Chasing The Blood

1 Eu Estava Certa!


Notas iniciais
Início explicativo. É.

Dizem que tudo nessa vida tem um motivo para acontecer. Se o céu é azul, existe um motivo. Se as árvores são verdes, bem, outro motivo. Eu sabia que a morte dos meus pais não havia sido um acidente. Uma coincidência. Essas coisas não existem. Tudo que acontece estava premeditado por alguém ou, simplesmente, por uma força maior. Exatamente como havia acontecido com meus pais e sua inexplicável morte.

Mas vamos começar do início. Meu nome é Cecilia Wescott.

Nasci em Virgínia Beach e me mudei para Richmond com sete anos, para morar com meus tios. Onde moro até hoje. É um bom lugar, considerando que é bem grande e cheio de turistas o ano todo. Tenho quinze anos e estudo no colegial, uma das coisas mais irritantes e desesperadoras da vida de um adolescente.

Enfim, essa não é uma história onde eu vou narrar minhas aventuras emocionantes e desastrosas no colégio, onde conheço um rapaz bonitinho e popular enquanto eu sou invisível e nerd.

Essa é uma história sobre vampiros, lobisomens, bruxos e como eu fui parar no meio de tudo isso.

Desde pequena – e essa é praticamente a única coisa que lembro daquela época – eu ficava fascinada com as histórias que meu pai me contava sobre vampiros e seus derivados. Aliás, ele era um apaixonado por esses seres, estudava tudo o que era possível para comprovar sua teoria de que eles realmente existiam. Mamãe achava que éramos malucos, mas a verdade é que desde aquela época eu tive a certeza de que eles existiam.

Coisa que agora tio Walden e tia Clara tentam tirar da minha cabeça a qualquer custo. E, até agora, eles não estavam tendo muito sucesso.

– Como vão os estudos, Cece? — meu tio perguntou, assim que nos sentamos para o almoço naquele domingo.

Suspirei e disse, enquanto mexia o garfo pelo aipo que me encarava estranhamente:

– Ah, do mesmo jeito de sempre...

– Se você saísse um pouco do mundo da lua e se esforçasse mais, talvez não estivessem do mesmo jeito de sempre. — foi tia Clara quem comentou, o que me deixou com uma vontade grande de mandá-la enfiar a cabeça no vaso sanitário, mas não o fiz. Apenas sorri e acenei com a cabeça uma vez, indicando que ela estava completamente certa e que era exatamente isso que eu ia fazer.

Depois do almoço, o qual eu mal comi, corri ao meu quarto para continuar lendo os diários do meu pai. Neles ele falava sobre os avanços que fazia na busca pelos chupadores de sangue. Havia parado bem na melhor parte, onde ele falava sobre uma tal família de Originais, os primeiros vampiros da história.

E, enquanto lia, mal sabia eu que estava prestes a conhecê-los. Ou pelo menos, conhecer a um deles. Como eu disse, tudo nessa vida acontece por um motivo. E havia um motivo para que eu lesse a história de Niklaus Mikaelson – ou parte dela – naquele dia.

Acabei adormecendo em cima dos diários. Mas uma coisa que não saiu da minha cabeça – mesmo enquanto caminhava em direção ao ponto de ônibus que me levava ao colégio – foi o sonho que tive. Eu estava no meio do ritual onde os Originais foram criados. Estava tudo tão escuro e sombrio que comecei a achar que era real e que eu estava lá.

E foi assim que, enquanto eu andava despercebida até a esquina, algo bateu em mim com uma força sobrenatual.

Literalmente, sobrenatural.

O baque foi tão forte e o vento batia em meu rosto tão rápido que desmaiei. E não sei por quanto tempo permaneci assim.

♦♦♦

Quando acordei, desejei não ter feito isso. Estava fraca, com frio e, com certeza, pálida feito morta. Amarrada na poltrona de uma casa que parecia ser do século passado, com móveis que pareciam do século passado. Quando tentei me soltar, um gemido escapou da minha garganta, me lembrando o por quê de eu ter desejado não ter acordado, segundos atrás.

– Bom dia, amor. – exclamou um rapaz muito – muito – bonito. O sotaque inglês dele apenas acentuava o quão bonito ele era. Acho que não cheguei a mencionar a minha quedinha por homens ingleses antes. — Dormiu bem?

Não respondi. Mesmo bonito – muito bonito – ele era o cara que havia me sequestrado. Por que aquilo era um sequestro, não? As cordas em volta dos meus pulsos e tornozelos me diziam isso claramente. Ele caminhou até mim, se agachando a minha frente.

–Não queria ter chegado a isso. Mas foi necessário. — ele continuou falando, enquanto me observava atentamente. — Você tem até certa semelhança com ela.

– Ela quem? – perguntei, sem conseguir me conter. Ele apenas sorriu e voltou a andar pela sala.

– Imagino que queira saber por que está aqui. – falou, sempre com aquele tom sarcástico na voz.

Não, não queria saber. Claro, estava atordoada e amarrada, mas estava completamente feliz e satisfeita! Poupe-me.

– É, eu gostaria. – respondi, sentindo que as forças voltavam lentamente ao meu corpo frágil.

– Então vou começar respondendo a pergunta que deve estar rondando sua pequena cabecinha agora. – ele voltou a parar a minha frente, mas dessa vez em pé mesmo. Olhei para ele, esperando alguma reação. – Eu sou Niklaus. Niklaus Mikaelson.

Todo o sangue que havia voltado a circular estava parado novamente. Claro que é absurdo, parte de mim queria me dizer que era uma pegadinha que estavam pregando em mim. Mas a outra parte – e confesso que essa era minha parte mais sensata – tinha certeza de que ele falava a verdade. Afinal, somente meu pai e eu sabíamos da história dos Originais.

Antes eu precisava me certificar.

– Ah, claro! – exclamei, fingindo ironia. – Agora vai me dizer que é da família dos Originais, também!

Tudo ficou muito estranho no instante seguinte. Ele me olhou muito sério, como se não acreditasse no que eu estava dizendo. A princípio, seu olhar foi tão ameaçador que fiquei nervosa. Se ele fosse mesmo o Niklaus, poderia me matar a qualquer segundo. Prendi a respiração sem desviar os olhos dele. E numa fração de segundo, ele se aproximou, mudando de expressão assassina a expressão curiosa.

– Aí está uma coisa que não vemos todos os dias. – comentou, ainda com aquele jeito de "oh Senhor, como essa garota sabe disso!" – Vai me dizer como sabe da minha história?

Fiquei um tempo o analisando. Ele poderia ser um arqueólogo, como meu pai, só que ficou louco com o tanto de informação que conseguiu e acabou absorvendo a identidade de Niklaus. Ou ele poderia ser o próprio, e isso provaria que eu estava certa o tempo todo. Provaria que meu pai estava certo o tempo todo! Qual das afirmações era a mais sensata? Ou melhor, a menos insana?

Decidi fingir que ele era mesmo o cara e que eu era muito inteligente.

– Eu sei de tudo, Niklaus. Eu estudo vocês. – exclamei, sentindo por um segundo que havia acabado de criar a situação que me manteria viva. Afinal, Niklaus não iria me matar caso precisasse saber de tudo o que eu sei.

– Pois bem, amor. - ele disse, se sentando no sofá ao meu lado. - Então comece me contando tudo o que sabe.

Legal. Agora ao invés dele responder minhas perguntas, eu responderia as dele. E se eu tinha certeza de alguma coisa naquele momento, era que nada mais fazia sentido na minha vida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.