Chasing The Sun
21 Take You.
Notas iniciais
Take You
Depois de dias levando foras e algumas ignoradas de chamadas de Annabeth, ele pensou que essa ideia estúpida de tentar fugir dela e deixá-la feliz passou dos limites. Percy não conseguia se concentrar nos trabalhos, nos contratos e teve que cancelar uma audiência assim que chegou porque percebeu que nem mesmo tinha lido o caso, Annabeth não parecia estar ligando, saía mais cedo do Olimpo, chegava tarde ao trabalho e almoçava com as meninas.
Percy estava cansado disso.
Silena disse que ele tinha pisado na bola e outras coisas, mas disse que ela já o tinha desculpado e ele se sentiu no colegial, eles eram adultos e podiam muito bem se falar cara a cara. Não sabia quem era mais infantil, ele mesmo ou ela com seus joguinhos inúteis de se esconder atrás de sua prima e de Silena. Da última vez que a vira fora no casamento de Katie e Travis que rolara há umas duas semanas atrás e ela estava esplendida.
Os cabelos dourados em um trança bagunçada e o vestido era de um azul celeste que contrastava com sua pele de neve, os olhos estavam mais azuis do que ele já tinha visto, mas o cinza continuava presente. Annabeth estava com Luke que depois de meia hora de cerimônia saíra, ele não sabia o porquê, mas preferia-a do lado de uma Silena com vestido vermelho brilhante do que um cara de terno pingüim.
Claro que Percy até tentara falar com ela, no entanto, o máximo que conseguira foram dois beijinhos na bochecha, um pequeno abraço formal e um “Sr. Jackson, acho que Silena está precisando de mim, obrigado pela conversa”, então percebera que fora o pior fora que levara nesse mês. No ano. No século. No mundo. Na eternidade. Na vida.
Percy estava decidido a mudar tudo isso, entretanto. E isso começaria naquela manhã de sexta feira. Faria de tudo para mudar aquela situação ridícula que se encontravam.
Annabeth se revirou no sanduíche de lençóis, procurando alguém no lugar vago na cama grande, bufou ao não sentir nada, cuspiu alguns fios dourados da boca e se levantou. Abaixou o short de tecido fino e começou a arrastar-se nas escadas de vidro, Annabeth inspirou o cheiro de bacon e torceu o nariz.
– Ei, calma aí. – a voz de Percy preenchia, até então, o lugar supostamente vazio
– O quê?
Annabeth já tinha esquecido a raiva que ele lhe causara. Mas, não queria admitir já que sentia muita falta dele. As desculpas e explicações de Calypso não fizeram muito efeito porque ela queria matar aquela garota pela primeira vez que ela lhe apareceu. Depois, ele vem mandando flores e chocolates, falando com Silena e essas coisas idiotas que adolescentes arrependidos costumam fazer. Ela também não queria admitir isso em voz alta, mas estava amando o jeito que ele começava a mimá-la e tinha que dar um basta nisso. Algo a fez mudar de ideia bem rápido, entretanto.
Começava a pensar então no curto espaço de tempo que lhe dera para ver Percy com calças jeans caindo sobre os quadris e sem nada cobrindo o peitoral, em seguida, sentiu mãos levemente calejadas cobrindo seus olhos, o peito quente aquecendo suas costas frias e as coxas dele se enfiaram entre as suas, como se a sonolência agora não fosse um de seus maiores problemas.
Annabeth passou as mãos onde deveria estar seus olhos e continuou passeando as mãos até o cotovelo de Percy, fingindo que estava tudo bem com eles. Nesse momento, ela o queria mais do que tudo.
– O que foi? – ela perguntou com o tom indiferente, mas levemente preocupado – Aconteceu alguma coisa?
Percy riu, e ela se sentiu estúpida, no entanto automaticamente sentiu todo seu corpo se arrepiar com sua respiração leve fazendo cócegas na sua nuca.
– Sh... – ele sussurrou perto do seu ouvido, o que a fez se arrepiar novamente – Não seja apressada, loirinha.
– Não tem medo de Luke ter esquecido a chave?
Percy continuou rindo e Annabeth quis se abraçar e não sabia o porquê disso, seu hálito era quente e ela queria senti-lo contra sua boca, definitivamente.
As pernas dele finalmente começaram a andar, com os olhos cegos, ela tropeçou algumas vezes nos pés frios dele na metade da escada.
– Eu até te pegaria no colo, mas você parece ter engordado. – murmurou esnobe
– Adiante logo isso, Percy. E lembre-se que você não está merecendo fazer essas piadinhas comigo. – ela tentou ignorar o riso nervoso dele
Annabeth sentiu o contato gelado do chão e resistiu a tentativa de abraçar o corpo que fervia atrás de si. Os braços finos abraçaram o próprio corpo, percebeu que realmente estava enjoada de ter os olhos cegos.
– Tá com frio, é? – perguntou em um sussurro, ela não respondeu com raiva de ser posta nesta situação – Agradeça que estou fervendo, Annabeth.
– Esnobe. – resmungou – Deslumbra-se com minha felicidade. Acho que o prédio pode cair de tão feliz que estou. – murmurou, o tom carregado com seu sarcasmo
– Tão sarcástica.
O quadril de Percy tocou à sua empurrando-a para virar de direção, o moreno tocou os próprios joelhos nos dela que quase falharam.
– Que cheiro é esse? – Annabeth inalou o ar diferente que preenchia seu apartamento
– Lavanda. – disse ainda dando pequenos passos – Serve para acalmar.
– Eu sei para que serve, mas não sei porquê eu deveria me acalmar.
– Dois motivos que você não precisa saber agora. Talvez, apenas prevenindo que você esteja bem melhor do que antes.
– Por que todo o mistério?
– Não fica tudo mais sexy? – Percy beija a parte livre e seu ombro e assoprou
Annabeth ainda se perguntava como alguém poderia ter um hálito tão gostoso.
Então, sentiu seu corpo sendo pressionado, sentando-se no sofá de couro, ela agradeceu por isso, já que estava sentindo suas pernas tremerem , entretanto percebeu que ele estava querendo provocá-la mais do que o normal. Percy deslizou as pernas casualmente ao redor das pernas lisinhas dela encostando seu peito desnudo nas suas costas quase nuas.
– Pode tirar as mãos agora?
– Não posso aproveitar a linda visão de seus pelos loirinhos se arrepiando?
Annabeth riu e se contorceu no lugar onde estava, pronta para lhe dizer algo como “não”. Esqueceu a ideia de quebrar o clima e descansou as costas no peito quente dele, tentou ignorar o forte cheiro de lavanda e apreciar o cheiro de maresia que Percy conseguia ter.
– Pode aproveitar. Eu adorei esta posição.
– Adorou, foi? Eu posso aproveitar muita coisa com ela.
Annabeth bufou.
– Vamos logo com isso, não sou acostumada a surpresas.
– Sem pressa, loirinha. – ela sentiu a boca dele se aproximar de algum ponto abaixo de sua orelha, sua boca era tão quente quanto seu hálito e mesmo que Annabeth sentisse o corpo cansado, as caricias que a boca dele desenhava, fazia seu corpo esquentar lentamente.
– Eu vou tirar as mãos... – instruiu sussurrante – mas você não pode abrir os olhos, beleza?
– Beleza.
Lentamente, sentiu as mãos pesadas desaparecerem dos seus olhos, os dedos hesitaram até alcançarem as alças da camisola e abaixaram-na de um jeito leve, a outra mão retirou os cabelos dourados das costas e os ajeitava nos ombros finos. Os dedos calejados tamborilaram pelas costas com alguns sinais marrons, Percy apreciou uma mulher excepcional à sua frente e mordeu o lábio inferior até encostá-los no começo da coluna e descer os beijos até a metade da mesma onde a camisola deixava isso acontecer.
– Vai demorar muito? – Annabeth disse, ignorando um gemido que insistia em sair.
– Eu nunca vou conseguir fazer algo romântico com você se continuar assim.
Percy se arrependeu de ter falado aquilo, porque ela pareceu gelar quando aquelas palavras bateram contra sua nunca. Silenciosamente, ele agradeceu por Annabeth não ter comentado nada e relaxado com os seus beijos leves.
– Ainda não posso abrir? – resmungou, mexendo-se no meio das pernas dele
– Para de ser chata por um tempo.
Annabeth bufou e cruzou os braços. Ela percebeu que as pernas dele escaparam do ninho que fazia com ela, Percy deu passos pequenos e puxou uma caixa de trás do sofá, colocando no seu colo. Eram duas caixas, uma pequena e outra bem maior.
O moreno acariciou os fios dourados, pousando-os atrás da orelha e então, suspirou.
– Pode abrir os olhos, loirinha.
Annabeth tremeu os cílios que chegavam a brilhar com a invasão da luz e quase brigou com seu acompanhante porque ele estava à sua frente com o verde escuro e o verde-mar que dançava entre suas íris.
– Você é a surpresa? – perguntou com ironia
Percy riu e abaixou os olhos fazendo os cabelos negros, longos demais, balançarem sobre a testa.
– Eu sei que sou maravilhoso e sou um deus grego, e é muita humildade sua me chamar de presente. Porque eu sei que sou o que qualquer uma queria ter...
– Convencido. – a loira o cortou fazendo um beicinho fofo.
O moreno de olhos verdes meio taciturno segurou o queixo fino e determinado dela, dando-lhe um beijo em seu nariz salpicado com pequenas sardas, quase invisíveis, separou-a de si e juntou seus lábios por uma pequena fração de segundos. Annabeth acariciou seus ombros o puxando mais para sua boca, afagando sua nunca. Percy ficou de joelhos, erguendo o corpo por cima das caixas, como se o espaço fosse o pior inimigo que ele já tivera que enfrentar em toda sua vida, a mulher puxou os cabelos ralos um pouco acima da nuca, então sentiu as mãos dele apertarem seus seios por cima do tecido completamente fino.
Arqueou as costas com as carícias intimas que as mãos dele começavam a fazer com destreza.
– Ok. – ofegou enquanto sua amante seguia as mordidas e beijos pela sua bochecha e pescoço – Sei que você quer aproveitar o presentão aqui, — respirou fundo e afastou-a pelos ombros – mas você tem dois presentes muito legais aqui, também.
A loira revirou os olhos cinza tempestuosos, com um desejo contido nas entranhas do seu corpo o que a fazia ficar mais agitada do que o normal.
– O que é isso? – ela desfez o laço com uma elegância que apenas suas mãos delicadas poderiam ter, Percy temeu em arfar com aquele simples movimento
– É só abrir. – disse o mínimo de palavras que poderia dizer
Annabeth retirou com cuidado a tampa da caixa e sorriu levemente ao ver três livros postos em dégradé. O primeiro era verde, o segundo vermelho e o último, rosa.
– É um box?
– Aham. – ele se inclinou para ver melhor seus lábios rosados quebrando a monotonia do rosto pálido em um sorriso grande – Você gostou?
– É da Hannah Howell. Me disseram que ela é ótima.
– Eu li esses livros, o último é melhor. – piscou ele
Annabeth deixou os livros em cima da mesinha no centro e começou a abrir a outra caixa maior, um papel negro escondia o presente e à medida que ela tentava descobri-lo, um ruído agradável preenchia o ambiente e quebrava aquele clima pequeno de tensão que rondava entre eles.
A loira não esperava uma surpresa tão excitante; uma lingerie preta de renda por todo o busto se apresentava com os desenhos aleatórios, talvez flores, talvez apenas bolinhas tentando fazer um desenho, a calcinha era pequena e minúscula, suas bochechas esquentaram assustadoramente, Percy sorriu ao ver aquela reação instantânea. Ele adorava quando seu rosto parecia o de uma garotinha no colegial.
– Isso é o q...
– Veja o resto. – pediu, cauteloso
Annabeth puxou pelas alças um vestido preto, o decote era médio e proporcional, não deixaria seus seios muito expostos, parecia ser bem justo ao corpo, Percy até conseguiu pensar em cada detalhe seu modelado no tecido que era metalizado preto e bem parecido com couro.
– O que eu vou fazer com isso?
Percy deu de ombros e sorriu.
– Não sei. Quer tomar café da manhã? Eu fiz um sanduíche vegetariano, suco de laranja natural. É bom você aproveitar não é todo dia que se tem suco de laranja natural.
Annabeth sorriu e se levantou antes dele, por alguns segundos sua mente voltou a trabalhar rapidamente e seus olhos cinzentos fitaram o rosto sorridente de Percy. Fazia tempo que não falava com tanta naturalidade com ele.
– Percy... Por que você me deu isso?
– Um pedido de desculpas, talvez. Eu sei que não falei com você direito desde... Hm, Calypso. E pretendo encerrar este assunto.
– Eu não quero encerrar. Calma... – Annabeth sorriu – Ela...
– Tudo bem você ainda querer falar sobre isso... Eu falo. – a interrompeu – Mas, não agora.
– Você mudou totalmente de assunto. Por que me deu isso?
– Annie...
– Seja direto.
– Hm, fetiche. Quero que você realize um fetiche.
Annabeth franziu os lábios, surpresa pela sua revelação.
– Fetiche? – ela se sentou com uma expressão confusa e temerosa – Qual fetiche?
– Então, vamos lá. – ele bateu palmas como se estivesse prestes a entrar em uma conversa com uma criança que não sabia somar – Eu tenho umas amigas...
– Amigas?
– É, amigas, Annie. – revirou os olhos – Elas são donas de um... Bem, cabaré, swing, casa de prostituas, ou como quiser chamar. Aqui em NYC. É algo mais parecido com uma agência.
– Percy, diga logo o que você quer.
– Calma. – ele respirou fundo – Cada vez em três meses, elas fazem uma brincadeira. Homens e mulheres são colocados em uma sala, vão para quartos e então tem uma noite de sexo, sabe casual.
– Isso é tudo? – ela ergueu a sobrancelha
– Poderia ser, mas não.
– Sim...
– Bom, eu fico te devendo uma se você for. E você vai adorar, pode apostar.
Annabeth queria responder e dizer que queria matá-lo, queria arrebentar a cabeça dele na parede e depois gritar dizendo algumas barbaridades, entretanto todo seu corpo gritava para se deixar levar. Os beijos que ele dera há pouco tempo atrás, acendera todo seu desejo escondido em algum lugar. Suspirou e piscou os olhos enquanto ele trazia o suco, sanduíches, e provavelmente amêndoas.
Hey, what's the situation? Oh, I'm just trying to make a little conversation, why the hesitation? Oh...
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