Cherry Blossom
2 Rival
Notas iniciais

Sakura estava sentada na cama, abraçando suas pernas, com os olhos fixos na parede de madeira desgastada da velha hospedaria onde conseguira abrigo. Já fazia uma semana desde que seu ato passional e rebelde havia virado sua vida de cabeça para baixo.
Já fazia uma semana que ela deixara de ser “Sakura, a princesa do clã Haruno” e passara a ser uma pária da aldeia que todos tinham pavor de ter por perto. Sim... Pavor é o termo certo. Ela não era mais aceita em nenhum lugar, pois todos achavam que sua mera presença era capaz de atrair desonra onde quer que ela passasse.
Tudo isso por causa de uma noite com o homem que amava.
O mesmo homem que fora impiedoso ao desprezá-la.
Maldito!
Uchiha idiota!
Sua mente estava repleta das palavras que ela não poderia proferir. Naquele lugar as paredes tinham ouvidos e falar mal de um Uchiha certamente não traria algo bom para ela. Aprendera isso da forma mais difícil, quando teve a atitude nem um pouco brilhante de praguejar em alto e bom tom contra Sasuke quando fora enxotada de mais um estabelecimento onde havia pedido emprego. Os donos não contiveram o peso das mãos quando aplicaram nela uma das maiores surras que ela tinha levado na vida.
Aquela sequer tinha sido a única violência que tinha sofrido durante a semana.
Durante sua vida como herdeira Haruno, Sakura sequer imaginava com o quanto as pessoas da aldeia poderiam ser cruéis com aqueles que “caíam em desonra”. Ela viu isso quando tentara desesperadamente trocar seu anel de maior valor por pelo menos um pouco de comida e um local pra dormir e tudo que recebera foram gritos de “aqui não é o seu lugar, sua prostitutazinha”.
As mulheres lançavam olhares de desprezo, já os homens tendiam a falar coisas sujas, fazer ameaças, ou pior... Dizer que poderiam oferecer-lhe comida desde que se deitasse com eles.
Por sorte conseguira abrigo em uma velha hospedaria um pouco depois da saída da aldeia, cujo dono era um velhinho surdo e nem um pouco informado das novidades. Ele aceitara o anel como forma de pagamento e o considerara de grande valor, permitindo a ela muitos dias naquele local com direito à comida que sua esposa preparava para os hóspedes. Sakura não sabia se a mulher a tinha reconhecido, porém imaginava que ela não se importasse, uma vez que por ali se hospedavam homens de caráter nada bom que faziam bastante barulho com algumas prostitutas durante a noite.
— Maldita!— dessa vez ela se permitiu proferir as palavras. Dessa vez ela praguejava contra si mesma. Como tivera coragem de fazer tamanha bobagem?
A verdade é que Sakura sequer conseguia direcionar sua frustração para um ponto de si mesma. Apesar de tudo o que estava passando, não condenava totalmente suas ações. Não condenava, pois sabia que aquele ato, por mais idiota que tivesse sido, havia sido o primeiro que decidira fazer por si mesma.
Um ato completamente passional. Ela sequer sabia medir o quanto daquilo havia sido tolice da parte dela e o quanto havia sido maldade da parte dele.
Mas tinha sido uma decisão dela.
Não de sua mãe.
Não de seu pai.
Não de suas governantas.
Não de seus tutores.
Era dela.
A quela noite fora especial não apenas porque se entregara a Sasuke, mas porque rompera o medo que tinha de não andar na linha e se entregara a si mesma.
Sakura ainda praguejava mentalmente quando batidas na porta a tiraram de seus devaneios.
— Sakura?
A Haruno levantou a cabeça com uma expressão de susto, não sabia que esposa do dono, Hawazaki Maya, sabia seu nome, apesar de que isso era esperado, uma vez que já estava hospedada ali havia uns dias.
— Maya... – Sakura começou a responder, mas sua fala foi cortada no momento em que a porta se abriu bruscamente e revelou uma das pessoas que a Haruno menos queria ver no momento.
Yamanaka Ino estava ali em frente a ela lançando-lhe um olhar de repreensão.
Alguns anos antes, Sakura ficaria feliz em vê-la, afinal de contas Ino já fora sua melhor amiga, porém já fazia um tempo em que eram rivais declaradas e caíram na infelicidade de se apaixonarem pelo mesmo homem.
Maya olhava para as duas com certo ar de tensão. Nunca sua hospedaria havia sido visitada na mesma semana por pessoas de famílias tão famosas. Ela até entendia a presença da Haruno, uma vez que a garota era apenas mais uma desafortunada que perdera a cabeça e jogara fora sua honra, mas Yamanaka Ino era ninguém menos que a filha única do líder de um dos clãs ninjas mais respeitados pela população e pelos civis. E a loira contemplava as expectativas: tinha uma postura confiante e, apesar de ser magra, tinha músculos definidos típicos de uma ninja em atividade, sua bandana de ninja estava amarrada no quadril e ela não abriu mão de segurar uma kunai desde a hora que entrou.
— Testuda... – A voz da loira saiu quase como um grunido. Ela pareceu ter interrompido sua fala para fazer uma respiração profunda, como se tentasse medir suas palavras.
Sakura permaneceu calada e olhou para o chão, estava envergonhada devido ao estado em que se encontrava na frente da rival. Porém antes mesmo que olhasse novamente para Ino, foi surpreendida com algo que não ganhava havia certo tempo.
Um abraço.
— Ainda bem que te encontrei – Ino falou enquanto a abraçava forte, tomando o cuidado para não machuca-la com a arma que ainda segurava.
Sakura permaneceu parada, atônita, enquanto a Yamanaka colocava as mãos nos seus ombros e falava, com a expressão séria, porém com os olhos cheios de água.
— Pensei que nunca te encontraria. Minha irmã.
Fale com o autor