Cherry Blossom

7 Capítulo 6


E lá estávamos nós, paradas, caladas, olhando para a porta por onde Yuki e Sayuri saíram. Um vento passava calmamente por nós. Eu estava com tanto medo, eu queria falar alguma coisa, mas não conseguia. Isso me lembrou o dia em que a conheci. Eu sorri.

– Desculpa, Aoi-Chan... — Disse Haruka, cabisbaixa.

– Pelo quê? — Perguntei.

– Por... Ontem...

– O.. O beijo?

– É... — Ela tentou se esconder entre seus joelhos.

– Tudo bem. — "Tudo bem? UDO BEM??" Pensei. "Quem fala 'tudo bem' nessas horas??" Bati na minha própria testa.

– A verdade é que... — Ela fez uma longa pausa.- Eu sempre te observei. Você ia com a Yuki-Chan e a Sayuri-Chan no Donut Master toda sexta. Eu sempre ia lá com minhas amigas também.

– Ha.. Haruka...

– Um dia... — Ela fungou. — As minha supostas amigas se cansaram de nunca me ver com um cara e tentaram me empurrar pra um amigo delas tarado. E eu não queria, mas elas continuavam, e ele ficava tentando pegar em mim, até que você chegou. Lembro muito bem do que você disse "Ei! Não tão vendo que ela não quer?" Daí você tirou a mão do cara de mim, tava tão séria, todos te olharam de cara feia. A Yuuka falou "Ela é nossa amiga, você não sabe de nada!" E você apenas respondeu "Pelo jeito, sei mais que vocês, falsos amigos!" E saiu me puxando pela mão até a esquina. Eu fiquei tão feliz. Nós conversamos por tanto tempo... Depois daquilo, eu comecei a te observar, toda vez que vocês iam comer lá...

Enquanto a Haruka falava, eu comecei a me lembrar.

– Você era aquela garota de trancinhas? — Então por isso que eu sentia que já havia a conhecido. Eu realmente tinha!

– Você.. Você se lembra de mim? — Ela perguntou, me olhando com os olhos cheios de lágrimas.

– Claro. E tenho que dizer que você mudou bastante. — Eu ri.

– Foi por causa do que você disse. "Não se deixe levar pelos outros, ok? Seja você mesma, sempre!" Por isso, decidi ser eu mesma quando fosse para o colegial. — Eu cheguei mais perto e enxuguei suas lágrimas.

– Ah, Haruka... Se eu soubesse... Nós podíamos ter adiantado esse ano em que eu não te conheci, e poderia ter gostado de você antes também. — Eu ri.

– Quê?

– Eu gosto de você, Haruka.

– Aoi-Chan... Não brinque com isso. Eu realmente gosto de você. Não seja má.

– Mas eu não estou mentindo!

– Como não?!

Na hora em que ela falou isso, eu não aguentei e a beijei.

– A gente podia ter adiantado isso em um ano, poxa... — Reclamei, meio brincando, mas até que era verdade. Haruka riu.

– Eu pensava que era impossível. Quando vi que tinha acabado na mesma escola que você, e melhor, na mesma sala, eu pensei que só de ficar perto era o suficiente. Mas quando eu te encontrei no banheiro... Eu não aguentei, esqueci a vergonha e falei com você. E depois disso tudo ficou tão perfeito... Mas eu sempre fiquei querendo mais e mais... Até ontem. Pensei em me afastar, depois daquilo, mas não queria ficar longe de você... — Eu a abracei.

– Então... É melhor a gente não perder mais tempo, certo?

– Hum?

– Quer namorar comigo, Haruka?

– Quero! — Ela respondeu imediatamente, notando isso, tapou a boca e corou. Eu ri.

Ficamos um tempo apenas sorrindo, uma para outra. Até que o sinal bateu.

– Vamos para sala? — Perguntei. Haruka fez que sim com a cabeça.

Chagando na sala, Yuki já estava sentada e ria da Sayuri que saiu correndo de lá. Tanto Haruka quanto eu nos sentamos em nossos lugares. Yuki ficou me encarando com um sorriso de desconfiança.

– O que que rolou, hein? — Ela perguntou.

– Por quê? — Respondi.

– Vocês duas estão sorrindo que nem duas bobas.

– Ah, isso... — Eu só sorri mais.

– Não me diga que... vocês...

– Uhum.

Yuki deu um sorriso melancólico por um segundo, mas logo deu um grande sorriso e me abraçou.

– Você não me decepcionou, Aoi-Chan! Que bom! Fico feliz por vocês! — Ela disse.

– Todos em seus lugares. — A professora havia chegado.

Eu estava tão avoada na aula que cheguei a me assustar quando o sinal bateu. Yuki logo se despediu e saiu correndo. Haruka veio falar comigo.

– Vamos pra casa, Aoi-Chan? — Ela perguntou.

– Sim. — Respondi.

Não conversamos muito durante o percurso, simplesmente andamos, de mãos dadas, o tempo todo.