Chasing The Sun
34 Halo.
Notas iniciais
Halo
A mulher loira suspirou ao pegar a última conta. Às dez da noite, percebeu que, finalmente, deveria colocar todas aquelas contas do mês, separar o dinheiro, e pagar assim que saísse para trabalhar, ou pedir para Melanie fazer isso para a mesma.
Pegou a folha de papel branco cheio de borrões pretos que se misturavam diante de sua visão e percebeu que em cima, o nome de Luke se destacava. Bocejou mais uma vez e deu de ombros, eram casados e ela talvez tivesse o direito de pagar algumas de suas contas, não sabia se era assim que funcionava, esperava que estivesse agindo do jeito certo, entretanto.
Um lugar que vendia ternos caros se podia perceber já que a conta passava mais de cinco mil reais. Não podia reclamar já que seu principal cartão estava com mais de uns vinte mil reais, deu de ombros e passou para a próxima.
Starbucks, mais roupas, uma loja de gravatas, uma loja de sapatos, uma loja de jóias... Jóias. Ela repetiu a palavra na sua mente. Jóias. Luke não usa jóias, definitivamente, não usa jóias, por que um homem usaria jóias?
O sono passou assim que viu aquela palavra. Dolce & Gabbana. Aquelas palavras estavam flutuando em sua menta. Dolce & Gabanna. Há três semanas e meio atrás de acordo com a data que acompanhava ao lado do nome e o valor. Três mil reais.
Uma quantia relevante para qualquer produto que comprasse lá. Especialmente de jóias, já que aquele nome acompanhava entre parênteses essa palavra. Jóia. Uma especialmente cara.
Tamborilou os dedos e apertou na discagem rápida, número dois.
Assustou-se ao ouvir a voz grossa, rouca de sono. Pelo que se lembrava aquele era o número de Silena. Um número de emergência.
– Hm... Eu disquei o número errado.
– Annie? – sua voz saiu mais rápida que esperava, surpresa, alegre, preocupada e acima de tudo, um grande toque de felicidade – Eu pensei que você nunca mais ia falar com...
– E era isso que eu esperava fazer. Desculpa te acordar de qualquer descanso que venha tendo, quero dizer, claro que já arranjou outra mulher pra te cansar, não é?
Percy bufou, visivelmente impaciente do outro lado da linha.
– Você sabe que não é nada disso, não é?
Annabeth inclinou-se sobre a mesa da cozinha que agora virara um mini-escritório. Observando como aquelas palavras pulavam do papel e rodopiavam diante de seus olhos, mordeu os lábios, ouvindo-o pedir desculpas. Depois de duas semanas que não se falavam, ele estava muito arrependido. Murmurando palavras de perdão e dizendo o quanto estava arrependido de dizer aquilo, e que não iria repetir aquele erro. Fora apenas uma parte de sua cabeça fazendo pegadinhas com ele.
– Então, creio que precise de um psiquiatra urgentemente.
– Eu preciso de você. – ele sussurrou as palavras baixinho – Não que eu esteja querendo te pressionar novamente....
Annabeth bateu os dedos com força por cima daquelas palavras. Jóia.
– Eu preciso de sua ajuda.
Percy deixou o ar escapar dos pulmões, satisfeito consigo mesmo e o discurso que viera treinando há alguns dias, o fato dela ter ligado por ocasionalmente ou não, o ajudou muito a cuspir aquelas palavras que impregnavam sua mente.
– Luke... Bem, ele fez compras de alguma jóia. Uma jóia muito cara na Dolce & Gabanna. – Percy assoviou ao ouvir a última frase – Eu não sei o que é. Ele não me deu nada e... Bem, somos casados, provavelmente não é uma surpresa de noivado.
– Talvez... Hm, ele esteja querendo sair da rotina.
– Isso não é uma coisa que você fale, Percy. – resmungou e se encolheu ao ouvir o nome curto que lhe atormentava há dias sair com tanta facilidade de seus lábios – De qualquer maneira, eu preciso que me ajude. Que me dispense amanhã para que eu... Precise cuidar disso.
– Claro. – seu tom de voz era despreocupado ao pronunciar as palavras – Mas, eu vou com você.
– Não.
– Sim, eu vou. Ou negócio não-fechado. A não ser que queria falar com Thalia sobre isso. – Annabeth sabia que ele tinha dado de ombros ao dizer aquilo
– Percy... – resmungou mais uma vez o nome, percebendo o quanto adorava ouvir aquela simples palavra sair de sua boca
– Nos vemos amanhã no Starbucks?
– Eu vou demorar apenas uns dez minutos.
– Eu gosto de negociar com você. E bem... Aquele negócio de antes... Do resort...
– Eu vou esquecer. Por enquanto. Embora, não tenha entendido o que você queira dizer com aquilo, eu...
– Ótimo. Ótimo mesmo você não entender, porque nem eu mesmo entendi. – disse, seguindo de uma risada tensa – Posso pedir um cupcake pra você, certo?
Annabeth concordou, as palavras rápida, a fuga de assunto, não foi um bom jeito de livrá-las das palavras que persistiam em seu pensamento. Guardou todos os papéis na sua bolsa e segurou a última conta entre os dedos. Suspirou e a amassou até que virasse um quadrado tão pequeno que ninguém iria se importar.
Melanie a seguia, anotando freneticamente tudo que Annabeth tinha dito.
A loira olhou mais uma vez para o relógio de pulso, balançando a cabeça e os fios soltos que imitavam seu movimento. Ela vestiu o blazer cinza sobre a blusa branca e fechou os documentos abertos na área de trabalho.
– Quero duas cópias disso. Eu vou chegar antes da hora de almoço, então, não precisa desmarcar as reuniões com os outros clientes, tudo bem?
– Sim, senhora. A senhora Grace pediu para que comparecesse na sala dela. Não quero atrasar a senhora, mas ela disse que a queria urgentemente lá.
Annabeth torceu os lábios e assentiu a contragosto, imaginando o que seria de tão urgente que Thalia não podia esperar nem para ligar ou algo do tipo. Com certeza, não era nenhuma fofoca sobre o que estava acontecendo dentro da empresa.
Puxou sua bolsa sobre o ombro e tamborilou os dedos na cintura até o elevador chegar ao último andar. Deu um breve aceno de cabeça para a assistente de Thalia antes que ela abrisse a porta e anunciasse sua chegada.
Sua amiga estava concentrada. Os olhos azuis tensos, assim como o resto do corpo, a boca contraída, os cabelos curtos e escuros estavam bagunçados, como se ela tivesse passado as mãos tantas vezes pelos mesmos que os deixara neste estado um tanto... Precário.
– Pode sentar, Annie. – ela pediu, digitando mais algumas coisas
Annabeth suspirou e se acomodou na poltrona fofinha cinza que ficava de frente para a mesa de vidro dela.
Diferentemente de sua sala clássica com a mesa de carvalho, a estante de livros de madeira, e todos aqueles livros de direito. A sala de Thalia parecia uma sala de advogada, no entanto, moderna. A mesa de vidro era resistente, um Mac estava sendo usado pela mesma enquanto vários papéis ficavam bagunçados pela mesa, uma bolsa preta com as siglas D&G estava discretamente posta no canto. Como se fosse esquecida ali há algum tempo.
Annabeth piscou e inclinou-se querendo encostar-se à bolsa e ver se poderia ter alguma intuição sobre isso.
– Dolce & Gabanna? – a loira perguntou, tentando parecer calma – Fazendo comprinhas, Thals?
Thalia enrijeceu, mais do que já estava, ajeitou-se na cadeira presidencial e olhou com um desgosto mal disfarçado para a bolsa.
– Sim, você sabe... Isso me tira o estresse.
– Claro... É o quê? Uma jóia? – Annabeth podia até ver seus olhos brilhando com a expectativa, poderia saber onde aquela loja ficava, encontrar alguém que trabalhasse lá e que Thalia conhecesse, as coisas seriam mais fáceis
A morena fitou Annabeth, com os olhos impassíveis e firmes diante da loira.
– Não. É uma bolsa. Até poderia te mostrar se não quisesse lhe dar de presente.
– Não se preocupe comigo, amiga. – Annabeth sorriu, voltando a encostar-se à poltrona – Aliás, onde é essa loja? Eu vi na internet que eles tem umas jóias incomparáveis lá.
Thalia se mexeu, desconfortável e ergueu os ombros em um modo de defesa.
– Nem percebi para onde estava indo, eu estava procurando um vestido para ir à um baile de caridade que Nico nos colocou e então, encontrei essa loja. – ela pigarreou – Pelo que me lembre fica perto da empresa.
– Você lembra-se de quem a atendeu? É alguém que você tenha intimidade?
Thalia sorriu, tentando parecer despreocupada.
– Por que tantas perguntas, Annie? – soltou um risinho – Eu sei que você deve ter algo muito importante para fazer já que a Melanie está desmarcando todas suas reuniões, então vamos adiantar logo isso, certo? – a morena inclinou-se sobre a mesa, procurando algum papel em especial e lhe entregou uma pasta escondia em meio à eles – Aqui estão todos os currículos para um substituto de Silena.
– Substituto? – Annabeth piscou, surpresa
– Não me diga que você não sabe que ela está grávida, Annabeth. – Thalia revirou os olhos, impaciente e empurrou, mais convicta a pasta para ela – Aí está os que nos foram entregados pela agência, eles queriam alguém de perto sobre designer, essas coisas. – a morena revirou as mãos no ar de modo indiferente e voltou à prestar atenção no computador – Então, deixo o resto da semana para você ir nessa agência, entrevistar essas pessoas aí e voltar com alguém não tão bom quanto Silena.
Annabeth assentiu, controlando-se para não revirar os olhos de desgosto. Thalia poderia ser sua amiga, mas ainda sim era sua chefa e ela tinha plenos poderes para tirar ou colocar qualquer pessoa que achasse.
A loira deixou a pasta embaixo do braço, seguindo para fora da sala. A notícia desanimadora de Thalia sobre deixar seu trabalho de lado e agora ter que entrevistar amadores era tão frustrante quanto saber que estava nas cegas no próprio caso de descobrir o que o marido fora fazer na Dolce & Gabanna. Então, visitar Thalia naquela sala que lhe intimidava, pelo menos, havia servido de alguma coisa.
O táxi parou em frente ao Starbucks. A pasta preta fora enfiada na sua bolsa, os cabelos loiros estavam soltos e o sol não estava tão forte quanto esperava que estivesse, mas aquecia seu rosto e suas mãos descobertas.
Percy estava sentado, com a cabeça ligeiramente inclinada para o lado, as mãos apoiadas no balcão enquanto observava o telejornal que passava na tevê de tela plana à sua frente. Annabeth sentou-se ao seu lado e pediu seu café preferido, cruzando as pernas e tirando a bolsa, depositando-a sobre seu colo.
– Você demorou uns vinte minutos, eu acho. – Percy resmungou sem tirar os olhos da televisão, bebericando de seu café, empurrou uma caixinha marrom – Os cupcakes do Starbucks não são seus preferidos, então pensei em passar naquela loja da esquina que você adora. Pelo menos, você poderia começar essa excursão louca de procurar pela D&G com alguma alegria.
– Excursão louca. – sussurrou
– Assim, — Percy virou-se para ela, rodando o banco de base prateado com estofado verde – o que você pretende encontrar se conseguir o que quer? Quero dizer, o que você acha que ele foi fazer na D&G?
Annabeth deu de ombros, lambendo a pontinha de chantilly do cupcake, sorrindo ao ver que seu café estava pronto à sua frente. Bebericou antes que pensasse em uma resposta descente para dar.
– Não sei. Só quero saber o que ele foi fazer em uma loja de jóias. Talvez... – ela pigarreou, sendo difícil de processar a ideia – Talvez, ele tenha virado gay e seja difícil de admitir. – encolheu os ombros
Percy deixou escapar um sorriso cansado dos lábios, examinando o crossaint pela metade que pedira e agora estava ali, daquele jeito, largado enquanto ele pensava se deveria lhe contar tudo que sabia, ou continuar bebendo, ouvindo-a falar o que achava sobre o caso.
– Certeza? Luke não faz o tipo de gay.
– Eu achei que você não gostasse dele.
– E eu não gosto. Mas, aposto que se ele fosse gay, naquele dia em que estávamos na minha casa, e ele quase nos pegou, provavelmente teria tentado uma cantada barata.
– É, quem sabe.
– Você... Hm, não pensa em algo a mais do que ele ser gay? Quero dizer, por que ele compraria uma jóia pro parceiro dele?
Annabeth fez uma careta, terminando o primeiro cupcake e pensando se poderia comer o segundo.
– Eu não tenho mais nenhuma outra ideia. Mas, acho que tenho ideia como uma pericia deve prosseguir e acho que sei o básico disso tudo.
Percy balançou a cabeça, negando e suspirou.
– Por que? Você tem outra ideia?
– Talvez você não concorde comigo e eu não vou tentar dar voltas, mas eu simplesmente acho que ele tem outro. Assim, como você tem. – disse
– Outra?
Annabeth sentiu todo seu rosto corar ao pensar nisso. Era... errado. Sentia que ela era errada, ela fazia coisas totalmente erradas para os pensamentos da sociedade, ela começara essa confusão toda com Percy no momento que aceitou entrar naquele restaurante deserto por vontade própria, sem nenhum tipo de resistência. Luke nunca faria nada do tipo. Ele... Simplesmente era carinhoso demais para fazer algo do tipo.
– Você está pensando, então devo tirar a conclusão de que você tenha descartado a ideia.
– Você vai me ajudar, não é? – Annabeth resmungou e empurrou a caixinha de cupcakes sobre o balcão
– Não quer mais?
Ela negou com a cabeça, enquanto ele dava de ombros e tirava a carteira. Pela primeira vez, não se importou quando ele jogou o dinheiro amassado sobre o balcão e segurou seus ombros contra seu peito, ninando-a. Entraram em seu carro, Annabeth desabou sobre o banco e respirou fundo muitas vezes até que seus pensamentos entrassem em ordem mais uma vez.
– Tem certeza que quer fazer isso? Se ele for gay ou estiver te traindo... Quer ter certeza de uma dessas coisas?
Annabeth negou, mexendo as mãos nervosamente no colo, reparando em como suas cutículas estavam horríveis. Auto-menosprezar a si mesma era mais fácil que encarar os olhos verdes intensos que vinha evitando pelo que parecia uma eternidade. Forçou a erguer os olhos e voltar à resposta que havia dado. Assentindo.
– Eu falei com Thalia hoje mais cedo. – ela enterrou as mãos dentro da bolsa procurando pelo celular e quando o encontrou, acessou o GPS. – Certo. Ela fez alguma compra na D&G nesses dias e ela disse que ficava perto da empresa.
– Você deve saber quantas D&G existem em Nova York?
Annabeth assentiu, entendendo sua preocupação.
– Eu só tenho uma manhã pra descobrir, exatamente, qual D&G Luke comprou essa coisa. E eu tenho que chegar antes do almoço, então por favor, não pense essas coisas negativas que pode destruir com o que eu estou planejando.
– Sou apenas um boneco, Srta. Chase.
Annabeth assentiu, concordando e digitando no GPS até sorrir para Percy, balançando o celular em sua frente.
– Madison Avenue. – cantarolou
Percy rolou os olhos, seguindo as indicações que a voz monótona ecoava de seu telefone. Sabia que algo errado ia acontecer. Estava prevendo, mas ao ver o sorriso infantil que ela estampou no rosto ao ver que estava indo pelo caminho certo... Talvez, enfrentar a fúria dela depois, não seria nada demais.
It's like I've been awakened, every rule I had you breaking, it's the risk that I'm taking, I ain't never gonna shut you out
Notas finais
Voltando, adoro desabafar com vcs, então por isso to falando demais, hoje. Eu to pensando em postar uma das minhas fanfics, mas ela tá sem capa ainda ): E se eu fosse postar eu ia demorar MUITO pra postar o resto dos capitulos, mas assim que minha capa ficar pronta vai ser otimo pq tipo eu demoro pra postar, mas vcs já tem uma ideia de como vai ser minha nova short fic que REALMENTE vai ser short fic
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