Charlie é o Cara
31 O assassinato de Angel.
Notas iniciais
POV-Charlie
Nós já estávamos ali a horas. I Love It da Icona Pop tocava no rádio e Cece e Joe faziam praticamente uma coreografia nos bancos da frente, Amy jogava Hay Day no celular e eu estava com a cara contra o vidro, olhando a mansão da Kappa Sigma.
― O que nós estamos fazendo aqui de novo? ― Falei, com o rosto pressionado contra o vidro do carro.
― Tocaia. ― Amy respondeu sem desviar os olhos da tela do celular.
― Tocaia? Não é tocaia. Não tem café e donuts. ― Joe falou, se virando no banco para olhar para trás.
― Porque Amy comeu tudo! ― Cece completou em uma bronca.
― O quê? Eu estava fazendo mais um forrinho. ― Amy levantou os olhos do celular e olhou para nós três.
― Você já fez uns dez deles hoje. ― Olhei para ela. ― Acho que você é a garota do filme Alien, porque você come como um. Aposto que se nós abrirmos a sua barriga, vai ter uma família deles vivendo dentro de você.
― Cala a boca! ― Ela falou para mim, enrugando a testa.
― Já está escurecendo, vamos entrar em ação em breve. ― Joe falou, fazendo um sinal de arma com os dedos.
― Porque tem que estar escuro? Me faz sentir como um criminoso. ― Cece falou, olhando para ele. ― Eu não quero ser a vadia de ninguém na cadeia.
― Nós não vamos para a cadeia! ― Amy falou.
― Nós vamos para a cadeia? Se eu for presa minha mãe vai me matar! ― Falei desesperada. E fiz uma pausa. ― Se bem que depois do que eu descobri hoje, acho que seria legal para ela ver como eu me senti quando descobri que minha tia é mãe da minha arqui-inimiga. ― A palavra tia ainda não parecia de verdade na minha língua. ― Nós somos tipo Harry Potter e Voldemort.
― Hei, não diga o nome dele! ― Amy tapou minha boca com a mão. ― Atrai coisas ruins.
― Amy, é só um livro. ― Joe falou.
― Não é só um livro não! ― Amy falou e fez uma pausa, então abaixou a cabeça. ― Espero minha carta de Hogwarts até hoje.
― Eu também. ― Cece sussurrou. ― Você não está sozinha.
― O fato é, eu não consigo acreditar na ideia de que a melhor amiga de faculdade da minha mãe é a mãe da Angel. Sabe o que ela me deu quando eu nasci? Minha mãe guarda até hoje, um sapatinho de bebê com salto alto e uma camisetinha escrita: Posso parecer o papai e a mamãe agora, mas quando crescer vou ser igual a minha titia. ― Fiz uma pausa. ― É como se o destino estivesse pregando uma peça em mim por eu ter sido uma Angel a vida toda.
― Não seja uma chorona! Seu nome é Charlie, você é loira morango e é a única garota na Roar Omega Roar. Você é praticamente uma personagem de Orange Is The New Black, você pode acabar com a Angel e lidar com sua mãe e sua tia numa boa. ― Amy falou, tentando me animar.
― É isso aí! ― Joe concordou, sorrindo para mim.
― E você tem uma vibe muito boa. ― Cece falou acenando positivamente.
― Se a vida te der limões... ― Amy começou a falar mas Cece a interrompeu.
― Ah, essa eu sei! Você os coloca nos peitos e deixa eles maiores do que o da sua inimiga. ― Cece completou a frase, sorrindo e nós três olhamos para ela. ― O quê?
― Eu ia dizer para Charlie espremer eles nos olhos da Angel, mas essa é boa também. ― Amy acenou positivamente.
Eu e Joe trocamos olhares por um momento, pensando se devíamos acrescentar alguma coisa mas já estava ruim o suficiente. Cobrastyle do Teddy Bears tocava no rádio agora.
― Tudo bem, já está escuro o suficiente para tomarmos nossas posições. Vistam isso. ― Joe tirou quatro máscaras de esquiador de dentro da bolsa e entregou uma para cada.
― Não tem rosa? ― Cece falou olhando a sua.
― Não. ― Joe respondeu, fazendo um biquinho. ― Eu também queria rosa.
― Isso me faz sentir tão poderosa. ― Amy falou já usando a sua. ― Como eu estou? ― Ela perguntou se virando para mim.
― Oculta. ― Ela continuou me olhando, esperando eu dizer mais alguma coisa. ― Eu não sei, não consigo ver seu rosto. Está apenas... normal.
― Eu estava esperando você dizer algo legal. Você é sem graça as vezes. ― Ela falou por trás da máscara.
― Coloque a sua, Charlie. ― Joe falou.
Olhei para a máscara nas minhas mãos. Fiz uma careta, pensando bem se devia fazer isso.
― Isso é uma péssima ideia. ― Disse olhando para a máscara.
― Bom, mas as melhores histórias vem de péssimas ideias! ― Cece falou.
Vesti a minha e escondi o cabelo dentro da mesma e olhei o meu reflexo pelo retrovisor.
― Sou só eu que estou me sentindo como uma assaltante de banco? Isso é tão excitante! Acho que vou usar isso com Pablo hoje a noite. ― Amy falou extremamente animada.
― Tudo bem, todo mundo está com a máscara? Vamos fazer isso! ― Joe falou.
― Claro, mas primeiro... ― Cece falou, levantando o celular com a mão. ― vamos tirar uma selfie!
Ela colocou o celular na câmera frontal e nós nos apertamos para caber todos na foto.
― Façam biquinho! ― Cece falou e todos nós o fizemos, ela tirou a foto. ― Vou totalmente postar essa aqui! Hashtag: mais um dia difícil na vida das inimigas.
Nós quatro saímos do carro e eu e Amy seguimos Cece e Joe até a traseira do carro. Não havia ninguém na rua e se tivesse, eles certamente iriam nos achar que éramos assaltantes. Cece levantou a porta do porta-malas.
― Que porra é essa? ― Falei, olhando para o que havia ali.
― É lindo! ― Amy falou, abrindo um sorriso diabólico. Lhe cutuquei com a mão e ela me olhou. ― O quê?
― É nossa arma! ― Joe falou pegando.
Era um canhão de batata do tamanho de uma bazuca, ele vinha até com uma mira e um suporte para lançar. Meu Deus, eles são da al-qaeda?
― Vamos matar aquela vadia! ― Joe disse animado. ― Cece, está com a munição?
― Com certeza. ― Cece sorriu, segurando a mochila de Joe.
Ela abriu o zíper e exibiu um monte de balões de camisinhas, cheios com um liquido gosmento e esbranquiçado.
― Um suco delicioso de sêmen de cavalo velho, placenta de hipopótamo e odor de gambá. Aposto que vai fazer muito bem para a pele. ― Joe falou.
POV-Pete
― Ela praticamente me nocauteou e jogou o meu cadáver morto, frio, indefeso e sem vida na zona da amizade. Para ficar preso lá pelo resto da eternidade. ― Reclamei para Pablo enquanto ele me ajudava a abrir a caçamba da caminhonete de Bruce para descarregar os barris de cerveja no gramado do campo.
― Cadáver morto? ― Pablo parou de se mexer e ficou me olhando em dúvida.
― É! ― Falei indignado. ― Foi tipo Mulher-Gato e Batman.
― Não é um cadáver se estiver vivo. ― Pablo continuou.
― Pablo, não é disso que eu estou falando. Eu estou falando sobre o fato dela ter me colocado na zona da amizade, isso é novo para mim, sabe? É difícil. Ela me fez sentir como Nemo quando é afastado do pai dele. ― Fui gesticulando com as mãos para tentar demonstra o tamanho da minha indignação para Pablo. ― Eu te entendo agora, amigo. ― Puxei ele para um abraço.
― Amy gosta de mim. ― Pablo falou, sem retribuir o abraço.
― Se você não me abraçar de volta agora, vai ficar muito esquisito. ― Falei, ainda o segurando. ― E também não precisa esfregar isso na minha cara, ok? Já tive a minha cota de sofrimento para hoje.
― Mas eu pensei que fosse só amizade, sabe, você prometeu para os caras. ― Pablo falou e me abraçou de volta.
― Eu sei, mas bom, você sabe que não sou muito bom em manter promessas, eu estava esperando que isso pudesse evoluir lentamente para algo mais ou sei lá...
― Vocês são gays? ― Ouvimos a voz de Mike e nos afastamos.
Eu e Pablo olhamos um para o outro e depois para Mike.
― Há quanto tempo você está ouvindo isso? ― Perguntei meio sem jeito e coçando a cabeça. ― Porque é tudo um grande mal entendido.
― Tempo o suficiente para ver vocês dois se abraçando e falando sobre isso evoluir para algo mais. ― Mike respondeu. ― Mas tudo bem se vocês forem gays, fico feliz por terem se assumido.
― Não é isso que você pensando... ― Eu comecei a falar mas Mike puxou eu e Pablo para um abraço.
― Sempre seja você mesmo! ― Ele disse dando um beijo no meu rosto e depois no de Pablo.
Então nos soltou e se afastou.
― Isso nunca aconteceu. ― Pablo falou.
― Nunca. ― Acenei negativamente com a cabeça, confirmando o assunto.
― Então, o que você vai fazer sobre a Charlie? ― Pablo perguntou, passando os dedos por onde costumava ficar o seu bigode.
― Eu não sei. ― Falei a verdade. ― Mas agora eu vou aproveitar o que eu faço de melhor, minhas festas! ― Sorri e olhei ao redor.
Love Runs Out do OneRepublic começava a tocar e as pessoas começavam a chegar no campo de baseball para a festa de volta as aulas.
POV-Charlie
Eu, Joe, Amy e Cece estávamos escondidos atrás dos arbustos da entrada da mansão da Kappa Sigma, apenas esperando por Angel, com o canhão carregado e apontando diretamente para a entrada.
― Quanto tempo mais ela vai demorar? ― Amy perguntou impaciente. ― Esses galhos estão me pinicando. ― Ela deu um pontapé em um galho que voltou nela e bateu contra ela. ― Você quer revidar, seu puto? Vem aqui que eu vou te dar uma surra.
Amy começou a bater no galho e eu e Cece tivemos que segurá-la.
― Amy, silêncio! ― Falei.
― Me segurem mesmo, porque se não eu vou quebrar esse galho! ― Ela falou como se o galho fosse realmente uma pessoa.
― Não machuque as plantas meu! ― Cece falou para Amy.
― Vocês podem falar mais baixo, por favor? ― Joe falou, concentrado no ataque.
― Vou passar por cima dessa árvore com um cortador de grama mais tarde. ― Amy sussurrou.
― Não é uma árvore, é um arbusto, Amy. ― Eu a corrigi.
― Eu tenho um cacto de estimação. ― Cece sussurrou também.
― Shhhh! Alguém está vindo! ― Joe falou quando ouvimos o barulho da porta.
― Ninguém respira muito alto. ― Amy sussurrou.
A porta se abriu e se fechou logo em seguida, enquanto ouvíamos a voz irritante de Angel (provavelmente isso ela herdou da mãe e todo o resto também) tagarelar sem parar.
― Mãe! Deixe-me deixar bem claro para você antes de tomar umas biritas: Eu não vou me socializar com a filha da sua colega de faculdade, seja lá quem ela for. O que você acha que eu sou? Madre Teresa para fazer caridade? ― Ela saiu falando no celular.
― Ela está falando sobre mim! ― Sussurrei para os três.
― Está se sentindo infeliz? Compre um cachorro, não me ligue!
― Vingança! ― Joe gritou e se levantou do meio dos arbustos com um salto, apontando o canhão diretamente para Angel.
Ela soltou um grito alto e fino e levantou as duas mãos para cima como se aquilo fosse um assalto.
― Pode levar tudo menos os meus sapatos! ― Ela gritou, com os olhos fechados e as mãos para o alto.
― Droga! ― Joe resmungou quando viu que o tiro não funcionou. ― Emperrou. ― Ele falou, dando um tapa no canhão para ver se o balão saia.
Angel abriu os olhos e olhou confusa para a cena.
― O que nós fazemos? ― Sussurrei para Amy e Cece, que também assistiam sem reação.
― Vamos bater na cabeça dela com o canhão! ― Amy falou e se levantou também.
― Eu tenho um spray de pimenta e não tenho medo de usá-lo! ― Angel falou enfiando a mão dentro da bolsa, procurando por alguma coisa.
Eu e Cece trocamos um olhar rápido antes de nós duas levantarmos também. Angel nos olhou assustada.
― É um arrastão? ― Ela perguntou apavorada. ― Então tirou algo de dentro da bolsa e atirou na direção de Joe.
― Não! ― Amy gritou como numa cena de filme e se jogou na frente dele. Um potinho de gloss bateu contra o seu peito e caiu no chão, assim como Amy. ― Eu fui atingida! Eu fui atingida! Homem ferido! ― Ela fez uma escândalo como se realmente tivesse levado um tiro.
― Amy! ― Cece caiu de joelhos ao seu lado, pressionando o seu peito como se ela realmente estivesse ferida. ― Eu estou pressionando a ferida, fique comigo!
― Essa merda não quer pegar, que droga! ― Joe falou esmurrando o canhão, então ele lançou um balão de uma vez e nós quatro olhamos na direção em que ele foi lançado.
O balão voou pelo ar direto para o peito de Angel, assim que ele entrou em contato com o seu peito, ele estourou e espirrou, fazendo toda aquela gosma nojenta voar no seu rosto e na sua boca. Eu tive uma ânsia de vomito quando vi aquilo escorrendo da boca dela.
― Que gosto tem a vingança, Angel? ― Joe gritou. ― Sêmen de cavalo? Placenta de hipopótamo? Ou gambá? ― Ele começou a rir.
Angel fez uma cara de desespero e então teve uma ânsia e vomitou bem na nossa frente.
― Meu Deus, que nojo! ― Amy falou. ― Parece a menina do exorcista. Vai vomitar pra lá!
― Bater em retirada! ― Joe gritou e saiu correndo na frente em direção ao carro.
Eu e Cece fomos correr também, mas Amy continuou deitada no chão.
― Gente? Vocês iam deixar um homem ferido para trás? ― Ela falou deitada no chão.
― Amy, você está bem! ― Falei sem acreditar que ela havia dito isso mesmo. ― Levanta daí!
― Sem graça! ― Ela reclamou e se levantou.
Saiu correndo comigo e Cece em direção ao carro, enquanto Joe apertava a buzina. Olhei para trás e vi Angel ainda vomitando, que nojento. Mas se fosse comigo, eu também iria. Bom, ela meio que mereceu por ser a vadia que ela vinha sendo. E eu ainda tinha um elemento surpresa, pelo que eu entendi da conversa dela com a sua mãe, ela ainda não sabia que eu era a filha da melhor amiga de faculdade da mãe dela. Olha só, parece que o jogo virou e eu estou ganhando!
POV-Pete
Jungle do X Ambassadors, Jamie N Commons estava tocando alto para animar a galera, música boa e cerveja são praticamente um imã para universitários. Nós acendemos alguns barris de ferro ao redor do campo para iluminar o lugar, fizemos a traseira da picape de Bruce de bar e o campo de baseball de pista de dança. Haviam garotas de todos os tipos ali, loiras, morenas, altas, baixas, garotas de fraternidades, garotas comuns, stripper's e assim por diante, os meus olhos só não conseguiam botar vista numa certa loira morango com 1,60 de altura e bem irritante as vezes. Vi Jon e Bobby e fui até eles.
― Hei, vocês viram a Charlie? ― Perguntei.
― Não desde a última vez que eu a vi. ― Bobby respondeu primeiro.
― E quando foi isso? ― Continuei.
― Não me lembro. ― Ele deu de ombros.
― Obrigado... por nada! ― Passei a mão pelo cabelo e olhei para Jon. ― E você?
― Acho que eu ouvi meu irmão dizer alguma sobre ir a algum lugar com ela e as garotas. Mas não tenho certeza. ― Jon falou.
― Com seu irmão? Ótimo! No mínimo ele as levou para uma rave. ― Falei, acenando positivamente.
POV-Charlie
Joe parou o carro na frente da casa da ROR e nós ainda estávamos meio que em choque com o que havia acontecido.
― Bom, vamos admitir que isso foi muito legal! ― Amy falou, quebrando o silêncio e começando a rir.
― Foi tão legal! ― Joe falou animado batendo um high-five com Amy.
― Foi tão divertido quanto aquela vez em que nós fomos para o México visitar a família de Pablo e Pete lutou numa briga de galos. ― Cece disse rindo.
― Vocês acham que ela vai ficar bem? ― Perguntei.
― É claro que vai, Charlie. É só vômito, não é como se ela tivesse bebido sêmen de cavalo. ― Amy começou a falar, então fez uma pausa. ― Ou não, ela bebeu! ― Então começou a rir de novo e bateu high-five com Cece e Joe.
É, esses são meus amigos. Mal posso esperar para apresentá-los para a minha Vó.
― Posso ficar com a máscara, Joe? ― Amy perguntou.
― Claro, docinho. ― Ele respondeu com um sorriso. ― Vieram umas algemas junto com elas, se você quiser também.
― Eu adoraria! ― Ela sorriu.
― Então, nós nos vemos na festa? Eu te deixo no alojamento, Amy. ― Cece falou.
― Festa? ― Perguntei. ― Hoje é segunda feira!
― Sim, e daí? ― Joe me olhou como se eu tivesse falado um absurdo.
― Repetindo: Hoje. É. Segunda-feira. ― Falei novamente.
― E é dia de festa! ― Ele abriu a porta do carro e saiu, então foi até a minha porta e a abriu, oferecendo a mão para mim. ― Você é uma Roar Omega Roar, Charlie, festa é seu sobrenome agora.
― Eu posso ter reembolso e me juntar as Kappa? ― Falei irônica e sorrindo.
― Não, a não ser que queira se juntar a Angel também. ― Ele falou me fazendo rir.
Gargalhei e peguei sua mão para sair do carro.
― Nós nos vemos na festa. ― Falei para Amy e Cece, eu e Joe acenamos quando ela se afastaram.
― Bom, vamos nos preparar. Temos uma longa noite pela frente! O final de semana só acaba na segunda. ― Joe disse bem humorado e piscou para mim, me empurrando pelos ombros em direção a casa.
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