Cherry Blossom
18 Capítulo 17 (Final)
O despertador me assustou, como sempre, me acordando em um pulo. Olhei para as horas, era a segunda vez que ele tocava. Levantei ainda acordando e fui para cozinha.
— Como você consegue acordar tão cedo, Haruka? — Perguntei, sonolenta, me sentando. — Bom dia.
— Você que é muito preguiçosa. — Ela contestou. — Bom dia.
— Foi você quem se atrasou no primeiro dia de aula, lembra!
— Fazem seis anos! E você se atrasa mais que eu!
Seis anos... Ao mesmo que parecia muito tempo, eu tinha a sensação de tudo ter passado em um piscar de olhos. Depois que nos formamos, Haruka e eu acabamos indo para a mesma faculdade, mas para fazer cursos diferentes, e como nossa faculdade ficava em outra cidade, nós começamos a dividir um apartamento. Yuki ficou em nossa cidade mesmo, para estudar cinema. Sayuri arranjou um namorado e se mudou com ele. Naomi foi para Paris por causa do trabalho. No final, nós todas acabamos não nos falando desde a formatura.
No último dia de aula do terceiro ano do colegial, nós cinco fizemos uma promessa, que três anos depois da formatura, nós iríamos nos encontrar na porta da nossa antiga escola, no primeiro dia de aula.
— Estou empolgada pra rever todas. — Disse Haruka.
— Pois é, eu também.
— Será que elas mudaram muito?
— É provável. — Ri.
Nós nos arrumamos e fomos. Haruka ficava reclamando que eu tinha demorado de mais e que chegaríamos atrasadas. De fato, chegamos depois de todas.
— Acchan, você não mudou nada, não é mesmo? Continua atrasada... — Naomi foi a primeira a comentar.
— Tadinha da Haru-Chan, tendo que esperá-la sempre. — Completou Yuki.
— Três anos sem nos vermos e a primeira coisa que vocês falam é isso? — Brinquei.
Nos abraçamos e começamos a reparar que a maioria dos alunos estavam nos encarando, então decidimos ir para o Donut Master.
— A quanto tempo eu não vejo esse lugar... — Comentou Naomi.
— Não tem desses em Paris, não é? — Perguntou Sayuri.
— Não. Que saudade... — Ela mordeu seu donut com um enorme sorriso.
— Em falar nisso, como vai a vida lá? — Perguntei.
— Corrida, muito corrida. Quase não pude vir, minha empresária ficou louca, se eu não fosse tão popular, teria perdido o trabalho especial que vou fazer para uma certa revista. — Ela riu.
— Continua muito modesta. — Brincou Haruka.
— Mas e vocês, ainda estão juntas?
— Estamos.
— A gente tá fazendo faculdade em outra cidade. — Respondi. — Daí achamos melhor dividir um apartamento.
— Hu hu, entendo. — Naomi ficou olhando para a gente como se soubesse de alguma coisa.
— Mas... E você Yuki, tá gostando de fazer cinema? — Desviei o assunto.
— É de mais! Mas cansa bem mais do que eu esperava.
Ficamos um tempo em silêncio até que Sayuri reclamou:
— Por que ninguém me pergunta como vai a minha vida?
Nós rimos e respondemos juntas:
— Porque já sabemos.
— Eh?! Não sabem de nada! — Ela reclamou.
— "Ahh... Está tudo tão perfeito..." — Yuki imitou-a.
— "Fazer o curso de maquiagem me deixa ficar mais tempo com meu darling..." — Foi a vez da Naomi.
— "Nós estamos tão felizes juntos..." — Haruka falou.
— "Espero que fique assim pra sempre..." — Terminei.
— ... Vocês estão tão certas. — Ela ficou toda sonhadora, nós rimos.
— Ai ai, parece que não mudamos nada mesmo. — Concluiu Naomi.
A gente passou o dia inteiro conversando e andando pela cidade.
— Vamos marcar de nos encontrar mais vezes. — Disse Naomi.
— Vamos. — Respondemos juntas.
— Da próxima vez vocês ficam na minha casa em Paris.
— Claro! — Sayuri foi a primeira a concordar.
— Não seria má ideia pra falar a verdade. — Falei.
— Nós poderíamos ver os desfiles todos, como somos suas amigas. — Disse Yuki.
— Tão achando que vão ser vip, é? Nem pensar. Só a Acchan! — Ela me abraçou.
— Eh?! Assim não tem graça. — Yuki reclamou.
Nós rimos e nos despedimos. Trocamos nossos números e prometemos manter contato dessa vez, porque não dava simplesmente para passar mais três anos sem notícias nenhumas, éramos amigas no final das contas.
Acabou que Haruka e eu continuamos andando apenas nós duas pela cidade. Eu amava andar por ali de noite, me trazia boas lembranças.
— A gente costumava vir aqui sempre, não é? — Comentou Haruka.
— Pois é.
— Olha só, tem um povo do primeiro ano indo ao karaokê.
— São da nossa escola antiga.
— Verdade.
Nós nos olhamos e sorrimos.
— Vamos. — Felei, pegando a mão dela. — Vai ser um longo caminho de volta pra casa.
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