Chasing The Sun
44 Epílogo - Vinte Anos.
Notas iniciais
E sim, depois de mil e um anos enrolando, eu tomei vergonha na cara e fiz o epílogo. Se não quiserem ler, ok, não asseguro nada porque fiz esse capitulo vendo tapas e beijos e saramandaia, então... vcs sabem né, vejam ai.
O duplex era bastante espaçoso. Com dois sofás beges fazendo um L comportado, uma TV enorme na parede branca, mais ao lado, uma mesa de vidro com cadeiras cor de marfim em detalhes de tabaco estava posta para o jantar. Eram seis cadeiras, mas apenas quatro eram usadas, às vezes mais três eram adicionadas por causa das visitas frequentes que recebiam. Neste momento, a empregada terminava de fazer a salada mista que sua patroa havia pedido junto com macarrão, peixe, macarrão com almondegas e claro, um yaksoba com muito molho shoyu. Era o único prato que não poderia faltar nos dias de sexta.
As escadas que levavam ao segundo andar tinha um corrimão de vidro, degraus estofados em cor de marfim, basicamente o duplex se resumia a isso: marfim, branco e bege. Projeto da própria dona. A empregada, Mary, ouviu gritos e suspirou. Ela estava odiando esse tempo que seus patrões haviam tendo. Brigavam quase todo dia por qualquer besteira, os filhos passavam mais tempo com os tios de criação do que com os pais. Mary pegou uma das jaquetas cheias de spikes que a garota de dezoito anos havia deixado jogada em cima do sofá antes de ir embora novamente, dessa vez com blusas mais folgadas e soltas. Talvez, sairia com sua tia, Elizabeth. Tênis e mais uma blusa quadriculada estava sendo recolhida, os gritos e as brigas soando extremamente apavorantes para ela.
A mulher era nova, mais nova que os patrões, deveria ter trinta anos, embora tivesse uma mentalidade de senhora mesmo. Levou as roupas para a máquina de lavar, ajeitou a mesa de jantar e viu a loira descendo apenas de calça de moletom e um casaco folgado demais para ser dela.
– Mary? Ainda está aqui?
– Sim, senhora. Eu deixei o jantar pronto, então...
– Ah, sim, pode ir. – deu um sorriso sofrido, fazendo um coque nos fios loiros, os olhos estavam vermelhos e meio inchados
– A senhora precisa de mais alguma coisa?
– Nada, Mary. Pode ir para casa.
– Licença, senhora. – retirou-se do duplex com um sorriso confortável para a patroa
A loira fungou, apoiando-se nas costas do sofá, tentando se controlar. Odiava parecer vulnerável demais para qualquer pessoa, até mesmo para seu marido.
– Annie! Annabeth, droga.
– Perseu, sai daqui!
– Por que você está assim de novo? – ele segurou seus braços, virando-a para si – É TPM? É isso? Isso não está dando certo entre a gente.
– Sério? Você percebeu isso agora, querido? – cuspiu e soltou-se de seus braços
– Eu não fiz nada!
– Você esqueceu-se de levar o Joey pro treino de futebol na segunda. A Kaya tinha uma entrevista importante pra Harvard e eu tive que sair correndo do Olimpo, quase morrendo para levar aquela garota para Manhattan!
– Eu já disse que temos que dar um carro pra ela, e eu estava ocupado! Você sabia que eu tinha reunião às dez, e depois uma audiência.
– Ah, eu sabia? Eu sabia, Perseu? Talvez você devesse deixar sua agenda tão ocupada para seus filhos em post-its na geladeira. – disse irônica
– Ok, me desculpa, isso não vai acontecer de novo.
– Eu já ouvi isso onze vezes nesse mês.
– Eu prometo que eu não vou fazer isso de novo, ok, Chase?
– Não, Perseu! Não! Eu não sei o que está acontecendo com você, cara.
O moreno se aproximou, mas a loira o empurrou pelo peito, revirando os olhos. De costas para o sofá, com as mãos apertando o tecido que o envolvia. Olhou para cima uma, duas vezes para que as malditas lágrimas não saíssem.
– Eu não sei o que está acontecendo com você. – cifrou, chegando perto dela, encostando, finalmente, suas testas algo que queria fazer desde que começaram a gritar
Os dois ficaram calados por um tempo, apenas a respiração de ambos tomava conta do lugar. O duplex era um silêncio. Eram eles.
O quarto do casal era um misto de cinza, marfim e azul. Era lindo. A cama sempre estava bagunçada, embora a loira não gostasse muito disso. No começo, eles sempre se jogavam na cama, erguiam os braços e ficavam rindo de besteiras. Às vezes, passavam horas e horas, deitados, respirando lentamente... Claro, fazendo outras coisas bem mais interessantes. No entanto, de uns tempos para cá, eles nunca tinham tempo suficiente para ficar de bobeira, deitados, apenas olhando para o teto e rindo das idiotices que ele contava quando era criança.
– Isso não está dando certo, Percy. – os dedos de Annabeth fecharam desajeitadamente os botões de sua camisa social azul claro – Nós não estamos dando certo.
– Annie... Annie, olha pra mim. – pediu, segurando as bochechas coradas e a forçando a encará-lo – Nós damos certos. Nascemos um para o outro, lembra?
– Não. Quero dizer, lembro. Mas, talvez não seja verdade. Talvez estejamos forçando algo que não deveria nem existir.
– Annie, eu te amo. Eu te amo, meu amor. Você é tudo para mim, sabe disso? Temos dois filhos lindos... – sua voz falhou quando viu mais lágrimas descerem pelos olhos cinzentos, nunca sabia o que fazer quando ela chorava – Annie, Annie, eu estou tão orgulhoso deles. De você. Olhe, que lindo esse duplex que você fez. Lembra quando o compramos, lembra que...
– Eu lembro de tudo, Percy. Só... Precisamos de um tempo. Tudo aquilo que sentíamos...
– Você não sente nada por mim, é isso? Tem outro na jogada? Ou... Só porque, você sabe, não temos tempo para, hm, sexo?
Annabeth riu, nervosa.
– É isso. Você se apaixonou por causa do meu sexo, não se preocupe, vamos ter férias de novo e...
– Chega, Perseu. – ela segurou suas mãos, encarando a imensidão verde que lhe fazia se apaixonar todo dia quando acordava, encarando o corpo despido e o rosto corado – Eu te amo, nunca vai ter outro na jogada, mas... Eu não consigo mais viver com essas brigas todos os dias. – as lágrimas pareciam uma chuva em suas bochechas — Embora eu o ame, e muito. Meus filhos são minhas prioridades. Eles são tudo para mim.
– Annabeth, droga, eu te amo. Mais que a mim mesmo. Você não pode me deixar.
– Vamos... Vamos ver o que dá.
Antes que esperasse, os lábios possessivos colidiram contra os seus, o corpo pequeno tombando contra o sofá de veludo, instantaneamente, os dedos se perderam nos fios negros. Sem querer, já se via sentada nas costas do sofá, as mãos possessivas em seu rosto, o pulmão ardendo sem o oxigênio circulando em seu corpo.
– Eu te amo. Eu posso parecer um louco psicótico, mas... Eu não sei viver sem você, Annie.
– Pornografia essa hora da tarde, por favor, não. – a voz de anjo de Lizzie Kunis invadiu o lugar
Kaya Elizabeth Chase Jackson e Joseph Nicolas Chase Jackson entravam rindo atrás da tia, o vestido longo até os pés parecia flutuar ao seu redor enquanto a bolsa marrom pendia na curva de seu cotovelo e a jaqueta jeans cheia de spikes cobriam seus ombros.
– Crianças, vocês precisam comer. Provavelmente a comida já esfriou enquanto seus pais sem cérebro davam uma aula grátis de sexo. Blah, isso não é um exemplo. – a mulher falava, no mesmo momento em que o coque, talvez preso com bastante força, caía
– Tia, que nojo. – Kaya disse
Ela usava shorts, tênis e uma blusa cor de marfim, seus cabelos castanhos presos em um coque alto enquanto os olhos azulados estavam meio assustados e constrangidos.
– Lizzie, por favor. – a loira revirou os olhos, conseguindo pegar o garoto de dezesseis anos que se preparava para atacar o macarrão com almondegas – Que tal o peixe, Joey?
– Mãe, não, por favor. – depositou um beijo na bochecha da loira enquanto ia em direção da irmã e roubava o tomate que ela ia colocar na boca
– Esses garotos são tão saudáveis. – Lizzie disse com um sorriso no rosto
– Garoto, que tal um hambúrguer? – o moreno disse ao filho loiro rindo maroto enquanto devorava a salada
– Pai, você é o cara.
– Por que vocês não param de ser gordurosos por um segundo? Sabe, Joey, pai, vocês, um dia, vão ficar muito gordos.
– Linda, se eu não fiquei até hoje, eu nunca vou ficar gordo. Pergunta à sua mãe.
– Por que vocês nos deixaram lá? – uma voz grossa ecoava do corredor enquanto Liz ainda estava em pé na soleira da porta
– Porque vocês andam devagar demais, imbecil! – Joey gritou, sentando-se à mesa.
Dimitri e Katherine foram empurrados para dentro do duplex por Lizzie.
– Família feliz quase unida! Onde estão seus pais, crianças?
– Não somos crianças, Liz. – Dimitri resmungou enquanto foi obrigado a sentar-se no sofá
– Tá, tá, onde estão?
– Sei lá, eles disseram que iam dar um churrasco. Não sou obrigado a saber de tudo o que eles vão fazer.
– Respeito, garoto. – Percy disse com uma voz severa, bagunçando os cabelos da filha corada enquanto passava – Tudo bom, Dimi?
– Sim, obrigada, Sr. Jackson.
O moreno ergueu as sobrancelhas para o filho que deu um sorriso pequeno e apontou para a irmã. Katherine riu do movimento e mandou um beijo no ar para o loiro, ficando rapidamente corado.
– Só eu estou sentindo o amor no ar? – Lizzie gritou – Vem, Annie, eu vou te acompanhar no yaksoba. Crianças, venham se servir.
– Tia, o que você acha de ir comprar roupas conosco? Você sabe, tenho dois dias pro último baile de nossas vidas. – Katherine começou, puxando sua melhor amiga, Kaya, que comia seu prato cheio de salada
– Calma, eu estou confusa! – Annabeth disse, jogando os cabelos para trás – Vocês irão ter um baile?
– Eu disse a você, mãe!
– Desculpa, eu estava tão atolada que...
– Não importa, vocês vão, certo? – Kath perguntou com um sorriso enorme, os cachos loiros presos em uma trança que tinha mechas rosa e os olhos verdes brilhando esperançosos.
– Se não quiserem ir, também não será nada demais.
– Kaya, não fale a...
– É porque o Dimi ainda não a chamou para o baile. Na real, amiga, eu acho que ele vai chamar a vaca da Alison de novo.
– Dimitri! – Lizzie gritou
– Que é? – o grito de resposta foi quase no mesmo momento
– Como a...
– Tia! – Kaya segurou o braço da morena e virou-se para mãe – Dá pra controla-la?
– Olá, clube da fofoca! – Silena chegou com os braços abertos
– Olá, todo mundo! – Thalia disse com o filho agarrado em sua cintura – Você é um filho bastante ingrato, muleque. – resmungou
– Qual é, mãe, o que eu fiz dessa vez?
– Não chamou a Kaya para o baile!
– Elizabeth! – Annabeth gritou, beliscando seu braço
– Ai, qual é, esse muleque ingrato aí talvez esteja fazendo sua filha chorar a noite.
– Eu não estou chorando a noite. – Kaya disse meio confusa, com as bochecha escarlates
– Ahn... Bem, eu vou voltar pra lá... Porque, bem, é, tchau. – Dimitri enrolou, os olhos elétricos assustados e totalmente corados
– Blah, ele vai te chamar.
– Tia, você é muito chata.
– Awn, meu amor. – Lizzie puxou a garota pelo pescoço, dando beijos em sua testa
– Você deveria fazer isso com o Joey também. – Silena disse, pensativa
– Vocês deixaram meu filho constrangido! – Thalia resmungou
– E minha filha estava chorando por ele, qual é o pior? – Annabeth resmungou
– Eles são adolescentes, Annie, é normal!
– Vamos para Montauk! – Percy pulou na frente da esposa, dando um beijo intenso na frente de todos – Agora, neste momento, tipo precisamos disso.
– Percy, hm...
– Não, sem hm, sem depois, sem nada. Só relaxa, arruma suas malas e vamos.
– E as crianças?
– Mãe, pai... Acho melhor vocês resolverem isso longe daqui.
– Como assim? E me deixar fora de Montauk? Kaya, não deixe seus pais saírem daqui sem eu ter chegado.
– Você não vai ao nosso carro, guria.
– Ah, não? Vamos apostar.
– Hey, Charlie, vamos para Montauk? – Silena dizia na sala
E tudo pareceu um complô. Quando, até mesmo Annabeth de cara feia e resmungando impossíveis palavrões, era colocada a força dentro do carro.
Já dentro do carro, e seguindo a estrada quase deserta à noite. O carro era um imerso silêncio. Seus filhos decidiram se dividir no carro de Thalia onde estava Dimitri e Joey, enquanto no carro de Silena, Lizzie, Kaya e Kath se espremiam. Annabeth se sentiu renegada pelos próprios filhos enquanto seu marido seguia os carros à sua frente.
– Não podemos agir como se nada nunca tivesse acontecido. – a loira falou, encarando o perfil dele – Agimos sempre assim e isso tem que parar.
– Eu não quero falar sobre isso. – ele respondeu sem encará-la – Só... Vamos aproveitar o fim de semana com os nossos filhos, relaxando no mar... Vamos voltar no tempo, o que acha?
– Eu vou repetir o que acho. Nós não estamos dando certo. E você não quer admitir isso, Perseu! Sabe o que é chegar em casa à noite sozinha, fazer comida para os meus filhos, e esperar, sei lá, uma hora e meia até você chegar? Eu me sinto quando estava casada com o Luke. Infeliz, se é isso o que você quer saber o que eu acho.
Quase imediatamente, o carro parou. Parado no acostamento, à deriva. O mar já podia ser visto e ouvido, algumas pedras separavam a pista da areia, e seria uma boa caminhada até o mar. Os nós dos dedos do moreno estavam do mesmo jeito das espumas que tocavam o mar, brancos. Controlando a respiração, sem parar de olhar pra frente, tentou não sair do seu próprio controle.
– Está bem? – Annabeth tirou o cinto, inclinando-se sobre ele – Não podemos deixa-los ir na frente, você está com a chave. – avisou
– Então, era assim que você estava se sentindo? – sua voz era um sussurro quase inaudível
– Percy, não era isso que eu queria dizer...
– É? Sim ou não? – ainda sem olhar para ela, insistiu
O moreno sabia que se encontrasse com os cinzentos de seus olhos, choraria. Era um fato, não um “e se...”.
– Percy... Deixa eu levar o carro agora.
– Diz, Annabeth! – era um grito, uma obrigação
– É. É exatamente o jeito que eu me sentia quando você demorava horas e horas para chegar. Você não imagina quantas vezes eu chorei antes de você chegar ou quantas vezes eu imaginei que você estava me traindo.
– Você sabe que eu nunca te trairia. – sua voz voltou a ser baixa, mas seu olhar continuava fixo no nada
– Sei? – Annabeth chorava, novamente as lágrimas caindo leves sobre as bochechas, encarando o perfil vazio dele – Depois de você me dizer de sua vida super atolada na Europa? Realmente não sei, Percy.
– Então é isso? – virou-se, o rosto vermelho, os olhos – ou as esmeraldas brilhantes – cheios de lágrimas, que assim que avaliou os nublados de seus olhos, sem azuis para esperança – Você nunca confiou em mim! Nunca! Temos quase vinte anos juntos. Vinte! Não são vinte dias, nem vinte drogas de minutos, Annabeth! São vinte anos, convivendo juntos, olhando um para o outro...
– Deve ser por isso, não? Provavelmente minhas suspeitas começaram daí. Vinte anos com a mesma mulher? Não parece do seu feitio, Perseu.
– Você está me desafiando. – afirmou, dando um riso nervoso, os dois rostos banhados em lágrimas – Annabeth, você sabe, assim como você sabe que eu amo você, que eu nunca te trairia. Eu nunca teria a coragem de te trair. Se eu fizesse isso, tenha certeza, eu seria o primeiro a olhar no seu rosto, chorar como um bebê e admitir a merda que eu fiz!
A loira enfiou o rosto nas mãos, retirando as lágrimas com força da bochecha e jogando os cabelos para trás.
– Seria? Ou outra pessoa viria em seu lugar?
– Outra pessoa? Quem? – seus olhos se estreitaram, confusos
– Nada. Vamos logo. Não quero que meus filhos cheguem lá e tenham que ficar lá... À noite. – completou
– E quem é essa pessoa?
– Não é ninguém. – ajeitou-se no banco de passageiro, respirou fundo, tentando sem sucesso, parar as lágrimas.
Percy agarrou seu braço, com mais força que o necessário, encarou seus olhos com raiva e repetiu:
– Quem é essa pessoa?!
– Ninguém! Sou apenas eu e minhas dúvidas, mas talvez sua amiguinha Calypso tenha mandando algumas fotos suas e de Rachel. – resmungou
– É isso? Todas essas malditas brigas viram em torno disso?! – sua voz continuava gritante
– Não, Percy. Você deve saber muito bem que não me baseio em informações sem provas.
– Então, por que tudo isso, meu Deus? Por que, Annie? Não basta eu dizer todo dia que eu te amo, não basta tudo que eu faço por você?
– O que você faz por mim, huh?
Antes que tivesse tempo de pensar, os lábios dele estavam colados no seu, rápidos, desejosos, raivosos.
Esperando o tempo certo para roubar o beijo do dia, dançando novamente a dança tão conhecida, uma dança só deles. Como sempre, nada tinha importância agora. Estar à deriva para bandidos não parecia tão drástico quanto parecia. A única coisa que importava era a mão dele em sua nuca, puxando, acariciando, e a mão dela pousada no peito, desajeitada, trêmula.
Pareceu um tempo eterno até que ambos estivessem sem ar, com os pulmões ardendo em busca do oxigênio.
– Eu te amo, Annie. – murmurava ainda de olhos fechados, com o polegar acariciando sua bochecha corada
– Por favor, não faz mais isso. – a voz dela era chorosa, pidona – Por favor, não chega tarde pro jantar, nem... Nem sai com aquela vadia ruiva. E se puder evitar, evite falar com Calypso.
– As fotos não foram para você, foram? – ele ria enquanto acariciava sua nuca
– Não. – fez um beicinho emburrado, fechando os olhos para aproveitar a caricia na nuca, na bochecha, e a outra mão que descia sobre o decote – Eu entrei no seu email porque Kaya tinha mandado algo para lá, e eu fui ver. Tinha algo do tipo “olha, o que eu achei no meu computador, lembra? Espero que não se irrite” – imitou uma voz falsa fina e irritante
– Eram fotos velhas, porque não conectou as coisas?
– Ah, deixe-me ver. Atrasando-se para compromissos, chegando super atrasado para os jantares, coisa que você fazia questão de que estivesse todo mundo na mesa. Você mudou.
– Eu estava tentando fazer uma surpresa. – depositou um selinho em seus lábios
– Que surpresa?
– Aqui. Você vai achar que eu estou mentindo, mas... Eu achei essa mulher na Índia. – Percy se pôs entre os dois bancos, pegando uma mochila preta, remexeu em alguma coisa nos bolsos da frente, puxando um envelope médio.
– Toma.
Annabeth tremeu os dedos sobre o adesivo dourado que estava prendendo o envelope. Abriu-o, intercalando o olhar entre o mesmo e os olhos esverdeados que piscavam felizes, encorajando-a, embora suas bochechas ainda estivessem com algumas trilhas de lágrimas secas.
Seus dedos tocaram um papel macio, puxou o primeiro. Era uma foto daquelas clichês, o pôr de sol se fazia em uma linha tênue entre o mar azul escuro. Uma mulher tinha braços abertos, querendo abraçar o homem – ou quase uma sombra – com um sorriso grande, parecia uma gargalhada, o biquíni dela parecia torto, as costas arqueadas e o sorriso sincero, fazia parecer que aquele momento poderia ser eterno, clichê e feliz.
Era uma paralisação do que, provavelmente, foi um dos dias mais felizes de sua vida.
– Meu Deus. – ofegou, acariciando o papel, ergueu os olhos para ele, quase quicando no banco.
– É. Minha reação foi quase a mesma.
– É linda. Ai, meu Deus, Percy... Me desculpa, eu deveria estar louca. Ai... – jogou os braços em volta do pescoço dele, espalhando selinho por todo o rosto
– Veja as outras. – segurou o envelope branco atrás de seu pescoço, pegando mais uma foto
A próxima era o abraço. Um abraço torto, mal feito, nem parecia estar programado, entretanto parecia sincero, feliz e inesperado. O sol novamente se pondo, e conseguia ver as espumas do mar na areia. Era lindo.
– Eu amei essa. – Annabeth acariciou as costas flexionadas dele – Eu te amo. Eu te amo, me desculpa, eu estava pirando.
– Eu sei que você é louca. – brincou, colocando a franja dela atrás da orelha – Eu te amo. Muito. Nunca desconfie de mim, por favor. Isso é pior de quando eu fui obrigado a brincar de cavalinho com o Joey por um mês, todas as noites.
A loira riu, beijando seu marido, dessa vez, realmente quicando no banco enquanto encarava as novas fotos.
– Foi aquela fotógrafa? Aquela que a gente ameaçou?
– Aham. – ligou o carro, encarando a felicidade dela – Ela estava na Índia, fazendo umas fotos, ela ficou meio receosa em me dar, tive que fazer uma chamada de vídeo para ela se lembrar de mim, acredita?
– Sério? Não foi tão fácil?
– Não mesmo. Ela me cobrou, cinco mil dólares por todas as fotos.
– Sério? Que vadia! Você deveria ter processado ela por uso de imagem sem aprovação, sabe.
– Seria perda de tempo, amor.
Annabeth riu e apertou sua coxa.
– Eu estou muito feliz! Ai, meu Deus! Essas fotos são tão lindas. Eu até esqueci que eu estou com raiva de você.
– Se isso for bom, então que ótimo. – comemorou
– Acelere. – pediu – Acho que estou com pena dos meus filhos...
– Nossos filhos. Pare de ser possessa.
– Certo, desculpe. Nossos filhos lindos lá presos.
– Você paparica o Joey demais. – Percy reclamou
– Eu paparico? Olha, como você age com a Kaya. Só falta matar qualquer um que estiver no caminho dela.
– Ela é uma garotinha, Annie. E provavelmente, vai ganhar bolsa para Harvard.
– É. Estou muito orgulhosa dela.
Demorou alguns minutos discutindo sobre a vida de ambos os filhos até que chegassem a casa reformada de Montauk. Não esperava que estivesse repleta de carros ao redor, nem um luau formado em frente à casa. Espremeu os olhos e cutucou Percy no ombro.
– Invadiram sua casa, amor.
O moreno deu de ombros, estacionando o carro em frente à casa. Parecia ser uma vaga especialmente deixada para eles, conseguia ver o carro de Silena dois carros de distância e assim que saiu do carro, viu sua filha encostada em frente à casa com um copo vermelho, o braço de Dimitri ao lado do seu rosto e ambos sorriam.
– Mas que...
Percy pulou do carro, caminhando com passos fundos e raivosos, sendo acompanhado por uma Annabeth risonha e feliz carregando o envelope como se fosse seu novo filho.
– Que pouca vergonha é essa? – gritou, separando Dimitri de sua filha pelo ombro
– Pai... – Kaya revirou os olhos azuis segurando seu braço
– Ahn, Sr. Jackson, o senhor demorou para chegar.
– Sério, Dimitri? Sério? Eu fui abduzido por alienígenas, cara. – empurrou seu peito vendo o garoto encolher os ombros – O que você está fazendo daquele jeito com a Kaya?
– Não é o que o senhor está pensando...
– Pai. – Kaya encarou seus olhos e completou: — Vai logo.
Percy revirou os olhos, fazendo um gesto muito escroto e idiota com Dimitri, apontou para seus próprios olhos e depois para ele com os mesmos dedos, apontou para órgão reprodutor fazendo uma mimica de que iria arrancá-lo.
O garoto moreno assentiu, rapidamente, com medo enquanto Percy virava as costas, arrastando sua esposa que mandava piscadelas para a filha mais velha.
– Surpresa! – ouviu um grito conjunto assim que entrou na casa
Estava completamente mudada. Os sofás que estavam na sala estavam encostados no canto, a cozinha nem parecia existir se não fosse pelos armários. Lizzie era a única baixinha carregando um bolo pequeno com o número vinte parecia cair sobre um casal – uma mulher de cabelos encaracolados loiro e um homem ajoelhado aos seus pés — incrustados em cima do bolo branco com glacê azul enquanto os detalhes dourados dos casais eram cinzentos.
– O que é isso? – Annabeth perguntava girando em seu próprio eixo enquanto Percy sorria
Thalia e Silena estavam ao lado de Lizzie que pulava carregando o bolo enquanto atrás um bolo maior se erguia com os mesmos bonecos, no entanto com dois andares, atrás do mesmo Poseidon e Atena estavam parados.
As meninas abriram espaços para que o casal passasse e então, Poseidon sorriu. As ruguinhas ao redor dos olhos e da boca estavam maiores, os cabelos grisalhos cresceram consideravelmente, estavam mais velho, porém pareciam mais felizes. Atena não estava muito diferente, os cabelos dourados pareciam um loiro platinado cheio de vida, seu rosto estava feliz.
– Vinte anos. – Poseidon disse com um sorriso – Não é pra qualquer um.
– Eu apostava que ia acabar antes. – Atena resmungou
– Mãe!
– De onde veio essa foto? – Joey segurava um porta retrato desconhecido
Kaya pulou em suas costas, segurando o pescoço e arqueando as sobrancelhas.
– Eu nunca vi essa foto, mãe. – ergueu os olhos para ela
– Surpresa. – Percy cantarolou no ouvido dela – Vinte anos, Annie.
– Vinte anos. – repetiu
A festa passou rápido, não foram muitos convidados. Apenas o pessoal que tinha vindo de Nova York, Luke, seu namorado, alguns amigos dos adolescentes e só. À meia noite, todos desapareceram na areia, no mar, e alguns foram para os quartos de convidados enquanto o casal aniversariante estavam deitados nas almofadas, encarando o seu brilhante.
Percy acariciava as costas dela enquanto a cabeça dela estava depositada no peito dele, e o emaranhado loiro caindo sobre as almofadas cinza.
– Sabe... Eu te amo. – depositou o queixo na cabeça dela, sem deixar de passar os dedos sobre o tecido de seu vestido
– Eu sei. – depositou o corpo em cima do dele e beijou seu peito – Eu te amo. Obrigada pela festa, pela surpresa... Eu tinha esquecido que estávamos juntos por tanto tempo.
– Eu estava esquecido o quão insegura você é.
– Isso é um insulto?
O moreno ergueu-se sobre os cotovelos para ter uma visão melhor dos olhos cinzentos, uma réplica exata de um dia depois de uma tempestade horrível. Talvez fosse isso que estivesse acontecendo dentro dela.
– Eu te amo. – ajeitou os fios revoltos de seu cabelo com a ponta dos dedos, caindo sobre as almofadas e sorrindo
Ela não respondeu, e ele se sentiu bem. Repousando a cabeça sobre as almofadas e sentindo-a fazer o mesmo em seu peito, fechou os olhos.
O infinito não parecia uma imensidão tão distante, nem tão ilusiva. O amor não parecia uma fala clichê de um filme romântico em Hollywood. O pôr do sol não parecia algo tão fantástico. Parecia ser deles.
Feito para eles.
O Chasing The Sun* não parecia – e não era – algo tão metafórico.
Talvez, fosse tão literal quanto tocar na areia abaixo deles.
Estava dentro deles, flutuando como uma aura sobre eles.
Naquele momento, embaixo do sol estrelado e brilhante, de olhos fechados e respirações regulares. Ambos perceberam algo, depois de vinte anos.
O amor – de Percy e Annabeth – não nasceu para ser entendido. Podia até ser comparado com o jeito que ambos não entendiam, não conseguiam explicar o que sentiam ao ver aquelas fotos.
Um belo e sincero retrato do amor deles.
O amor nasceu para ser sentido, não entendido.
Oh oh oh oh oh...
Notas finais
Mas, ok, gente, eu disse que ia revisar esse cap pra mim mesma um milhão de vezes, mas eu não revisei porque eu tava preparando uma oneshort que pretendo postar ainda hoje, morrendo de fome e dor de cabeça, mas foda-se, eu irei postar!
Sinto muito se os desapontei, não era isso que eu esperava, mas eu OFICIALMENTE acabei Chasing The Sun, depois de muita enrolação.
Já superei os dias em que eu pensava que nunca escreveria uma fanfic tão boa quanto CTS - e nunca vou escrever. E todo meu estoque de hentai se foi porque eu não consigo escrever nenhum cap assim, vou chorar.
Mas, enfim, eu estou de férias, então... SIM, SIM, SIM, estou lindamente aberta para fazer qualquer coisa que vocês queiram! Apareçam na minha ask [whatsmylena], peçam meu facebook pelo mp, me enjoeem no twitter [livestromwick], sei lá, façam o que quiser. Eu estou fazendo um monte de vídeo de tutoriais, e então se quiserem vídeo, podem pedir também, me digam se quer que eu dance loucamente porque até isso eu tô fazendo.
Mas, enfim, to aproveitando minhas férias lindas de boa na lagoa, rasgando meus shorts e sendo diva.
Isso ai, amo todos vocês, e finalmente, eu me despeço.
Não chorando porque eu tô bastante feliz do lindo clichê ´´trabalho cumprido´´, só espero que todos tenham gostado tanto de CTS quanto eu.
Obrigada, mil e um obrigadas para todos vocês que me acompanharam do início, da metade, do final, que leu a fanfic até de madrugada só porque estava viciado, que brigou com a mãe pra ler... Enfim, obrigada!
Amo vocês mais que amo meus livros e cds, podem apostar!
Termina aqui, então.
Tchau, galera.
Tchau, Chasing The Sun.
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