Charlie é o Cara
40 Você tem um bumbum bonito.
Notas iniciais
POV-Charlie
Um clássico do rock dos anos oitenta tocava no ambiente, eu e Peter pegamos uma mesa de sinuca enquanto Amy e Pablo continuaram sentados na mesa. Eu estava pronta para dar a minha primeira tacada, enquanto Peter observava, com as mãos apoiada na ponta do taco e o queixo apoiado nas mãos.
Para começar, como eles jogam isso? Não se tem uma posição confortável para se debruçar sobre um taco e acertar bolas com ele em buracos pequenos. Eu sei, isso pode ter soado bem pornográfico mas sou só eu tentando jogar sinuca.
― Quando você estiver pronta. ― Peter falou, estalando os lábios e me observando rodar em volta da mesa a procura de uma posição confortável.
Cerrei meus olhos para ele, que encolheu os ombros e fez cara de inocente.
― Eu não quis dizer nada com isso! ― Ele tentou se defender.
― Sei muito bem o que você quis dizer. ― Joguei o cabelo para o lado, me recompondo. ― Assista isso! ― Tentei segurar o taco como vi na TV algumas vezes, mas tinha quase certeza de isso ia acabar mal já que eu nunca havia jogado sinuca antes.
― Uma ajudinha aí? ― Peter se ofereceu, se desapoiando do taco.
― Não! ― E foi o que me fez ir de uma vez.
Acho que coloquei força demais no braço em que impulsei o taco e de menos nos dedos por onde ele deslizou, o taco voou pela mesa e não acertou bola nenhuma, nadinha! Nem de raspão. Mas por sorte ela acertou o alvo maior ali, Peter. O taco voou direto e o acertou na altura da virilha, fazendo ele soltar o seu taco e se curvar de dor, soltando um gemido.
― Ops! ― Falei, olhando Peter se curvar de dor.
― Bolas erradas, Charlie! ― Ele gemeu, encostando a testa na mesa de sinuca.
― Não gosto desse jogo, é estúpido. Porque não podemos simplesmente pegar as bolas e jogar elas nos buracos com as mãos? ― Arrastei a bola branca ainda parada no lugar para dentro de um dos buracos.
― É, provavelmente podemos jogar desse jeito já que você vai acabar matando alguém com esses tacos. ― Peter se levantou e me olhou, sua cara ainda era de dor.
― Desculpe. ― Sussurrei, olhando para os meus pés e sem jeito para ele.
Ouvi uma risadinha baixa e bem humorada de Peter, então seus passos vindo na minha direção.
― Tudo bem. ― Ele falou e tocou meu queixo com o polegar e o indicador, levantando meu rosto. ― Só estou meio preocupado com o fato de você acabar me castrando por acidente um dia desses. Não seria justo porque eu nem te mostrei o que posso fazer com isso aqui ainda. ― Ele apontou para as calças com um sorriso malicioso.
― Meu Deus! ― Me peguei rindo sem acreditar que ele tinha dito aquilo mesmo. ― Não consigo acreditar que realmente gosto de você, eu provavelmente devo estar bêbada o tempo.
Peter riu também e passou a língua entre os lábios, dividindo sua atenção entre meus olhos e minha boca.
― Então, você gosta de mim? ― Ele perguntou.
― Hum... ― Entortei os lábios para o lado e me fingi de pensativa. ― Talvez.
― Eu sei que você gosta. ― Pete falou convencido e piscou para mim. ― Eu sou muito bonito, é impossível de resistir. O que eu posso fazer?
Arqueei minhas sobrancelhas e sorri, pela forma com que o seu ego era pequeno. Peter tocou meu rosto com a mão, acariciando a minha bochecha levemente com o polegar, então deslizou sua mão pelo meu rosto até a minha nuca, me puxando para mais perto pela mesma e colando sua boca na minha. Minhas mãos involuntariamente foram parar na bainha lateral da camiseta dele, apertei o tecido na mão com a sensação de borboletas no estômago que ele me causava toda vez que me beijava.
Sorri com meu lábios ainda contra os dele e ele sorriu de volta, então depositei um selinho em cada canto dos seus lábios.
― Charlie? ― Ele falou com seus lábios ainda contra os meus.
― Hum? ― Abri meus olhos para olhar nos dele, mantendo nossos lábios colados.
― Acho que comi um pedaço de batata que estava preso na sua língua.
― Ai meu Deus! Porque você sempre arruína o momento? ― Olhei para ele sem acreditar, afastando meus lábios dos dele.
― Eu não arruinei nada, você que enfiou essa língua cheia de batata na minha boca.
― Foi você que me beijou, cala a boca. ― Dei um pontapé nele.
― Vamos para a casa escovar os dentes, depois podemos fazer um montão disso. ― Ele disse rindo, segurando meu rosto com as duas mãos e me beijando. ― E isso! E isso! E isso!
― É você quem tá me beijando de novo. ― Falei rindo.
― Não consigo resistir a você, Charlie!
Ele passou um braço em torno dos meus ombros e foi caminhando para longe da mesa ao meu lado. Nós voltamos para a mesa onde Pablo e Amy ainda estavam, os dois estavam em silêncio absoluto, enquanto Amy enrolava uma mecha de cabelo no dedo e Pablo passava os dedos pelo bigode. Olhei para os dois e depois para Pete que deu de ombros, sem que eu precisasse falar para ele entender.
― Prontos para ir para a casa? ― Pete perguntou de bom humor quando paramos ao lado da mesa, com seu braço sobre em torno dos meus ombros e ele de pés atrás de mim.
― Sim. ― Amy disse de forma educada mas séria para Peter, se levantando da mesa. ― Eu vou pagar. ― Mais pareceu que ela murmurou por educação do que qualquer outra coisa, porque ela não parecia nenhum pouco afim de falar.
― Eu posso... ― Pablo foi se levantar atrás dela e tentou falar.
― Tudo bem, Pablo. ― Ela o cortou antes que ele pudesse tentar qualquer coisa, saindo dali as pressas.
― Está tudo bem, mano? ― Peter perguntou, olhando para Pablo, que apertou a ponte do nariz com os dedos e abaixou a cabeça.
― É, tudo bem. Tudo numa boa. ― Pablo apertou os lábios e olhou para nós dois, acenando positivamente e se levantando.
Forcei um sorriso esperançoso para ele, sabendo que não estava tudo bem. Amy não era alguém que ficava quieta ou de mal humor, muito menos Pablo e os dois estavam com caras um pouco piores do que as que nós usamos em velórios.
Depois que nós pagamos fomos direto para o carro para ir embora, se eu achei que a viagem de ida foi constrangedora, essa foi mil vezes pior com aquele silêncio. Pelo retrovisor observei Amy sentada em uma extremidade do banco traseiro e Pablo na outra. Desconfortável com a situação me encolhi no banco e olhei para a mão livre de Peter pousada sobre a sua cocha, estiquei minha mão, pegando a sua e entrelaçando seus dedos no meu. Puxei nossas mãos entrelaçadas para a minha perna. Peter observou o gesto e depois olhou para mim, abrindo um sorriso torto com uma mistura de surpresa e felicidade.
De vez em quando sua mão se afastava da minha para que ele pudesse mudar a marcha do carro, na primeira vez que ele soltou seus dedos dos meus, achei que eu estivesse sendo muito melosa e ele não estava gostando daquilo. Como quando somos crianças e seguramos a mão dos nossos namoradinhos e eles se sentem desconfortáveis quando as nossas mãos começam a suar. Mas toda vez que ele voltava e entrelaçava seus dedos nos meus novamente, tudo parecia ficar bem.
Peter parou o carro na frente do prédio do dormitório, Amy se despediu de nós com um sorriso e saiu do carro. Pablo esperou uns instantes até que saiu do carro correndo e foi atrás dela, os dois parando nos degraus do prédio para conversar algo que eu e Pete não conseguíamos ouvir.
― O que você acha que eles estão falando? ― Perguntei.
― Eu não sei, não faço ideia. Droga, deveria ter ido naquelas aulas de leitura labial.
― Sério que tem aulas para isso? Nossa, eu poderia usar isso na minha vida!
Me virei novamente para a janela e vi que os dois continuavam em um empasse sobre alguma coisa, que eu provavelmente já tinha um palpite. Pablo queria uma namorada, Amy queria um passa tempo.
― Gosto dela. Pablo realmente precisa de uma boa garota na vida dele. ― Peter falou atrás de mim, olhando para os dois também.
― Não acho que Amy seja uma boa garota, Pete. ― Sussurrei uma mentira, para não abrir o jogo.
Amy então abriu a porta do prédio de uma vez e entrou, deixando a porta bater ao fechar, enquanto Pablo ficou parado ali a observando ir. Quando a porta se fechou, ele olhou na nossa direção e começou a caminhar de volta para o carro. Antes de chegar ao carro, fez um sinal para que eu abaixasse a janela.
― Você está bem, amigão? ― Peter perguntou quando abaixei a janela.
Pablo encolheu os ombros e abriu um sorriso amarelo, se apoiando na janela.
― Tão bem quanto alguém que levou um fora pode estar. ― Ele respondeu, bem humorado nos fazendo rir. ― Eu sou basicamente o Solzinho do Teletubbies.
― Sinto muito, Pablo. ― Disse, um pouco envergonhada. Me sentindo culpada por ter o colocado nisso.
― Não é sua culpa, Charlie. Então se preocupe com isso, ok? ― Ele acenou positivamente da janela. ― Bom, eu acho que vocês podem ir para a casa, porque eu vou sair para uma caminhada, chutar pedrinhas e fingir que estou em um vídeo clipe do Nickelback.
― Sério? Isso é bem depressivo. Sabe que pode ficar depressivo em grupo, né? ― Peter falou. ― Eu e Charlie podemos assistir Comer, Rezar e Amar com você. Ou então se você preferir também pode ser um filme de bang bang daqueles bem velhos do jeito que você gosta.
― Eu simplesmente amo filmes com cowboys, tiros, bigode e areia! Sempre imaginei como seria beijar lábios queimados pelo sol e sujos pela areia. ― Concordei com Pete, tentando animar Pablo.
― Tenho uma resposta para essa... uma nojeira. ― Peter falou.
― Pessoal, está tudo bem, sério. Vão para a casa e tenham um bom final de noite pelo menos, amanhã nós podemos nos reunir para eu chorar no ombro de Mike e tomarmos umas.
― Tem certeza? ― Perguntei um pouco preocupada, tocando em seu braço apoiando na janela.
― Absoluta, nos vemos depois. ― Ele se inclinou na janela e me deu um beijo no rosto. ― Cuide bem de Blanca, bundão.
― Pode deixar. ― Peter piscou para ele.
Dito isso, Pablo se afastou do carro com um sorriso e colocando as mãos no bolso da jaqueta.
― Acha que ele vai ficar bem? ― Perguntei, olhando ele andar para longe pelo retrovisor do carro.
― É claro que vai. Depois de algumas doses de tequila e uma porção de tacos mexicanos ele vai estar novinho em folha. ― Peter disse bem humorado, ligando o carro e saindo dali.
Eu queria ajudar Pablo, mas as vezes tudo o que nós precisamos é de um momento a sós e acho que era o que ele queria pensar agora. Eu também não podia culpar Amy, até porque ela de certa forma ela não deixou que isso fosse longe demais e poderia ser pior depois. Peter dirigiu até em casa e eu me mantive em silêncio pelo resto da viagem, olhando pela janela e pensando sobre o assunto. Peter parou o carro na frente da casa, após tirar a chave da ignição se virou para mim.
― O que você está pensando?
― Como sabe que eu estou pensando? ― Me virei para ele.
― Bom, você quase nunca para de falar e agora está em silêncio. E também faz uma coisa com a sobrancelha quando está pensando. ― Ele disse.
― É, eu faço mesmo. ― Apertei um sorriso nos lábios ao perceber que Peter me conhecia melhor do que eu conhecia a mim mesma.
― Pablo vai ficar bem, Charlie. Esse não é o primeiro fora que ele toma na vida e nem vai ser o último, especialmente se ele manter aquele bigode. Não é sua culpa.
― Eu sei que não. Mas eu poderia tê-lo alertado, Amy não queria isso desde que eles começaram a ficar.
― Você ainda é uma só, então tudo bem se essas coisas acontecerem de vez em quando, não dá para todo mundo estar feliz o tempo todo, ok? ― Ele apertou os lábios e fez uma pausa. ― Agora vamos entrar e aproveitar que ainda temos um pouco de tempo parar eu tentar tirar as suas roupas antes que os rapazes cheguem.
― Queridinho, as únicas roupas que você vai tirar hoje são as suas da gaveta. ― Falei irônica para ele antes de sair.
Vim caminhando na frente e Peter me seguiu de perto, me alcançando quando cheguei na porta. Abri e entrei na frente, enquanto Peter entrou logo atrás e fechou a porta em silêncio. As luzes da casa toda estavam apagadas e Do I Wanna Know do Arctic Monkeys tocava baixo vindo da sala, olhei para Pete por cima dos ombros e ele deu de ombros.
― Pensei que todos tivessem saído. ― Ele sussurrou. ― Vou pegar o meu bastão, pode ser um ladrão.
― Ah, um ladrão? Jura? Acha mesmo que um ladrão vai entrar aqui para ouvir Arctic Monkeys? ― Sussurrei, sem acreditar que ele havia dito isso mesmo.
― Nunca se sabe, esses ladrões hipsters são uma loucura. Espera aqui. ― Ele sussurrou de volta, se movimentando na ponta dos pés.
Não era um ladrão, fui caminhando em silêncio até próximo a sala e parei perto da porta, ouvindo algo além da música, parecia que tinha alguém se pegando ali. Entrei na sala e apertei o interruptor, acendo a luz e soltei um grito quando vi o que estava acontecendo. Joe estava com um garoto embaixo dele, os dois vestiam apenas as calças jeans e davam o maior amasso.
― Oh meu Deus! Oh meu Deus! Oh meu Deus! ― Gritei e escondi os olhos com as mãos, enquanto Joe e o cara pularam do sofá e corriam para se vestir.
― Sério, Charlie? ― Joe disse sem acreditar e eu ouvi o barulho de zíper sendo fechado.
― O que está acontecendo? ― Peter finalmente chegou na sala correndo com o bastão e ficou parado surpreso, tão em choque quanto eu quando viu o que estava acontecendo. ― Oh... ― Foi a única coisa que ele conseguiu falar. ― Isso é novidade!
― Eu pensei que ia estar sozinho a noite toda! ― O garoto finalmente falou olhando para Joe, soando irritado e rude. Vestindo a camiseta correndo.
― E eu pensei que eu ia ficar. ― Joe disse, repreendendo eu e Pete, que ficamos apenas parados ali sem jeito.
O garoto era bonito e forte, tinha os cabelos marrom acobreados e olhos azuis. Eu já tinha o visto algumas vezes andando com os Alpha, ele com toda certeza seria um. O que provavelmente era o motivo do desespero.
― Hei Adam, espera! É só o Peter e a Charlie, relaxa. ― Joe falou quando o garoto vestia os sapatos. ― Eles não vão dizer nada.
― É cara, relaxa, aproveitem o sofá. Tem cerveja na geladeira. ― Peter disse, tentando ser um bom anfitrião. ― Camisinhas no armário do banheiro.
― Peter! ― Lhe dei um chute na canela quando ele falou isso.
― Au! Só to tentando deixar ele confortável.
O garoto não disse mais nada, apenas começou a caminhar feito um raio em direção a porta e Joe o seguiu, ainda sem vestir a camisa.
― Adam, espera! Qual é!
Eu e Peter nos viramos para olhar, Joe conseguiu pará-lo na porta a tempo.
― Se isso sair daqui, você está fodido, me entendeu? Eu juro por Deus, você está... ― Ele apontou o dedo no rosto de Joe e apenas mordeu o lábio para não terminar a frase.
― Hei! ― Peter interveio, dando um passo na direção dos dois e ainda segurando o bastão. ― Tira o dedo da cara dele.
― Relaxa, Pete. Está tudo bem. ― Joe fez um sinal com a mão para Peter, dizendo que estava tudo bem.
Adam então apenas olhou furioso para nós três e saiu dali, correndo e batendo a porta como uma colegial quando briga com os pais. Joe se virou para nós e colocou as mãos na cintura, fazendo um sinal negativo com a cabeça. Exatamente a mesma posição que meu pai fazia quando eu fazia algo errado.
― Desculpe? ― Mordi o lábio inferior, sem jeito.
― Esse não é Adam Hunt? Ele não tem tipo... uma namorada? ― Peter disse, parecendo realmente confuso.
― É, pois é! Longa história! Assista O Segredo de Broke Break Mountain. ― Joe falou, se aproximando de nós e dando um tapinha no ombro de Peter.
Ok, então o garoto não estava bravo com Joe por ele ser um Alpha e Joe um Roar, mas sim por ele ter uma namorada. Isso realmente é novidade. Joe voltou para a sala e pegou sua camiseta, enquanto eu e Pete o seguímos.
― Pessoal, se vocês puderem, por favor, manter isso entre nós, seria ótimo! ― Ele disse com longas pausas, como se estivesse tentando nos fazer entender melhor.
― Claro. ― Concordei na hora e olhei para Peter, que parecia pensativo olhando para o sofá.
― Posso barganhar com você sobre isso? ― Ele arqueou as sobrancelhas, olhando para Joe.
― Você tá me zoando, seu puto? ― Joe abriu a boca.
― Não faça sexo com outro cara no sofá, por favor. Charlie senta aí, nós sentamos aí. Já tem sêmen o suficiente aí, não coloque de outro cara, por favor. ― Peter falou, apontando para o sofá.
Joe cerrou os olhos para Pete e acenou negativamente, apertando a camiseta na mão sem acreditar.
― Quero bater em você agora. ― Ele apontou para Pete.
― Eu não acredito que isso está acontecendo. ― Apertei a ponte do nariz e fechei os olhos, enquanto eles discutiam o assunto.
Quando abri os olhos novamente, Joe já havia vestido os braços na camiseta e eu o olhei.
― Joe, não coloque a camiseta.
― Porque não? ― Ele perguntou, confuso.
― Você tem um abdômen lindo. ― Abri um sorriso largo pare e ele sorriu.
― Obrigado Charlie, mas eu vou colocar porque eu estou sentindo frio nos mamilos. ― Ele falou e tocou a ponta dos mamilos com os dedos.
― Eu posso tirar a minha camisa se você quiser. ― Peter falou do meu lado.
― Não faz isso. Não me faça rir de você. ― Fiz um sinal negativo com a cabeça e sai dali.
POV-Pete
Charlie subiu primeiro para se vestir enquanto eu fiquei lá embaixo com Joe, perguntei se ele queria assistir um filme conosco em compensação por termos estragado o seu esquema mas, tudo que ele fez foi apontar o dedo do meio na minha cara, me mandou ir para a academia e depilar o peito. Muito gentil como sempre.
Subi depois de já ter esperado tempo o suficiente para Charlie se vestir e bati na porta.
― Charlie, está vestida?
― Não, estou nua e deitada na sua cama! ― Ela gritou de volta.
Abri a porta de uma vez realmente esperando essa imagem, mas na verdade encontrei Charlie de pé no meio do quarto, digitando no celular, vestindo uma camisola curta e azul.
― Eu sabia que você não ia perder a oportunidade. ― Ela falou, sem tirar os olhos do celular.
― Decepcionante. Obrigado por nada! ― Revirei os olhos e entrei no quarto, fechando a porta com o pé. ― Tá falando com quem? ― Perguntei, observando ela concentrada no celular.
― Com a minha mãe, ela está meio que surtando por eu não ter ligado para ela hoje.
― Que bonitinha! ― Abri um sorriso. ― Manda um beijo para ela.
― De jeito nenhum, vou tentar manter você o mais longe possível da minha mãe. ― Charlie falou, ainda concentrada no celular e indo se sentar na cama.
― Amor, vai ter que convidar sua mãe para o nosso casamento! ― Ela parou de digitar e levantou os olhos do celular para mim, cerrando os mesmo e fazendo a cara que fazia toda vez que eu dizia algo desse tipo.
Eu gargalhei e ela voltou para o celular. Tirei os sapatos sem usar as mãos e os deixei num canto do quarto, abri o cinto e tirei a calça logo em seguida, chutando-a para longe com os pés.
― Calças fora! ― Coloquei as mãos na cintura e olhei para a minha samba canção.
Tirei a camisa e vesti uma outra velha para dormir. Olhei por cima dos ombros e vi Charlie sentada de pernas cruzadas na cama e olhando fixamente para mim.
― Tá olhando o quê? ― Perguntei, com um sorriso debochado pela forma com que ela estava olhando.
― Você tem um bumbum bonito. ― Ela sorriu.
― Eu sei. ― Pisquei para ela, fazendo-a rir. ― Você também.
Ela continuou digitando no celular e eu me joguei na cama ao seu lado, cruzei as pernas e fiquei olhando para as suas costas, enquanto ela continuou lá.
― Charlie? ― Chamei.
― Hum? ― Ela murmurou mas nem olhou para trás.
― Sua mãe vai me desculpar, mas eu esperei o dia inteiro e parte da noite para fazer isso.
Me arrastei pela cama até atrás dela e a puxei pelos ombros, fazendo-a cair para trás.
― Peter! ― Charlie disse se surpresa e rindo quando a puxei.
― Deixa ela pra lá, deixa... ― Rolei para cima dela, ocupando sua boca com a minha para ela não falar mais nada e tentando pegar o seu celular da sua mão.
― Peter! Eu preciso falar com ela! ― Ela disse rindo, com a sua boca contra a minha, não retribuindo o meu beijo.
― Não precisa não, fala comigo aqui. ― Selei nossos lábios e ela envolveu seu braço em torno do meu pescoço, enquanto com o outro tentava evitar que eu pegasse seu celular. ― Me dá o celular aqui!
― Não, Peter!
― Dá aqui! ― Me estiquei mais, tentando pegá-lo.
― Não!
― Eu vou pegar!
― Não vai não! ― Ela tentou rolar para o lado.
― Vou sim!
Me estiquei um pouco mais para pegar o celular, o problema é que perdi o equilíbrio e sabia que ia cair da cama, só que arrastar Charlie junto é que deixou a situação ruim. Eu cai no chão primeiro e ela veio logo em seguida, caindo em cima de mim e rolando pelo chão.
― Peter, eu vou te matar! ― Ela gritou gritou furiosa, vindo para cima de mim com as mãos já prontas para segurar a minha garganta.
E assim vai, mais uma noite com Charlie.
POV-Amy
Acordei com o som de alguém esmurrando a porta, abri apenas um olho e coloquei o travesseiro sobre a cabeça, se eu ignorasse talvez fosse embora. Mas continuou, continuou e continuou... só podia ser uma pessoa.
― Charlie, vai embora! ― Gritei.
E as batidas continuaram. Abafei um grito de frustração contra o travesseiro e me levantei da cama, jogando o travesseiro longe. Caminhei até a porta e a abri de uma vez, mantendo os olhos ainda fechados por causa da claridade.
― Vou socar a sua cara, Charlie. Você não entende o significado de vá embora? Esqueci que você é parte loira!
Quando finalmente abri os olhos vi que não era Charlie, mas sim Ted e uma garota vestindo roupas muito parecidas com a de uma freira e um chapel muito engraçado. Os dois me olhavam assustados e vi uma mala ao lado da garota.
― Desculpe, eu tenho ataques de fúria. ― Abri um sorriso largo, tentando ser simpática.
― Interessante. ― Ted falou, dando um passo para trás com medo. ― Senhorita Kimura, esta é Mary Elizabeth, ela será a sua nova colega de quarto. Mary está aqui em um projeto de apoio entre a faculdade e a comunidade Amish, onde disponibilizamos bolsas para jovens da comunidade.
― Eu não estou gostando do rumo que essa conversa está tomando. ― Falei, olhando para a roupa da garota.
― É melhor gostar, senhorita. Porque pelos próximos anos esta será a sua colega de quarto permanente. ― Ted abriu o sorriso de um vendedor de bíblias.
― E aí, tudo joia? ― A garota disse com um excesso de empolgação assustador.
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