Chest Of Memories
3 Uma Meia Flecha
Notas iniciais
Esperamos que goste, mammys! ^^
Beijos
Pegando o objeto das mãos do marido, Luci colocou-o cuidadosamente ao seu lado, em cima de uma almofada roxa e dourada, pensando com carinho na filha que lhe dera tanto trabalho quando nascera.
- E o que seria isso? – a pergunta do Grande-Rei a faz desviar a atenção dos sapatinhos de lã vermelhos e do pensamento da filha, fazendo-a olhar em direção ao marido e para o objeto que chamara tanto a sua atenção.
Ao perceber do que se tratava, riu, e retirou o meio pedaço de flecha do baú, as penas brancas praticamente inexistentes devido ao tempo.
- É uma meia flecha. — comentou óbvia. — Achei que saberia identificar.
- É lógico que sei que é uma metade de uma flecha. — Peter rodou os olhos, meio ofendido. — Gostaria de saber por que guarda isso.
- Porque ela é importante para mim. — deu dando de ombros, fato que resultou numa carranca do rei. Riu mais uma vez. — É uma longa história... — continuou a provocar.
- Já te disse que temos todo o tempo do mundo. — a curiosidade era palpável em Peter, o que fez com que Luci abrisse a boca para falar.
- Muito bem...
XXXX
Luci Pevensie caminhava preguiçosamente pelos largos corredores de Cair Paravel, o salto de seu sapato fazendo leves batidas no chão de pedra. Aproveitava o raro momento de silêncio que o castelo estava tendo devido à falta de barulho e agitação. Silêncio e sossego eram algo que há treze anos os narnianos não conheciam por completo. Desde que a primeira princesa havia nascido, a completa paz desaparecia, paulatinamente, do reino, ao passo que o caos tomava o seu espaço. E, a cada novo herdeiro que nascia o caos tomava conta de mais um pedaço de Nárnia, fazendo Luci ter a impressão de que até na Calormânia ele podia ser sentindo intensamente.
Então, era óbvio que aquela repentina paz teria que ser apreciada, afinal, não eram todos os dias que Edmund e Lucy tinham a boa vontade de levar os sobrinhos para fazerem um piquenique e nadarem no rio Beruna, e deixarem a população restante do castelo em sossego.
Enquanto caminhava, decidiu que iria até a sala de descanso e terminaria de ler aquele volumoso livro que, por causa dos filhos, havia deixado de lado há mais de um mês. Um tempo relativamente absurdo para ela, que era conhecida como a princesa devoradora de livros. Dando meia volta, mudou de rumo e virou para a esquerda, dirigindo-se para a biblioteca, a fim de resgatar o livro das prateleiras empoeiradas.
Ao chegar ao seu destino, abriu a enorme porta entalhada com paisagens de Nárnia, fazendo uma careta de desgosto pelo rangido, porém, logo a sua expressão se suavizando conforme cada centímetro de seu corpo adentrava no enorme aposento. Adorava qualquer espécie de biblioteca, independente de seu tamanho ou da quantidade de livros que possuía. Para a Rainha, toda e qualquer biblioteca possuía uma espécie de magia específica, nunca uma sendo igual à outra, e, por isso, mereciam respeito pela sua individualidade e importância.
Inspirando o ar do ambiente, sorriu deliciada. O cheiro de livros sempre fora um de seus favoritos, até mesmo dos empoeirados, fato que sempre fazia Balin torcer o nariz por não conseguir entender como a Rainha gostava de algo que causava alergia a ela. Luci, como resposta, sempre dava de ombros e dizia que amor não se escolhia, aceitava-se.
Saindo de seu devaneio, passou a andar pelos corredores formados pelas estantes, tentando se lembrar aonde, exatamente, havia deixado o livro já começado. Passou por vários corredores, irritando-se por não conseguir achá-lo. Virou para a direita, na sessão de “História”, depois à esquerda para sessão de “Literatura”, e mais uma vez virou aqui e ali. No fim, suspirou irritada, sentindo-se perdida. Olhou para cima para ver em que sessão havia terminado, espantando-se ao ler “Sessão de Guerra”.
- Pela juba de Aslam! — exclamou espantada e indignada. — Como fui me perder numa biblioteca?
- Por causa da idade! — uma voz infantil se fez presente, seguida de uma risada.
Luci ofegou ofendida com a ousadia da criança, e rodou em seu próprio eixo, procurando a fonte da voz. Quando estava quase virada para a janela, notou uma sombra ao lado de uma das estantes. Sorriu satisfeita e passou a caminhar furtivamente em direção à sombra, tentando, ao máximo, ficar despercebida. Quando estava a menos de três passos da sombra, pulou em sua direção, as mãos erguidas em forma de garra.
- TE PEGUEI! – a mulher gritou, agarrando a criança pelos ombros, fazendo com que esta soltasse um gritinho assustada, de certo não esperando aquela reação. Todavia, começou a dar risada, levando ambas as mãos à boca, a fim de abafar o som das altas gargalhadas que passou a dar, depois de ver a expressão de desentendimento da mulher. – Nanda?!
- Oi, mamãe. – a menina sorriu, tendo a decência de ficar um tanto constrangida.
- O que faz aqui? – Luci perguntou, soltando os ombros da filha e se recompondo.
A menina olhou para os livros em sua mão, depois para a sua mãe e novamente para o livro. Por fim, respondeu:
- Caçando ratos! Esse livro serve direitinho para amassá-los.
- Rá, rá... – Luci rodou os olhos, as mãos na cintura. – Muito engraçado, mocinha! – a fala da mãe fez com que a menina sorrisse, desarmando Luci. – Ai! Sua sorte é que eu sempre adorei esse seu gênio! Igual ao de seu pai... – resmungou.
- Igual ao de papai? – Nanda perguntou confusa.
- Sim. Você é igualzinha a seu pai!
- Estranho... – a menina levou uma mão ao queixo, pensativa. – Papai vive dizendo que meu... – franziu o cenho tentando se lembrar da palavra. – Meu... – apertou os lábios, começando a se irritar por não se recordar da palavra. Não fora nem dois dias que o pai havia lhe dito aquilo! Como pudera se esquecer?
- Seu...? – Luci incentivou.
- Ai! Começa com “s”!
A rainha ergueu uma sobrancelha, achando graça na situação da filha, que começava a ficar nervosa e irritada. Fernanda sempre fora a filha que mais prestava atenção nos adultos, no jeito deles falarem, portarem-se e gesticularem. Até mesmo quando era um bebê. Por isso, fora a filha que, se comparado com as todas as outras, primeiro aprendera a falar, ler, escrever e a fazer contas.
O mais interessante era que Nanda se esforçava para falar como um adulto, pronunciando todas as sílabas e pronomes, além de conjugar os verbos de forma correta. Adorava aprender palavras novas, principalmente as difíceis, para empregá-las em suas falas. Luci ainda gargalhava quando se lembrava da vez em que a filha aprendera a palavra “egrégia”, bem como seu significado, e fizera questão de por em prática seus conhecimentos no mesmo dia, quando da chegada de sua tia Susan e do marido Edgar, o rei de Telmar.
Assim que fora a sua vez de cumprimentar aos tios, a princesa, no auge de seus sete anos, fez uma vênia e proferiu as exatas palavras: “É uma honra estar na presença de Vossas egrégias pessoas!”. Não precisa ser explicado que todos os presentes naquele momento ficaram atônitos com a pequena princesa, perdendo as falas por segundos. Foi somente quando Peter, orgulhoso como sempre, ergueu Fernanda no colo e começou a rir, sendo seguido por todos, que a tensão e o espanto se dissiparam.
- Sar... – a menina ainda tentava se lembrar. – Ai, mamãe! O Senhor Tumnus disse que significava zombaria!
- Sarcasmo? – a mãe lhe perguntou, finalmente entendendo o que a princesa queria dizer.
- Isso! – ela sorriu feliz, somente uma covinha aparecendo do lado esquerdo de sua bochecha. – Sar.. Sarcasmo! – respirou fundo e continuou seu raciocínio. – Papai vive dizendo que meu sarcasmo foi herdado da senhora!
- É mesmo? – a mulher arqueou uma sobrancelha. – Pois é verdade! Seu pai é inocente demais para isso. – riu, aproximando-se mais da filha. – E o que está lendo?
- Não estou lendo, mamãe! Estava caçando ratos, lembra-se? Eles fazem estragos nos livros.
Luci tremeu a cabeça, parecendo se lembrar de um pequeno detalhe somente agora. A filha sempre conseguia fazê-la desviar do assunto.
- Muito bem, e por que está caçando ratos, ao invés de estar com seus tios e irmãos fazendo piquenique perto do rio Beruna?
- Piquenique? Eu não fiquei sabendo de piquenique nenhum! – parecia ofendida por ter sido deixada para trás.
- Estaria sabendo se não estivesse se escondendo aqui. – Luci cruzou os braços, esperando explicações.
- Não é minha culpa que a Senhora Charity Burbage queria que eu praticasse meu bordado! – falou, exasperada. – Eu já sei bordar e o faço bem, ela mesma disse! Então, por que eu tenho que ficar praticando algo inútil?
- Não é inútil. – a rainha tentou argumentar, mas foi cortada pela filha.
- É inútil numa guerra. – respondeu resoluta. – Somente precisamos costurar as vestimentas rasgadas. Não precisamos bordar paisagens de Nárnia para elas ficarem bonitas e ornamentadas!
- Bem... – a mulher teve que ceder. – Você até tem razão... Mas, pela juba de Aslam, por que está pensando em guerras?!
- Porque um reino não vive somente de paz. – deu de ombros. – E antes que me diga que não, por que Sor Alastor Moody treina todos os dias os cavaleiros de Nárnia? E por que papai e tio Ed têm uma espada?
Luci suspirou, os dedos pressionando a testa, enquanto pensava que deveria ordenar que Peter e Edmund parassem de falar sobre essas coisas perto da menina.
- Então você se escondeu aqui na biblioteca para não bordar? – tentou mudar de assunto para não se aborrecer mais.
- É.
- E o que escolheu para ler? – sem esperar resposta, retirou o livro das mãos da filha e leu sua capa. – A arte do arco e flecha?! – olhou assustada para ela.
- Arcos são legais, mamãe... – corada, tentou retirar o livro das mãos da mãe.
- Pois, são mesmo. – Nanda ergueu o olhar, espantada, não acreditando nas palavras da outra.
- A senhora também acha?
- Lógico que sim. – ante o olhar descrente da princesa, prosseguiu, orgulhosa. – Acontece, mocinha, que sou a melhor arqueira que o reino de Arquelândia já viu.
- Igual tia Susan? – parecia animada.
- Até melhor que Susan! – e, entregando o livro de volta à filha, continuou. – E, se quiser, posso te ensinar uma coisa ou outra.
- Eu quero! – Fernanda respondeu mal a mãe tendo terminado de falar, levantando-se do chão com um pulo. – Não se dá para aprender a usar um arco pelas instruções dos livros. – continuou séria. — Eu tentei.
- Muito bem! Vamos para o pátio de treinamento, então. – a Rainha sorriu e, dando a mão para a filha, saiu da biblioteca e dirigiu-se para o pátio.
XXX
Haviam chegado ao pátio já fazia uns bons quarenta minutos, porém as aulas ainda não haviam começado. Luci, antes de tudo, queria procurar o melhor e mais adequado arco para a filha, bem como flechas – com o mínimo de ponta –, luvas e protetores de ombro, a fim de certificar-se da segurança da princesa.
Já Fernanda achava tudo aquilo uma perda de tempo, pois queria logo começar a praticar. Mas, no final, teve de ceder, ainda mais depois que Luci lhe explicara que usar um arco inadequado podia lhe trazer consequências horríveis, bem como não usar proteção nenhuma. Além disso, as flechas com pontas poderiam machucá-la e isso era algo que a rainha, definitivamente, não queria.
Como a princesa presava por sua segurança e pela dos outros, e também por ter medo de, se insistisse, a mãe acabasse por mudar de ideia, comportou-se como uma integrante da família real deveria se portar, ficando sentada no banco de madeira do pátio, as mãos cruzadas em seu colo e os pés balançando no ar, esperando pela mãe.
- Aqui estão. – a Rainha, finalmente, apareceu e colocou todos os equipamentos no banco, mostrando cada um para a filha. – Mas, antes de começar, vou te dar uma básica explicação de tudo.
- Não precisa, mamãe. Eu li tudo nos livros! – Nanda apressou-se a dizer, demonstrando, claramente, a sua impaciência.
- Ah, é mesmo? – Luci ergueu uma sobrancelha, descrente. – Então me diga para que servem as penas numa flecha.
- Para dar estabilidade à flecha em voo. – respondeu de forma rápida, uma leve arrogância em seu falar. – E ainda existem técnicas para o posicionamento das penas e também de seu tamanho. – e passou a narrar exatamente às palavras que lera nos livros, embora Luci não soubesse explicar se a menina de dez anos, por mais brilhante e inteligente que fosse, conseguiu entender tudo o que lera. — Se as penas são colocadas de forma paralela à vareta, a flecha voará reta. Se aplicar às penas um ligeiro ângulo, a flecha irá girar em seu eixo longitudinal. Isto dará à flecha uma trajetória mais acurada, mas, também, irá gerar mais instabilidade.
Tomando fôlego, Nanda continuou:
“Em regra, pode-se dizer que, quanto maior a pena mais lento a flecha voa. Ao mesmo tempo, quanto maior a pena, mais estável voa a flecha. Porém, uma pena grande é facilmente influenciada pelo vento. Assim, em campeonatos de pequena distância, usam-se penas grandes, e de preferência penas de ganso, porque elas dão uma excelente estabilidade à flecha. Em caça também se usa penas grandes para facilitar a visibilidade da flecha. Já em competições de longa distância, usam-se penas pequenas e leves nas flechas para o tiro não ser assim tão influenciado pelo vento e a pena não pesar tanto na flecha.” – terminando de narrar, olhou para a mãe, o nariz empinado.
- Às vezes me pergunto como você consegue guardar tudo o que lê nos livros na cabeça. – a mulher suspirou e tremeu a cabeça. – E quanto aos tipos de penas?
- Basicamente, pode-se usar qualquer pena, mas as mais usadas são penas de pato, de ganso e, melhor ainda, de peru. – balançou a cabeça para cima e para baixo. – Ah! Sabia, mamãe, que se deve usar apenas as penas de uma das asas para uma mesma flecha?
- Sabia, querida. Penas de diferentes asas são incompatíveis entre si. – ergueu uma mão para fazer carinho na filha. – Aliás, o melhor é usar penas de uma só asa em todo o jogo de flechas, para que o arqueiro não tenha surpresas.
Fernanda acenou com a cabeça, concordando com tudo. Depois, olhou para o arco e todos os equipamentos em cima do banco, os olhos brilhando de ansiedade, fato que não passou despercebido pela Rainha.
- Como eu tenho certeza que já sabe sobre todos os equipamentos, podemos já começar a treinar. – o sorriso que recebeu como resposta fez a mulher quase gargalhar. – Vamos, eu te ajudo a colocar toda essa proteção.
Num pulo, a princesa desceu do banco e se postou em frente à mão, os braços erguidos ao lado para facilitar o trabalho da Rainha. Primeiro, ela encaixou o protetor de peito mais adequado que achou para a filha, depois os protetores de braço e, por fim, as luvas de arqueiro. Luci ainda amarrou a aljava nas costas da menina, pois queria que ela, desde o começo, acostuma-se com o peso das flechas ao atirar, já que isto influenciava no desempenho.
Depois que Fernanda já estava toda protegida, a mãe lhe entregou o arco longo mais compatível com seu tamanho, e encaminhou-a até uma distância considerável para aprendizes dos grandes alvos redondos, nas cores branco e vermelho, que estavam postados no pátio de treinamento para os soldados.
- Muito bem. – Luci postou-se ao lado da filha e, pegando o seu próprio arco longo, todo feito de madeira branca, colocou-se na posição adequada para atirar. – É dessa maneira que se deve ficar: virada para o lado. Lembre-se de que uma das pernas fica à frente, enquanto a outra, numa distância razoável para te dar estabilidade, fica atrás. Um arqueiro precisa ser firme, caso contrário qualquer vento pode desestabilizá-lo. Da mesma forma, não se esqueça de que o vento é tanto seu aliado, como seu inimigo.
Enquanto a mãe falava, Nanda prestava uma absurda atenção nas palavras, o cenho franzido em concentração, tentando decorar tudo o que ouvia e via. O que não era muito difícil. A menina tinha uma incrível capacidade de ver, ouvir ou ler qualquer coisa e guardá-la na memória para sempre.
- Agora, a posição dos braços. – Luci retirou uma flecha com penas azuis de sua aljava, esta também toda branca, como o arco, a fim de ilustrar melhor para a filha como se deveria manter os braços. – Eles devem ficar rentes, em linha reta, dessa forma. A flecha também deve ficar reta. Para mirar, nunca se move os braços, mas sim a cintura, dessa maneira.
E, assim, a mãe explicava para a filha todas as técnicas corretas para o uso do arco, a menina prestando a máxima atenção em todos os movimentos, vez ou outra os imitando para que a mãe pudesse corrigi-la quando fizesse algo de errado. Passaram boa parte do tempo treinando as partes básicas até que Luci se convencesse que a princesa estava pronta para atirar.
- Muito bem... Assim mesmo. – acenou em confirmação para a menina. – Agora, lembre-se do que eu te disse: tranquilidade. Não tenha pressa para atirar a flecha, somente o faça quando estiver certa de sua mira. Não fique pensando muito, apenas sinta. Irá vir a você naturalmente.
Fernanda balançou a cabeça, concentração espalhada por toda a sua face. Encaixou uma flecha no arco, os dedos em forma de garra para mantê-la equilibrada. Mirou o alvo a sua frente, os minutos se passando até que finalmente sentisse a confiança para atirar. Soltou a corda e viu a flecha voar em alta velocidade, atingindo o nada.
- Q-que...?! – perguntou indignada, arregalando os olhos pelo seu erro. – Mas eu mirei certo! – reclamou para a mãe de uma forma bem mimada.
- Calma, querida, errar é normal. Você está treinando, lembra? – tentou acalmar a filha, oferecendo-lhe outra flecha para que ela tentasse de novo. – Tente de novo.
Obedientemente, embora emburrada, já que não era acostumada a falhas, Nanda pegou a flecha da mão da mãe e a encaixou no arco, mirou mais uma vez e, após vários minutos, atirou novamente, somente para ver a flecha errar o alvo mais uma vez. Exclamou irritada e, antes que a mãe lhe dissesse algo, retirou outra flecha e atirou, errando de novo.
Continuou assim por mais dez tentativas, não obtendo sucesso em nenhuma delas. Irritada, e, por que não, desacreditada e frustrada, a princesa suspirou e bateu os pés, segurando as lágrimas que teimavam em sair. Mas ela não iria chorar! Não tinha mais idade para isso. Além do mais, seu pai sempre lhe dissera para nunca desistir, que a perfeição chegava com o tempo. E ela iria atingir a perfeição, nem que precisasse passar horas com um arco na mão e machucasse todos os seus dedos no processo!
Limpando os cantos dos olhos com as costas da mão, retirou mais uma flecha e a prendeu em seu arco. Fechando os olhos, a garota tentou se concentrar, prestando atenção em sua respiração e sentindo o vento. Ouviu a mãe falar ao longe, qualquer coisa sobre calma, concentração e “que viria naturalmente”. Não soube quanto tempo ficou ali, mas, quando sentiu que deveria atirar, abriu os olhos e olhou firme para frente, soltando a corda sem ao menos se dar conta de que o fazia. Viu a flecha voar elegantemente e com velocidade para a frente, e acertar a parte superior direita do alvo.
- Eu... consegui? – perguntou tímida, ainda não acreditando no seu sucesso.
- Sim, você conseguiu! – Luci exclamou com orgulho, felicidade por todo o seu rosto. – Você acertou, querida!
- EU ACERTEI! – gritou feliz e pulou em cima da mãe, abraçando-a. – Eu consegui! Obrigada, mamãe, obrigada!
A Rainha riu e apertou a filha contra si e passou a rodá-la em forma de comemoração.
- Sabia que você conseguiria!
Antes que qualquer uma das duas pudesse dizer mais alguma coisa, vozes infantis e gritaria foram ouvidas, vindas do pátio principal. Luci olhou na direção das vozes, e viu seus filhos e cunhados subindo a escadaria principal, todos eufóricos e molhados, conversando animadamente.
- Acho melhor terminarmos por hoje, querida. – comentou, enquanto voltava a atenção para a filha que não fora ao piquenique.
A princesa, para o espanto de Luci, concordou, o sorriso ainda existente em seu rosto.
- Posso contar para o papai e os outros, mamãe? – ela perguntou, fazendo com que a mulher entendesse porque ela não insistira em continuar a praticar. Nanda, naquele momento, estava mais eufórica em contar a todos que conseguira dominar um arco, do que em continuar a praticar.
- É lógico que sim. Vá correndo para dentro, contar o mais rápido possível! – incentivou a filha, que, assim que recebeu a permissão da mãe, desatou a correr em direção aos tios e irmãos.
Luci sorriu vendo a cena de a quinta filha correr para dentro do castelo, ainda vestida com todos os equipamentos de proteção, a aljava batendo em suas costas e o arco segurando firmemente nas mãos. Tremendo a cabeça, mudou sua atenção para o alvo acertado e caminhou em direção deste. Parando em frente ao círculo, passou a mão por sobre a flecha de penas brancas, contente com o bom trabalho da filha. De súbito, retirou a flecha do alvo e quebrou-a no meio, guardando os dois pedaços dentro da aljava que carregava à cintura.
Satisfeita, voltou-se em direção ao castelo e passou a caminhar calmamente em direção ao Grande Salão, preparando-se mentalmente para todo o rebuliço e caos que encontraria assim que pisasse naquele local.
Notas finais
Então, mom's? O que achou?
Te love you! ahauhauha
Beijos!
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