Notas iniciais
Depois de algum tempo, ta aí o novo cap, ueheuhe

–Nós vamos de moto?.-ela perguntou quando viu que eu estava sentada em uma. Ela estava linda, estava usando uma camiseta regata maior que ela e por cima um casaquinho preto com calça jeans azul escura e com uma bota cor de caramelo.Seus cabelos estavam amarrados em um coque mal feito e tinha uma bolsa pedurada do lado esquerdo do corpo que era preta também.Soltei um suspiro.

–Infelizmente não.-me levantei da moto e fui abrir a porta do carro para ela.-vamos com o carro do hospital.-ela veio e parou do lado da porta aberta, me olhou por um momento e entrou no carro.

–Ainda bem.-ela falou antes que eu fechasse a porta do carro.

Fui até o lado do motorista e entrei no carro também.

–Por que?Tem algo contra motos também?.-perguntei dando a partida no carro.

–Não muito, mas acho que você não é uma pessoa muito boa pra pilotar uma moto.-ela disse e estava de braços cruzados e olhando para frente.

Soltei um riso.

–Olha em questão de transito sou uma pessoa bem responsável e coloque o cinto.-falei colocando o meu também.

–Não me importo se batermos o carro e morrer, de qualquer jeito vou morrer mesmo.-ela ainda estava de braços cruzados.

–Não quero ser a responsável por sua morte e como falei não vou deixar nada te acontecer.-paramos em um sinal vermelho me curvei sobre ela e estava puxando o cinto.

–Deixa que eu coloco.-ela falou e empurrou de leve minha mão.Sua pele era quente.

Voltei para para meu acento e andei com o carro assim que o sinal ficou verde.

Já fazia vinte minutos que estávamos na estrada e ela não falou nada durante todo esse tempo,ela estava com a cabeça encostada no vidro do carro de olhos fechados.

Resolvi ligar o radio. Estava tocando Wait for Me do Kings of Leon e comecei a cantarolar já que era uma das minhas musicas preferidas.

Wait for me, wait for me

Oh, it's all better now, it's all better now

Wait for me, wait for me

Enquanto cantava ela soltou um suspiro.

–Que foi?Não canto tão mal assim vai.

–Não é isso, é a letra da musica.-ela disse ainda encostada no vidro e de olhos fechados.

–É bonita né?.- falei com um sorriso no rosto.

–Na verdade é uma verdadeira mentira.

–Hã?.-perguntei soltando um riso.

–Ninguem arrisca nada por você e nada fica bem, no final todos te abandonam.-ela tinha aberto os olhos e estava olhando para frente.

–Alguma decepção amorosa é?-perguntei olhando ela de lado.

–Não, isso é só um fato da vida.Me impressiona você acreditar nisso.-ela falou passando seus olhos por mim.

Que mal há em acreditar e viver o amor? Tudo bem que um só se fode mas mesmo assim acho que ainda vale a pena.-disse parando o carro no acostamento.-Chegamos.-abri a minha porta. Andei até a frente do portão que pertencia a um antigo parque, esperei que ela viesse ficar ao meu lado mas quando olhei para trás ela ainda estava dentro do carro.

Fui até o lado do passageiro e abri a porta.

–E ai, não vai sair?Temos que fazer uma boa caminhada e se você quer que isso acabe logo, é melhor começar a se mecher.

–Se você não viu, o parque já esta fechado e pelo visto a muito tempo.

–Não tem problema, conheço esse parque como a palma da minha mão, vamos logo.-fui até o começo da trilha aonde tinha uma placa do parque.

–Tem certeza que é seguro?-ela perguntou e já estava atras de mim.

Ri com a preocupação dela.

–Claro que tenho, se não tivesse não ia te trazer aqui.Tá com medinho é?.-disse a provocando.

–Não.-ela saiu andando para a mata a minha frente.

–É só seguir a trilha tá.-gritei para ela em quanto sumia da minha vista.

Estávamos andando a meia hora e como sempre ela não dizia nada.Nadinha mesmo, nem mesmo reclamava, o que era estranho já que ela só fazia isso.Ela ainda estava a minha frente mas não me importava nem um pouco, já que indo atras dela poderia ficar a observando.As vezes o vento trazia seu cheiro até mim e eu enchia os meus pulmoes com ele.A luz que entrava entre as copas das arvores faziam seu cabelo parecer mais ruivo.Ela tinha tirado o casaco e sua pele estava mais branca, com pequenas pintinhas laranjas.

–Estamos quase chegando.-disse depois de mais alguns minutos de caminhada.

Ela não falou nada, só fez um movimento com os ombros, como se fosse um tanto faz.

–Posso fazer uma pergunta?.-ela não falou nada de novo, agora fez uma gesto com a cabeça para que eu prosseguisse.-qual é sue primeiro nome?.-percebi que até agora não sabia o primeiro nome dela.

–Giulia.

–Bonito nome Giu. E ela parou de andar do nada e se virou para mim, ficando a poucos centimetros do meu rosto, parecia furiosa.

–Nunca, em hipótese alguma me chame de Giu.-ela disse com os dentes cerrados.

–Que mal há em um apelido?.-disse inocentemente.

–Não gosto de apelidos.

Ela ficou me encarando por um tempo sem dizer nada.Ela estava tão perto de mim que dava para sentir sua respiração, se não fosse o fato de que ela estava brigando comigo, tinha a beijado naquele mesmo momento, mesmo tendo certeza de que levaria um soco em seguida.

–Não posso fazer nada.-eu disse por fim.

Ela puxou o ar para os pulmões com uma certa dificuldade e o soltou e saiu em dispara pela trilha mais irritada do que nunca.Se não fosse a minha preocupação depois de ver como ela estava respirando com dificuldade teria rido da reação dela.

Comecei a andar de novo e ela saiu da minha visão ao passar por um conjunto de arvores, parei ao chegar perto delas e ouvi um 'nossa' vindo da clareira.Entrei logo em seguida, ela parecia maravilhada com tudo aquilo.Tinha deixado sua bolsa cair no chão e estava olhando de um lado para o outro da clareira.Quando uma brisa mais forte passou sobre nos ela fechou os olhos e eu me aproximei parando na frente dela.Ergui minha mão pra tocar seu rosto mas desisti, deixaria ela aproveitar isso sem fazer nenhuma besteira pra estragar tudo.

Fui até o meio da clareira e me deitei.Fiquei de olhos fechados absorvendo o sol que esquentava de leve minha pele.

–Obrigada.-Giulia disse.

Abri os olhos e ela estava sentada ao meu lado, com as pernas cruzadas e olhando diretamente para mim, seu olhar também era de agradecimento.

–Que bom que gostou.-disse a olhando também, com uma certa dificuldade já que o sol fazia com que eu cerrasse um pouco meus olhos.

–E tem como não gostar.-ela jogou os braços para trás junto com a cabeça, como se estivesse dando um grande abraço na clareira.

Fiquei a observando por mais um tempo até fechar meus olhos novamente.Era bom ver ela sorrindo e feliz, ainda mais sabendo que eu tinha proporcionado essa felicidade a ela.

–Aconteceu alguma coisa?.-ela falou com uma certa preocupação.

Me levantei e fiquei na frente dela com as pernas cruzadas também.Nossos joelhos se encostavam um pouco.

–Você é bipolar?.-respondi sua pergunta com outra.

–Eu?Não, por que?

–Porque a menos de dez minutos só faltou você me bater porque te chamei de Giu e agora me pergunta se aconteceu alguma coisa?Que preocupação repentina é essa?Vai ser legal comigo porque te trouxe aqui?-e ela voltou novamente com uma expressão brava, mas logo em seguida relaxou.

–Porque a menos de dez minutos só faltou você me bater porque te chamei de Giu e agora me pergunta se aconteceu alguma coisa?Que preocupação repentina é essa?Vai ser legal comigo porque te trouxe aqui?-e ela voltou novamente com uma expressão brava, mas logo em seguida relaxou.

–Você...-ela começou a falar e parecia relutante.Esperei que ela continuasse.-Você é legal, as vezes...-comecei a sorrir.-mas você também me irrita demais, a primeira vez que você falou comigo pensei que era da ala psiquiátrica do hospital, porque falar aquilo pra uma pessoa que você não conhece é no minimo estranho e você é tão...tão...

–Irresistível?Charmosa?Surpreendente?.-não deixei ela terminar e fui jogando um monte de palavras em cima dela.

–Da pra deixar eu falar?.-ela soltou um suspiro.-você é diferente sabe, até agora você não me perguntou da minha doença e também não me trata bem só porque estou assim, sabe todos calculam o que vão falar tentando não me magoar ou qualquer coisa do tipo e você não, você fala o que pensa e nem se importa de brigar comigo ou falar alguma besteira que todos pensam que é errado falar e isso é uma coisa que eu posso dizer que gosto em você.Você... não sente pena de mim...eu acho pelo menos.

–Você é mais do que sua doença, claro que você não vai querer falar toda hora dela e acho que a pior coisa e todos mudarem com você por causa de pena, então nada de parar com as brincadeirinhas e também você vai ficar bem.

Ela deu um sorriso meio desanimado e olhou para baixo.

–Não tenho certeza dessa ultima parte.-ela falou quase como um sussurro.-já faz dois messes desde que eu descobri e acho que o tratamento não esta fazendo nenhum efeito.-ela levantou a cabeça e olhou nos meus olhos.-meus cabelos começaram a cair.-ela passou a mão pelo cabelo e saiu alguns fios em seus dedos.

Fique procurando na minha mente o que falar pra ela, como naqueles filmes em que fazem um discurso mega emocionante.

–Olha.-comecei a falar.-eu não entendo nada disso mas você vai ficar bem, hoje em dia os tratamentos estão avançados e você começou agora o tratamento, só questão de tempo e tudo volta ao normal.

–Quem diria, você é boazinha também.-ela colocou uma mecha do cabelos atras da orelha mas não olhou pra mim.

–Quando eu tenho que ser eu sou e cabelo cresce de novo.-peguei uma mecha do cabelo dela e puxei pra frente do seu rosto ela olhou para mim, seus olhos estavam úmidos.

Ela deu um meio sorriso e não falou mais nada, ficamos ali, uma olhando pra outra e era a primeira vez que o clima entre nos duas estava leve.

–Se a gente estivesse em um filme esse seria o momento ideal pra um beijo.-e é logico que eu tinha que falar alguma besteira.

–Então é verídico? Você beija garotas.-ela falou rindo.-e eu não vou te beijar.Como você consegue dar um tom sexual a conversa com uma pessoa que você conhece não faz nem dois dias?

–É assim que se ganha intimidade não é?

–É acho que sim.-disse e deu um sorriso.

–Então vai me beijar?ganhamos mais intimidade ainda.-falei em tom de brincadeira e ela tinha um meio sorrio no rosto.

–Ah desculpa, mas você não faz meu tipo.

–Eu faço o tipo de todo mundo, então faço o seu também.

Fui pra cima dela, estava apoiando as duas mãos no chão ao seu redor e encostei a ponta do meu nariz em se pescoço.Ela não me afastou, ficou parada, não mexia se quer um musculo.

Apenas depositei um beijo em seu rosto me levantando, ela ficou me olhando com a boca entreaberta.

–Vamos, vou te levar em outro lugar.

Estendi minha mão e dessa vez ela a pegou.