Cherry Blossom

4 Capítulo 3


Eu fiquei encarando a Haruka, tão fofa, nunca havia a visto tão quieta... Aquela era a minha chance de falar com ela! Dei um passo para frente e vi que uns garotos se aproximaram dela antes. Então eu simplesmente desisti, não ia atrapalhar.

Fui para o banheiro. Lavei o rosto e fiquei me olhando no espelho, estava realmente desapontada com tudo aquilo. "Eu sabia que não deveria ter vindo..!" Alguém abriu a porta, atrapalhando meus pensamentos. Olhei para o lado por instinto e, para a minha surpresa, era a Haruka. Eu fiquei sem reação, tentava falar alguma coisa, qualquer coisa, mas não sabia o que.

– Oi. — Disse Haruka, com aquela voz super fofa dela.

– O.. Oi. — Respondi, nervosa. Sentia o meu rosto queimar.

Haruka se aproximou e começou a lavar o rosto na pia do meu lado. Nunca tinha estado tão perto dela... Ela levantou o rosto subitamente, com um sorriso.

– Sou Minami Haruka, muito prazer. — Levei um susto em ouvir ela se apresentar assim, do nada, mas fiquei feliz. Finalmente estava falando com ela!

– Ishikawa Aoi, muito prazer.

Nós paramos de falar e tecnicamente ficamos nos encarando. Isso durou uns dez segundos porque umas garotas entraram todas espalhafatosas, falando alto e rindo aos montes.

– Vamos, Aoi-Chan? — Sussurrou Haruka. Pela primeira vez, aquela intimidade instantânea não me irritou.

Realmente voltamos para aquela sala barulhenta, sentamos em um canto e ficamos conversando. Falamos de tudo, do que gostávamos, não gostávamos, o que nos fazia rir ou chorar, nossas coisas preferidas, nossas vidas... Eu me sentia muito próxima a ela, por mais que tivéssemos acabado de nos conhecer, era como se eu pudesse confiar nela. Talvez fosse por isso que todos gostaram da Haruka logo de cara.

O tempo foi passando e as pessoas foram indo embora. No final, havia sobrado só a Sayuri, a Yuki, o Sousuke, o Mamoru, a Haruka, uma garota da 1-1, um garoto da 1-3, dois da 1-2 e eu.

– Vamos jogar o Jogo do Rei! — Declarou Sousuke. Todo mundo se animou. Eu apenas suspirei.

– Você vai jogar, Aoi? — Perguntou Mamoru, vendo o meu desânimo.

– É claro que ela vai! — Gritou Yuki, como sempre, pulando para o meu lado.

– Não quero. — Respondi.

– EH?! Por quê? — Todos exclamaram juntos.

– Não estou a fim.

– Ah, vai... — Insistiu Sayuri.

– Vai ser divertido! — Completou Sousuke.

– Vamos lá. — Disse o garoto da 1-3.

– A gente quer você jogando. — Disse Haruka.

Eu não aguentei e, mais uma vez, acabei cedendo. Sousuke pegou os palitinhos e começamos a jogar. O primeiro rei fora a garota da 1-1. Depois um dos garotos da 1-2. O Mamoru. A Sayuri. E então foi a vez da Yuki. Eu já sabia que não ia dar certo, ela tinha umas ideias...

– Meu primeiro mandamento como rei será... — Ela começou. — Que o número 4 termine de beber essa garrava de refri de uma vez!

Quem teve de fazer isso fora a Sayuri.

– Hum... Número 1, fique sentado no colo do número 8 até o final do próximo mandamento.

Os números eram de dois garotos, um dos da 1-2 e o outro da 1-3. Todo mundo começou a rir.

– Número nove terá de ficar pulando em um pé só por vinte segundos.

Essa fora a vez da garota da 1-1.

– E agora... Como será meu último mandamento, farei algo grande. — Ai, droga, lá vinha a coisa. — Dois números terão de se beijar.

– E.. Ei... — Protestou a garota da 1-1. — Não acha muita coisa fazer dois desconhecidos se beijarem do nada?

– Ah, é só uma brincadeira. É divertido. — Disse Yuki. — Alguém contra isso?

Ninguém disse nada, nem eu, não queria estragar a festa desse povo, mas eu ficava repetindo comigo mesma: "Eu não. Eu não. Eu não."

– Certo. Podem ir, 7 e 3.

Eu era o número sete. Ai, droga, eu já até imaginava. Só podia ter saído um daqueles garotos idiotas, ela deve ter visto o número de alguém...

– Número 7? — Yuki perguntou. Eu levantei a mão e abaixei a cabeça. — Aoi-Chan! Ok... Número 3? — Eu nem queria olhar... — Haruka-Chan? — Acabei levantando de um salto, ela estava toda vermelha, mas com a mão levantada. Ela se aproximou de mim, com cuidado.

– Beija, beija! — O pessoal torcia.

– Está tudo bem por você, quer mesmo fazer isso? — Perguntei a ela.

– Sim... — Ela parecia estar morrendo de vergonha, como eu. — E.. E por você?

– Tu.. Tudo bem...

Haruka levantou os olhos e me encarou. Eu não podia acreditar. "Tá, eu admito que posso ter achado ela interessante e tals, e ela nem reclamou... Mas isso era querer adiantar as coisas de mais!" Pensei. "Bom, se tudo der errado, serve como experiencia, certo?"

Haruka passou os braços por meus ombros e eu as minhas mãos pela cintura dela. Nossos rostos estavam tão perto... Dava para ouvir nossos corações batendo rápido. Aos poucos fomos nos aproximando, até que...

– Para! — Gritou Yuki. Ela olhava para o chão. — A Akane (Garota da 1-1) estava certa. É forçar de mais fazer vocês se beijarem, desculpa. — Tacou um dinheiro em cima da mesa e saiu correndo. Sayuri foi atrás.

– A.. Acho que está na hora. Hahaha. — Disse Mamoru, nervoso.

– Sim. Sim. — Concordaram.

– Eu pago. — Falou Sousuke. — Bye.

– Bye. O povo se despediu.

Acabei me vendo sozinha na sala com a Haruka, nós ainda estávamos naquela posição. Senti meu rosto queimando e nos largamos, mas ainda sentadas uma ao lado da outra.

– Vamos pra casa? — Perguntou Haruka.

– Sim. — Respondi.

Saímos de lá em silêncio e ficamos assim até chegarmos na estação. Estava escuro e, incrivelmente, não tinha muita gente lá. Uns caras nos pararam.

– Oi, gatinhas. Querem dar uma volta? — Um deles perguntou.

– É, vai ser divertido. — Falou o outro.

Eles começaram a se aproximar, Haruka segurou na minha mão fortemente, eu olhei para ela, estava com muito medo.

– Ei, seus idiotas. — Falei, irritada. — Saiam da nossa frente.

– Ei, fofa, não precisa ser assim. — O terceiro falou. Tentando colocar a mão no meu ombro, eu tirei.

– Vamos lá. — Eles se aproximavam ainda mais.

– É. A gente paga. — Disse o primeiro, colocando a mão em volta a cintura da Haruka e mostrando o dinheiro.

Eu dei um soco na cara dele e corri com a Haruka para dentro do trem, que já estava fechando. Conseguimos um lugar bem facilmente, então nos sentamos, claro.

– Tudo bem, Haruka? — Eu perguntei. Acabei chamando ela pelo primeiro nome.

– A.. Aoi-Chan... — Haruka apertou minha mão. Dava para ver que ela chorava. — Eu fiquei com medo...

– Calma. Está tudo bem. — Eu a abracei. — Já passou.

– Obrigada, Aoi-Chan.

Ficamos assim até chegarmos no nosso ponto. Descemos e andamos juntas, de mãos dadas, até a casa dela. Depois eu voltei a rua até a bifurcação e segui reto, que era para onde minha casa ficava.

Notas finais
Wow, o capítulo ficou maior do que eu imaginei Kkk Espero que vocês tenham gostado ^w^