Chasing For The Sun
1 Are We Out Of The Woods?

Meu nome é Anthony Griezhann mas todos me chamam de Tommy. Moro no Acampamento desde meus três anos de idade. No momento, estou no meio de uma discussão sobre: "eu não quero a desgraça do Tommy no meu time, falando sério, ele serve para alguma coisa?"e essa era a típica discussão antes de um novo jogo de Caça a Bandeira.
"Não precisam brigar por mim, é sério, eu insisto..." Murmuro cruzando meus braços.
"Ele já foi no time vermelho semana passada, é a vez dele ser do time azul! " Alguém opina.
Coloco o elmo azul sobre minha cabeça enquanto escuto o líder (mais conhecido como Rony Wollwood) sussurrando: "E você Tommy, vai ser a isca".
Suspiro com reprovação, eu sempre sou a inútil isca na Caça a Bandeira uma vez que minhas habilidades — como dizia nosso ilustre líder filho de Atena – "não são desenvolvidas fisicamente o suficiente para exercer funções mais importantes que a isca" (mas na verdade, a função "isca" é um modo educado de se dizer: cara, senta lá no canto observando e deixe seus superiores jogarem).
–Você, Louis...- Disse o líder executando um bico ridículo ao pronunciar "ou" -Vai ser o atacante principal.
Dou de ombros. Louis Edwin era um mimado, arrogante e invejoso francês, filho de Hades ( era bem diferente de seus poucos irmãos). As pessoas o consideravam um rei soberano e sempre ficavam se humilhando aos seus pés
–Tommy, têm ciúmes do Louis! — Cantarolou Tobias (lacaio do francês) e me segurei para não dar um soco na cara dele.
–Tobias, será que você pode parar de arrancar a crista do elmo do seu coleguinha?- Disse Elizabeth — Obrigada.
Elizabeth Parker é basicamente nossa segunda líder (eu não me surpreenderia se ela e Rony namorassem, ficam juntos o tempo todo), inteligente, ruiva, estudiosa, organizada, bonita — deve ser por esses motivos (principalmente o último) que ela não é parecida com seu irmão Tobias Parker, e quando digo irmãos, quero dizer por parte de mãe uma vez que são filhos de Hermes.
Quíron assoprou o apito , dando início a mais uma longa e entediante Caça a Bandeira. O time vermelho fez seu tradicional grito de guerra , levantaram suas espadas em sincronia (eles ensaiam toda as manhãs para que o ritmo ficasse perfeito) e correram para o nosso lado oposto, a fim de esconder sua bandeira. Louis — o francês que exige o ênfase nas vogais "ou" de seu nome quando pronunciados erroneamente — me empurrou, essa agressão violenta e familiar sinalizava que era minha vez de correr em direção oposta ao nosso time e ficar exercendo minha bela função de isca em algum lugar onde não tenha ninguém (para não correr o risco de atrapalhar o jogo da vossa excelência).
Corri em direção aos pinheiros e me sentei próximo ao riacho, fazendo círculos na água com meus dedos e admirando a arte de não se fazer absolutamente nada enquanto todos os seus coleguinhas estão se matando. Escutei um barulho atrás de mim e me levantei:
–Olá? — Perguntei, procurando algum sinal de vida no meio da vegetação -Tem alguém ai?
Nada. Deixei minha espada preparada.
–Eu sei que você está aí quem quer que seja... — Fiz uma pausa e completei — E sei que você não é um coelho inofensivo, não adianta fingir. Eu também não sou uma isca inofensiva, sou uma isca bem perigosa! Por que você acha que eles me colocam longe do jogo?
–Porque você é uma "isca perigosa" — Louis saiu de trás da vegetação rindo.
–O que você está fazendo aqui? — Indaguei, guardando minha espada de volta a bainha.
–Vim ver se a "isca perigosa" estava bem e não sendo quase morto por um coelho inofensivo — Ele riu, revirei meu olhos — Cara, você devia me agradecer em vez de fazer gestos irônicos, você podia estar sendo nesse exato momento atacado por alguém até a morte e eu ia aparecer heroicamente para te salvar.
–Mas eu não estava — Cruzei os braços — E é proibido matar nesse jogo, mas é permitido ferir gravemente.
De repente, alguém se rastejou para fora da vegetação, parou e sentou-se, dei um salto para trás tentando focalizar a imagem, e uma garota ruiva, com sardas e cabelos despenteados surgiu em minha visão. Rachel.
–Tommy? — Encarei — a, parecia fora de si, a órbita de seus olhos estavam brancos e uma névoa esverdeada a rodeava — O sol... — ela gesticulava com as mãos agitadamente — O sol... O sol... O sol...
–Gente...? — Ajoelhei- me ao seu lado, segurei sua mão tentando faze -la falar, Rachel olhava fixamente para baixo.
– O sol... O sol!
–O que tem o sol? — Olhei para Louis em busca de ajuda, mas ele parecia paralisado.
Ela olhou-me com suas órbitas oculares vazias, abriu a boca bruscamente e gritou tão alto que tive de tapar os ouvidos com as mãos: "O SOL!".
Em seguida, seus olhos voltaram ao normal, ela me encarou fixamente.
– Você lembra do que aconteceu? -Perguntei, ela permaneceu em silêncio -O sol? Você não se lembra o que ia dizer? O que tem o sol?
Rachel levantou a cabeça e olhou para o céu, ela não se lembrava de nada.
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