Cherry Bomb

21 Cherry ao resgate - parte 2


Notas iniciais
Penúltimo capítulo!!! Espero que gostem ♥ Colar de beijos

Cherry

Eu tinha ouvido um baque estranho quando decidi ir para a cozinha ver o porquê dele estar demorando tanto.

— Liam? — chamei pela escada, mas não obtive resposta. Meu sangue na mesma hora gelou e corri até a cozinha.

Havia uma mancha de sangue e a porta dos fundos estava aberta.

Eu não levei menos do que dois segundos para perceber o que estava acontecendo. Corri para o meu quarto para pegar meu celular. E em menos de dois minutos, Aaron e a turma já estavam avisados. Todos estavam indo para minha casa tentar descobrir aonde diabos Sabrina poderia ter levado Liam.

Até Adler se ofereceu para ajudar. Naquela hora eu precisava de tudo que eu conseguisse então pedi para ele nos encontrar também. E já dei um aviso prévio para que ele e Bryan ignorassem a situação.

Fechei minhas mãos em dois punhos e tentei ficar calma. Eu não poderia perder a calma numa hora daquelas. Lembrei de quando eu tinha ataques de ansiedade enquanto eu morava na casa de Sabrina e tentei controlar a minha respiração. Depois de dez segundos, a campainha tocou.

— Sabrina deve estar pegando o primeiro avião para bem longe daqui — Martin palpitou enquanto entrava.

— Texas — Bryan disse estalando os dedos como se ele tivesse descoberto a América. — Certeza que ela está levando Liam para o Texas.

— Por quê? — Ellie perguntou totalmente confusa.

— Você já tentou achar alguém no Texas? Impossível. Sabe uma vez eu estava com essa garota...

— Bryan — Martin cortou. — Ninguém quer saber sobre suas aventuras, ok? Só queremos achar Liam.

— Por que diabos essa louca iria querer pegar ele? — Ellie perguntou.

— Por minha causa — eu disse fechando os olhos de dor. — Porque o detetive deve ter descoberto que seria a melhor forma de me atingir.

— Liam está usando o celular? — Jack perguntou para mim.

Assenti.

— Acredito que sim, ele não está por aqui e estava com ele enquanto ele ligava para vocês.

— Preciso de um computador. Agora.

Bryan subiu as escadas correndo para pegar o notebook. Jack se acomodou no sofá e foi explicando pra gente.

— Eu consigo rastrear o celular porque o serviço da Apple possui uma própria página que é capaz de fazer isso apenas com o ID e com senha. Que eu presumo que você saiba.

Assenti de novo.

Jack parecia aqueles hackers do Criminal Minds. Ele rapidamente acessou a página e descobriu aonde ele estava.

— Ele está...

— Eu sei aonde ele está — o cortei ao ver o endereço. — Eles estão na casa de praia dos meus pais.

— Ué — Bryan disse. — Não faz nenhum sentido.

— Sabrina tem a chave de alguns lugares dos nossos pais. Faz muito sentido ela ter ido para lá — Aaron disse na hora.

— Bem, então, preparem as mochilas, nós temos que resgatar um cavalheiro em perigo — disse Ellie colocando seus óculos escuros.

***

Pagamos uma nota comprando o voo mais rápido para a casa de praia que ficava perto da Flórida. Não que fosse um problema para Aaron considerando a quantidade de dinheiro que ele tinha.

Assim que chegamos lá, Ellie e Martin levaram a bagagem de todo mundo pro hotel. Fizemos check in num hotel baratinho caso a gente não consiga achar a Liam em 24 horas.

— Não querendo ser insensível, pessoal — Adler disse enquanto olhava para todos. — Mas não seria mais fácil Sabrina apenas matar Alexis e fingir que ela assinou a droga do papel?

— O processo é um pouco mais complicado que isso, Jack — Aaron explicou enquanto dirigia o carro. — Minha irmã precisa estar viva enquanto as coisas são passadas para o nome de Sabrina, fora que precisa da assinatura e letra de Alexis e bem, não teria coisa no mundo que a faria assinar isso.

— A não ser ameaçar Liam — Ellie disse. Todos ficaram calados.

— Sem contar que Sabrina é uma vadia psicótica — David disse. — Ela ficou louca e acha que toda sua desgraça é culpa da Alexis. Ela acha que se ela não tivesse “cuidado” de Alexis, ela teria uma vida melhor e teria achado algum marido-troféu rico.

Balancei a cabeça negativamente. Sabe-se lá qual perigo Liam está correndo. Se Sabrina era capaz de me maltratar psicologicamente quando eu era apenas uma criança, imagina o que ela não faria com Liam, alguém com quem ela não se importa e tem relação comigo?

Fechei os olhos apenas desejando que Liam estivesse bem. E ao mesmo tempo tentando deixar a minha culpa para o lado. Senti uma mão apertar a minha e vi que Adler estava sorrindo para mim.

— Nós vamos conseguir — ele murmurou para mim.

Sorri de volta.

— O sinal está vindo de uma casa perto da costa — Jack disse olhando para seu notebook em seu colo. — Vire a próxima direita — ele disse a David que dirigia.

Jack foi nos guiando até nós pararmos na casa que eu tinha milhares de lembranças. Bryan foi chamando a polícia enquanto eu, David e Aaron descíamos do carro.

— Espero vocês no carro caso alguma coisa dê errado. — Jack disse.

Assenti sem dizer nada.

Meu irmão começou a insistir para que eu ficasse também, mas um olhar e ele percebeu que não tinha coisa que me faria esperar.

David conseguiu arrombar o portão. Esse era meu garoto.

— Sabrina não é tola a ponto de saber que nós não viríamos aqui — Aaron disse. — Alguma coisa está errada.

— Armadilha? — Bryan perguntou enquanto encerrava a ligação.

— Não sei dize...

Nós ouvimos gritos do outro lado da porta.

Aaron não hesitou e deu um chute na porta, arrebentando-a.

David entrou em disparada com uma arma na mão.

Não havia ninguém ali. Porém ainda conseguíamos ouvir o barulho.

— Deve haver uma passagem secreta em algum lugar — Bryan sussurrou.

— Passagem? Eu morei aqui e não lembro de nenhuma...

De trás da estante de livros, havia uma porta por onde surgiu um cara armado.

— Passagem — terminei em choque.

— Todo mundo pro chão — David gritou enquanto disparava no cara.

Enquanto no chão, vi Aaron se rastejar pra passagem que, agora que estava aberta, os gritos eram mais constantes.

Eram gritos roucos de uma mulher. Só podia ser Sabrina.

Respirei fundo de novo. Ela não pode te atacar, Alexis, ela não pode lhe fazer mal.

Repeti aquelas palavras como um mantra, mas mesmo assim minhas mãos tremiam sem parar.

Olhei para trás e vi que David conseguiu acertar um tiro no homem que caiu no chão. Não sabia dizer se ele estava morto ou não.

Um outro surgiu, mas foi surpreendido por Bryan que tinha um vaso do tamanho de uma mesa e jogou em cima dele.

O cara estava no chão desmaiado em um segundo.

Terminamos de o caminho pela passagem correndo.

— Liam — eu não pude deixar de chamar.

A passagem acabou num pequeno quarto sem janelas.

Sabrina estava gritando com Liam que estava preso em uma cadeira. Algo sobre ela finalmente conseguir restaurar a classe dela.

Aaron estava em cima de Sabrina em um segundo, imobilizando-a contra a parede.

— Você não tem ideia do quanto você tem sorte por eu não bater em mulher — ele disse entre os dentes.

Corri para Liam tirando o pano amarrado em suas mãos e na sua boca.

Ele pareceu surpreso, mas assim que o desamarrei, ele se lançou aos meus braços.

— Pensei que iria morrer escutando aquele urubu falar — Liam brincou.

— E deixar você sair da minha vida? Nunca — eu brinquei.

— Polícia! Largue sua arma — um policial gritou para David que largou a arma na hora.

Preparei-me para contar a história do ano. Senti os dedos de Liam apertando entre os meus. Pelo menos eu não estava sozinho.

***

Todos deram um abraço em Liam, até mesmo Adler. Eu inspecionei seu corpo em busca de algum machucado, mas não encontrei nada.

Fechei os olhos dizendo para mim mesmo que nunca mais encontraríamos Sabrina. Ela seria sentenciada por tudo que fez comigo e por tudo que quase fez à Liam.

Deitei ao lado de Liam na cama do hotel, em forma de concha, para mostrar que eu estava lá e que eu nunca iria deixa-lo, enquanto esperávamos a polícia cuidar de tudo.

— Liam? —o chamei depois de um tempo.

— Sim?

— Eu te amo — ela sussurrou.

— Também te amo, cerejinha — ele beijou seu cabelo.

E num instante estava dormindo.