Charlie é o Cara
16 Um mexiático?
Notas iniciais
POV-Charlie
― Você se tocou que ele simplesmente chegou e me beijou como se nós tivéssemos uma coisa? ― Amy sussurrou apavorada para mim.
Olhei por cima dos ombros para o outro lado do quarto, onde Pete e Pablo estavam. Pablo estava encostado na escrivaninha e Pete sentado na beirada da cama de Amy, eles conversavam animadamente sobre o nome dos seus filhos. Pablo pensava em algo como Al Capone ou Heisenberg (bem mafioso da parte dele, eu não duvidaria que ele fosse filho de um traficante chefe de um quartel de drogas numa vila no México), já Pete pensava em algo como Tyrion Lannister ou Chuck Norris (independe se for menino ou menina) que dó dessa criança.
Eu e Amy estávamos de costas para eles e ela me ajudava a arrumar o pouco de coisas que eu havia desempacotado. Depois que Pablo lhe deu um beijo de namoradinho, ela meio que surtou.
― Você percebeu que por agora uma coisa não é a única coisa que vocês podem ter? Vocês podem ter um bebê falando sobre o que eu vi ontem. ― Aquela é uma cena que eu nunca vou esquecer, peguei na minha mente e coloquei dentro de uma pasta escrito: NÃO ABRA ISSO! Amy me olhou mais apavorada ainda. ― O bebê seria mexicano ou asiático? Aposto que seria um mexiático.
― Um mexiático? ― Ela me olhou confusa.
― Acabei de inventar. ― Dei de ombros e joguei outra peça de roupa dobrada dentro da mala. ― O que tem de errado? Ele é bonitinho, o bigode é o charme. ― Sussurrei e olhei para Pablo.
― Eu sei, porque você acha que eu dormi com ele? Duh! ― Ela me deu um tapinha na testa.
― Você não dormiu, falando na pratica. ― Disse rindo.
― Você me entendeu, não entendeu? ― Ela me deu um daqueles olhares assassinos. ― Mas foi só isso...
Olhei para ela e apertei os olhos, esperando ela dizer que não estava falando sério.
― Você é uma safada! O que é isso? Sex and The City? Sexo de uma noite e adeus, obrigado pelo sexo. ― Só percebi que estava falando alto demais quando Amy tapou minha boca com a mão e vi que Pete e Pablo tinham parado de conversar para ouvir nossa conversa.
― Continuem a sua conversa, não se incomodem com a gente. Charlie está me contando sobre um episódio de Casos de Família que ela viu. ― Amy forçou um sorriso simpático para eles que ainda olhavam sem entender o porque ela ainda tapava a minha boca com a mão.
Quando eles finalmente pararam de olhar para nós ela destampou a minha boca.
― Eu estou sorrindo para eles pensarem que está tudo bem, mas já te assassinei mentalmente duas vezes. ― Ela falou sem parar de sorrir daquele jeito.
― É mais assustador ainda quando você diz isso sorrindo. ― Era MUITO assustador! ― Diga para ele que você não quer ter uma coisa. ― Sussurrei.
― Eu não sei como dizer isso sem parecer horrível e ele foi tão legal comigo, ele é tão gostoso, especialmente quando fala em espanhol. Eu não quero ter uma coisa com ele mas quero continuar fazendo coisas com ele. ― Ela choramingou olhando.
― Porque você simplesmente não compra um vibrador e o chama de Pablo? É tão mais fácil. ― Sussurrei, sem entender a lógica dela.
― Eu não quero um namorado, Charlie. De todas as coisas que eu quero agora um namorado não está na lista e ele me deu um beijinho de namorado. ― Amy disse decepcionada. Ela não queria magoar Pablo mas também não queria deixá-lo ir. ― Especialmente um cara de fraternidade. Não importa o quão bonito ele seja, ele ainda é um cara de fraternidade.
Amy falou e pensei em Pete, sobre a forma que ele me tratou ontem. Atencioso e dedicado, como se eu realmente fosse a única garota para ele naquela festa ontem mas era só isso. Eu sabia tão bem quanto ela que ele era um cara de fraternidade, não havia uma só garota para eles.
― Você pode pelo menos olhar para mim quando eu estou falando? Estamos em uma crise aqui, ok? ― Amy sussurrou estalando os dedos diante dos meus olhos.
Eu estava olhando para Pete, ele segurava um dos meus perfumes, quando foi cheirar acidentalmente o espirrou contra o seu rosto e espirrou. Ele me pegou olhando para ele e sorriu com os olhos vermelhos e cheios de lágrimas.
― É cheiroso, mais arde pra caramba nos olhos! ― Ele falou piscando os olhos e eu ri. Não, de jeito nenhum, não tem como eu estar cogitando a ideia de achar isso sexy.
― Você está bem, Peter? ― Pablo perguntou olhando para ele espirrar novamente.
― Ele é mesmo uma pessoa de verdade? Cada vez mais acho que ele seja o Rigby de Apenas Um Show. ― Amy falou olhando para Pete também.
― E eu vou viver com isso. Seria melhor ter ficado aqui com você e suas ameaças de morte. ― Falei rindo para não chorar.
― Podemos voltar para o meu problema agora? ― Amy sussurrou impaciente. ― Você e eu somos amigas, certo? Ou seja, vai ser inevitável não vê-lo de novo, não vai ser como simplesmente atravessar a rua ou fingir que não o vi. E agora? ― Ela perguntou desesperada, me olhando fechar a mala.
Fiquei feliz por Amy dizer que éramos amigas, mesmo naquelas condições. Eu sabia que éramos muito diferentes, muito era pouco para o quão diferente nós éramos mas mesmo assim era bom, era um tipo de amizade que eu não tinha antes. Sempre estava acostumada com as amizades da escola, todos os clones, todo mundo igual e agora eu tenho uma amiga igual a Amy e estou indo morar com sete caras. Eu nunca poderia imaginar que minha vida fosse tomar esse rumo um dia.
― Eu acho que esse é um bom momento para você usar a minha vida como reflexo para ver que a sua não está tão ruim. Você está melhor do que eu, você tem uma cara que está afim de você, mesmo ele parecendo meio grudento e apaixonado. ― Dei de ombros. ― Já é uma coisa.
― Você não deveria dar conselhos nem de graça porque eles são horríveis. Nunca. Nunca. Sai daqui. ― Amy disse fazendo uma careta para mim, sem acreditar no que eu havia acabado de dizer.
Já estava começando a me acostumar com o jeito exagerado e mau humorado da Amy, tava até começando a gostar para falar a verdade. Me virei para Pete e Pablo, enquanto eu e Amy estávamos entretidas em nossa conversa. Não acreditei no que estava vendo quando vi, Amy também olhou com curiosidade. Pablo e Pete simplesmente ficaram paralisados, Pete segurava uma calcinha vermelha e de renda estendida a sua frente enquanto Pablo a olhava com curiosidade, como se fosse um espécime não estudado.
― Eu nem vou perguntar porque aposto que vai ser mais perturbador saber. Vou simplesmente fingir que não vi isso. ― Falei, fazendo um bico olhando para os dois.
Amy se aproximou dos dois e tomou a calcinha da mão de Peter.
― Renda não combina com você. ― Ela disse ao pegar a calcinha da mão dele e se aproximou de mim. ― Não é minha. ― Sussurrou e enfiou a calcinha no bolso lateral da minha mala.
Olhei para Pete e ele estava com um sorriso malicioso na cara. Tive que me segurar para não sorrir de volta.
― Tira esse sorrisinho da cara e leva isso. ― Apontei para a minha mala em cima da cama.
― Sim senhora. ― Ele fez um saudação militar e se aproximou da cama para pegar a mala. Ele tentou a levantar mas não conseguiu de primeira. ― Só to me aquecendo. ― Disse fazendo um alongamento nos braços, então tentou de novo e não conseguiu. E de novo, de novo, de novo, em um angulo diferente, sem sucesso ainda. ― O que você está levando aqui? Um cavalo? ― Ele perguntou respirando ofegante.
― Tem mais duas dessas. ― Falei. ― Vou esperar lá fora. Tentem não quebrar nada, ok? ― Pisquei para ele da mesma forma que ele fazia comigo. Passei ao lado de Pablo e lhe deu um tapinha no ombro. ― Eu te mando mensagem depois Amy.
― Dios mío. ― Pablo se benzeu ao olhar para a mala.
Fale com o autor