Chasing The Sun
43 Chasing The Sun.
Notas iniciais
E leiam as notas finais, claro, como sempre.
E dezesseis lindas páginas pra vocês morrerem comigo.
Chasing The Sun.
We’ve only just begun, hypnotised by drums, until forever comes, you’ll find us chasing the sun, they said this day wouldn’t come, we refused to run, we’ve only just begun…
O carro tinha uma aparência de velho, mas fora recentemente comprado. Na verdade, estava mais parecido com um conversível dos anos 80, quem sabe, ela gostava daquilo, e ele não abriria mão de um sorriso grande naqueles lábios avermelhados.
O sol da Flórida se punha para seu último dia naquela cidade brilhante. O céu era um misto de laranja, rosa e se admirava com as estrelas que já davam sinais de vida.
Eram inconfundíveis e extremamente maravilhosas.
Acelerou o carro para conseguir pegar o semáforo antes que mudasse para o vermelho, bufou ao frear o carro e ligar o rádio alto o suficiente para se sentir perdido naquele bairro de estilo clássico, como sempre, sorriu. As casas eram grandes com um jardim bem trabalhado e colorido na frente, tinham colunas e pareciam ter feito por um arquiteto que vivia na época vitoriana, grega, ou quem sabe, ele não entendia muito bem disso.
Acelerou o carro mais uma vez nas ruas desertas da pequena cidade. Ninguém iria reclamar, ninguém iria ligar para polícia, ninguém ia dar aqueles chiliques que provavelmente dariam em Orlando, naquela cidade cheia de adolescentes querendo fazer coisas escondidas dos pais. Fez uma careta, realmente, odiava aquela cidade, muito cheia, muito barulho. Aumentou ainda mais o som acompanhando a letra de alguma música de Pittbul, embora ouvisse a voz de Shakira, bateu os dedos no ritmo no volante, inconformado por mais um sinal vermelho, segurou a jaqueta preta contra o peito e fechou os olhos por um breve espaço de tempo, deixando a música adentrar em suas veias. Ninguém reclamaria e ninguém repreenderia porque todos eles já estavam acostumados com aquilo, ninguém repreenderia porque, talvez, fossem adolescentes começando a vida.
Ninguém faria nada e, se fizesse, ele não se importaria.
Estava de férias sem tempo determinado.
Deu mais um sorriso ao ver o carro de Jason parado em frente à casa que estavam hospedados, Piper estava a sua frente, segurando a gola da camisa com os dedos, com a cabeça baixa e o rosto corado, Jason ria.
Talvez fosse mais um daqueles clichês que eles não cansavam de fazer.
– Cadê minha garota? — perguntou fazendo com que ambos erguessem os olhos, surpresos
– Ela estava terminando de se arrumar quando eu estava saindo.
O moreno assentiu, dando um soco no braço de Jason, que riu.
Foi o primeiro casal que eles encontraram quando vieram da California.
Eles estavam fugindo.
O que ele não aprovaria, claro.
Piper era filha de um ator muito poderoso que não permitia de maneira nenhuma que sua filha namorasse com um garoto que se achava o tal porque seu pai era um dos mais ricos do estado. Claro que a reputação dele não ajudava, boates, casas de stripper, cada mulher diferente a cada noite.
Ele também não se importasse com isso, talvez se estivesse pelas mesmas condições fizesse a mesma coisa.
Subiu as escadas em dois degraus, sem ter tempo de admirar o estilo vitoriano da casa, abrindo a porta entreaberta do casal.
Ela estava de costas, com os cachos dourados espalhados pelas costas nuas, apenas um top preto se destacava, falava no telefone e parecia estar animada, mexia os dedos no lençol de seda e se mexia na cama a todo tempo.
Uma revista com uma mulher ruiva de cabelos que aparentavam macios e todo bagunçado para frente, vestida apenas com um pedaços de pano cobrindo algumas partes do corpo e atrás do corpo bem feito, as letras prateadas se destacavam SEVENTEEN.
Engatinhou sobre a cama macia e rodeou a cintura dela com um braço ouvindo o riso baixo quando começou a espalhar beijos pelos cachos, tirando-os da pele bronzeada que exalava calor e cheiro de morango, embora sentisse o cheiro de maresia em qualquer lugar que fosse.
– Tudo bem. Vamos chegar à sexta, Si. — murmurou — Claro que eu juro!
Depositou mais um beijo na curva do pescoço e a sentiu se arrepiar em suas mãos. Ainda se sentia extasiado ao ver o poder que possuía sobre ela, depois de um ano.
Um ano.
Não que já tivesse feito porque ele nem se lembrara quando tinham decidido deixar a vida infernal para trás e curtir a vida que tanto pediram.
– Se você continuar assim, eu nem vou querer ir. — apertou os dedos na camisa que vestia, afastando-se para poder olhá-los nos olhos
– Se não quiser, não precisamos ir.
– Precisamos, sim. É nosso último dia na Flórida, no quero passar em uma cama. — comentou, beijando seu maxilar
Deu de ombros, conformado.
– Vamos terminar nela, de qualquer maneira.
A loira riu e puxou a jaqueta dele para si, fazendo-o cair por cima da mesma, apertou o braço na cintura dela e juntou seus lábios, subindo a saia curta demais que ela usava.
– Hm... – murmurou extasiada contra o beijo, empurrando-o para trás
– Não, vem cá. – ele tentou puxá-la de volta, mas com o batom borrado e um sorriso travesso, a loira riu, teclando algo rápido no telefone
– Veja a mensagem que eu recebi. – seu sorriso era grande enquanto entregava o Iphone para o moreno
– Oi, linda. Estou morrendo de saudades, talvez vamos nos ver no aniversário da filha de Silena, mas por enquanto, mandei uma foto do Mar Mediterrâneo pra você. – citou e fez uma cara de interrogação – O que esse filho da puta anda mandando pra você?
– Percy! Ele é gay. – revirou os olhos e se arrumou, chegando mais perto dele – Olha, esse é o Tyson, o namorado dele.
– Eu nunca vou me acostumar com isso. – fez uma careta e excluiu a mensagem – Eu só acho que ele ainda quer seu corpo nu na cama homossexual dele, mas ok.
– Idiota.
– Não, eu não quero mais saber, vai lá com o Luke... – pegou a revista e fingiu que ia esfregar na cara dela – Enquanto eu fico com essa ruiva aqui.
– Ah, é? Licença, Perseu, pode ir sozinho.
– Qual é, amor, eu estava brincando. Essa mulher pode ser lésbica. – disse com um sorriso nervoso.
Neste momento, Annabeth já estava em pé ao lado da cama sendo segurada pela mão dele em seu pulso, com uma expressão raivosa, furiosa, quase para mata-lo, tomou a revista das mãos deles e apontou para o nome enorme escrito ao lado RACHEL E. DARE.
– Você a conhece, Perseu.
– Ah... Olha, passou tanto tempo que eu nem lembrava dela, está vendo?
– Não quero saber.
– Vou rasgar, olha. E outra, foi você quem comprou a revista, não eu.
– Foi a Piper!
– Não importa. Olha pra onde essa baranga ridícula vai, oh... Lixo. – jogou a revista amassada como se fosse uma bola de basquete e deu um sorriso enorme quando acertou – Agora, vem. – fez um beicinho nos lábios rosados, rodeando os braços no quadril dela, beijando a barriga exposta, dando leves mordidas
Puxou-a para a cama, continuando a dobrar a saia com seus beijos retribuídos, espalhando beijos pelo pescoço enquanto insistia em bagunçar os cachos loiros.
– Percy. — sussurrou o nome dele em seu ouvido ao sentir os beijos descerem pelo seu busto — Vamos. – bateu em seu peito, tentando resistir aos carinhos
O moreno bufou e agarrou os quadris dela, colando seus corpos e inclinando-se para poder depositar um beijo na ponta de seu nariz.
– Certo, tô descendo. – resmungou – E sem mais trocas de mensagens. Nem revistas proibidas.
Só vou passar mais um pouco de batom. – murmurou, sem querer rindo, percebendo que ele ainda não tinha saído de cima dela
– Pra eu borrar de novo.
– Ah, claro. — sorriu e empurrou seu peito
Percy assentiu e deu mais um beijo nos lábios convidativos, brincou com a barra de sua blusa preta, sentindo os colares de metais toparem em seu pescoço enquanto ela arqueava as costas.
***
– Yeaaaaaaah. Oh.
Annabeth balançou os fios loiros erguendo a taça transparente com conteúdo rosa brilhante.
– Cause you sex takes me to paradise.– cantou, pulando sobre as botas com spikes de salto
– Cause you make me feel like I've been locked out of heaven... — deixou as músicas lhe sufocarem mais uma vez e tropeçou em alguém rindo quando se deparou com Piper lhe mostrando a língua e rindo logo em seguida.
– For too loooooooong. – arrastou a voz fina e terminou o resto do conteúdo em um gole.
Então, a música terminou e a banda desconhecida falou mais algumas vezes até a voz parar e outra pessoa se apresentar. A loira estreitou os olhos, segurando o braço de Piper com força, tentando se equilibrar em meio os corpos que andavam e tentavam passar para o bar.
Piper deve ter entendido que ela queria se sentar, empurrou algumas pessoas e segurou Annabeth desajeitadamente até onde Percy estava.
O mesmo arregalou os olhos, preocupado, deixando a garrafa de cerveja em cima do balcão de vidro que brilhava com águas coloridas.
– Ela está bem? — perguntou, segurando na sua cintura enquanto Annabeth sorria e jogava os braços em seu pescoço.
– Scream! — gritou ouvindo as batidas.da música — Dança comigo, meu amor. — pediu fazendo um beicinho e se inclinando para poder beijá-lo
– Relaxa, linda. — sussurrou, segurando os fios dela, colocando-os atrás da orelha — Vem beber um pouco de água.
– Mas a música vai acabar. — ela segurou as pontas de sua jaqueta, se irritando com o tamanho do salto que escolhera
– Eles vão colocar de novo.
– Percy. — arrastou a voz fazendo com que o "cy" se transformasse em algo parecido com "s" seguidos.
O moreno riu e a levantou do chão, segurando sua cintura, enquanto sentia sua respiração pesada no seu pescoço.
– Hey, Tom. — deixou Annabeth sentada no banco que antes ocupara, inclinando-se sobre ela, segurando a garrafa de cerveja e dando um gole favorável
– Essa é a famosa Annabeth?
A loira esboçou um sorriso, rezando para que estivesse apresentável. Já deveria saber que encontraria mais um amigo de seu namorado. O homem tinha cabelos castanhos, usava uma camiseta branca e jeans velhos. Annabeth dedilhou as correntes e tateou o coração incrustado de brilhantes e em seguida, desceu os dedos pelas correntes mais longas abaixo de seu busto.
– Ela mesma. Minha namorada.
A mesma apresentação de sempre, em todos os lugares e nunca se cansava de ouvir aquilo. Nunca.
Percy seguiu os olhos de seu amigo. As pernas desnudas de Annabeth.
Nunca sentiu tanta vontade de arrebentar a cara dele.
Espalmou as mãos nas coxas dela e abaixou a saia, com sutilidade.
– Então, cara, pode pedir pra colocar Scream de novo?
– Não sei. — inclinou-se sobre o balcão e levantou um dedo, indicando que não demoraria
– Não, espera! — Annabeth segurou o braço de Percy — Justin Timberlake! Vamos lá!
Levantou-se sobre os saltos e começou a dar pulinhos até a pista. Percy balançou a cabeça para Tom, negando qualquer coisa e pegou uma nova garrafa que o barman colocara, talvez para Tom, quem sabe.
O moreno segurou seu quadril, sentindo-a se enroscar em seu corpo, desceu os dedos até a barra de sua saia e abaixou mais ainda. Annabeth sorriu, sem se preocupar se ele estava marcando território, já havia brigado muito por isso e não se irritaria mais com meras bobagens.
Ou pelo menos, não quando estava bêbada.
***
– When daylight fading, we gonna play in the dark...
– Till is golden again. – sussurrou em seu ouvido, tropeçando até finalmente senti-lo quase cair e a brisa fria bater contra seu rosto
O corredor que dava para as portas do fundo da boate eram sinistros. Amedrontadores, escuros e com cheiro de mofo. Embora conseguisse ouvir a música dali, se sentiu pequena.
– É nossa música. — ele murmurou, feliz por estar fora daquele amontoado de pessoas suadas que precisavam urgentemente de um desodorante de alta potência
– Nossa. — segurou o pescoço dele, aprofundando o beijo — Embora não tenha nada a ver com a gente.
– I'm never, I'm never down. — cantarolou segurando sua cintura e a rodando, rindo ao ver seu cabelo voar e entrar em sua boca
– Look to the sky, give me life, we're together now. – Annabeth cuspiu os fios e riu ao vê-lo fazer uma careta, alisou os polegares em seu rosto e beijou seus lábios já entreabertos
– We'll found chasing the sun. – terminou quando seus lábios se descolaram e a deixou em pé no chão
Annabeth segurou sua mão, entrelaçando os dedos e sorrindo ao sentir mais uma vez a brisa forte levar seus cabelos para trás. Era aconchegante e extraordinário aquela mesma sensação que podia fazer tudo que quisesse, que poderia fazer qualquer coisa e nunca se arrependeria. E tinha medo de que aquela sensação não fosse forte o suficiente para persistir até chegar a NY.
Percy deu dois passos, tentando começar alguma brincadeira de corrida falha quando Annabeth apertou as mãos em seus ombros, cruzando as pernas em seu quadril, sentiu as mãos apertarem sua coxa e subirem até o início delas.
– Essa saia é muito curta. — falou alto
– Não. — reclamou, levantando as mãos e sentindo-se livre mais uma vez quando seus cabelos foram levados para trás
– Sim. Você viu que o puto do Tom ficou olhando?
– Não. — depositou o queixo em seu ombro e soprou o ponto atrás de seu ouvido
Mordeu o seu pescoço e espalhou chupões pela extensão até onde sua jaqueta cobria.
E mais uma vez, a brisa passou, era como se eles pudessem realmente fazer qualquer coisa que desejassem.
***
Gemeu. As mãos dele estavam em suas coxas apertando enquanto seus lábios estavam ferozes nos seus, os sentiu descerem até seu pescoço.
Suas costas se bateram violentamente contra a porta.
A porta.
– Não podemos fazer sexo no meio da rua.
– Odeio essa cidade.
Annabeth riu ao vê-lo enfiar os dedos no bolso e tirar as chaves de lá. Preparou-se para descer de seus braços quentes, mas ele apertou-a com um dos braços e empurrou a porta com o pé, fazendo a mesma coisa com as costas.
Sem aviso prévio, os lábios dele estavam mais uma vez nos seus, fazendo com que seus pulmões reclamassem constantemente por ar, decidiu que não se importava com isso, nem com as dores de suas costas quando se batiam com algo forte ou afiado. Também não se importou.
Percy tentou se lembrar como era aquela casa e qual seria o lugar mais fácil para sentá-la ou deitá-la. O sofá não tinha mais graça e subir as escadas estava fora de cogitação. No entanto, tentar pensar com os lábios de Annabeth sugando seu lábio inferior, com os dedos esguios arrancando seus fios da nuca. Tudo parecia ficar mais difícil.
Por algum motivo maior do que conseguia pensar, lembrou-se de uma pequena bancada de madeira no corredor para a cozinha e forçou seus pés a andarem até o corredor, começou a fazer coisas que nem sabia se era capaz, como tirar seu braço da pele macia e arrastá-lo pela madeira, derrubando toda a decoração cara.
Até chegou a pensar em Jason e Piper, mas isso logo passou quando Annabeth se acomodou e abriu as pernas, deixando-o se ajeitar enquanto ela tirava a blusa e a jogava no chão.
Percy subiu a saia, e pela primeira vez na noite, agradeceu por ela estar com uma saia curta, beijou seu queixo sentindo a mão dela arranhar sua nuca, abaixou os braços fazendo a jaqueta descer pelos mesmos e subiu a blusa, misturando-se com as roupas no chão.
Aproximou-se e mordeu seu lábio inferior com força, em seguida, repetiu o movimento em seu ombro descoberto e pálido.
Uma boneca de porcelana.
Nesse momento, Percy não estava se importando em quebrá-la.
Desceu os dedos ásperos pelos seios, vendo-a arquear as costas em um pedido silencioso, o moreno apertou com mais força e desceu os lábios até os seios firmes, apertou, mordeu e lambeu sem deixar de encará-la. Annabeth se arrepiava, sempre se arrepiava e fechava os olhos, arranhando seus ombros. Percy ainda podia ver umas cicatrizes rosadas da última vez que ela fizera aquilo, mas, claro, que também não se importava, senti-la se arrepiar embaixo de suas mãos era o suficiente. Fechou os dedos em suas coxas com força e jogou sua boca contra a dela, ouvindo os gemidos entrecortadas que ela dava.
Suas mãos desnorteadas desceram até a barra de sua calça, Annabeth xingou ao ver que ele usava cinto, nas poucas ocasiões que o colocava era quando sabia que ela não ia ter ânimo, e por que merda ele tinha usado logo hoje?
– Folgada. — respondeu, ofegante, tirando as mãos que perambulavam nas coxas e glúteos, levando-as para o cinto, irritado, ao tirá-lo e descer junto com a boxer vermelha.
Annabeth segurou seu membro pulsante, os lábios dele vagavam pelo seu pescoço enquanto seus dedos levantavam sua saia ainda mais e abaixava sua calcinha pelas suas pernas.
Percy segurou sua bunda com força e a penetrou, jogando a cabeça para trás ao se sentir satisfeito, afundou seus dedos na pele macia e firme, dando um apoio a si mesmo para conseguir movimentar-se, sentiu mais uma mordida no ombro, ouvindo de longe a bancada de madeira ranger.
Não se importava.
Forçou seu quadril a ir com mais força, levantando-a da bancada e se afundando mais no prazer que começara a correr por suas veias.
Percy enfiou os dedos na saia, subindo-a ainda mais, beijando de leve seus lábios enquanto se afundava mais rápido e com mais força, apertou os seios entre seus dedos, aproveitando-se de seus gemidos e leves gritos.
Suas coxas se fecharam contra seu quadril, mais um pedido silencioso.
O moreno segurou os quadris finos e moldados, sem confiar na bancada que rangia incansavelmente, como se pudesse cair a qualquer momento.
Apertou as costas contra a parede, e mordeu seu pescoço com mais força quando finalmente, sentiu os dedos folgarem o aperto em seu ombro, embora ainda sentisse o desejo lhe corroendo, afundou-se mais algumas vezes até sentir seus braços ficarem mais leves.
– Vamos pra cama. — Annabeth choramingou com a bochecha deitada em seu ombro
Percy ameaçou em retirar as mãos de suas coxas e Annabeth mordeu seu ombro mais uma vez.
– Não ‘tô sentindo minhas pernas.
O moreno sentiu seu corpo estremecer com a confirmação e em seguida, um risinho cheio de amargura.
– Eu te machuquei, né? Porque você nunca me diz...
– Porque eu gosto. — espalmou as duas mãos em suas bochechas — Porque eu amo quando você ‘tá bêbado e não pensa em nada. Porque eu amo você.
Percy sorriu, bobo. Saiu de dentro dela, ajeitando-se em seus braços embora estes reclamassem demais.
Subiu as escadas, ambos nus e a deitou na cama, espalhando beijos por seu rosto.
– Não sai, por favor. — choramingou, encolhendo-se em meios aos lençóis bege — Por favor. Deita comigo.
– Vou pegar as roupas e tomar um banho. É rápido.
– Posso tomar banho com você? — perguntou, mesmo que soubesse que ele não negaria, começou a saber que ele odiava quando alguém atrapalhava seu banho, então criou a mania de sempre perguntar.
Percy piscou e deu de ombros, sumindo de sua vista.
Annabeth rolou na cama e fechou os olhos, agradecendo mentalmente por ele ter deixado a janela aberta e a luz da lua banhar seu corpo.
***
Os pés estavam cobertos por uma sapatilha preta de spikes que estavam em cima do porta luvas do carro de época que Percy comprara, cruzou os braços sobre os seios tentando ignorar a ânsia de vômito que insistira em subir para sua boca desde que saíra da pequena Laguna Beach em direção à Orlando.
Aquelas bebidas todas lhe fizeram mal, mesmo sabendo que iria fazer mal. Revirou os olhos com sua própria teimosia de achar que todos estavam errados, irritou-se consigo mesma e abriu a bolsa em seu colo, procurando a garrafa de água.
– Tudo bem? — Percy perguntou, virando o rosto rapidamente, olhando pelos óculos de sol de aviadores
– Sim. — respondeu, bebendo grandes goles de água da garrafa térmica
– Mesmo? — o moreno desceu as mãos do volante para a coxa descoberta, dando um aperto de leve
– Uhum. — assentiu
Deu de ombros, conformado com as respostas curtas. Decidiu que ela estava em um daqueles tempos de ressaca em que morria de dor de cabeça, e se recusava a tomar remédio para fazê-la passar. Não iria reclamar, apenas iria esperar calmamente ela finalmente reclamar e então, pararia o carro e faria beber aquele remédio a força. Como fizera algumas vezes.
O sol de julho estava alto e mais quente do que o normal. Percy bufou e pensou seriamente em tirar a blusa, o short e dirigir apenas de cueca. Faltava pouco para que chegassem a Orlando e então, pegassem seu avião para Nova York, podia ver o carro de Jason pelo retrovisor e acelerou ainda mais com medo de que por alguma coisa se atrasassem. Com certeza, Silena nunca iria perdoá-los.
Olhou pelo canto de olho e viu Annabeth segurando a garganta com uma das mãos, massageando-a.
– Annie, que foi? — perguntou mais uma vez
– Pára o carro.
Percy olhou para frente e, mirou o retrovisor pensando quanto tempo levaria para parar o carro e fazer com que Jason percebesse isso.
– Pára essa droga de carro! — ela gritou batendo o punho no porta luvas com força
Segurou o volante e levou o carro rapidamente até o acostamento, abriu a porta de motorista, mas antes que chegasse ao lado de sua namorada, esta corria pela grama alta que se erguia. Com as mãos apoiadas ao joelho, os cabelos caíam ao lado do rosto, Percy percebeu o que acontecera.
A ressaca.
Não era dor de cabeça.
Xingou horríveis nomes e segurou os fios dourados em suas mãos, trazendo-os para trás enquanto Annabeth vomitava todo seu café da manhã que tomaram no Starbucks. Foram cinco pastéis de queijo fora dois muffins que levara para o carro, Percy acariciou suas costas cobertas por uma blusa vermelha de alcinhas finas com as pontas dos dedos, nervoso.
Nunca sabia o que fazer quando Annabeth começava a vomitar, ou chorava, ou ficava mal. Era como uma encruzilhada e odiava ficar sem reação.
Olhou para trás e viu Piper saindo do carro, com as tranças ao lado do rosto, enquanto os cabelos negros voavam atrás de si.
– Ela ‘tá bem?
Percy negou com a cabeça e passou o braço pela barriga de sua namorada.
– Será que você consegue continuar a viagem?
– Claro. — ela tossiu e fez uma careta — Você trouxe balas de mentas?
– Trouxe, sim.
– Isso vai servir.
Percy rolou os olhos enquanto ela se levantava e amarrava os cachos dourados em um coque bagunçado no alto da cabeça, passou os dedos pelo rosto, impaciente e bateu as sapatilhas no gramado, voltando o caminho.
O moreno segurou seu braço antes que ela pudesse chegar ao asfalto.
Podia ver Piper fazendo uma careta e Jason a chamando de volta para o carro. Bando de medrosos, pensou. Sempre fugiam quando Percy revirava os olhos demais e Annabeth batia o pé quando queria alguma coisa.
– Não ‘tá tudo bem, ok? Nós vamos passar em um hospital antes de viajar, e se você não tiver bem, a Silena vai entender.
Annabeth arregalou os olhos e puxou o braço sentindo o aperto doer.
– Não! — disse alto — Eu não quero ir a um hospital. Você sabe que eu sempre vomito quando tomo muita bebida, não é? Isso não vai acontecer e se acontecer, é para isso que serve aqueles pacotes de vômito.
– Você acha que eu vou conseguir viajar com você vomitando a todo o momento ao meu lado?
– Acho! — respondeu, batendo em seu antebraço e finalmente, cruzando os braços
– Teimosa. — segurou seus ombros e beijou sua testa, acariciando os fios soltos e revoltos da nuca — Nós vamos passar no hospital.
– Oh, não. — choramingou, segurando a gola de sua regata com um beicinho — Por favor. Juro que se eu me sentir mal de novo, nós passamos. Mas, se eu não me sentir... Nós vamos, tudo bem?
Ela beijou seu queixo e acariciou o peito por cima da regata fina.
– Ok. — revirou os olhos e apertou as mãos em sua cintura — Sem drama. Promete, né?
– Uhum. — ela deu um sorriso alegre e voltou para o carro, fuçando em todos os lugares possíveis a procura de balas de mentas
O aeroporto de Orlando estava cheio de adolescentes com blusas coloridas. Provavelmente, tinham acabado de chegar de viagem de outro continente e estavam todos desnorteados. Já tinham passado pelo check-in, e via Annabeth entregar seu passaporte calmamente para um cara moreno de olhos verdes e um sorriso grande. Acariciou as costas de sua namorada cobertas por um casaco fino bege, provando que ela era apenas sua e então, o sorriso enorme do cara diminuiu relativamente.
Entregou seu passaporte, sério. Não esperou para que ele dissesse "boa viagem" e seguiu em frente, acompanhando a loira. Subiu as escadas do avião com Annabeth à sua frente.
Sua cadeira era ao lado da janela e embora fosse infantil, sorriu abertamente.
Sentou-se enquanto Annabeth sentava ao seu lado com o quarto livro do boxer que lhe dera há algum tempo. Bellisima de Nora Roberts estava posto em seu colo por cima de um sobretudo branco que com certeza ela não usaria por conta do calor que tomava conta de todo país, o moreno se satisfez com um casaco preto da GAP com bolsos na frente e capuz. Tirou os fones de ouvido da sua mochila azul e preparou sua playlist para a viagem.
– Cara, eu ‘tô amando essa rede de aviões. — Jason disse enquanto sentava à frente deles
– É muito bom mesmo. — Annabeth concordou com um sorriso, levantando-se em seguida — Vou ao banheiro, tá? — sussurrou para que apenas ele ouvisse
Percy assentiu, estreitando os olhos.
– O que ela tem? — Piper perguntou, apoiando as mãos no encosto da poltrona cinza — Ela tá estranha desde...
– Quando vomitou no acostamento. — Jason lembrou, coçando a barba loira que crescia
Piper assentiu, voltando os olhos novamente para o moreno.
– Não sei. — deu de ombros — Foi as bebidas de ontem.
– Desde que conheci vocês, ela nunca ficou tão mal por causa de uma ressaca. — Piper falou, amarrando os cabelos em um rabo de cavalo
– Ou ela não está de ressaca. — Jason disse, levantando os olhos quando Annabeth vinha no corredor
– O que você quer dizer com isso?
– Dizer com o quê? — a loira perguntou, sentando-se ao lado de seu namorado com um sorriso tímido
– Dizer com... A poltrona. Ela tava balançando.
Piper arqueou a sobrancelha, surpresa com uma desculpa tão idiota. Bufou e arrastou-se pelo encosto até sentar-se e colocar os fones de ouvido sentindo as carícias de Jason em sua mão.
Annabeth não respondeu. Apenas cruzou os braços, vendo Percy colocar os fones de ouvido, em seguida, ajeitar o cinto de modo que ficasse confortável. Esperou alguns minutos até que a aeromoça passou, pedindo uma água e uma almofada.
E pelo resto da viagem, ele dormiu enquanto a loira batia, irritada, os dedos na capa do livro, sem ler, sem ouvir música. Apenas deixando sua mente trabalhar o mais rápido que conseguisse.
***
Atena estava sentada na cama de casal do velho apartamento que deixara em Nova York. Tudo estava no mesmo lugar e por mais surpreso que fosse, estava arrumado, sem poeira, a geladeira cheia... Uau, estava bem melhor do que se lembrara.
Sua mãe estava com um vestido azul escuro com um decote redondo longo, ficava absolutamente lindo nela enquanto os cachos mais dourados caíam pelos ombros. Annabeth rodou no espelho do quarto, avaliando o vestido lilás que comprara quando estava em São Francisco. Era lindo.
Com apenas uma alça grossa e um decote nas costas um pouco acima das omoplatas, descia em duas camadas rodadas e estava pensando em como iria frequentar aquele jardim com uma "ventania" daquele jeito.
– Você deveria colocar uma sapatilha.
Annabeth fez uma careta, observando a sapatilha branca que sua mãe separara e o scarpin bege que deixara em cima da cama.
– Eu prefiro o salto, mãe,
– Mas vai ser em um jardim! — retrucou, segurando as sapatilhas — Elas são lindas, Annie.
– Mãe... — resmungou, observando o scarpin de longe
– Annabeth Chase, você passa um ano fora de Nova York, conversando apenas por telefone e depois não quer vestir o que eu mando. Me obedeça, garota, e calce essa porcaria de sapatilha, agora. — ordenou e deixou as sapatilhas caírem aos seus pés.
A loira revirou os olhos e encaixou os pés na sapatilha branca puxado para o marfim. Já estava desacostumada a usar saltos já que todo esse tempo, só usara a noite quando ia para as festas que Jason e Percy arrumavam.
– E quem é aquela menina morena?
– Piper McLean.
– McLean? — sua mãe perguntou, com um pouco de surpresa no tom de voz
– Aham. A filha daquele ator mega gato e tudo mais. Ela fugiu com o Jason há algum tempo. — alisou as camadas do vestido e assentiu para si mesma — Estou pronta.
– Então, quer dizer, que você traz uma refugiada com você?
– Mãe! — reclamou — Ela é só uma garota maior de idade que quer viver a vida que seu pai a privou.
– Como se você tivesse vivido alguma quando era adolescente.
Revirou os olhos mais uma vez e abriu a porta, descendo as escadas com sua mãe em seu encalço. Inclinou-se sobre o sofá para alcançar a bolsa pequena cor de marfim, segurando as chaves de seu carro quase aposentado.
– Annabeth, nós temos que conversar.
– Conversamos no caminho para a casa da Silena, mãe. — respondeu, abrindo a porta e a segurando com a cintura até sua mãe passar
– Annabeth, querida, nós realmente temos que conversar.
– Nós vamos. Chama o elevador, por favor.
Fechou a porta com o pé e a trancou, já entrando no elevador que abria suas portas pesadas.
– Annie. — Atena segurou uma de suas mãos — Quero conversar com você faz um tempo, mas você sempre desligava a ligação. Por que você está me evitando?
– Mamãe, eu não estou te evitando. — parou, dando um sorriso convincente, tentando lembrar-se das atuações que tinha que fazer no tribunal — Olha, vamos pro carro e você vai me dizendo o que quer que eu diga.
– Certo. Mas vai lhe chocar.
– Estou preparada. — deu mais um sorriso
– E você vai ter que me dizer apenas a verdade.
– Claro.
Ajeitou-se no banco de seu carro enquanto sua mãe demorava uns cinco minutos até finalmente sentar-se e arrumasse com seu jeito lento e elegante.
***
– Kath! — Percy segurou sua afilhada em seus braços
Tinha cabelos escuros como o de Beckendorf e uma pele morena como se fosse a mistura da pele branca e da avermelhada do homem musculoso que andava entre as mesas, falando com todo mundo.
– Um aninho. Que coisa mais fofa! — Lizzie chegou ao seu lado, pegando-a dos braços de Percy
A menina deu um grito de felicidade quando a morena a segurou. Liz brincou com seus curtos cachinhos enquanto ela gritava ou falava coisas que ninguém conseguia entender.
– Claro, minha bebê. Claro. — a garota fazia voz de bebê
– Aí a pessoa é idiota, e fica mais idiota quando tá com uma criança. — Percy revirou os olhos, segurando a pequena e gordinha mão de sua afilhada que mostrava um sorriso de dois dentes embaixo
– Percy.
Silena apareceu do nada novamente. Com os cabelos ruivos presos em um coque bagunçado e um vestido rosa de alças grossas sem decote.
Katherine usava a mesma cor do vestido e só não era idêntico porque a bebê tinha um laço enorme em suas costas.
– Tão fofa. — Lizzie brincou mais uma vez, beijando as bochechas gordas da pequena — Eu quero uma dessa! Por favor. — fez um beicinho enquanto Percy a roubava de seus braços
– Onde está Annabeth? Eu estava procurando-a por toda a festa!
– Ela foi se arrumar com a minha sogrinha. — deu mais um sorriso quando Kath bateu as mãos, alegre
Percy levou a menina ao alto e a desceu novamente, vendo-a sorrir, alegre.
– Onde tá sua madrinha, bebê? Onde? — fez uma voz de bebê triste enquanto a menininha gritava e batia as mãozinhas feliz por alguém estar brincando com ela
– Hm. Certo. Eu vou cumprimentar seu pai e volto logo.
Kath fez uma careta depois de certo tempo com aquela brincadeira e se agarrou nos ombros de seu padrinho, deitando a bochecha gordinha em seu ombro, como se avisasse que queria dormir. Percy inspirou o cheiro de bebê que ela exalava e andou até que tivesse certeza que Kath havia dormido.
– Ela já dormiu? — Lizzie disse, apalpando sua barriga
– Aham. Silena deve ter cansado a criança. Até com uma criança, ela faz isso. — o homem resmungou quando Lizzie ficou à sua frente
– Não fala assim da Si. — disse emburrada — Hm, olha quem vem ali. — apontou por cima de seu ombro
Percy segurou as costas curtas de sua afilhada, virando-se. Soltou um suspiro ao ver Annabeth transitando entre seus velhos amigos, distribuindo sorrisos e o vestido lilás rodando ao seu redor como se fosse uma aura. Como se pertencesse ao seu corpo. Atena vinha atrás com um sorriso maior estampado no rosto, talvez, procurando seu pai, não se importava.
Finalmente, a loira o avistou. Sutilmente, dispensou Katie com mais um sorriso e veio em sua direção.
– Que droga. Eu nem a vi acordada. Como estava a cor dos olhos dela?
– Verdes. — Lizzie respondeu, pulando em cima de sua namorada — Own, que saudades, minha linda.
– Muitas. — Annabeth apertou o corpo pequeno contra o seu, sentindo mais uma vez aquele cheiro de lar doce lar que ela exalava
Abriu os olhos grandes e piscou para Percy com mais um sorriso.
– Ela é tão linda. Tem o nariz de Silena.
– Kath estava brincando, você precisava ver! Pareciam pai e filha brincando.
Percy riu com a comparação e balançou a cabeça.
– Não viaja, Liz. — rolou os olhos
Silena apareceu entre as outras pessoas com um sorriso enorme, dando um pequeno sorriso aliviado ao ver que sua filha tinha dormido.
– Percy, deixa eu colocá-la no berço.
– Não, eu coloco. — Annabeth pediu, abraçando a amiga
Silena sussurrou alguma coisa para a loira que nenhum dos dois presentes conseguiram ouvir, a mesma sorriu e balançou a cabeça.
– Tudo bem. Segundo andar, segunda porta à esquerda.
– Vamos lá, casalzinho feliz. Eu vou com vocês! — Lizzie saltitou em frente à eles
A casa era enorme. E só depois de ter brincando o suficiente com Kath, Percy percebeu o quanto a festa era grande. Tinha muitas mesas brancas com laços rosas nelas, o jardim era cheio de flores coloridas e ao todo exalava um cheiro gostoso e aconchegante, a grama era curta e não fazia diferença nos tênis de Percy, embora o calor do verão dos Estados Unidos fizesse os jeans parecer chumbo em suas pernas.
Tinha muitas pessoas do trabalho, o moreno avaliava tudo com os olhos rápidos procurando por Luke. Infelizmente, ainda se preocupava com aquele assunto. Já havia falado com Thalia e Nico, ela estava grávida de oito meses, ia ser um menino, já tinha até nome seria Dimitri. Um nome estranho, mas parecia que Thalia tinha uma queda enorme por aquele nome, e mesmo assim, Nico estava muito feliz. Bobo, mas muito feliz.
Annabeth havia dado dois beijinhos em Thalia, sorriu e conversou sobre coisas banais, até citou como fora os dias em São Francisco — o lugar que mais gostara — e citou como fora os últimos dias na Flórida e o seu calor infernal. Thalia ria de algumas coisas que ela havia dito e depois, piscou, como se tivessem trocado um segredo. O que foi relativamente estranho.
Por fim, subiram as escadas de degraus largos e curtos que davam ao segundo andar. Na verdade, aquela casa parecia mais com uma mansão. Rolou os olhos e sabia que era o tipo de casa que Silena sempre sonhara.
Acharam o quarto rosa de Katherine e ambos riram, ouvindo Lizzie reclamar como eles eram previsíveis com suas piadinhas sobre rosa. Normalmente, sentindo-se atingida.
Saíram do quarto da bebê, deixando a porta aberta e apoiando-se no corrimão que dividia o corredor de uma queda terrível pro primeiro andar.
– E então, Annie? Já comprou alguma roupinha?
– Que? — Percy perguntou, rindo, alongando os braços
– A roupinha do bebê!
– De Kath? Compramos um novo berço para ela, chega amanhã, não é, amor? — Annabeth assentiu com as bochechas coradas e deu mais um sorriso falhante para Lizzie
Percy continuou a falar como era o berço que compraram pela internet, citando como Silena iria amá-lo. A babá de Kath chegou e então, dispensaram de maneira rápida, alegando que com aquelas risadas poderiam acordá-la e ela ficava de muito mal-humor quando acordava por culpa de alguém.
O casal e a fada desceram.
A festa durou por mais duas horas até dez horas quando todos começaram a ir embora e Annabeth estava sentada, cansada, na mesa de sua mãe e de seu padrasto. Ambos estavam com uma taça de vinho, conversavam aleatoriamente sobre o que deveriam comprar quando fossem ao supermercado enquanto a loira procurava seu namorado com os olhos.
– Ele não vai fugir, Annabeth. — sua mãe lhe disse com um sorriso irônico
– Mãe. — disse envergonhada e se levantou — Olha, eu acho que vou embora. Se virem ele por aí, digam que fui para casa.
– Já? Está tão cedo, Annie. — Poseidon falou, manhoso, verificando o relógio — Quer que eu chame o Percy para te levar... Você está assim. – disse com um tom de voz meio que envergonhado
– Não estou deficiente! — avisou, talvez alto demais e bufou em seguida — Só vou falar com Silena e Liz, então vou embora.
– Mas, bebê... — seu padrasto arrastou a palavra, rindo ao tentar levantar-se
Annabeth revirou os olhos e exibiu um sorriso forçado, irritado ao passar pelo seu padrasto e seguir para onde Silena, Liz e Beckendorf estavam.
Sua melhor amiga estava com um sorriso no rosto enquanto a babá vinha em sua direção, chegando primeiro que a loira. A babá lhe entregou Kath que estava com seu sorriso de dois dentes em cima, assim como em baixo, batendo as palminhas de modo desajeitado, mexendo as pernas com força e tentando descer do colo da mãe. Annabeth não pensava que Beckendorf tinha um sorriso bobo além do que dava para Silena, mas ele tinha e segurou Kath em seus braços entrando na mansão que eles tinham. Realmente, ela pensou, pareciam a família mais feliz que ela teve o prazer de conhecer.
– Si? — a loira disse, inclinando a cabeça para a sua cabeça
– Annie! — ela a abraçou pelos ombros com força e afundou sua cabeça na curva de seu pescoço — Você não sabe o quanto eu estava com saudades! Desculpa por não ter ficado a festa toda agarrada com você, mas tinha tanta gente! E a Kath nem ficou muito tempo... Você viu ela chamando pelo Charlie? Papa... — tentou imitar sua filha, desastrosamente enquanto sua amiga ria
– Realmente, eu ouvi os gritinhos dela. Simplesmente linda.
– Eu sei. — Lizzie suspirou — Eu acho que vou sequestrá-la.
Silena bateu em seu braço e fez um beicinho.
– Onde está o Percy? — a ruiva perguntou, cruzando os braços
– Eu o vi saindo. Não sei. Acho que ele se perdeu na mansão. — Lizziedeu de ombros
– É... Bem, eu só vi dizer um tchau porque eu ‘tô morrendo de cansaço. Muito obrigada por tudo, meninas. — Annabeth abraçou ambas e deu um beijo na cabeça delas, afastando-se e bocejando — E eu realmente preciso de um bom banho e chocolate para terminar meu dia.
– Se cuida. — Silena a abraçou mais uma vez e suspirou — Vamos sair amanhã! O que vocês acham? Shopping, compras, spa... — enumerou
– Ótimo! Annabeth, você não pode negar, nem sonhar em dizer não.
– Eu ‘tô muito cansada. Sério.
– An...
– Annabeth! — a loira virou o rosto rapidamente ao ouvir a voz de seu namorado
Ele estava suado, sua camisa estava grudada em algumas partes do corpo e ofegava pesadamente. Apoiou as mãos no joelho e levantou um dedo, pedindo que todas esperassem enquanto recuperava o fôlego.
– Eu me perdi. — balançou a cabeça — Isso é ridículo, mas eu me perdi. Vamos?
– Eu já estava de saída, Percy.
– Então, vamos. — ele disse e sorriu para todas, abraçando-as casualmente enquanto a ruiva tagarelava sobre um dia de meninas
O casal seguiu até o carro, a mulher de expressão carrancuda enquanto o homem tinha um sorriso estampado no rosto. O caminho era um silêncio, confortável por cima, apenas quebrado pelo som da música aleatória que tocava na rádio.
O silêncio e a tensão que se ergueu no corpo da loira até parecia palpável, como se estivesse ali no ar e ela apenas precisasse tocá-lo para saber que era real. No entanto, respirou fundo tentando controlar aquelas emoções que explodiam dentro de si, arquitetando mais uma vez como seria seu plano. Sua expressão carrancuda tinha desaparecido, já esquecendo de perguntar o porquê dele ter sumido na festa por mais ou menos meia hora. A única coisa que importava agora era que ele não fosse tão idiota quanto era normalmente.
Primeiro, o moreno abriu a porta segurando a mão dela entre a sua, como sempre, acariciando a palma com o polegar e de vez em quando, assoprando levemente seus dedos, em um sinal claro de que ele estava ali, com ela para sempre. Como prometera, tantas vezes. Em seguida, Annabeth sentou no sofá desgastado dele, gostando de sentir o cheiro de maresia impregnado em cada parte, encolhendo-se, tirando os sapatos e enrolando-se com a mantar verde-musgo que ele deixava embaixo da almofada.
– O que é isso? — Percy perguntou abrindo os botões da camisa enquanto segurava um papel com a impressão de um hospital na frente
Annabeth deu de ombros e fechou os olhos, tentando controlar sua respiração.
– Será que alguém entrou aqui? — disse e sentou-se no chão, apoiando o braço no pequeno espaço do sofá que ela deixava livre
– Quem sabe. — Annabeth murmurou de olhos fechados
O moreno retirou a camisa social, ficando apenas de jeans e bagunçando os cabelos enquanto rasgava o papel, abrindo-o. Sua primeira reação foi arregalar os olhos, a loira abriu os próprios, captando cada movimento que ele pudesse fazer.
Percy deixou sua cabeça cair para trás e fechar os olhos murmurando um "obrigada" repetidas vezes, franziu os lábios com força e por um motivo que ela não entendeu no momento, seu rosto ficou todo vermelho. Ele a olhou com paixão e inclinou-se, beijando seus lábios levemente, apoiando a palma em sua barriga e olhando por um longo período de tempo.
– Eu te amo. — sussurrou — Eu te amo muito, você não tem noção de quanto eu te amo.
Annabeth riu e acariciou sua bochecha, até sua orelha.
– Obrigada, obrigada... — murmurou novamente e beijou sua mão que o acariciava — Isso foi o melhor presente que você podia me dar.
– E o que você acha disso?
– De você estar grávida? Tudo! Eu acho que poderíamos fazer as compras amanhã e que eu ‘tô me sentindo mal por ter transado com você daquele jeito ontem.
A loira riu, sentindo as lágrimas descerem pelos olhos.
– E que se for menino, vai se chamar Nicolas. E se for menina... Hm, não sei, talvez Kaya? O que você acha?
– Lindo. — riu novamente — Mas, ei, isso é injusto! Por que você escolhe dos dois?
– Porque eu sou o homem.
– Que idiotice. Isso é machismo.
– Você que é idiota por ter me escondido isso por... O quê? Quatro semanas.
– Não me chame de idiota, eu estou grávida.
Percy bufou e beijou sua barriga.
– Certo, grávida, eu vou fazer um hambúrguer pra mim... Que tal pedir um yaksoba para comemorar?
– Não, peça você. — ela sentou-se no sofá, fazendo beicinho
– Annabeth. — soltou um muxoxo e sentou em frente à ela
– Estou grávida, faça o que eu mando.
– Essa vai ser sua desculpa agora?
– Aham, por nove meses. E se você não fazer o que eu quero, eu escolho todos os nomes. — deu de ombros, convicta com um sorriso maléfico
– Isso é imaturidade.
– Eu estou com uma criança aqui dentro que vai pesar uns três quilos, não me peça para ter maturidade.
– Qual parte do idiota você ainda não entendeu?
– Percy! Eu estou grávida.
– Que tipo de yaksoba, você quer, meu amor? — destacou
Ambos sorriram enquanto Percy se inclinava para pegar o telefone e digitar o número tão conhecido.
Chegaram até pensar que ali, naquele momento, rindo que nem dois bobos enquanto esperavam, em meio a risos e beijos roubados, um cara vestido de branco com boné trazendo o yaksoba vegetariano de sempre que começaria uma nova etapa de suas vidas.
Souberam, ali, deitados em meio a confusões de cabelos loiros e negros, em meio a confusão de ter uma nova vida – uma pequena e frágil vida – para poder cuidar, com brinquedos espalhados pelos tapetes... Souberam que um dia, talvez, aquele amor pudesse acabar. Aquela paixão, aquele desejo que ambos sentiam um pelo outro apenas de trocar olhares poderia acabar a qualquer momento, e por um lado, eles não se importariam. Teria outra vida para uni-los, no sentido literal da coisa. Teriam outra vida para lutar, outra vida para proteger, outra vida para fortalecer aquele laço.
Souberam que não começaria uma nova etapa, jamais começaria uma nova etapa. Eles só estavam prolongando o que era deles por direito. Só estavam seguindo as ondas do mar para ver onde chegariam. Na opinião deles, deixariam nas mãos do destino.
Por fim, eles só estavam – desde o início – perseguindo o caminho infinito do sol.
A campainha soou.
– Annie, pega lá. – o moreno pediu, baixinho, encolhido em um edredom azul velho e devorando seu hambúrguer enquanto a loira ao seu lado, evitava olhar aquela carne morta
– Não. Minhas pernas estão doendo.
– Annabeth, sua barriga não cresceu.
Um olhar medonho foi lançado enquanto ela puxava o edredom dele e jogava no chão com um sorriso ingênuo estampado no rosto.
– Vai logo.
Percy revirou os olhos.
– Ai, Annabeth, você é tão chata. Por isso que não vou casar com você.
– Como se eu quisesse casar com você.
– Trinta dólares? Como assim, cara? Isso é um roubo.
– Perseu, pare de ser mesquinho e pague logo!
– Eu definitivamente não vou casar com você. Annie, você só me dá prejuízo.
– Shiu. – murmurou, pegando a embalagem branca com símbolos vermelhos – Você é um anjo, meu amor. – ela apertou o rosto dele entre seu indicador e polegar, dando um selinho demorado enquanto ele ainda estava de pé.
– Eu sei. – jogou-se ao seu lado e roubou a colherada que ela levava à boca – Eu te amo, sua futura obesa. – gritou com a boca cheia de macarrão e molho
– Seu nojento imbecil. – riu alto
No final, — o caminho infinito que o sol fazia e refazia todos os dias — acabara sendo o destino deles, também.
When daylight’s fading, we’re gonna playing in the dark, ‘til is Golden again, and I’m feel so amazing, can see you coming and we’ll never grow old again…
You’ll find us chasing in the sun!
Oh oh oh oh oh…
Notas finais
Ok, back to the real world.
GENTE ESSE É O FIM O FIM FIM FIM FIM, vocês podem achar que é brincadeira, mas eu realmente tô chorando. Eu tô tipo olhando pra trás e pensando em como eu criei essa fanfic, foi tipo "cara, eu não consigo achar nenhuma fanfic hentai pesado aqui de percabeth, foda-se vou fazer uma" e eu FIZ, eu realmente fiz. Mas não foi só sexo pesado pra maiores, foi... A melhor fanfic que eu tive a oportunidade de escrever. Minha mãe costuma dizer que quando Deus quer alguma coisa, a gente tem que fazer. E acho que foi meio isso que aconteceu.
Eu só quero dizer mil obrigadas por todo mundo que me acompanhou, que veio desde o começo comigo, falar comigo, eu fiz ótimas amizades aqui. Que eu vou levar foreva na minha vida, claro.
E eu vou implorar por uma coisa, uma coisa que vocês me devem e eu vou pedir e digo logo que se isso não acontecer, eu vou ficar muito chateada.
A primeira coisa é: EU QUERO QUE TODOS T O D O S deixem reviews. São MUITOS leitores e a cada dia tem MAIS leitores, e eu imploro, imploro mesmo que deixem reviews. Quero saber o que vocês acharam do fim, e eu quero que TODO MUNDO tenha a decencia e a solidariedade de vir fazer isso, ok? Obrigada.
Em segundo lugar, eu quero a opinião de vocês sobre o epílogo: estou em dúvida entre não fazer, entre fazer e ser o parto de annabeth ou fazer e ser uma viagem em família. E se vocês quiserem um epílogo, vão no meu ask.fm/whatsmylena e gritem o que querem lá.
DEIXEM REVIEWS SE GOSTOU, SE N GOSTOU, SE ODIOU. FODA-SE, DEIXEM REVIEWS, POOOOR FAVOOOR!
E foram dezesseis páginas. GENTE, to impressionada comigo mesmo. Provavelmente, posto os agradecimentos hoje à noite.
Love everyone here, xx.
Mylena.
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