Chasing For The Sun
12 Start of Time
Notas iniciais

Acordei com Louis me sacudindo de maneira eufórica, devia estar considerando se deveria ou não jogar água em mim.
"Anthony, Anthony..." Exclamava agitado e algo em sua fala (provavelmente o fato de ter usado meu nome) me fez perceber que algo de ruim acontecera "As meninas! Elas sumiram...Eu procurei! E tem uma estranha lá embaixo".
"Deve ser alguma visita da sua mãe" Murmurei sonolento enquanto me virava na cama para encarar a parede.
"A minha mãe também sumiu, e o cachorro, e o Tobias..."
"Talvez elas e ele saíram e foram comprar o café da manhã? " Propus, pouco animado.
"Iriam me avisar, sei que iriam..." Ele começou a me empurrar para fora da cama " Vamos sair agora mesmo dessa casa!"
"Posso escovar os dentes? " Sentei — me na cama coçando meus olhos e apenas pela expressão irônica do francês já consegui a resposta "Está bem, está bem... Mas não me responsabilizo pelas bactérias do meu mal hálito".
Conforme minha visão sonolenta ia voltando ao normal , percebi que algo na casa estava diferente. Não consegui identificar o que era, mas algo me incomodava, como uma espécie de sexto sentindo berrasse em minha mente: "Fuja!", mas fugir para onde?; De repente, escutei gritos fora do quarto e, embora eu não conheça muito bem a língua francesa, percebi que se tratava de uma briga e vários insultos pairavam no ar. Antes que eu pudesse tomar qualquer altitude, uma criança com algum ferimento que sangrava entrou no quarto e correu para o guarda-roupa (provavelmente sem nos ter vistos).
"Se esconde" Pude escutar a voz baixa de Louis e, quando me virei para questionar o que estava acontecendo ele me empurrou para algum esconderijo atrás de uma escrivaninha.
Uma mulher furiosa entrou no quarto, gritando mais coisas em francês até que se calou repentinamente, fazendo que o único som no quarto fosse as lamentações vindas do sussurro da criança escondida. Ela começou a caminhar lentamente em direção ao guarda — roupa até que parou ponderando se devia mesmo abri-lo, e foi nesse momento que percebi algo a mais em sua expressão além da raiva estampada em sua face: medo, medo daquela criança. Então a mulher deu meia volta e desceu as escadas, prometendo que voltaria mais tarde e os murmúrios da criança pararam, como se ela não estivesse mais ali.
"Tommy" Edwin saiu do seu esconderijo e veio em minha direção enquanto eu engatinhava para sair de trás da escrivaninha "Vamos sair daqui logo, por favor..."
"Tá" Me levantei batendo nas minhas pernas para tirar o pó das minhas calças "Mas a gente podia ajudar aquele garoto primeiro, não é?"
"Não se preocupe com ele, irá ficar bem".
"Ah é? E como você pode saber?" Ergui somente uma sobrancelha (expressão que treinei muito em frente ao espelho para realiza-la).
"Porque EU sou aquele garoto".
Arregalei meus olhos, como poderia existir uma cópia mais nova de uma pessoa!? Milhões de perguntas se passaram em minha cabeça, me fazendo ficar zonzo e, por um momento pensei que meus sentidos iriam todos explodir (mesmo sendo cientificamente impossível) e eu iria desmaiar, mas por algum motivo apenas assenti em silêncio, um gesto que significava: "Nada de perguntas agora" e Edwin esboçou um sorriso — ou pelo menos tentou esboçar um — na tentativa de me fazer sentir melhor.
"As escadas" Sussurrou "Vamos rápido descer as escadas".
Pensei que descer as escadas sem sermos vistos ou ouvidos seria uma tarefa impossível, mas o próprio fato do sol ter desaparecido já é algo teoricamente impossível. Logo depois que descemos, escutamos passos distantes, e Louis me puxou para trás da escada, me livrando novamente de um encontro indesejável. Observamos enquanto a mesma mulher abria a porta, saindo da casa. Enquanto estávamos escondidos uma pergunta me veio a mente, já fazia certo tempo que eu a guardava, esperando o momento certo.
"Edwin..." Chamei, e comecei a escolher as palavras que iria usar (totalmente sem sucesso) "Bom... Você e a Wendy estavam abraçados e, vocês estão...? Hum..."
"Namorando?" Completou ele.
"Bem, eu ia perguntar se vocês estavam... Se você gosta dela".
"Eu gostar da Wendy?"
"Você gosta da Wendy?"
Ele fez uma careta estranha, então modificou sua expressão para uma careta mais estranha ainda e percebi que definitivamente não sou bom em traduzir linguagem corporal.
"Bem... Eu gosto dela como amiga e, aquilo foi porque eu estava em um momento emocional ruim. Ela é legal" Pensei que ele não iria falar mais nada, até que deu de ombros e continuou "Além do mais acho que ela gosta do Tobias".
"Mas por que raios alguém iria gostar do To..." Parei de falar porque lembrei que Louis e Tobias são amigos "Deixa para lá".
Edwin segurou meu ante-braço e me puxou para fora da escada, indicando com a cabeça a porta e ao me soltar obedeci suas ordens. Avistamos as meninas (com exceção de Nathalie) e Tobias na calçada, acenando.
"Vocês só sabem dormir?" Tobias murmurou.
Então notei um detalhe crucial, estava de dia. O sol estava alto no céu e, me detestei por um segundo por não ter percebido isso antes.
"Pelo jeito, alguém resolveu nosso problema" Edwin estava olhando para o céu.
"Qual deles?" Charlotte questionou, seus cabelos ruivos extremamente lindos formavam leves cachos.
"O que quer dizer com isso?" Indaguei.
Então, Charlotte fez um movimento com a boca que apenas ela sabe fazer e eu já sabia o que isso significava.
"Isso vai soar muito estranho... Mas voltamos no tempo".
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