Charlie é o Cara
32 Você é meu próton favorito!
Notas iniciais
POV-Charlie
Tomei um longo banho antes de me arrumar para a festa, eu precisava depois do dia de hoje. Será que Angel ia descobrir que era eu a filha da amiga da sua mãe antes que eu pudesse usar isso contra ela? Será que amanhã quando eu chegasse a sala de Katherine, ela já saberia o que nós fizemos com Angel? Bom, essas foram as coisas que ficaram martelando na minha cabeça enquanto eu tomava banho. Sim, eu chequei o banheiro antes para garantir que não havia nenhum guaxinim ali se é o que você está se perguntando.
Sai do banheiro enrolada numa toalha e usando chinelos de dedo, eu não sei se sou só eu mas cá entre nós, eu particularmente odeio tomar banho descalço (é claro que é coisa de vó, mas uma vez quando era criança vi um filme em que a garota morre eletrocutada no chuveiro por não usar chinelos e meio que fiquei traumatizada com isso, então se morrer eletrocutada já deve ser ruim, morrer eletrocutada e no chuveiro deve ser cem volts pior, ok piada desnecessária), passei pela porta do quarto de Joe e ele me chamou.
― Hei Charlie, uma ajudinha aqui. ― Fui até a porta enrolada na toalha e olhei para ele, ele estava sem camisa. Deus, ele era realmente gostoso, agora eu entendia a paixão de Cece por ele. ― O que você acha melhor para hoje... ― Ele começou a falar e pegou duas camisetas que estavam em cabides sobre sua cama e as colocou sobre o peito. Primeiro uma xadrez comum. ― Estilo fazendeiro ou... ― Então colocou a outra, uma branca comum. ― modelo de clipe da Lana Del Rey? ― Ele disse isso e mordeu o lábio inferior, fazendo uma cara sexy.
― Ou talvez você devesse ir apenas sem camisa. ― Falei sem pensar olhando para o seu abdômen definido.
― Não, bobinha! ― Ele riu e me olhou. ― Isso não é uma raive. Eu vou com a branca, obrigado. ― Joe piscou simpático para mim.
Acenei positivamente ainda sem entender e me afastei, indo para o meu quarto e de Pete. Coloquei um vestido solto, azul marinho e florido. Por cima coloquei uma jaqueta jeans clara e nos pés um suede wedge bootie bege claro. Deixei o cabelo solto e joguei para o lado. Só passei um pó compacto bem leve, um pouco de rímel preto para destacar os olhos e batom rosa queimado. Decidi não levar bolsa e sim apenas o meu celular e o guardei dentro do bolso da jaqueta.
Nós fomos no carro do Joe até o campo de baseball onde estava acontecendo a festa, assim que nos aproximamos, o lugar já estava lotado. Era incrível como os meninos da ROR conseguiam reunir a faculdade inteira em um só lugar.
Joe estava rodando procurando um lugar para estacionar por ali, quando de repente um vulto pulou em cima do capo do carro e fez um barulho assustador, então rolou para o chão. Eu não sei quem deu o grito mais fino, eu ou Joe.
― Você matou um viado? ― Eu gritei me segurando no painel do carro.
― Bambi! ― Joe disse segurando o volante com as duas mãos e em choque.
― Eu to bem! ― O suposto ''viado'' se levanto e acabou por ser Mike, ele bateu as mãos pelo corpo limpando a sujeira e correu até a porta de trás do carro e entrou. ― E aí, belezinha?
― Mas que droga, Mike! Achei que tivesse matado o Bambi, sabe quanto tempo eu ia levar para me perdoar? ― Joe falou se virando no banco para olhar para Mike.
― Tem Kappas, Kappas por toda parte! Me seguindo! ― Ele falou em desespero, passando a mão pelo rosto. ― Estou me sentindo um dos brinquedos em Toy Story 3. É um dos sinais do apocalipse.
Eu e Joe olhamos pela janela, um grupo de pelo menos umas quinze garotas Kappas vinham correndo em nossa direção animadas. Parecia liquidação da Victoria's Secret.
― Eu estou com tanto medo! ― Ele choramingou, se deitando no banco de trás e trancando as portas.
Joe saiu acelerando e cantando pneu para longe das garotas Kappa, me virei no banco e olhei para Mike deitado.
― Eu acho que eu estou tendo um ataque cardíaco, Charlie. Charlie, socorro! ― Ele falou respirando ofegante e com as mãos contra o peito.
Olhei para as suas mãos e vi algo brilhando no dedo anelar. Puxei uma das suas mãos com as duas minhas, olhei para a sua mão e depois para ele.
― Charlie, segura a minha mão, eu estou vendo a luz! ― Ele continuou. ― Não me deixe ir!
― Mike. ― Falei em tom calmo, olhando ele dar a louca sem motivo. Puxei o anel do seu dedo e ele puxou a mão para longe.
― O que tá fazendo? ― Ele perguntou me olhando.
Joe desviou a atenção da rua por um momento para ver o que eu estava fazendo, mostrei a aliança dele para Joe.
― Tava usando essa droga ainda? ― Joe falou incrédulo.
― Eu ainda estou superando, isso são etapas, ok? É como tirar um band-aid, não se tira de uma vez. ― Mike respondeu.
― É claro que se tira, assim dói menos e é mais rápido. ― Falei confusa. ― Isso aqui é um imã para mulheres, sabia? Existem estudos científicos que comprovam que quando você está em um relacionamento você fica mais atraente. ― Acenei positivamente com a cabeça para afirmar.
― Me dá essa merda aqui. ― Joe pegou o anel da minha mão e o jogou pela janela.
― Não! ― Mike gritou e se sentou no banco. ― Vocês puxaram o meu band-aid de uma vez!
Joe finalmente entrou um lugar para estacionar um pouco afastado do campo, nós tivemos que obrigar Mike a sair do carro porque ele ainda estava afetado com o band-aid. Eu e Joe demos os braços para ele e fomos caminhando lado a lado, quanto mais próximo do campo nos aproximávamos, mais eu podia sentir as batidas de um remix do Avicii fazendo o meu corpo vibrar com a altura do som. Uma multidão de gente no campo, com alguns barris de ferro em chamadas espalhados pelas suas extremidades.
― Isso porque é segunda feira. ― Falei, olhando para aquilo.
― Bem vinda a faculdade, Charlie! ― Joe disse bem humorado.
― Eu estou tão triste. ― Mike murmurou.
― Tem alguma daquelas garotas em que você pode beber tequila nos peitos delas aqui? Mike precisa de uma urgente. ― Olhei para Joe.
POV-Pete
― Olha só se não é o meu casal favorito! ― Falei me enfiando entre Amy e Pablo, colocando minhas mãos sobre os ombros dos dois.
Pablo sorriu para mim e Amy me olhou como se tivesse visto um fantasma.
― Nós não, nós não somos. Não somos um. Não somos não. Nós não somos um casal. ― Ela gaguejou, se afastando de mim e Pablo.
― Ah não é? ― Juntei minhas sobrancelhas e olhei para Pablo primeiro, que parecia tão confuso quanto eu e depois para Amy.
― Nós estamos apenas... ― Ela fez uma pausa. ― nos conhecendo.
― Se conhecendo? O que tem mais para conhecer um do outro que vocês já não tenham visto? Acho que sabem até a anatomia completa um do outro.
― Engraçadinho. ― Amy falou e me mostrou o dedo do meio, me fazendo rir.
― Onde está a Charlie? ― Perguntei. Eu já estava começando a ficar impaciente com a ideia de não conseguir encontrá-la em lugar nenhum.
― Ela tinha ido para casa com Joe e já ia vir. ― Amy respondeu.
― E porque não está junto com ela? São amigas, não são? Achei que vocês sempre andavam juntas, tipo, uma matilha... ― Dei de ombros.
― Peter, somos amigas e não gêmeas siamesas.
― Dá no mesmo. ― Falei.
― Uma vez eu vi na TV que vacas tem melhores amigas e ficam estressadas quando são separadas. ― Pablo falou, sorrindo.
― Fato interessante, amor. ― Amy falou sorrindo para Pablo e segurando seu rosto com as duas mãos. Ele sorriu orgulhoso e olhou para mim depois para ela, que lhe roubou um selinho.
― Se conhecendo, né? ― Acenei positivamente olhando para os dois. ― Então... ― Comecei a falar, empurrando a cabeça dos dois para longe um do outro e os fazendo se afastarem. ― parem de ser um pouco pegajosos, nenhum dos dois realmente viu Charlie?
― Não! ― Os dois falaram em coro, irritados comigo.
― O que você fez para ela? Parece desesperado. ― Amy disse, me olhando confusa.
― Porque você acha que eu fiz alguma coisa? Ela pode ter feito alguma coisa, sabia? Vamos parar com esse ódio contra mim, ok? Você me faz sentir mal. ― Falei indignado.
― A probabilidade de você ter feito algo idiota é bem maior do que a de Charlie ter feito. ― Pablo falou, acenando positivamente para afirmar ainda mais.
― Ah, quer saber vocês dois? Continuem se conhecendo e parem de me julgar, isso é... bullying! ― Falei ofendido.
― Chorão. ― Pablo falou e Amy riu.
Chorão, chorão uma ova. Quer saber, que se foda, dane-se toda essa merda. Dane-se Charlie, dane-se Pablo e todo o resto, eu não vou estar na zona da amizade se eu não quiser, então, a partir de agora eu estou partindo para outra.
POV-Charlie
Eu estava segurando a mão de Cece enquanto ela me guiava pela multidão de corpos suados e animados que dançavam no meio do campo. Cece estava usando apenas um shortinho jeans curto e um cropped preto de mangas compridas e nos pés botas timberland. Joe tinha ido levar Mike para ficar com Bruce, Jon e Pablo para ver se ele ficava melhor e depois disse que nos encontrava. Quando finalmente passamos pela multidão e chegamos no bar improvisado que era a traseira da caminhonete de Bruce.
Cece pulou na mesma com a ajuda de Louis que estava ali e lhe serviu dois copos descartáveis vermelhos. Os dois trocaram risadinhas mais não disseram nada, Cece se afastou dali o quão rápido quanto veio, descendo da caminhonete e me entregando um dos copos.
― Ele gosta de você, né? ― Perguntei quando ela me entregou o copo ainda com aquele sorrisinho bobo no rosto.
― Gosta mais de ser um Alpha. ― Ela respondeu, dando de ombros sem muita preocupação e deu um longo gole no seu copo.
― Mas você gosta dele? ― Arqueei uma das sobrancelhas e dei um gole no meu copo.
― Gosto menos dele ser um Alpha. ― Cece me respondeu com um sorriso debochado no rosto. ― Mas você está hoje, heim? Vamos falar sobre você agora. ― Ela fez uma pausa. ― Você e Pete.
― Eu e Pete? Não existe eu e Pete. ― Dei um longo gole no meu copo.
― Charlie, existem muitas coisas que não existem, você e Pete não são uma delas. ― Cece gargalhou.
― Eu não sei, é complicado. ― Falei um pouco sem jeito e pensativa. ― Para começar, ele está bravo comigo.
― Bravo com você? Pelo o que? Peter praticamente te coloca em uma bolhinha de amor. ― Ela disse.
― Bom, porque eu disse que ele era como um irmão para mim hoje. ― Falei e Cece riu. ― Mas eu quis dizer no geral, todos os meninos da ROR e ele não gostou.
― É claro que ele não gostou! Porque ele quer mais.
― Eu sei que ele quer e as vezes é tão difícil resistir mas... ― Fiz uma pausa, balançando a cabeça negativamente. ― Acho melhor não. Pelo que eu conheço do Pete, não acho que seja uma ideia.
― Você não sabe até você tentar. ― Ela falou, me observando. Fiquei em silêncio, olhando de volta para Cece e pensando sobre isso. Eu não posso negar que eu não em sentia atraída por Pete, mas tudo nele parecia gritar problema e era o que eu vinha tentando evitar desde então. O celular de Cece apitou avisando uma nova mensagem. ― É o Louis.
Sorri de volta para ela e vi que ela olhou em volta, procurando provavelmente por Louis. Olhei junto com ela e não encontrei Louis, mas sim Pete. Parei para olhar para ele e acenei negativamente com a cabeça revirando os olhos ao ver aquilo. Duas loiras magrelas estavam quebrando o limite de espaço pessoal dele, enquanto uma acariciava a sua camiseta, a outra mantinha uma mão na sua cintura. Os três pareciam estar em uma conversa bem interessante, porque as duas não paravam de dar risadinhas para ele.
― Charlie... ― Cece falou ao meu lado como um consolo ao ver o mesmo que eu.
― Acho que acabei de vomitar um pouquinho. ― Falei olhando para os três.
Eu não estava com ciúmes, eu estava com raiva. Eu queria correr até lá e começar bater nele e depois nas duas. Virei meu copo e o finalizei com um gole, jogando no chão e comecei a caminhar duro naquela direção. Cece me seguia sem de perto sem dizer uma palavra. Peter me viu um pouco antes de chegar ali, primeiro ele ficou paralisado, depois de uma pausa sem graça, a sua expressão se derreteu em arrependimento.
― Seu teste de DST chegou e deu positivo. ― Falei alto e claro, entrando no meio dele e das garotas para que elas pudessem receber o recado. Todos sabemos que Kappa's não são muito inteligentes.
Elas se afastaram um pouco mas ainda não saíram dali, eu me virei para as duas e lhes dei um olhar assassino, ai sim que elas decidiram se afastar.
― Charlie. ― Peter falou e foi tentar se aproximar para me tocar.
― Não toca em mim! ― Gritei furiosa, levantando uma mão para afastá-lo com um tapa caso ele tentasse. Uma pequena rodinha se formou ao nosso redor as pessoas começaram a olhar curiosas.
Revirei os olhos e então sai dali, dando passos longos e rápidos para me afastar.
― Você é idiota mesmo né? ― Cece falou olhando para Pete que ficou parado, observando eu me afastar. ― Vai atrás dela e conserta isso!
Atravessei a multidão, empurrando até alguns pelo caminho sem pedir desculpas e saindo dali as pressas, com os olhos cegos de raiva. Eu só queria ir para a casa, porque com o humor que Peter havia me deixado, eu seria capaz de matar alguém. Sai do campo e atravessei a rua sem olhar para os lados, mas só percebi isso quando uma moto freou bruscamente ao meu lado, quase me atropelando.
― Você é retardado? ― Gritei furiosa para o motorista, fitando com os olhos.
Ele acenou negativamente com a cabeça primeiro e então levantou a vidraça do capacete inteiro negro, que me impedia de ver o seu rosto. Mas não precisei ver o seu rosto inteiro para saber quem ele era.
― Só podia ser você mesmo! ― Soltei com raiva, revirando os olhos para Johnny.
― Você que pulou na frente da moto. ― Ele falou com a voz abafada por trás do capacete.
― A próxima coisa que vai pular vai ser um garfo no seu olho. ― Falei com desprezo para ele.
― Uh, venenosa. Tem certeza que não é uma Kappa? Senti um tom de vadia aí na sua voz. ― Ele disse irônico.
― Me desculpe, somos amigos? Oh, deixe-me me ver, não! Então, acho que não é da sua conta o que eu sou ou o que eu não sou. Tenha uma boa noite, espero que você sofra um acidente e depois um cachorro cague no seu rosto. ― Forcei simpatia e sorri para ele antes de continuar o meu caminho, olhando para os dois lados da rua dessa vez.
Era reconfortante finalmente poder ser uma Angel novamente, era relaxante. Sabe tipo os fumantes quando estão estressados e fumam um cigarro após um longo tempo? Essa sou eu, após um longo tempo tentando ser uma pessoa melhor, é ótimo finalmente estar livre para soltar veneno para todo lado e ser uma vadia.
Caminhei direto pela casa, estava tão ocupada com meus pensamentos que cheguei lá mais rápido do que esperava. A casa que parecia tão pequena quando os meninos estavam ali, parecia grande demais comigo sozinha. Subi direto para o quarto e nem fechei a porta, apenas acendi a luz e me sentei na beirada da cama. Tirei minha jaqueta e depois os sapatos, deixei os sapatos próximos a cama e joguei minha jaqueta em um canto. Me levantei da cama e olhei ao redor do quarto, me aproximei da dock station de Peter e seu Ipod estava conectado ali, apertei o botão de ligar, procurei até encontrar algo que me agradasse no momento. É incrível como música sempre nos ajuda, não importa o que você está passando. Deixei Boom Clap da Charli XCX tocar em um volume razoável e me joguei de volta na cama, me deitando de bruços e com a cabeça para o lado dos pés, escondendo o rosto no edredom azul marinho de Peter. Eu não sei se odiava ou gostava do fato do cheiro dele estar sempre ali.
Ouvi o barulho de um batida no batente da porta e levantei meu rosto, Peter estava encostado ali com as mãos para trás e me olhando com a sua melhor cara de cachorro que caiu da mudança.
― Se você está aqui para pedir desculpas e acha que eu vou aceitar, você está muito errado. ― Falei séria, olhando para ele da cama.
― Eu estava pensando sobre isso quando estava na metade do caminho, então me lembrei de que não se deve pedir desculpas com as mãos vazias. ― Ele tirou as mãos das costas e exibiu um pote de sorvete de Kit Kat e uma colher. ― Então, eu dirigi até um mercado do outro lado da cidade para comprar um desses para você.
Apertei os lábios e acenei negativamente com a cabeça, sem acreditar que ele tinha realmente feito isso. Mas pela demora que ele levou para me acalçar de carro, não era de se duvidar. Mas vamos lá, seja forte, Charlie, seja a vadia que você é. Não caia nessa cara de cachorro e essas boas intenções, alguns minutos atrás ele estava com outras duas garotas (loiras e não loiras morango).
― Não pode me comprar Kit Kat toda vez que fizer algo ruim. ― Falei revirando os olhos.
― Eu sei. ― Ele apertou os lábios enquanto sorria na minha direção. Se desencostando do batente e entrando no quarto. Caminhando na minha direção. ― Mas eu posso tentar, um dia desses ainda vou precisar te comprar todo o Kit Kat do mundo. ― Pete me entregou o pote e a colher e sorriu quando eu aceitei. ― Isso significado que estamos numa boa novamente?
― Não. Ainda estou brava com você. ― Falei abrindo o pote de sorvete e ele sorriu, dando de ombros.
Ele então se aproximou mais e se deitou ao meu lado na cama, de bruços também, se apoiando com os cotovelos dobrado, ficando com seu rosto na mesma altura do meu. Fiquei parada por um instante, apenas o observando se acomodar ao meu lado.
― Eu disse que ainda estou brava com você. ― Falei irritada em como ele parecia estar confortável.
― Bom, a vida não é perfeita. ― Ele falou se divertindo com a forma que eu o encarava, o que só serviu para me deixar mais irritada.
Revirei os olhos com a sua insistência, eu sabia que ele não ia sair dali, então voltei a atenção para o meu pote de sorvete. Pegando um pouco com a colher e levando a boca, fechei os olhos por um momento, apenas degustando o sabor.
― Me desculpe por mais cedo. ― Peter falou com seu rosto virado para mim. ― Eu fiquei com raiva porque você me colocou... ― Ele gaguejou. ― sabe, na zona da amizade. ― Estava relutante, tentando manter meus olhos longe da sua boca, que emanava o cheiro delicioso de chiclete de menta. No seu queixo e acima da sua boca, começava a apontar novamente a barba que ele provavelmente havia feito hoje cedo. Os olhos cor de mel e as pintinhas espalhadas pelo seu rosto. O cabelo bagunçado e a forma com que ele me olhava me dava borboletas no estômago. Baixei meus olhos para o pote de sorvete entre as minhas mãos, deixando alguns fios de cabelos do meu rosto caírem próximo aos meus olhos para não precisar olhar para ele e fazer o que estava tentando evitar a muito tempo. Apenas continuei ouvindo-o falar. ― Porque não é segredo a forma como eu me sinto por você. E as vezes, parece que não é reciproco e isso me deixa... angustiado. ― Engoli em seco quando o ouvi falar isso. ― Tudo bem se não for também, porque você está certa, não somos parecidos. Mas ainda assim, você é meu próton favorito e inevitavelmente ainda somos positivo e negativo. E agora, eu realmente preciso saber se você também se sente assim por mim, o que eu acho uma grande possibilidade, contando com o que aconteceu ali há pouco, porque o que eu estou prestes a fazer...
Pareciam que haviam cubos de gelo dançando no meu estômago quando ele disse isso. Senti o toque dos seus dedos próximos a minha orelha e ele colocou os fios do meu cabelo que estavam no lado do meu rosto atrás da minha orelha, me obrigando a olhar para ele de qualquer forma.
― Eu realmente quero saber qual é a sensação de ter os seus lábios nos meus. ― Ele disse, inclinando-se a ficando a pouquíssimos centímetros do meu rosto.
Virei o meu rosto na direção do dele novamente e não perdi tempo, inclinei o meu rosto na direção do seu e o beijei.
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