quiser ᅳ Chiara ofereceu-se mais uma vez.

ᅳ Não precisa ᅳ falou. ᅳ Sente-se ᅳ Amme apontou para a mesa. ᅳ Eu gosto de fazer as coisas sozinha e eu já estou acostumada ᅳ pôs um copo e um prato na mesa. ᅳ Aqui deve ser menor que o seu quarto naquele palácio.

ᅳ Tenho que admitir que é verdade ᅳ foi sincera.

ᅳ É simples, no entanto, é bom ᅳ comentou. ᅳ Não é todos os dias que uma realeza está em minha casa.

ᅳ Ex...

ᅳ Seu pai vai voltar atrás quando a raiva passar ᅳ a mulher tentou confortá-la, enquanto servia café para Chiara.

ᅳ Espero ᅳ disse um pouco desesperançosa.

Era claro que seu pai não a aceitaria, porém deveria manter o pensamento positivo.

O pensamento positivo e a esperança tinham que ser as últimas coisas a morrer em uma monarca. Ela teria mais problemas que esse durante o seu governo e, quem sabe, depois que seu analisasse as coisas com mais calma e com menos raiva, ele poderia entender que nada do que ela fez, foi realmente de uma forma maldosa ou parecida.

Chiara tinha certeza que sua mãe o convenceria a abrir um diálogo para ela poder esclarecer as coisas. Afinal, ele antes de mandar em um criminoso para morte, sempre o ouvia. Por que não poderia fazer isso com sua própria filha? Era injusto se ele não fizesse! ᅳ E assim que seu pai sentisse falta da pedra, ele iria chamá-la para uma conversa, a fim de ter seu bem de volta.

O rei levantou repentinamente da cama, assustado. Seus olhos estavam tão esbugalhados e pareciam saltar para fora. Ele olhou para todo o quarto e tudo ainda estava fechado, escuro e sua esposa estava dormindo, aparentemente. Konecki se movimentou com cuidado para sair da cama e não acordar Martina, afinal, aquele dia tinha sido muito duro com ela e só agora tinha conseguido pegar no sono.

Ele calçou seus chinelos que estavam ao lado de sua cama, e saiu do quarto com o único objetivo: a sala secreta do palácio. Durante o percurso, só se cruzou com dois guardas do corredor. Ele subia as escadas com seu coração acelerando, pois estava com um certo medo. Todas as noites, desde quando casou-se, ele ia até lá com um de seus pais, ver se a pedra estava lá. Só que depois de toda a confusão que aconteceu, ele esquece de ir ver a vanadinita. Ao abrir a porta, seu coração parou, quando ele não viu a pedra no lugar que deveria estar.

Ele desceu as escadas, correndo, entrando em seu quarto e batendo a porta, fazendo sua esposa acordar.

ᅳ Roubaram a pedra! ᅳ Konecki jogou as palavras no ar. ᅳ Há traidores aqui, Martina!

ᅳ Calma, Konecki ᅳ a mulher pediu, levantando-se da cama, tentando se situar do que estava acontecendo.

Martina era uma mulher extremamente bonita e sexy nas roupas de dormir. O tempo só parecia deixá-la mais linda e atraente. Ela era como uma divindade encarnada em uma pessoa.

ᅳ Calma? ᅳ debochou. ᅳ Vou pedir para irem atrás da pedra. Por bem ou por mal, eu a encontrarei! Deve ter alguém de Sacramento infiltrado aqui e sabia onde estava!

ᅳ Kone...

ᅳ Martina, a vanadinita é o desejo de todos! É o maior bem que nosso império herdou. Todo o poder daquele ser espiritual chamado Meridia, está ali! Alguém com aqueles poderes, poderá fazer o que quiser ᅳ ficou desesperado com a possibilidade. ᅳ Eles podem destruir nosso lar, dar início a outra guerra e acabar com o mundo que nem os religiosos fizeram da última vez.

ᅳ Você vai achar, eu tenho certeza ᅳ Martina tentou confortar o marido.

Konecki gemeu de raiva, saindo do quarto novamente. Ele bateu a porta, gritando para todos os guardas e soldados do castelo, irem atrás de seu pertence por todos os lugares das redondezas da província. Não importava onde eles fossem, se eles tinham ou não a permissão para entrar e remexer nas coisas que achassem necessário. Além disso, ele ordenou que acordassem seus filhos e mandassem eles para seu escritório para tomarem café junto com ele e conversarem.

Não demorou muito até toda sua família estar ali com ele, tomando o café da manhã em seu escritório. O rei parecia realmente furioso e já tinha ordenado as buscas pelo palácio e seus dois filhos se olhavam não entendo nada, principalmente Lorenzo que era o mais novo e não ligava para nada do que estava acontecendo. Mas mesmo com as buscas, não se tinham achado nem vestígio de onde ela estava escondida. Só que além de seus filhos e certos funcionários selecionados terem acesso ao andar onde tinha a sala secreta, a única pessoa que sabia de tudo era Chiara, e ela não estava ali.

Ele bateu na mesa, urrando de ódio e gritou o nome da filha.

ᅳ CHIARA!

ᅳ O-o quê, papai? ᅳ Lorenzo ficou com medo.

Ele não entendia muito bem certas coisas e nem sabia porque o pai estava tão bravo por conta de uma pedra.

ᅳ Lorenzo, saia! ᅳ pediu, apontando para a porta. ᅳ Vá brincar com as outras crianças.

Martina ficou quieta, passando a mão pela cabeça e pedindo para que seu marido estivesse errado sobre a filha. Ela poderia passar por cima do fogo para provar a inocência de Chiara, mas só poderia ser ele mesmo a ladra dessa pedra.

ᅳ Sua filha, Martina! ᅳ Konecki acusou.

ᅳ Ela não faria isso, Konecki! Chiara tem mais medo desses mitos, do que qualquer pessoa no império todo! ᅳ a mulher defendeu sua filha.

ᅳ Se ela fez isso, deve ter sido pelo motivo de querer conversar com você, pai ᅳ Edmundo tentou apaziguar as coisas. ᅳ Eu concordo com minha mãe, Chiara jamais levaria essa pedra daqui para conseguir algo, além de que você a perdoe. Se ela quisesse fugir de verdade, levaria muito dinheiro dos cofres, porém só isso.

ᅳ Você deve saber para onde ela fugiu, não é, Edmundo? ᅳ perguntou, olhando para o filho. ᅳ Ou até você, Martina?

ᅳ Não, eu não sei! ᅳ a rainha elevou o tom de sua voz. ᅳ Eu tentei falar com ela ontem, porém já não estava mais lá.

ᅳ Edmundo?

ᅳ Ela não tem muitos amigos. Com certeza, Adam, Lima ou Lana devem saber onde ela está. Isso se não for o caso deles estarem a ajudando ᅳ Edmundo, levantou-se. ᅳ Pai, não faça nada de cabeça quente. Ela é sua filha e futura rainha do império.

ᅳ Ela foi minha filha! ᅳ o homem exclamou.

ᅳ Ela é sua filha e será até o dia de sua morte! ᅳ falou firme, impondo-se. ᅳ Todos sabiam que era o destino de Reyna morrer! Não se engana o destino.

ᅳ O que você está querendo dizer? ᅳ o rei ficou irado com o seu filho.

ᅳ Eu não sou burro, como acham que eu sou! Eu sei que Reyna foi a primeira a nascer, porém vocês dois... ᅳ apontou para os pais. ᅳ Que, a princípio, também acreditavam nas escrituras do nosso fundador, burlaram tudo e enganaram o povo do nosso império, não é? Tentando enganar até o futuro, onde a Chiara seria a mais velha e a Reyna, a segunda a nascer! Só que quando uma coisa é destinada a acontecer, e sendo citada, milhares de anos atrás, ele acontecerá de alguma forma ᅳ ele andou até a porta. ᅳ Eu espero que vocês façam as pazes com Chiara e a tragam-na de volta, pois eu não quero ter que assumir o lugar dele e ter que me tornar rei.

Edmundo saiu do escritório, batendo a porta.