Cheque-mate

1 Capítulo Único


Aquele jogo começara com uma nuvem de tensão pairando pelo ambiente entre os dois jogadores. Algo como receio, ansiedade e arrogância misturados em doses nada harmônicas deixando as peças nervosas.Mas eu não estava preocupado, passei semanas me preparando para esse dia, estudando as jogadas preferidas do meu adversário, suas táticas, suas estratégias. Analisei tudo, até como ele pensava. A vitória seria minha.Ele começou. Uma jogada despretensiosa, algo para me testar ou me forçar a fazer uma jogada mais interessante. Escolhi enganá-lo e, com um peão movido num dos cantos, mostrei meu ?interesse? por um jogo aberto.Podia sentir a tensão do meu adversário, ele era inteligente, mas era jovem e inexperiente demais, logo a ansiedade irá dominá-lo. Eu só preciso esperar e pressioná-lo o suficiente.Ele fez o que eu queria, mudou toda sua tática de jogo e respondeu ao meu pedido de um jogo aberto movimentando um peão na outra ponta.Um bom e dispersante começo, mas talvez esteja na hora de forçar um pouco mais os nervos dele, o assustar um pouco.Primeiramente, um bom jogador tem de saber que, no fundo, as melhores peças são os peões, as mais manipuláveis e as que mais enganam. Aquele que não dá o devido valor aos peões sempre perde.Pobre garoto.Às vezes sacrifícios são necessários, mas tem de se saber como fazê-los. Apenas assisti, com um grande sorriso, enquanto minhas peças tornavam a quantidade de peões dele mais escassa.Ele começou a usar seus cavalos para roubar meus peões. A ansiedade estava chegando.Meu bispo foi o suficiente para acabar com a alegria do cavalo dele e, aproveitando esse golpe, firmei minha peça numa posição estratégica.Cheque.O doce cheiro da ansiedade ficou mias forte conforme ele recuava sua torre, mexia na sua rainha e tentava me distrair com o cavalo.Golpes chatos. Queria que ele rendesse mais dificuldade, eu queria um desafio, mas ao que parece, nem mesmo esse ?garoto prodígio? podia me desafiar.Acabei com sua alegria e usei o peão para firmar uma cilada.Cheque... De novo.Dessa vez ele me surpreendeu. Fez um roque e, depois de uma jogada aparentemente sem significado minha, acabou com meu bispo.Agora sim, o jogo começou.Mordi o lábio inferior para conter meu sorriso, já estava na hora de fazer o meu roque.A inversão da posição da minha torre com o rei deu ao jogo um aspecto completamente diferente. Forçando-nos a começar um jogo aberto.Uma de suas torres quebrou minha proteção, numa jogada que me pegou desprevenido. Como pude ser tão tolo?Cheque para ele.Dessa vez a risada veio livre enquanto meu cavalo cuidava desse empecilho. Finalmente, um jogo interessante.Jogadas rápidas e surpreendentes seguiram nosso jogo que, a cada segundo, ficava mais interessante, mas é como dizem. É sempre bom estar três passos a frente do adversário e, nesse joguinho de gato e rato, ele não percebeu que eu abri o caminho para a minha rainha me levar à vitória.O Garoto ergueu a bandeira branca, derrubou o seu rei. Ele se rendeu, admitiu a derrota.Sem graça.Minhas peças, mais uma vez tinham terminado seu serviço e com sucesso. Até hoje não me lembro de guardar peças derrotadas.Guardei meu tabuleiro e saí do centro de comando para o campo de batalha. As peças do inimigo eram levadas para a prisão, todas de cabeça baixa, derrotadas, exceto um.Meu adversário se aproximou, com a cabeça erguida, sorria humildemente aceitando com dignidade sua derrota. Segurei seu braço e ele parou.-Cheque-mate ? murmurei e lhe estendi meu rei preto.Ele sorriu e indicou o bolso externo de sua farda. Coloquei a mão no tal bolso e senti a peça de acrílico, a tirei do bolso e a analisei. Era um rei branco.-Foi uma boa partida, senhor ? o jovem comentou e continuou a andar.Sorri e guardei o a peça dele no meu bolso. Aquele garoto era exatamente como eu.Ele, com toda certeza, tem futuro.

Notas finais
Heeey babys *-*
Espero que vocês gostem
E não se esqueçam das reviews hein ;P
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!