Notas iniciais
Agradeço a todos que visualizaram, leram, acompanham ... Mas eu realmente agradeço a Ste-chin, ChibiNeko, e Lil-chin por serem minhas leitoras fiéis e me deixarem reviews que me estimulam a continuar !!



Andavam de mãos dadas, a criança que aparentava ter algo entre seis ou oito anos olhava placidamente para frente observando os corredores da mansão, o maior disse que o deixaria dormir novamente em seu quarto enquanto ele decidia o que fazer. Faziam dois dias desde que ele lhe salvara, sendo que o primeiro o pequeno passou dormindo no quarto de Fran na Varia. Nevi não fez perguntas para o jovem ao seu lado de cabelos e olhos verdes. Ele transmitia uma certa segurança que o acalmava, mesmo após ter ouvido a discussão, ou melhor, os berros do intitulado chefe da Varia, ao lado de Fran o menino não sentia necessidade de falar nada.

Quando acordou, estava atordoado e com muita fome, seu estômago fazia ruídos como se reclamasse com o ser azulado de que não havia comida o suficiente.

“Já te disse Rex, não adianta ficar resmungando, se tivesse comida por perto ela já estaria ai dentro” — o menino conversava com a própria barriga como se fosse algo com o qual já estivesse habituado.

“Já disse que meu nome é Jack!!” — pareceu responder o estômago revoltado.

Ouviu algumas vozes vindas do corredor, pareciam discutir sobre o que fariam com a criança que deveria estar adormecida no quarto, mas ao contrário disto, estava ouvindo atentamente o diálogo.

— Voi! Você falou com o chefe mimado? — o homem de longos cabelos prateados arqueou a sobrancelha ao olhar para o novato.

— Sim Squalo-senpai, ele disse que a Varia não é orfanato… e resmungou algo sobre jogar lixo no lixo — sua expressão era a de sempre, vazia, como se não tivesse vontade ou interesse nenhum a fazer nada além respirar.

— VOOOI!! Por que não me deixou simplesmente atirar essa criança na pilha de corpos que era o lugar dela!!? — balançou a lâmina que era acoplada a sua mão de forma a salientar a ação.

— Por que era um corpo vivo … e eu queria que continuasse assim, ele não fazia parte da nossa missão, na verdade grande parte do número de corpos aumentou graças a você Squalo-senpai — o jovem ajeitou o enorme chapéu preto de sapo que usava.

— Mas você achava que estava trazendo um animalzinho pra Varia Fran?? Deveria ter deixado ele ter o mesmo destino que todos os outros daquele maldita família. — apontou pra porta do quarto onde a criança estava e cuspiu no chão irritado.

— Mas Squalo-senpai, eu sempre quis um gatinho — Fran em seu tom de voz monótono sabia ser sarcástico.

— VOOOI, ISSO NÃO É HORA DE BANCAR O ENGRAÇADINHO SEU SAPO IDIOTA!! SUMA COM ESSE GAROTO ANTES QUE O CHEFE IRRITANTE EXPLODA A SUA CABEÇA E A DELE! — o guardião da chuva da Varia saiu pisando forte.

— Certo, certo … Vou levar ele pra terra das fadas, já que tubarões parecem não gostar de gatos. — colocou as duas mãos ao lado da boca tentando ampliar o som de sua voz, mas já não se via os longos cabelos prateados no corredor.

Quando o esverdeado entrou no quarto, Nevi fingiu estar dormindo, muito mal por sinal. O jovem guardião da névoa ouviu o estômago do pequeno reclamar algo sobre os órgãos internos dele não possuirem um gosto bom. Fran deu um peteleco na testa do menino, que abriu os olhos de forma inocente.

— Você vai me mandar pra Nárnia? Não gosto de guarda-roupas apertados, e se for me matar posso comer algo antes que o Rex devore meu fígado…? — o garoto sentou-se na cama, os olhos azuis abertos e cheios de curiosidade apesar de sua expressão fosse nula.

— Seria um problema se o Rex comesse seus únicos amigos… Vamos, vou dar algo pra ele comer. Só não podemos ficar aqui pois a grande fada mestre poderia explodir você, ela não gosta muito de anões… — Fran se aproximou, bagunçou os fios azulados do pequeno que permaneceu o olhando de maneira inexpressiva, ao olhar para Nevi ele entendia como as pessoas o viam.

— Se eu me tornasse uma fada … poderia ficar aqui? — virou um pouco a cabeça um pouco para o lado.

— Hm … acho que já sei, conheço uma fada com cérebro de abacaxi que poderia te tornar uma mini fada-aprendiz. O que acha? — tocou a boca com o polegar de forma pensativa.

— Rex gosta de abacaxis — Nevi tornou a atenção para sua própria barriga a cutucando.

“Meu nome é Jack, e se você demorar mais seu anão idiota vou rasgar essa sua barriga e devorar esse seu amigo aí!”

Ambos se olharam e Fran decidiu que era melhor calar a boca do estômago de Nevi antes que esse resolvesse sair dali.



Foi quando chegaram em uma cabana isolada em uma montanha que Nevi pareceu despertar.

Ficou sentado na varanda esperando o mais velho que havia entrado.

— Hm … Então ele não quer o garoto na mansão. Entendo — o homem ponderou um pouco. Tinha cabelos de um formato exótico e da cor azul escura, o olho esquerdo da mesma cor e o direito era vermelho com um símbolo em preto.

— O chefe disse que não precisa de mais lixos na Varia.

— Kufufufufu ~ E você espera que eu treine ele? — sorriu sarcástico.

— Hm — Fran afirmou com a cabeça — Quero que ele passe pelo mesmo treinamento que eu. — Não tenho tempo e nem corpo para bancar a babá de órfãos rejeitados.

— Mas Master, ele daria um ótimo animalzinho de estimação … — o mais velho o olhou com um desdém brilhante e divertido, se é que isso existe.

— Kufufufufu ~ Pra que eu vou querer essa criança inútil, quando o Ken pode ser o animalzinho que eu quiser?

— Achei que você iria se interessar por um órfão sobrevivente que estava sob os cuidados daquela família … Como é mesmo o nome? Aquela que cuidava do master quando criança — o esverdeado colocou a mão o queixo pensativo enquanto na verdade analisava as rugas da testa de Mukuro e seu olhar sombrio ao lembrar de sua infância — Acho que era ... Estraneo, certo master?

— Eu não chamaria aquilo de “cuidar”. — Logo seu sorriso sarcástico subiu ao rosto. — Kufufufu~ não sei se deveria me preocupar com esse seu conceito deturpado da palavra, mas talvez haja alguma caixa de papelão onde ele possa dormir enquanto ficar sob meus cuidados.

— Não sei se o Ken-senpai vai querer dividir a caixa dele master… Isso quer dizer que aceitou ficar com o Nevi?

— Yare… Ando testando algumas teorias, e essa criança pode muito bem ter utilidade… Propósitos funcionam melhor quando possuem motivos. — Mukuro olhou para o garoto que discutia consigo mesmo de cabeça baixa, enquanto cutucava a barriga com um pauzinho.

— Obrigado Master — seus olhos ficaram arredondados de forma simultaneamente engraçada e inexpressiva enquanto fazia um certinho com o polegar — ... Mas como você está na minha frente sem estar possuindo ninguém, se está preso na Vendicare? — curvou um pouco a cabeça curioso. eu imaginei que o mukuro falaria algo como: kufufufu nem parece que foi meu aprendiz e finca o tridente no chapeu dele aprovado

— Kufufufu ~ — Mukuro fincou o tridente com um pouco mais de força do que deveria no chapéu de Fran, fazendo-o se desalinhar bruscamente em sua cabeça — Falando assim, nem parece meu aprendiz, Fran. — Seu braço direito tremulou como vapor.

— Só estava te testando master… — Disse ajeitando o chapéu

— Que ousadia, não? Alunos testando professores. Esse mundo está acabado kufufu ~.

— O discípulo sempre deve superar o mestre como prova de seu aprendizado… Estou apenas me certificando se ainda tem alguma lição saindo dessa sua cabeça de abacaxi

— Kufufufufufu ~ … Yare yare … Aprecio esse tipo de ousadia. Pois bem, isso é só uma imagem. Um pouco de chamas da névoa combinadas com minha assinatura espiritual. — Para dar ênfase, ele atravessou uma mesa próxima com a mão — O que quero é materialização física. Por enquanto só consigo quando me concentro muito, ao dar golpes fortes. E demanda bastante energia. — O guardião olhou de novo para o pequeno ser que observava o vazio infinito que era o playground. — Esse treinamento é uma boa oportunidade para me acostumar com a frequência de onda certa

— Ahhh… — Fran deu um soquinho na mão para dar ênfase ao entendimento. — Bem, eu preciso ir… O vôo sai daqui duas horas, e o aeroporto é fora de Namimori. Ciao, master. — Finalizou a conversa e se levantou em direção à clareira.

— Arrivederci.

Mukuro Ficou observando a conversa dos dois discípulos que se pareciam muito por algum tempo. Fran estava agachado perto do garotinho, apontando para seu novo professor e dando orientações. O menino agarrou o pescoço de seu protetor, ficou bons instantes assim, depois ficou o olhando ir embora. Subiu em uma árvore próxima para poder olhar Fran por mais tempo enquanto se afastava, e quando não dava mais pra ter qualquer visão, desceu e se dirigiu ao prédio.

— Então, você é a rainha das fadas que vai me tornar uma mini-fada aprendiz? — o menino direcionou os olhos azuis que eram a única coisa expressiva em seu rosto para Mukuro.

— Não acho que seja exatamente isso, mas é essa a ideia. Venha, vou te mostrar a sua nova caixa de papelão.

— … Por quê o seu cabelo tem formato de abacaxi? — Nevi aparentemente ignorou-o. Eles se olharam por um tempo antes de uma veia subir na testa de Mukuro.

— … Quantos anos você tem, baixinho? — Sombras caíram sobre o rosto do guardião, e uma aura maligna tornava difícil a respiração.

— Não sou baixinho, sou criança… Você queria que eu tivesse o que? Três metros de altura com oito anos? — ele fitou intensamente os cabelos de Mukuro — É porque você gosta muito de abacaxis? É verdade que você é a fada com cérebro de abacaxi? — o menor não demonstrava muita animação, e sua expressão aparentava sonolência e descaso com o mais velho ali presente.

— Você vai dormir comigo. — Mukuro deu um sorriso perverso, tentando inutilmente intimidá-lo.

— Eu também gosto de abacaxis. — falou após longos segundos em silêncio, como se só prestasse atenção no que ele próprio falava.

Não é que eu não queira contar o que houve depois disso... É que é realmente desinteressante. Não quero citar os poucos banhos de Ken, ou as poucas participações relevantes de Chikusa, ou a quantidade de vezes que o assunto “cabelo de abacaxi” voltara a fazer a veia na testa de Mukuro saltar e o pequeno receber alguns cascudos. Mas vamos deixar isso pra outra ocasião. O importante: Uma ano se passou. Fran sempre vinha no último final de semana do mês, ou senão no primeiro do mês seguinte. As sessões de treinamento eram infernais, fantasmagóricas, bestiais, asuráticas, monstruosas e cruelmente humanas. Mukuro não economizava nos caminhos de Asura.

— Parabéns, Nevi. Sobreviveu um ano inteiro em minhas mãos. — Ele usava um chapeuzinho de festa, e levava na boca uma daquelas coisas que se esticam e fazem um chiado estranho quando se sopra — A partir daqui o treino fica mais sério. Vou descobrir seus medos, e usá-los contra você. — Poderia ser só impressão, mas o sorriso do guardião se tremulou em uma aura mais tenebrosa do que já emitia.

— E eu não ganho presente de aniversário de “um ano aturando a fada do abacaxi e seus amiguinhos”? Master, meu único medo é ter que ficar mais um ano comendo a comida que vocês me dão aqui…

— Pirralho, leve a sério as aulas. — falou batendo um exemplar da Jump na cabeça do baixinho, cuja qual caiu levemente pro lado com o impacto.

— Etto — falou Nevi, no exato momento em que a revista o acertou — Hmm, tá pode começar esse seu projeto de treinamento maligno.

— Só não se arrependa. — falou e soprou a língua de sogra, fazendo o chiado esquisito.

Mukuro avançou sobre Nevi com seu tridente em mãos, mas foi parado por um alabarde. Eles estavam bem próximos.

— Master, eu não tenho medo da sua cara feia de adulto — puxou um dos olhos para baixo fazendo uma careta que completou colocando a língua pra fora.

— Kufufufu ~ … Logo mudará de ideia. — soprou de novo a coisa irritante

Mukuro balançou o tridente atirando o garoto para trás, que reagiu de imediato. Girou o corpo no ar e chutou o rosto do maior, o que não fez muito efeito, pois seu pé atravessou a cabeça de abacaxi. Não teve tempo de pensar muito, pois já havia um bastão em sua face quando aterrissou de pé como um gato. O impacto o fez girar para trás, batendo a nuca no chão. O fantasma surgiu acima dele já em um movimento destinado a acertar o cabo do tridente no tórax, que foi evitado com um rolamento pro lado. Materializou uma cimitarra e lançou alguns golpes fortes, mas eram todos calmamente neutralizados e contra-atacados pelo guardião. Materializou mais uma, segurando esta pela guarda, de modo que ficava rente à seu braço — como uma tonfa — para trabalhar na defesa. Uma cobra agarrou seu tornozelo, e Mukuro traçou um grande arco horizontal com a parte afiada da lança. Nevi girou por baixo do borrão preto sentindo o vácuo que a velocidade do golpe produziu ao passar rente ao seu rosto.

— Seus bichinhos de estimação também não me assustam, Abacaxi-sama — um brilho perverso percorreram os olhos azuis.

Uma das cimitarras zuniu perto do ouvido de Mukuro, a outra acariciou seu pescoço, por pouco conseguiu desviar de uma foice que vinha pela esquerda, e depois do chute que vinha em sentido diagonal. Nevi era rápido, mas não tanto. O tutor girou e bateu a ponta do bastão no joelho de seu pupilo, provocando o começo de uma queda que foi terminada com o um movimento rápido segurando o rosto do menor ainda no ar e batendo sua cabeça no chão com força. Sua imagem tremulou de leve. O pequeno tentou se levantar, mas ramos de flores-de-lótus lhe seguravam. Mukuro o acertou no rosto com a arma, fazendo um corte, e depois afundou a parte lisa na barriga do garoto. Nevi materializou duas katanas, e pouco depois estava livre. “Porque ele pegou tão leve agora a pouco..?”, pensou. O homem de cabelo azul continuava parado, olhando pra ele. De repente, um abacaxi acertou a nuca da criança. Sua cabeça caiu um pouco pra frente com o impacto.

— Mas o que? — resmungou incrédulo — Um abacaxi? O cabeça de abacaxi jogou um abacaxi na minha cabeça?

— Kufufufu... Não entendo porquê está achando que isso é uma brincadeira. Lute sério.

— Disse o atirador de frutas… — após se apoiar um pouco com as mãos nos joelhos e recuperar o fôlego — Tudo bem, já que insiste, Kufufu-sama.

Nevi esticou a mão direita, e as katanas desapareceram. Um vórtice surgiu sobre a palma, e uma espada negra com a guarda em formato de asas se materializou lentamente. Levantou a mão esquerda, e uma pequena chama se projetou por entre seus dedos, sem anel nem nada. Era bem fraca. Mukuro observava tudo aquilo calmamente, esperando. Queria ver até onde aquela criaturinha conseguiria chegar dessa vez. Nevi deu um sorrisinho meio de lado, imperceptível à olho nu.

— Agora você é quem vai sentir medo quando eu retalhar essa sua cabeça de abacaxi, Master — mordeu o lábio inferior, estava ficando cada vez mais imerso na luta.

— Assim espero — falou de forma provocativa.

A chama de repente tremulou, aumentou e ficou negra. Na verdade era uma coisa muito negra. De forma tão extrema que era difícil dizer se estava perto ou longe, se estava mesmo na mão dele, ou se realmente estava lá. A luz parecia se curvar ao seu redor, se submetendo como um criado faz ao seu mestre, e a encarar por muito tempo dava uma sensação esquisita e medonha. Tinha alguns traços aqui e ali de chamas comuns da névoa, e um observador atencioso e resistente o bastante perceberia que ela tremulava do mesmo modo, se dissipando.

— Legal, ficou mais bonito desde a última vez. Não era pra você já ter desmaiado? — Mukuro estava olhando pro nada e fazendo o barulhinho irritante com a língua de sogra.

— Master, se você continuar brincando assim comigo, vou achar que está me menosprezando… e posso acabar ficando magoado — sua voz monótona saiu pausadamente, enquanto seus olhos azuis permaneciam concentrados no alvo de forma sombria, a postura que o garoto tomara era completamente diferente de alguns instantes atrás. Era quase demoníaca. Ou pelo menos, havia algo que com certeza não era humano em seu olhar.

O chapéu de Mukuro caiu ao ser picotado em 42 pedaços diferentes em apenas sete cortes. O guardião se virou para golpear o garoto, mas ele ainda estava de longe, segurando a chama medonha. O mundo rodou, e o maior caiu no chão. Um corte rasgou sua camisa e atingiu o braço, que sangrou. Na Vendicare, um pouco sangue se espalhou pelo tanque de água onde seu corpo se encontrava. Ele olhou pro seu braço, que tremulou. Olhou pro garoto, que também tremulou. Foi atingido na face por um pé extremamente veloz, e foi lançado para a parede. Algo segurou seu tornozelo e o fez decolar de novo, dessa vez indo pra cima. Precisava se recuperar disso. Girou ainda em vôo, se estabilizando, e procurou Nevi, que não estava no chão. A criança fez um corte por toda a curvatura de suas costas, e e continuando o giro da lâmina, lhe deu um chute com o calcanhar, atingindo o ombro com força e mudando o destino de teto para chão. Nevi caiu em pé, enquanto Mukuro se levantava.

— É, quem te ensinou isso tudo deve ser deliciosamente forte, kufufufufufufu ~

— Foi você quem me ensinou, e eu não diria deliciosamente forte, isso soa estranho master… tá mais pra completamente imprudente Abacaxi-sama — suas palavras apesar de não mudarem a entonação conseguiam ser tão afiadas como qualquer uma das armas que usara.

— Claro que não diria. Nunca me deu motivos para que eu usasse todo o meu poder, — soprou mais uma vez a coisa chata.

Nevi investiu em direção ao mestre, e o acertou com a espada, atravessando um corte bem grande em seu peito. Ou pelo o menos era pra ter acertado. O de fios azuis o pegou pelo cabelo e perfurou suas costas com a lança, e o arremessou longe.

— Não queira jogar sujo comigo. Vai se arrepen- — uma faca acertou sua coxa vindo de um pequeno amontoado daquelas chamas negras esquisitas.

— Fadas do abacaxi tem tendência a se gabarem ao invés de levarem as coisas a sério — O pequeno cuspia sangue, e segurava algo como o cabo de uma faca com a ponta mergulhada também em chamas negras — Você fala demais master.

— Kufufufufufu ~ Eu falo demais... — ele aparece muito, muito perto de Nevi — E você se acha demais, criança tola. — Com um movimeto amplo, Mukuro acertou-o com um leque de papel gigante, e Nevi saiu voando e bate em um parede. Todo o lugar começou a derreter, se desmembrar, o chão se dividiu, e todo o senso de gravidade desapareceu, mesmo que ela continuasse lá.

— Master, o senhor não cansa de usar essa mesma ilusão chata todas as vezes? — estava ofegante. Limpou algumas gotas de suor de sua testa.

— É o meu campo de batalha clássico, kufufufu ~ — o guardião da névoa analisou seu aprendiz por alguns instantes.

Nevi se levantou com dificuldade, segurando o braço esquerdo, e foi pulando pela Kokuyo Land despedaçada para não ser atingido por alguma coluna de fogo ou algo do tipo. Levantou a mão direita e apontou para Mukuro, que estava parado olhado pra ele. Um buraco negro começou a se formar perto da costela do ilusionista. Os olhos azuis de Nevi começam a desfocar, a cor se esvaindo aos poucos. E de forma instantânea o menino desmaia nos braços de seu tutor, que parecia já estar esperando por isso.

— Yare... Parece que seu corpo ainda não consegue controlar essa chama estranha que você possuí.

O mestre olhava preocupado para a criança em seus braços que parecia mais esgotada do que das últimas vezes. Mas ao ouvir o estômago reclamão de Nevi resmungar, perceber que o pequeno estava bem e logo acordaria para perturbá-lo novamente, olhando-o assim adormecido ele parecia menos desagradável e um tanto mais vulnerável. Deitou-o em sua cama, com um sorriso que só Rokudo Mukuro saberia dar, se aproximou do pequeno adormecido o beijando na testa. Ele estava orgulhoso do seu aprendiz.

Após observá-lo por longos minutos apreensivo com o efeito que aquela chama causava no menino, desapareceu em meio a névoa habitual, afinal ele também se esgotara.

Notas finais
Olá pessoinhas ~ Primeiro devo novamente agradecer ao meu querido Vi-kun (Mukuro-san) por que na verdade grande parte deste capítulo é responsabilidade dele!! Bom, já aviso que o próximo possa demorar um pouco, pois para variar estou doente...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.