Charmed

5 Capítulo 4


Eiri

Acho que acabei de chegar ao fundo do poço, ou ao menos considerava o cúmulo do absurdo a minha situação atual. De tudo o que os meus irmãos já me pediram na vida, ser babá de estrela do rock era a última coisa que pensei em fazer nela. Afinal, eu era um homem ocupado, tinha livros para escrever, prazos para cumprir e só porque o meu trabalho me permitia que eu ficasse em casa, não significava que estava com tempo livre. E por que logo eu tinha que fazer isto? Por que não Mika? Ela sim ficava à toa. Pois se realmente quisesse me convencer de que chás beneficentes e jantares de caridade eram ocupação profissional, ela estava longe de conseguir o seu intento.

Mas não, a tarefa teve que recair sobre Eiri. Por quê? Simples: eu era o irmão que previa o futuro, eu que sempre estava um passo à frente de tudo. Então, sobra para mim fazer esta palhaçada. Entretanto, na minha sincera opinião, eu deixaria Sakuma se ferrar sozinho, pois tinha mais o que fazer do meu tempo. O homem já foi avisado, já tinha consciência de que o que queria matá-lo não era humano, então eu lavaria as minhas mãos. Se ele recusava ajuda, quem sou eu para forçá-lo? Mas Mika, como sempre, usou de mil e um argumentos para me convencer de que precisávamos permanecer nesta empreitada, que Sakuma era um inocente como qualquer outro e eu nem vou começar pelo quanto Tatsuha também me pentelhou. Logo ele que foi o primeiro a deixar Ryuichi partir.

Mas, segundo ele, havia feito isto para dar espaço ao Sakuma, deixá-lo pensar e avaliar melhor a situação. Hunf, quis rir diante da ironia. Pensar? Não creio que este seja o forte de Ryuichi. Não com aquele jeito ridiculamente infantil e a expressão abitolada que ele sempre ostentava. E agora eu tinha que rir da minha ironia. Era o torto falando mal do rasgado. Sakuma era um abitolado enquanto eu era um imbecil sem causa que namorava outro abitolado. Afinal, era o sonho de consumo do Shuichi ser igual ao seu ídolo, vocalista do Nittle Grasper, também conhecido como, surpresa, surpresa, Ryuichi Sakuma. Olha só como as coincidências sabiam ser cruéis.

E então foi assim que me vi em frente ao prédio da NG, fumando meu nonagésimo cigarro do dia e debatendo se entrava ou não naquele edifício. Se fizesse isto, não só teria que lidar com um Shuichi histérico que pensaria erroneamente que eu estava ali por causa dele, como também com um Tohma super protetor, o que me irritava aos extremos. Sei que o sujeito está mergulhado na culpa, mas auto flagelação tinha limites. E acho que eu também não ajudava com as minhas cenas dramáticas ocasionais. Kitazawa foi um trauma na minha vida que ainda me perseguia vez ou outra, mas sendo um empata desde que me conheço como gente, o que mais me feriu foi saber que mesmo me amando de verdade ele não conseguiu escapar de sua natureza demoníaca e evitar o que aconteceu. E, claro, que extingui-lo, mandá-lo literalmente para os quintos dos infernos, não me ajudou emocionalmente.

Por isso se hoje as pessoas me consideravam um bastardo frio e sem coração, não era porque eu era incapaz de sentir, pelo contrário, eu sentia o suficiente. O problema era que para mim era difícil me permitir entregar às emoções. E obviamente que a eterna vibração de culpa que Tohma emanava cada vez que me via não ajudava. Assim como as ondas de amor e mais amor vindas de Shuichi sobre a minha pessoa. Era assustador saber que alguém poderia me amar tanto e me aterrorizava ao perceber que eu não sabia lidar com isto. Era ridículo, mas eu era um empata que não sabia lidar com emoções.

- Eiri? — inferno, e por falar no mártir número um do ano virei-me para ver Tohma parado perto dos elevadores, cercado por produtores e assistentes e por um momento considerei em dar meia volta e partir dali, fingindo que não o vi, mas os meus planos foram por água abaixo quando o loiro afastou-se da horda de pessoas e veio em minha direção. — O que faz aqui? — dei uma tragada em meu cigarro, segurando a tentação de soltar uma baforada de nicotina no rosto eternamente jovial de Seguchi.

Não me levem a mal, eu tinha um certo apreço por Tohma. Apesar de tudo o que aconteceu em Nova Iorque não posso negar que ele foi de grande ajuda para a minha elevação profissional. O tempo que passei na América me ajudou a conseguir uma bolsa em uma boa universidade japonesa, o que aprendi lá, o que eu vivi lá por mais doloroso que tenha sido me ajudou a amadurecer o suficiente para fazer o meu primeiro esboço de livro. Mas tudo isto não mudava o fato de que por mais que tentasse, para mim, Seguchi ainda não era bom o suficiente para a minha irmã. Podem chamar de ciúmes de irmão mais novo, superproteção, mas Mika sempre foi uma mulher de ação e não de ociosidade, mas desde que se casou com Tohma tudo o que ela tem feito é sorrir para as câmeras e posar como a boa esposa que era. Agradeço pelo menos dela não ter adotado o sobrenome Seguchi, porque sei que se tivesse feito isto mamãe voltaria do além para perturbá-la.

O nome Uesugi era poderoso na comunidade mágica, conhecido há gerações, sinônimo de magia branca, e se ela ousasse desfazer-se do mesmo creio que seria atormentada pelos restos de seus dias por nossos antepassados. Certo que eu mesmo não o usava, mas o meu caso era diferente. Yuki era apenas um pseudônimo que eu usava para assinar livros e dar autógrafos. Na minha identidade ainda tinha o Uesugi, muito obrigado.

- Bancando a babá. — respondi com um resmungo quando ele chegou perto o suficiente para me ouvir.

- Como? — Tohma piscou para mim com aqueles grandes e nada inocentes olhos verdes. Por mais angelical que fosse aquela face o loiro não me enganava e eu confesso que mais de uma vez tentei, só por desencargo de consciência, extingui-lo, apenas para ter provado mais uma vez que Seguchi era um mero mortal. Mas convenhamos que às vezes Tohma era tão assustador quanto um demônio.

- Mika lhe contou a história, certo? — o vi torcer o nariz e ficar pálido. Parecia que a palavra magia e Seguchi não se misturavam e eu não conseguia entender como depois de dois meses ele ainda não tinha absorvido o fato de que a própria mulher era uma bruxa. Acho que já estava mais do que na hora dele desfazer-se do choque e voltar a realidade. Se quisesse poderia pedir a Tatsuha que o ajudasse. Uma explosão bem dada com certeza o acordaria de seu torpor, além de ser uma coisa hilária de se ver. — Pois então, Sakuma ainda corre perigo ao nosso ver, ainda mais que não sabemos quem é o dem... — ele ficou mais pálido antes mesmo de eu terminar de pronunciar a palavra e rolei os olhos. — quem é o seu atacante. — corrigi somente porque não queria vê-lo dando um chilique na recepção de seu próprio prédio, o que seria extremamente divertido para mim mas absurdamente vergonhoso para ele. — Por isso estou aqui.

- Não entendo. — suspirei, agora exalando a nuvem de nicotina sobre ele e vendo com divertimento ele tossir por causa da mesma.

- Quero tentar uma premonição com o Sakuma. — assim que parou o acesso de tosse, Tohma voltou o seu olhar confuso para a minha pessoa e eu rolei mais uma vez os olhos. — Seguchi, convenhamos, faz meses que Mika te contou a verdade, então está mais do que na hora de engolir a sua incredulidade e seguir com a sua vida. Deixa de ser covarde homem, muitos matariam para estar no seu lugar. Casada com a mais velha dos... — pigarreei, mudando de assunto rapidamente. — estar casado com ela é uma honra.

- Eu sei. — Seguchi me respondeu seriamente. — Mas não é algo fácil de aceitar.

- Pois trate de aceitar, porque – nisto me inclinei para sussurrar em seu ouvido. — para o seu conhecimento eu sou o melhor para escrever feitiços e não me sentiria nem um pouco culpado em transformá-lo em um sapo se você magoá-la. — o vi engolir em seco e senti uma onda de satisfação percorrer o meu corpo ao captar de Tohma que a minha ameaça o amedrontava mais do que o fato de que dormia com uma bruxa. — Agora onde está aquele idiota que você chama de cantor?

- Quem? Shuichi? — provocou e eu sorri de canto de boca. Ah, esse era o bom e velho Seguchi pelo qual nenhum de nós, exceto Mika, morria de amores.

- Sakuma.

- Estúdio quatro, segundo andar. — respondeu com um suspiro e eu caminhei para o elevador, pressionando o dedo no chamador. — Eiri... Ryuichi é tão teimoso quanto eu e como eu não vai aceitar as coisas facilmente a não ser que a realidade o morda no traseiro de maneira dolorosa.

- Sem problemas. Fazer os outros verem a realidade é a minha especialidade. — sorri matreiro e entrei no elevador assim que as portas do mesmo se abriram. Estava na hora de “socar” um pouco de bom senso em uma certa estrela do rock.

Ryuichi

O ritmo ecoou no estúdio com os seus teclados, bateria, guitarra, esperando somente pela minha voz, pelo complemento. A batida soou em meus ouvidos enquanto os meus dedos tamborilavam sobre a coxa contando o compasso. Esperei a minha deixa, deixando sem querer a minha mente divagar sobre o que aconteceu nos últimos dois dias. Lembrei do ataque repentino e de tudo o que aprendi. Lembrei do confronto com Tohma, informando a ele que sabia o que Mika era e a reação do mesmo de surpresa. Lembrei da discussão com os irmãos Uesugi e do ataque e me lembrei de Tatsuha. Por que, eu não sei, mas tinha que confessar que as memórias referentes a ele não me saíam da cabeça.

Se fechasse os olhos ainda podia ver os orbes escuros com o brilho familiar de fã que encontra o seu ídolo, ou da reação rápida do mesmo quando fomos atacados, e senti inveja. Ele parecia tão a vontade com tudo aquilo, para ele tudo parecia ser tão natural e percebi o quão tolo eu era. Óbvio que para ele aquilo era natural, pois ele cresceu naquele mundo e portanto o conceito que nós pobres mortais tínhamos sobre magia ser parte de simples contos de fadas não era parte da realidade dele. E lembrei, acima de tudo, que na minha pressa de fugir daquela loucura acabei deixando o livro da minha avó para trás.

- Ryuichi? — o chamado de Noriko me fez piscar intensamente e mirá-la através do vidro a prova de som. — Você perdeu a entrada. Algum problema? — problema? Tecnicamente não, isto até que vi outra pessoa familiar dentro do estúdio. Uma pessoa extremamente parecida com o rapaz que vinha inundando os meus pensamentos se não fosse pelos olhos claros e cabelos loiros.

- Não. Vamos de novo. — pedi e ouvi pelo meu fone de ouvido a introdução da música, desta vez me concentrando na mesma e apagando da memória qualquer outro pensamento que fosse me interromper.

Confesso que quanto estou no meu ambiente, no meu elemento, me perco no tempo e no espaço. Quando a canção começa, somente a batida que importa, somente o ritmo que vale e eu não meço esforços para permitir que o mesmo se apodere de minha pessoa, inundando o meu ser até transbordar, me obrigando a espalhar aquela sensação de êxtase para todos ao meu redor. Era disso que era feito o Nittle Grasper, de acordes, notas e emoção. Portanto, quando a gravação encerrou para aquele dia, não fiquei surpreso de ver que gastamos seis horas dentro do estúdio. Mas me surpreendi ao ver que Eiri Yuki não moveu um centímetro do lugar onde estava desde que chegou.

- O que faz aqui? — foi a primeira coisa que saiu da minha boca no momento que deixei o estúdio e fui ao encontro dele. Eiri somente arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços sobre o peito, fazendo uma expressão de desagrado.

- Bancando a babá. — resmungou contrariado, retirando do bolso da camisa um maço de cigarros e levando um canudo a boca.

- Não pode fumar dentro do estúdio. — o repreendi automaticamente, apontando a placa de proibido fumar perto da porta de entrada. Ele deu um relance para a mesma e soltou um ruído de escárnio, ignorando o aviso por completo e acendendo o cigarro. — Ainda não me respondeu...

- Respondi sim. Estou bancando a babá. — me olhou atravessado e eu senti um arrepio de temor descer a minha espinha diante daquela mirada, e parecia que ele percebeu o meu desconforto, pois me deu um sorriso de canto de boca nada inocente.

- Eu não preciso de babá...

- Tenho que discordar. Um demônio tentou te matar, não sabemos o porquê e quem ele era e infelizmente a nossa consciência, e nisto incluo os meus irmãos, não nos deixará em paz até resolvermos este problema.

- Consciência, você tem isso? — debochei, cruzando os braços sobre o peito em uma atitude petulante. — E onde estava a mesma em todas as vezes que você colocou o pobre do Shuichi para fora de casa ou disse a ele que o trabalho dele era uma porcaria? — Shuichi e eu poderíamos ser rivais no trabalho, mas fora dos palcos éramos bons amigos, pois o mesmo ainda me procurava como um pupilo ávido por conhecimento, mesmo que o objetivo dele fosse me superar, superar a força do Nittle Grasper. E talvez um dia ele consiga, pois todo pupilo está destinado a superar o seu mentor, mas este dia não era hoje. E para mim ele era mais que um aluno, ele era o irmãozinho mais novo que eu nunca tive e me partia o coração vê-lo chorar pelos cantos por causa das atitudes de Eiri.

- Minhas críticas o fizeram evoluir, não fizeram? As composições dele melhoraram neste último ano. — abri a boca para argumentar, mas se fosse pensar bem, neste ponto ele tinha razão. As alfinetadas de Eiri incitaram Shuichi a melhorar, o fizeram melhorar porque ele queria provar ao amante que podia ser um bom compositor. Mas e quanto a outra parte?

- E quanto as expulsões de sua casa, em que isto ajuda o Shuichi? — ele deu outra tragada longa no cigarro antes de responder.

- Em nada. Ajuda a mim. — resmungou, apagando o cigarro na sola do sapato e jogando a bimba na lixeira mais próxima. — Às vezes Shuichi é emotivo demais, o que me dá dor de cabeça.

- Como?

- Desgraça a minha, verdade. — soltou em um tom dramático. — Mika pode orbitar e mover coisas com a mente, Tatsuha explode e congela coisas, e o que sobra para mim? Prever o futuro e sentir emoções. Sinceramente não me serve de muita coisa. Eu queria algo mais impactante, algo que metesse mais medo, não que fizesse os demônios acharem que sou inútil.

- Você pode... Prever o futuro? — falei embasbacado. Prever o futuro era o que muitos gostariam de ser capazes de fazer, que muitos fingiam saber fazer, mas era a primeira vez que eu encontrava um vidente de verdade e ele não era em nada parecido com os esteriótipos que eu já vi por aí. — E sentir emoções. — continuei, agora em um tom desconfiado, cruzando os braços sobre o peito e o mirando intensamente. — Então sabe o que o Shuichi sente por você, e se sabe, por que ainda o trata como lixo? — Eiri nada respondeu, apenas desviou o olhar para o estúdio atrás de mim e depois retornou a me encarar.

- É... complicado. — deu de ombros. — E então, para onde vamos agora?

- O quê?

- Eu já lhe disse, sou a sua babá. — rolei os olhos. Eu não precisava de uma babá, até porque a pessoa que me atacou naquele dia não deu sinal de vida novamente. Logo, isto me leva a crer que ele cometeu um engano, que eu não era o que os irmãos Uesugi achavam que eu era e que poderia seguir com a minha vida normalmente, ignorando toda essa loucura sobre magia.

- Eu não preciso de babá. Sei me virar muito bem sozinho. — soltei petulante e com toda a intenção de ignorá-lo dei a meia volta por ele, pretendendo ir embora e encerrar aquele assunto. Mas mal cheguei a porta, senti dedos fortes fecharem contra o meu braço e virei em um estalo para encará-lo com a minha expressão mais amedrontadora, porém foi inútil. No momento em que me virei vi que ele estava com os olhos fechados firmemente e tinha soltado uma exclamação como se tivesse recebido um banho de água fria repentinamente. Apavorei, achando que ele estava prestes e ter um ataque ou me atacar, mas segundos depois desta estranha reação, Eiri somente abriu os olhos largamente e murmurou um “Tatsuha”, me soltando e saindo as pressas do estúdio.

O nome do caçula dos irmãos me fez, inconscientemente, seguir o escritor enquanto o mesmo descia apressado o corredor em direção aos elevadores, apertando o chamador com força e em um gesto impaciente.

- O que tem o Tatsuha? — Eiri surpreendeu-se ao me ver ao seu lado, com certeza não tendo esperado que eu o seguisse, e me mirou longamente antes de rolar os olhos para o teto e chamar em um tom firme:

- Mika! — soltou no mesmo instante em que as portas do elevador se abriram e ele praticamente se jogou dentro do aparelho. Ainda chocado com toda aquela reviravolta e me sentindo estranhamente incomodado, me arremessei dentro do elevador antes que as portas se fechassem e fui de encontro a parede dos fundos diante da força que empreguei em meu gesto. Eiri somente me lançou um olhar de esguelha diante da minha atitude insana e voltou a mirar o teto.

- Mika! Eu sei que você está me ouvido. — continuou e eu me senti ainda mais apreensivo, porque o que quer que tenha acontecido naquele segundo que ele me tocou estava relacionado a Tatsuha, e pela urgência com que ele estava chamando a irmã com certeza não era nada bom.

- Você teve uma visão, não foi? — declarei depois de segundos ponderando a situação e de tudo o que aprendi sobre aquela família. Eiri nada respondeu, apenas focou no visor que indicava a passagem dos andares, percebendo que agora estávamos no entrepiso e que o elevador ameaçou parar para receber mais passageiros, mas antes que as portas se abrissem, o loiro pressionou o botão incitando que elas se fechassem novamente e eu pude ouvir, abafado, através das mesmas, os resmungos irritados das pessoas que estavam do outro lado.

- Pelos deuses Mika, é para ontem! — soltou irritado e logo em seguida foi respondido pela familiar chuva de luzes que eu percebi, com espanto, que estava me habituando a ver. Eiri pressionou o botão de parada do elevador, o estacionando entre o térreo e o entrepiso, e mirou a irmã com desagrado.

- Eu estava ocupada. — justificou-se a mulher quando recebeu o olhar contrariado de Eiri.

- Vamos, Kyoto, Tatsuha, perigo. — falou em tons entrecortados, segurando na mão dela e Mika nem ao menos contestou a atitude do homem, somente começou a desaparecer com o mesmo em pontos azulados de luz. Meu coração pulou no peito pois, apesar de ter sido uma mensagem em pedaços, a mesma foi muito bem captada pela minha mente: Tatsuha corria perigo. E, sem pensar duas vezes, estiquei o braço para tentar segurar aquela chuva de luzes e ofeguei quando senti-me estranhamente leve, como sendo carregado pelo vento, e percebi naquele instante que tinha acabado de pegar uma carona na orbitação de Mika e que provavelmente ela ficaria muito irritada com isto.