Chasing The Sun
39 Drops Of Jupiter.
Notas iniciais
Drops Of Jupiter
Os papéis estavam bagunçados sobre o sofá de couro, um prato de salada mista estava posto enquanto ela enchia o terceiro copo de suco de uva. A sala estava uma bagunça, uma bagunça que nunca pensou que deixaria, de qualquer maneira, colocou seus argumentos em seu laptop e o desligou, guardando-o juntos com os papéis que os detetives lhe entregaram. Deu mais uma garfada na salada, e a deixou de lado novamente, pegando os quatro últimos papéis brilhosos, pareciam até oleosos, mas eram um daqueles papéis reciclados ou qualquer coisa do tipo.
Annabeth avaliou a primeira. As letras eram dourados e era como um raio erguendo-se de baixo para cima sobre o nome Olimpo e apostava que aquilo era coisa de Silena, o segundo era muito parecida, porém prateado, já o terceiro e o quarto eram totalmente diferentes. Um preto brilhoso destacava as letras do papel branco e em vez do raio se erguendo, um tipo de fita saía da letra O até se enlaçar de modo estranho e engraçado no P, no quarto era a mesma coisa, no entanto um azul meio prateado, Annabeth deu de ombros, se perguntando por que ficara com esse papel horrível de escolher entre essas quatro obras de artes, nunca ia se perdoar se não escolhesse o de Silena, entretanto o de Thomas era de tirar o ar.
Ouviu três clicks na porta de entrada e ergueu os olhos, observando Percy entrar com uma regata branca desfiada e uma calça de moletom, como se já fosse dormir. Ele olhou a salada, o suco e os papéis em sua mão, seu rosto se contorceu, mas ele tratou de esconder antes que ela visse... Embora ela já tenha visto.
– Não é querendo dizer nada, mas... É meio estranho você entrar, mesmo que saiba onde fica a chave reserva.
– Se eu pedisse educadamente para entrar, você provavelmente iria me ignorar como tem feito nos três meses, então... Já que é um assunto muito importante, decidi invadir.
A loira assentiu, confusa, deixando os papéis no sofá e pegando seu prato com sua salada, inclinando-se para pegar o azeite que estava no chão, enchendo-o no seu prato, então começando a comer as folhas verdes.
– Vem pra cá. – Annabeth se encostou as costas no braço do sofá, comendo a salada enquanto Percy encostava-se ao outro, estirando as pernas no espaço vazio entre os dois
– Eu... Hm, queria pedir desculpas pelo drama que eu, hm, dei no meio da rua.
Annabeth sorriu e misturou a cebola com o alface, sorrindo.
– Sem problemas. Eu... Devo ter feito algo parecido também.
– É. – ele deu de ombros, olhando para as próprias mãos
– Sobre... Nossa recém-amizade. Acho que não estamos começando ela com o pé direito e...
– Não é nossa amizade. Ou recém, ou qualquer coisa que você queira esconder. – disse com a voz grave, sem olhar nos seus olhos – É que mesmo que eu queira estar com você de outro modo... Você não quer e eu aceito isso, mas o fato de... Você não querer ser protegida, é... Horrível para mim. Devo imaginar como você está se sentindo com essa coisa de divórcio.
– Não, você não sabe. – ela suspirou, depositando o prato frio em seu colo – Você não sabe o que estar acostumada a acordar e fazer seu próprio café e agora... Ter que depender do Starbucks, ou comer no Olimpo, você não sabe por que se você quiser, você pode ter quem você quiser e fazer com que ela faça sua comida.
– Eu posso fazer isso. Claro que posso, mas eu não quero. Porque, mesmo que seja um pensamento machista, eu quero que você faça minha comida. Eu quero que... Você esqueça esse passado e siga em frente.
– Mas não é tão fácil.
– Porque você corre desse passado inútil. – Percy olhou em seus olhos, com o rosto contorcido e Annabeth percebeu que seus olhos brilhavam de novo, do mesmo modo que estavam brilhando diante do sol, mas agora estavam mais pertos, mais... Vívidos – Você não encara Thalia. Você corre de Luke quando ele está no corredor. Você vem me evitando por três meses pra dizer que não quer transar comigo porque se lembra daquele... Estúpido. – cuspiu as palavras e puxou as pernas, cruzando-as uma por cima da outra
– É mais difícil do que você pensa. – suspirou, lentamente
Percy se arrastou até que estivesse em frente à ela, encarando os olhos nublados, cabisbaixos, sentindo a frieza que seu corpo transmitia e recuou em abraçá-la.
– É disso que eu quero te proteger, de se sentir... Sozinha, mas...
–Não foi isso que tentou no restaurante.
– Foi isso, sim, que eu tentei.
– Percy, conversar com Thalia — fez uma careta – não vai ser um “conversar” – frisou – e você sabe muito bem que eu não vou conseguir olhar pra cara dela e ficar... Normal, sem gritar, arrancar os cabelos dela e...
– Eu sei disso tudo e se quiser fazer isso, você tem o direito, eu vou te proteger, eu já disse isso. Você pode não me querer do jeito que eu te quero e, de novo, eu aceito e respeito, mas depois de tudo isso que nós vivemos... Do que eu estou sentindo, você não tem o direito de não me deixar seu melhor amigo, de não me deixar proteger. Somos adultos e mesmo assim, você parece uma adolescente que precisa da ajuda. E eu estou disposto a dar qualquer tipo de ajuda que você esteja precisando.
– E o que você está sentindo por mim? – Annabeth perguntou
Seus rostos estavam muito próximos um do outro. Os cabelos dela faziam cócegas em sua bochecha, o cinza se misturava na imensidão do verde e seus narizes roçaram, fazendo com que ela recuasse, fazendo com que Percy se apoiasse nos joelhos e voltasse a posição inicial, vendo o quanto ela hesitava para que voltassem ao que faziam antes.
– Não sei. – deu de ombros, avaliando as unhas bem cuidadas – Liz disse que é algo que... Eu não sinto há muito tempo.
– Então, Lizzie é psicóloga.
Percy riu, voltando a fitar seus olhos.
– De acordo com a Universidade de Nova York, sim. Ela se formou há uns três anos. Além de ter se formado em moda, claro. – deu de ombros
– Então, ela é mais velha do que aparenta ser.
– Bom... Quando se tem dinheiro, um pai poderoso, professores ao seu dispor, é fácil se formar em menos de três anos.
Annabeth assentiu, concordando.
– E o que você sente por mim? – repetiu a pergunta
– Não sei. – enfiou os dedos nos fios negros, puxando-os com raiva para trás – Sei que não é só amizade, essa que você está tentando impor.
– Para o bem de nós dois.
– Que bem? Eu não consigo identificá-lo ou entendê-lo.
– Percy, me entenda. – ela segurou as mãos levemente calejadas nas suas, sentindo aquele formigamento tão conhecido se espalhar pelo seu corpo – Isso não é certo. É como se... Sempre que você fala comigo, nos tocamos, é como quando eu vivia me escondendo para sair com você, me divertir com você.
– Mas agora você não precisa mais fugir! Essa é a coisa boa. Ninguém manda em você, pode ficar com quem quiser.
– E é por isso que eu quero dar uma chance para mim. – murmurou, segurando os dedos contra os seus e pressionando acima de seus seios – Dar uma chance para isso que eu estou sentindo. Quero me divertir com alguém da minha idade, ir para baladas e... Eu queria que você participasse dessa minha nova fase. Mas, não do jeito que você quer, do jeito que, de modo egoísta, eu quero.
– Amigos? – Percy mastigou aquela palavra em sua cabeça, voltando a olhar os olhos carinhosos
– Se você quiser. – deu de ombros – Espero que sejamos a partir de agora, melhores amigos.
– Mas eu não posso te proteger?
– Bem, me proteger do jeito que amigos protetores fazem, não ficar querendo colocar minha paquera pra fugir.
– Paquera? – Percy fez uma careta, sentindo que aquilo não era nenhuma brincadeira e uma coisa estranha cresceu no seu estômago, algo como querer vomitar em cima daquela salada brilhante devido ao azeite
– E se você quiser seu amigo, você vai ter que aceitar isso e separar as coisas.
– Temos chances?
Annabeth soltou as mãos deles e pulou em cima do corpo bronzeado que precisava muito de um abraço, fazendo com que ele caísse no sofá com ela por cima. Percy afundou o nariz nos cabelos loiros que afundavam seu rosto, o cheiro de morango era notável e saboroso, uma nostalgia passeava por todo seu corpo quando suas mãos podiam passear por onde quisessem. Suspirou, Annabeth sentiu o hálito quente entrar em contato com seu pescoço e as mãos febris firmes em sua cintura, sugou o perfume masculino misturado ao cheiro próprio de maresia e acariciou os fios em sua nuca, sentindo-o estremecer em baixo de si.
– Talvez, tenhamos todas. – Annabeth murmurou, apegando-se com mais força ao corpo musculoso preso ao dela
– Oi? – perguntou, confuso
Annabeth riu com o tom de voz melodioso, voltando a acariciar sua nuca com o polegar e o indicador.
– Nada.
Um telefone começou a tocar histericamente e Percy tateou o chão até encontrá-lo vibrando, soprou os fios dourados que cobriam sua visão até ver o nome Tom estampado.
– Estraga-prazer. – cantarolou, pronto para deslizar o dedo e atendê-lo
– Quem é? – virou o rosto para ver o nome estranho e então, sentar-se na barriga de Percy que ofegou, ao sentir o peso pressionado em seus pulmões, se manteve no mesmo lugar, respirando lentamente com o rosto contorcido – Oi.
O moreno abriu a boca, perplexo. Ela estava usando a voz sensual. Percebeu depois do oi, depois que disse que estava tudo bem, e agora ela estava puxando assunto dizendo o quanto era talentoso, no entanto...
Percy gemeu alto, um gemido de dois sentidos e depois apontou para sua barriga. Annabeth rolou os olhos e apontou para o telefone, embora ela quisesse evitar que ele ouvisse algo, o moreno ouviu claramente o que veio a seguir.
– Estou atrapalhando algo?
– Não. – vociferou – Nada. Nada. – repetiu, nervosa – Então, amanhã, eu vou tomar café no Starbucks, se quiser, eu posso te mostrar como pode unir as duas logomarcas.
– Você sabe que eu também tomo café da manhã no Starbucks? – murmurou, sorrindo galanteador
Annabeth bateu em seu peito, vendo-o se contorcer.
– Bem, Tom, então, nos vemos... Amanhã?
– Amanhã seria ótimo. Boa noite, Annie.
– Annie? Annie? – Percy repetiu o apelido com os olhos arregalados
– Tchau, tchau. – ela desligou o telefone e voltou a se deitar por cima de Percy, apoiando os cotovelos em seus ombros para poder avaliar seus olhos – Tom, Tom, Tom. – cantarolou – E por que você gemeu?
Percy fez um beicinho e brincou com os fios que faziam cócegas em seu peito.
– Não sei se você sabe, senhorita, mas você pesa muito, ok? E eu gemo a hora que eu quiser porque você não manda na minha boca, a não ser que você...
– Não. Percy. – rolou os olhos e beijou com um estalo a ponta de seu nariz – Agora, pode ir pra casa.
– Deixa eu dormir com você. – fez outro beicinho – Por favor. Juro que não vou tirar sua roupa, nem fazer movimentos pélvicos, nem tirar minha camisa, nem nada. Juro, juro. – implorou
– Você não tem casa?
– Não. – negou, ainda com o beicinho
– Jura que não vai fazer nada?
– Nadinha.
– Não vai quebrar minha confiança, hein.
Percy se levantou em um pulo, espreguiçando-se e subindo as escadas, vendo Annabeth olhá-lo aturdida e começar a arrumar a sala antes de subir.
A loira tirou o short enquanto subia as escadas, e caminhou com passos curtos e rápidos até o closet, sabendo que embora ele estivesse com os olhos fechados, encolhido embaixo do edredom, ele a observava atentamente. Colocou um moletom folgado, puxando lentamente o pano fofo e pesado, cobrindo até a altura do busto, observando o rosto másculo e bronzeado, recusando-se a tocar no queixo esculpido, ou nas bochechas coradas, até mesmo no nariz levemente arrebitado ou nos fios negros que caíam preguiçosamente na testa. Recusou-se a fazer qualquer coisa que mostrasse fraqueza diante das palavras que cuspira para fora. As palavras falsas que o obrigara a acreditar e na desculpa esfarrapada em pensar em Luke quando estava com ele.
Percy era tão lento quanto parecia ser. Annabeth fechou os olhos e se mexeu fazendo com que a mão tocasse a barriga dele e fechou os olhos. Quando estava com ele, era apenas ele. Apenas Percy e os olhos verdes piscando inocentes para ela. Entretanto, ele não percebia isso. E... Os sentimentos que ele afirmara ter só faziam com que aquela chama duvidosa começasse a crepitar com mais fervor.
Annabeth negou que qualquer coisa tivesse nascido ali. Precisa de uma nova fase, de uma nova vida e precisava aproveitar tudo isso até ter sua decisão de que era ele. Sempre tinha sido ele. Pressionou os olhos com força e se forçou a esquecer que o próprio emanava um calor desejoso para ela, obrigou-se a esquecer tudo e dormir.
Pela primeira vez, dormir sem ter feito nada, sem ter insinuado nada, sem precisar ter as horas contadas para acordar. Apenas dormir e sonhar que eles poderiam ficar assim por toda eternidade.
Reminds me that there's room to grow, now that she's back in the atmosphere, I'm afraid that she might think of me as plain old jane told a story about a man...
Notas finais
Seria muito legal se vocês me animassem e me mandassem mais reviews, recomendações, eu sei que isso é muito chato, mas eu fui ver na minha conta e CARA SÃO MUITO LEITORES!! E quase nenhum deles falam, de novo... Só vou postar se eu atingir uma certa meta que vocês não vão saber, então depois desse drama desnecessário, espero que vocês deixem reviews. Grata.
E... Se eu atingir essa meta tem MARATONA CTS!! E juro que dessa vez eu vou cumprir. Só se eu atingir a meta, então deixem reviews para que isso aconteça, flw?
Beijos, galera linda.
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