Cheating on you

1 U: i know i said goodbye


Notas iniciais
Oi, gente, eu escrevi mais um negócio durante uma pausa em um trabalho!!!!!! Graças a Trice, aqui está minha primeira blackinnon!!!!

Espero que gostem, pessoal

Não era para as coisas terem ficado sérias. Sirius estava sempre viajando a trabalho, cumprindo sua função de arqueólogo, o que dificultava que criasse raízes em qualquer lugar além de Londres, onde passava suas folgas, feriados e férias. Por conta disso, gostava das coisas assim, simples, e ficou surpreso quando foi Marlene quem propôs que não se prendessem a compromissos.

Ele a conheceu em um bar perto da casa dela através de Lily, noiva de seu melhor amigo, James. Eles comemoravam o noivado quando McKinnon atravessou o espaço na direção da amiga, abraçando-a com o sorriso mais bonito que Sirius já teve o prazer de ver. Depois que transaram no banheiro e no carro dele, decidiram que era mais confortável fazer tudo aquilo no conforto de suas casas.

Era para tudo ser mais fácil: Marlene o encontrava no Três Vassouras depois do trabalho e, quando tivessem bebido e dançando o suficiente, iriam para a casa dela passar a noite transando. Quando Sirius chegava cansado de uma viagem, encontrava Marlene McKinnon o esperando na cafeteria em frente ao apartamento dele. Às vezes, quando estavam à toa, não podiam evitar de marcarem algo às pressas em algum motel no meio do caminho entre seus lares. As coisas estavam funcionando bem; eles se divertiam, transavam, faziam algumas piadas e depois se despediam. Simples assim.

Acontece que Sirius mudou de ideia.

Em certo ponto, começou a deixar roupas na casa de Marlene. Deixou uma escova de dentes também, e deu uma cópia da chave de sua casa para ela. Nos encontros, eles jantavam ou assistiam a filmes juntos e era comum ver Marlene desfilando pelos corredores do apartamento usando apenas uma camiseta velha de Sirius. Às sextas-feiras, ele sempre a buscava no trabalho e passavam o fim de semana na casa dele. As coisas com Marlene eram fáceis, verdadeiras, e Sirius estava gostando disso. O problema foi o susto que levou quando, após uma noite tórrida na cama dele, Marlene disse que encontraria o pai em um restaurante próximo dali e gostaria que ele fosse. Sirius queria ir.

“Acho melhor não”, ele disse, levantando-se e caminhando até o banheiro, pensando em como chegaram àquele ponto.

“Tudo bem”, respondeu ela, dando de ombros enquanto terminava de se arrumar “Pode me buscar no trabalho mais tarde? É sexta-feira, não quero voltar de metrô até aqui”.

“Talvez você devesse ir pra casa”, pediu Sirius, sem pensar realmente nas palavras que dizia. Ele viu a expressão surpresa e chateada no rosto de Marlene, que assentiu, tentando disfarçar o incômodo que sentiu com aquilo.

“Você bem?”, perguntou ela, curiosa com o olhar aflito que Sirius exibia. Ela, então, sentiu-se apreensiva quando viu Sirius guardar as coisas dela na mochila que havia levado na noite anterior. “O que está fazendo?”

“A gente já foi longe demais, Lene”, ele explicou. “Acho melhor isso acabar aqui”.

“O quê?”

“Não era pras coisas ficarem tão sérias!”

Marlene, antes de responder, terminou de juntar seus pertences com raiva, compreendendo o que Sirius lhe dizia. Ele tentou acalmá-la, tocando seus ombros quando ela se virou para ir embora, mas Marlene o afastou com um empurrão — o mais forte que conseguiu.

“Lene, espera!”

“Quer saber de uma coisa, Sirius?”, ela perguntou, soltando-se do aperto das mãos dele em seus braços quando ela tentou sair. “Eu estava ótima. E as coisas estavam ótimas também, mas você tinha que deixar a porra das suas roupas no meu armário e me dar a droga da chave desse apartamento. Você começou com essa merda e agora é covarde demais pra terminar direito!”

Sirius tentou amenizar a situação — que ele mesmo havia provocado — mas era inútil. Marlene tirou a chave dele de seu chaveiro e atirou pela sala, atravessando o espaço até a porta. Quando pediu que ela esperasse, sentiu-se culpado ao ouvi-la pela última vez antes de sair.

“Vai se foder, Sirius Black”, ela disse. “Seu imbecil!”

“A gente pode conversar depois?”, perguntou, quase arrependido de ter feito aquilo tão de repente.

“Você me mandou ir embora, Sirius. Você escolheu isso”, respondeu. “E eu espero que doa pra caralho”.

A batida da porta o fez saltar no lugar. Marlene havia ido embora, mas pelo menos ele havia acabado com o compromisso antes mesmo que começasse. Evitando pensar muito, terminou de arrumar as próprias malas e trancou o apartamento ao sair rumo ao aeroporto. Daquela vez, a Grécia o esperava, porém Sirius estava frustrado.

Por longas semanas, não ouviu falar em Marlene, mas pensava nela o tempo todo. Ela iria adorar as moussakas do restaurante do hotel e provavelmente faria bastante sucesso com as matérias que com certeza escreveria sobre o templo de Apolo. E seria ótimo vê-la o tempo todo sorrindo.

Tentando se livrar de pensamentos que não lhe cabiam, Sirius tentou se render às investidas de Kala, uma colega pesquisadora nascida em Mumbai, na Índia. Eles se conheceram no templo do oráculo e se divertiam juntos; Kala era inteligente e bonita, mas não era Marlene.

A pele dela parecia estar sempre quente, especialmente quando Sirius tocou suas coxas por baixo do vestido verde, mas não era como Marlene. Ela o mordia, beijava e lambia, mas suas carícias e suspiros não chegavam perto do simples toque de Marlene. Cada vez que Sirius a tocava, beijava-a e apertava, sentia-se esquisito. A cada gemido de Kala, ele via os olhos decepcionados de Marlene o observando. A cada segundo que se passava, sentia que estava quebrando uma promessa, um compromisso, e não suportava a ideia de trair Marlene — mesmo que nem estivessem mais juntos.

Antes que as coisas pudessem ir mais longe, Sirius se afastou de Kala e pediu desculpas. Outra vez, viu-se deixando alguém para trás, mas doía muito menos para ambos os envolvidos. Não doía nada.

Mais tarde do que planejava, quase seis semanas depois, Sirius estava de volta a Londres. Mais precisamente, em frente à porta da casa de Marlene. Àquela hora ela estaria trabalhando e, mesmo que ainda tivesse as chaves da casa dela, não parecia certo usá-las quando não estavam mais juntos. Sirius tinha um plano quase sólido: assim que Marlene chegasse, ele seria honesto com ela. Diria que sentia sua falta, que foi imaturo, que não devia tê-la maltratado e que merecia qualquer tipo de agressão que Marlene dirigisse a ele. Sentado nas escadas em frente à porta de McKinnon, ele a viu estacionar o carro perto do meio fio ao chegar do trabalho e levantou-se, sentindo as palmas das mãos suarem.

Ao vê-la descer do carro, a saudade que Sirius sentia de Marlene ficou mais evidente; ele mal podia respirar com a imagem dos lábios vermelhos pressionados e a testa franzida enquanto ela lia algo no celular, concentrada no que quer que fosse. Parado ali, esperando que ela o visse, tudo o que Sirius pedia aos céus era que o olhar dela lhe passasse um pouco de esperança.

Quando ela o olhou, Sirius sorriu.

Notas finais
E aí?? Amaram?? Aturaram?? Odiaram?? Me conta!!!!!!!!

Qualquer dia desses eu volto. Beijos, black
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!