Charlie é o Cara
11 Angel barraqueira!
Notas iniciais
POV-Charlie
― Charlie? É um nome único. ― Pete disse todo engraçadinho enquanto voltávamos para a loucura da festa.
― É um nome de garoto. Pode rir, pode fazer uma piadinha, manda ver. Nada do que você diga agora vai deixar meu dia pior. ― Falei carrancuda e sem paciência.
Eu tinha certeza de que Pete era o tipo de cara que ia adorar fazer uma piadinha sobre isso, de todos os caras do mundo o que eu esperaria mais fácil vir isso seria dele.
― É especial. ― Pete deu aquele sorriso torto. ― Como você.
Ele era irritantemente bonito e charmoso, mesmo eu odiando admitir isso. O cabelo bagunçado, as pintinhas no rosto e no pescoço, aqueles olhos castanhos, os lábios finos e aquele sorriso, ele conseguia me derreter. Mas eu não podia me deixar esquecer que ele não fazia isso só comigo e sim com todas. Eu conheço o tipo dele, menino mal e lábios bons. Ele ia parecer apaixonado até conseguir o que ele queria, depois disso, acabou. Ele tinha uma pinta próxima ao canto da boca e quando ele sorria daquele jeito, ela se aproximava mais ainda. Por um momento imaginei como seria beijá-lo ali.
― Você está bem? ― Ele apertou os olhos ao olhar para mim, me vendo pensar alto.
Super bem, pensando em beijá-lo.
― Não. ― Era a verdade. ― Vou desapontar meus pais, vou desapontar a mim mesma.
― Porque? ― Ele teve que gritar agora por causa da música alta. Continuávamos andando de mãos dadas entre a multidão, seguindo Bruce que ia na frente.
― Porque eu não entrei em nenhuma fraternidade. Eu só vim estudar aqui por isso e agora nem isso eu posso fazer. ― Era bom poder falar com ele sobre isso. Amy certamente não ia querer me ouvir quando eu chegasse no dormitório.
― Você quer entrar em uma fraternidade? ― Ele me olhou como se eu fosse um pote de ouro.
Acenei positivamente, estranhando pela forma com que ele me olhou.
― Sério? Você quer mesmo? Entrar em uma fraternidade? ― Pete perguntou novamente, ainda me olhando daquele jeito.
― Eu não quero, eu preciso. ― Falei séria.
― Entre aqui então. ― Ele abriu um sorriso largo e animado, como se tivesse desvendado a mais difícil charada do mundo.
― O que? ― Perguntei, meio que sem entender e sem acreditar.
― Entre aqui, na Roar Omega Roar. Você não precisa passar por nenhuma daquelas provas ou testes idiotas, apenas diga sim e se mude para cá. ― Ele falou com excesso de empolgação.
Abri a boca para responder mas simplesmente fiquei ali, de boca aberta e o olhando daquele jeito. Ele havia mesmo acabado de me chamar para entrar na ROR? Eu sei que a fraternidade já foi muito importante um dia e é a fraternidade mais velha do campus, a única que aceita garotos e garotas mas hoje em dia ela não é mais nada disso. Ela nem mesmo está nos folhetos da faculdade.
― Vamos lá, Charlie, apenas diga! Será divertido! Olhe só para isso, é uma festa todo dia. Não é isso que você quer? E que experiência melhor do que estar em uma fraternidade como a nossa?
Sim, eu queria uma experiência de fraternidade. Mas não uma que se resumisse em festas, peitos e cerveja todos os dias. Eu queria aquela que meus pais me contavam histórias, a amizade, o companheirismo, a diversão.
― Então? ― Pete perguntou esperando a minha resposta. Quando eu fui responder, ele simplesmente parou de andar e soltou um palavrão.
Olhei para onde ele estava olhando e vi o motivo. Uma rodinha se abria em torno do que era uma pista improvisada de dança antes, no meio dela havia Angel, com dois lindos olhos roxos e mais uns dez caras vestindo ternos. Os garotos dos ternos pareciam saídos de um comercial de perfume importado.
― Você bateu em uma Sigma é? ― Pete perguntou. ― Você bateu na Angel? Eu não sei se te dou um beijo ou se te enforco. ― Ele soltou uma risada nervosa.
― Porque? ― Perguntei sem querer saber a resposta de verdade.
― Porque ela é basicamente o diabo com cabelo loiro e salto alto. Esses com ela, são os Alpha Tau Omega, a versão masculina das Sigmas, não tão masculina mas fazer o que. ― Ele deu de ombros.
Nós dois nos aproximamos enquanto Jon e Joe tentavam acalmar os chiliques que Angel dava no meio da sala. Gritando e batendo o pé no chão.
― Se acalma aí e para de se contorcer feito uma galinha na panela! ― Joe falou para ela, olhando com desprezo a birra infantil dela.
Tive que apertar os lábios para não rir.
― Angel! ― Pete sorriu simpático para ela. ― É bom te ver aqui. Me desculpe se não recebeu um convite para a festa, nós decidimos fazer de última hora.
― Não venha com gracinha para cima de mim, seu feto de umpa-lumpa. ― Ela rangiu entre dentes, apontando o dedo para o rosto dele.
― Ei, devagar nos elogios! ― Pete disse sério.
― Que selvageria é essa? Vocês idiotas não dão festas nos dias das nossas apresentações! ― Ela falou irritada. ― Eu já liguei para o sr. Willians e para a polícia, vocês estão fodidos!
― Ah, ligou? ― Pete abriu um sorriso largo e malicioso. ― Vai ser bom tê-los aqui, afinal, foram ordens da própria reitoria fazermos uma apresentação para recrutar novos membros. Você sabe como é, vocês sempre ficam com os mais legais.
― Você chama isso de apresentação? ― Foi a primeira vez que ele se manifestou na conversa.
Um dos garotos de terno, parado ao lado de Angel como se fosse seu guarda costas com as mãos no bolso. Johnny Gat (Colton Haynes) era simplesmente maravilhoso, sua beleza era extrema, coisa de outro mundo. Ele era muito bonito, isso ninguém podia negar. Mas ele era exatamente a versão viva de Johnny Bravo, não é atoa que seu nome é Johnny.
― E quem está falando com você aqui, Ken Man? ― Pete deu um passo na direção dele, estufando o peito e o olhando fixamente.
Johnny não recuou, muito pelo contrário, fez exatamente a mesma coisa. Até um cego percebia que os dois tinham problemas entre si. Ninguém parecia querer se meter ali, se já era ruim uma festa cheia de menores bebendo com a polícia a caminho, uma briga não ajudava em nada. Passei entre os gêmeos e me aproximei de Pete.
― Hei, está tudo bem. Relaxa. ― Falei, tocando seu braço levemente. Pete pareceu ter relaxado levemente com o meu toque.
Johnny deixou de olhar para ele e abaixou seus olhos para mim, me olhando com curiosidade.
― Você! ― Angel gritou, apontando para mim.
― Eu! ― Fingi imitá-la.
― Você fez isso comigo! ― Ela soltou um gritinho fino e apontou para o seu olho que eu acertei.
― Porque você foi rude comigo. ― Justifiquei. ― Lição de vida com isso, se você for rude com as pessoas você pode acabar com um olho roxo.
― Eu vou denunciar você por agressão, sua selvagem! Mas primeiro, vou eu mesma te dar um soco! ― Ela gritou levantando a mão para me bater mas Pete entrou na minha frente.
― Você não vai bater em ninguém, Angel. Você acha que pode chegar na minha casa, falando desse jeito e tratando os meus irmãos assim? Você está muito errada se acha que sim.
― Saia da minha frente, resto de aborto! ― Ela apontou o punho para o rosto dele.
― Eu mandei você parar de baixaria na minha casa. ― Pete falou sério e irritado.
― Ou o que? Vai me bater também? Porque não tenta? Vai ser ótimo denunciar você também. Sabe o que acontece com caras que batem em garotas na cadeia? Eles viram mulherzinhas! ― Ela vinha se aproximando dele enquanto falava, provocando para valer. ― Anda, valentão! Me acerta!
― Ele não pode bater em você mais eu posso! Vamos parar com o cacarejo, você não está no seu galinheiro. ― Uma garota abriu caminho do meio da multidão e se aproximou de nós, ficando na minha frente também ao lado de Pete. ― Angel, qual é? Tá estragando a festa!
― Hei Cece, é bom ver você. ― Pete falou e os dois sorriram um para o outro.
Fale com o autor