Chasing For The Sun
10 Fireproof
Notas iniciais

Tobias, Wendy e Louis foram os únicos que ficaram de todos do nosso grupo e (com exceção de Wendy) eram as últimas pessoas que eu esperaria que ficassem.
Estavam todos sentados na mesa redonda da cozinha quando cheguei, a casa estava sendo iluminada por velas devido ao apagão, Louis abriu um sorriso logo que me viu.
"Temos muito o que conversar, cara..." Ele declarou "Mas estou feliz que não tenha desistido".
"É, temos muito o que conversar..." Fitei minha mãe e ela assentiu com a cabeça silenciosamente "Mas... Mais tarde, precisamos achar Apolo".
Tobias levantou-se e aplaudiu teatralmente.
–Não aguento mais essa escuridão! — Justificou.
Wendy levantou sua mão esperando permissão para opinar (creio que em um antigo hábito escolar).
–Vocês acham que esse apagão tem a ver com seja lá quem tenha sequestrado Apolo? — Ela mordeu os lábios.
Não tinha pensando na possibilidade de Apolo ter sido sequestrado, mas é uma boa teoria, isso explicaria muita coisa.
–Talvez, mas o problema não é o apagão — Afirmei.
–Não? — Tobias questionou confuso.
–Nós vamos entrar no inverno! Como vão ser as temperaturas sem o sol? — Completei enquanto me sentava na mesa — Charlotte disse que por ser mágica não estamos a aproximadamente –300 graus celsius, mas... E com a neve? Quem vai derrete-la? E se ela começar a se acumular até uma nova "Era do Gelo"?
Isso é só mais um dos nossos problemas — Louis abanou a cabeça.
–O que quer dizer com isso? — Wendy se virou em sua direção — Temos mais problemas!?
–Para começar, é possível termos mais problemas? — Tobias cruzou os braços, sério.
–Pessoal, pensem! Deve ter um motivo para ocorrer um apagão, nada é em vão. Alguma coisa está por vir e seja lá o que for esperou o momento certo.
–Momento certo? — Dessa vez fui eu quem cruzou os braços.
–Ele está certo -Tobias confirmou- Não está na cara? Foi tudo armado! A voz de Apolo te dizendo para vir até aqui, alguma coisa me dizendo para que me matasse, vocês encontrarem a mãe de vocês e a briga que nos separou!
–Estamos em menor número agora e estamos mais fracos — Louis finalizou, fitando um ponto fixo.
Todos calaram-se, eles estão certos. Tudo foi uma armadilha, e caímos direitinho.Desabei minha cabeça na mesa, soluçando.
–Tommy? Você está bem? — Wendy indagou preocupada, correndo para minha direção.
–Lembra que Louis disse que eu iria ser "responsável pelo desastre?" — Murmurei erguendo minha cabeça — Você estava certo! Todo mundo vai morrer pela minha culpa, inclusive vocês!
– Isso não é verdade Tommy... — Minha mãe começou a falar mas eu a interrompi.
–Eu nunca fiz nada de importante e quando tive a oportunidade consegui exterminar a raça humana! Vamos todos morrer, pela minha culpa, pelas minhas mentiras!
Não queria que as pessoas me vissem chorando, então me levantei e sai de casa, caminhando em direção do portão.
"Acho que você não vai querer ir embora sem antes ouvir o que eu tenho para te dizer" Louis murmurou, sentado nos degraus que ficam a frente da porta e lembrei que tinha que considerar a ideia de ser menos curioso. Ergui uma das sobrancelhas, hesitando e fui em sua direção.
"Você acha que eu teria ficado aqui te esperando se não confiasse em você?" Ele começou "Tommy, você nunca foi inútil. Só porque você não é bom em alguma coisa não quer dizer que você não seja bom em nada. Tá, e daí que você não é bom no jogo da Caça a Bandeira? Ou nos treinamentos? Ou em física? Ou... Deixa para lá, mas tem várias coisas que você é bom".
"É, tipo levar todo mundo para uma armadilha " Disse sarcasticamente.
"Você acha que todas as missões que liderei foram tão importantes quanta essa? Mas eu nunca duvidei de mim mesmo e esse é seu erro, você não acredita em você mesmo e a dúvida te faz fracassar. Tommy seu maior inimigo é você mesmo! ".
" ... "
"Eu posso ter sido chato com você esses anos todos, mas é meu jeito de ser. Eu sempre quis ser seu amigo Tommy, mas você nunca percebeu".
Nunca tinha parado para pensar nas várias tentativas que ele esticara a mão para me ajudar a levantar ; ou que ele me chamara para se sentar ao seu lado. Parei de soluçar e sorri, ele era minha família agora, a família que sempre quis ter.
"Garotos!" Wendy abriu a porta que acidentalmente bateu nas costas do francês "Vocês estão prontos?"
"Mais que pronto!" Levantei bati em meu peito "Nós vamos trazer o sol de volta".
"Mas vocês bem que podiam abrir o portão primeiro, não é mesmo?" Tive um sobressalto ao escutar isso, eu conhecia essa voz, olhei para o portão e fiquei perplexo ao ver quem estava lá.
Era ela.
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