Cher Maître
19 Cavaleiros Franceses Preferem As Morenas
Notas iniciais
Olá, amores! Como vocês estão? Eu espero que bem! Eu não sei exatamente o que está acontecendo, mas eu escrevo bonitinho no word e quando copio e colo aqui fica tudo horrível. Triste, mas acontece. Tentei editar da maneira mais bonitinha que podia no próprio editor do Nyah, mas não ficou nem longe do ideal. Sim, eu tenho problemas com coisas que não ficam do jeito que eu quero rs. No mais, se acostumem com postagens cada vez mais regulares, já que já estou trabalhando no próximo capítulo para que ele saia beeeeem mais rápido que esse. Agradeço às fofas que comentaram no último capítulo, isso aqueceu meu coraçãozinho de pisciana ♥
Beijinhos e aproveitem o capítulo. Tá parecendo fan service, mas não é hahaha
Era o nosso último dia na Grécia. Por mais que parte de mim quisesse ficar pra sempre naquele país europeu quebrado ignorando os problemas existentes no Brasil, outra queria muito voltar e viver meus últimos momentos no ensino médio. Eu tinha certeza de que passaria no vestibular, então não estava exatamente ansiosa sobre os resultados. Tinha outra coisa que me afligia: o que diabos eu faria no próximo ano? Por mais que eu estivesse cada vez mais inclinada a estudar direito, ainda não era muito claro como eu faria isso.
A Universidade de São Paulo parecia o caminho mais fácil: era no meu estado, uma das melhores do país e o sonho do meu irmão mais velho. No entanto, por mais que isso fosse contra todo o meu discurso feminista, eu não conseguia projetar um futuro sem ter a certeza de que Vicente se encaixaria perfeitamente nele. Não me julguem. Era como se ele estivesse me deixado com sede todo esse tempo e só agora eu pudesse me hidratar. A year without rain. Selena Gomez riria da minha analogia. — E assim eu pago a minha dívida? — Vicente tirou-me de meu transe. Sim, na noite de ontem eu havia criado uma lista de tarefas para Vicente cumprir. Ele merecia, fala sério. Uma dessas tarefas era buscar um sorvete quase do outro lado da cidade pra mim. Eu havia lido na internet que era muito bom. Olhei para o loiro que tinha um pote azul em mãos. Obviamente era meu sorvete. Comecei a me sentir um pouco mal ao notar que os cabelos dourados do meu amado estavam suados. Nunca tinha visto Vicente assim. Ele sempre estava impecavelmente arrumado como grande mauricinho que era. Entretanto, mesmo com os cabelos suados e uma expressão cansada (devia ser o sol), ele continuava o homem mais lindo que eu já havia visto. — Claro que não! — Disse puxando o pote. — Acha mesmo que um sorvete é o suficiente? Ele me olhava incrédulo. As mãos enfiadas nos cabelos, os dentes mordendo a boca. — O que é suficiente, Rebeca? — Ele perguntou divertido. Mordi os lábios propositalmente, me aproximando em seguida. Puxei-o pela gola de sua camisa, me aproximando e colando nossos lábios. — Eu tenho muitas ideias de como você pode pagar sua dívida, mon amour — Sussurrei. — Mas eu não tenho certeza de que seriam apropriadas, sabe? Parece que dizer isso foi como ligar uma parte de Vicente que eu ainda estava conhecendo, já que o loiro rapidamente me jogou na parede do corredor, me prendendo com seu corpo e me beijando em seguida. Beijá-lo era como incendiar por dentro. Eu nunca tinha sentido aquilo com ninguém. Era uma coisa que me dominava, me deixava completamente à mercê de suas ações. Ainda com suas mãos puxando meu cabelo, ele me ergueu do chão, passei minhas pernas em volta de seu quadril. Estávamos prontos para continuar nossa sessão de amassos, mas passos no corredor fizeram com que nos separássemos. — Acho que precisamos tomar esse sorvete antes que ele derreta, Rebeca. — É verdade. Entramos no quarto. Ao contrário do que eu imaginava, nós não continuamos nossos trabalhos. Vicente pegou duas colheres e abriu o pote de sorvete, que eu fiquei feliz em devorar e constatar que havia valido à pena atravessar a cidade para buscá-lo. — Eu não sabia que tinha tanta diferença entre um gelatto e um sorvete brasileiro — Afirmei. — Achei que era idiotice de rico. Ele riu. — A senhorita é muito preconceituosa para quem se diz mente aberta. — E o senhor é muito safadinho para quem se diz moralista. Novamente seu rosto ganhou uma expressão divertida. — Eu nunca disse que sou moralista. — Você nunca precisou. Ele enrolou o dedo em uma mecha de meu cabelo. — Se você chama não querer levar sua aluna menor de idade pra cama de moralismo, sim, eu sou moralista. — Eu não sou menor de idade e eu não sou mais sua aluna. Na verdade, eu não serei mais aluna da escola em duas semanas. Ele levantou as sobrancelhas, puxando-me para si em seguida. — E quem disse que eu não quero te levar pra cama agora? Tá bom. Era oficial: nós íamos fazer. Eu imaginava que essa notícia fosse me deixar excitada o suficiente para que tirasse a roupa do coitado e fizesse ali mesmo, mas não. Na verdade, eu estava com medo. Muito medo. Não que eu fosse uma virgem que não entendesse de sexo, eu já tinha feito várias vezes (muitas muitas muitas vezes) meu inconsciente fez questão de me lembrar. Não era esse o medo. Tudo bem se eu admitir que tinha medo de que ele me abandonasse depois daquilo? Não que eu achasse que ele fizesse essa linha, mas nosso relacionamento era difícil. Deixá-lo depois de um passo tão grande seria a minha ruína. Eu não suportaria. Percebendo que eu estava absorta em meus próprios pensamentos, Vicente me cutucou. — A menos que você não queira e é totalmente compreensível, Rebeca — Ele começou com aquela mania de falar antes que eu pudesse me defender. — Eu não devia ter dito isso, é tudo muito novo e… — Droga, Vicente, é claro que eu quero! — Cortei-o. — Acho que já sonhei tanto com isso que você teria nojo de entrar no meu quarto. Tinha pegado-o desprevenido, já que seu rosto corou com meu comentário. Por mais que eu estivesse tendo um gostinho da nova versão do Vicente, ele ainda era o Vicente. Algumas coisas eram demais pra ele. Segurei o riso e continuei encarando-o sugestiva o suficiente para que ele colocasse as mãos no rosto.
— Rebeca, como você consegue fazer isso comigo? Eu ri. — Isso o que? — Você me deixa desconcertado no meu próprio joguinho. Mordi o lábio sugestivamente. — Eu ainda não te deixei desconcertado — Fiz uma pausa. — Não pra valer. Achava que essa seria a deixa para voltarmos a nos agarrar e, quem sabe, pôr em prática os planinhos diabólicos de Vicente, mas não foi. Em vez disso, ele pegou uma mecha de meu cabelo e analisou. Claro que fiquei irritada, preferia passar um tempo na cama tentando produzir herdeiros franco-brasileiros. — Você pintou o cabelo. Ah, eu pinto o cabelo antes da viagem e só agora ele repara! Sério? — Eu achei que filósofos fossem mais observadores, já que toda essa baboseira começou com os gregos observando a natureza — Debochei. — Sério, Vicente? — Ei, eu já tinha reparado! — Ele se defendeu. — Você está bonita. — Obrigada? — De nada. Ele parecia estar escondendo alguma coisa. — Qual foi, Vicente? Quer me falar alguma coisa? Não gostou do cabelo? — Falei tudo muito rápido. Recebi um levantar de sobrancelhas como resposta. — Eu prefiro você morena, só isso. Fiz beicinho de propósito. Não era grande coisa ele dizer isso. Eu também me preferia morena. Só tinha clareado o cabelo para chamar a atenção dele, o que eu não podia dizer que não tinha dado certo. Só não por causa do cabelo. Risos. — Então os cabelos dourados são exclusividade do senhor Bordeaux? — Mostrei a língua. — Você patenteou a cor “dourado sexy”? — Dourado sexy? — Ah, fala sério, eu li esse nome numa caixa de tinta uma vez — Debochei. — Não me diga que nunca se divertiu lendo os nomes nas caixas de tintas? Vermelho sensual, dourado sexy, preto deslumbrante! — Você é uma piada, Rebeca! — Ele se deu por vencido, deitando em sua cama. — E você é uma tragédia shakespeariana, Vicente! — Me deitei ao seu lado, tendo uma ideia mirabolante. Depois de alguns momentos discutindo sobre filósofos, Vicente acabou adormecendo estranhamente rápido. Dei de ombros. Meu plano funcionaria melhor com ele dormindo. Com cuidado para não acordar o Belo Adormecido, me retirei da cama com passinhos de borboleta. Ainda com cuidado, fechei a porta de seu quarto correndo para o meu. Fitei-me no espelho. Loiro não era mesmo a minha cor. Sem pensar muito, calcei os tênis que havia trazido e troquei minha calça jeans por uma saia fresca. Em seguida, saí do hotel. Eu precisava encontrar uma farmácia nas redondezas. Por ajuda do destino ou só por sorte, encontrei uma num raio de cem metros. Obrigada, Google. Fui treinando meu inglês enferrujado no caminho para a farmácia. Tinha muito tempo que eu não usava-o. Nem todos tem dinheiro para viajar por países famosos, afinal, não é? Com toda a confiança que eu tinha (e com a que eu fingia ter), entrei na farmácia e fui direto para a sessão de tintas. Não conhecia marcas gregas, mas sabia que a que eu segurava devia ser equivalente ao “preto deslumbrante” já que a modelo na embalagem tinha cabelos bem escuros. Passei por uma sessão de camisinhas e senti vontade de pegar alguma só para o caso de Vicente não ter nenhuma, mas desisti. Entretanto, depois de pensar um pouco, acabei tendo uma ideia melhor. — Sim, vou levar a tinta e eu preciso de uma pílula anticoncepcional — Falei com o melhor sotaque britânico que podia. — Sim, senhora — O atendente respondeu em um inglês pior que o meu. — Que tipo de pílula a senhora deseja? De 21, 24 ou 28 comprimidos? Ponderei um pouco. Não era exatamente daquele tipo de pílula que eu precisava, mas não era má ideia levar dessa também. Eu queria ser uma adulta, certo? Adultas tomam pílula. — Quero uma pílula de emergência, acho que posso dizer assim — Suspirei. — E quero uma cartela de 28 pílulas. — Acredito que seria melhor que a senhora fosse a um ginecologista para que ele indicasse a melhor marca, mas essa aqui te atenderá bem. Muitas mulheres na sua faixa etária usam e dizem que tem poucos efeitos colaterais. Assenti. Depois eu pesquisaria sobre no Google e, dependendo do resultado, eu jogaria fora. Poderia comprar outras no Brasil. — Ótimo! Saí da farmácia levemente eufórica. Sim, eu nunca havia estado tão ansiosa para passar a noite com algum homem. Não que eu tivesse passado a noite com muitos homens. Pensar nisso me levou a Matheus e meu estômago embrulhou. Passei em uma lanchonete e comprei a coisa mais parecida com uma esfirra que encontrei. Notei alguns olhares de uns gregos desavisados, mas ignorei. Era injusto: todo homem parecia medíocre perto do brilho dourado de Vicente. Assobiando uma balada qualquer de uma cantora one hit wonder qualquer, comecei a preparar a tinta animadamente. Seguindo todas as instruções, apliquei em todo o comprimento de meu agora curto cabelo e esperei 30 minutos para que agisse. Não foi surpresa notar que a cor era diferente do meu castanho quase preto anterior. Essa tinta era preta de verdade. Quase como um preto azulado. Tinha ficado bonito, afinal. Meu cabelo estava brilhando como em um comercial de shampoo. Finalizei com chapinha e comecei a me preparar para o que estava por vir. Eu ia transar com Vicente Bordeaux. Se eu não pirasse antes do ato, seria a melhor noite da minha vida. As meninas morreriam quando descobrissem. As meninas… eu não estava falando muito com elas durante a viagem. Provavelmente elas me xingariam, mas elas teriam que entender. Sabia que devia compartilhar minha felicidade com elas, mas estava tudo dando tão certo que não tive coragem. Quando eu voltasse, eu contaria tudo. Era isso. Foi um pouco difícil encarar o meu problema de garota branca do dia: eu não tinha nenhuma lingerie à altura do dia. Não mesmo. Não que minhas lingeries fossem feias, mas elas estavam todas abaixo do esplendor de Vicente Bordeaux. O que eu poderia fazer? Eu não sabia. Comecei a entrar em pânico, mas batidas na porta não me deram tempo para choramingar. Provavelmente era ele. O que eu diria? Por sorte, não era. — Serviço de quarto: a senhorita não solicitou o jantar, mas mandamos mesmo assim — A mulher foi entrando sem pedir licença. Ela saiu logo após perceber que eu a fuzilava. Olhei a comida e ela parecia apetitosa, mas não tanto quanto o prato principal que eu teria daí uns minutos. Quando foi que me tornei uma versão feminina de um homem babaca que compara mulheres a refeições? Provavelmente foi na mesma época que eu me tornei uma pessoa que só pensa naquilo. E pensar não estava mais bastando. Não quando eu podia colocar em prática. Mesmo a contragosto, comi tudo que me mandaram e era muita coisa. Deitei na cama minutos depois e um sono me tomou. Até que meu telefone tocou e, para minha infelicidade, não era Vicente. Era Monalisa. — Boa noite, musa de Da Vinci — Caçoei. — Rebeca, eu… — Sua voz falhava. — A gente precisa conversar. A gente precisa muito conversar. Provavelmente ela estava tendo problemas com Ricardo. Porém, hoje o dia era meu. Eu não podia ajudá-la. Ela ia entender. E eu estaria no Brasil já no outro dia. — Desculpa, amiga, tô um pouco ocupada. — Mas eu… — Ela apelou. — Amanhã a gente resolve. Beijos. Desliguei. E voltei pra minha maratona. Escovei os dentes mais de 10 vezes, depois masquei vários chicletes. Analisei minha depilação algumas vezes também. Tudo precisava estar perfeito. Coloquei quantidade suficiente de maquiagem no rosto para ficar mais bonita e ainda sim não parecer uma dragqueen. Me enchi de perfume e creme hidratante. Só faltava uma coisa: uma lingerie. Eu precisava usar meu super Q.I para encontrar uma solução e logo encontrei. Saí do quarto apressada e bati na porta do meu príncipe encantado, que atendeu com uma expressão ainda sonolenta. Sem dar tempo para explicações, empurrei-o na cama, que não fez objeções. Então abri o roupão que vestia, revelando a minha completa nudez.
Notas finais
QUEM ACHA QUE O VICENTE VAI INFARTAR?
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