Charlie é o Cara

15 Os conselhos sábios de Amy Toshiro.


Notas iniciais
Boa leituraa! ;')

POV-Charlie

― Você não está dormindo de verdade né? ― Ouvi Amy falar e cobri a cabeça por completo com o edredom.

― Não estou dormindo, estou morta. ― Respondi, com a voz abafada por baixo do edredom.

― Você não está morta. Você está falando! ― Ela continuou tagarelando.

Engraçado antes era sempre ela que não estava afim de papo e hoje sou eu. Ela estava tentando falar comigo há algum tempo já mas tudo que eu queria agora era simplesmente me afundar no colchão até desaparecer.

A voz da minha mãe quando ela soube que eu não entrei na Kappa Sigma e sim na Roar Omega Roar, foi a mesma reação de quando uma criança ganha roupa ao invés de brinquedo no seu aniversário. Meu pai por outro lado ficou feliz, imagino o quão feliz ele vai ficar quando eu contar que estou morando com sete caras, acho que a felicidade vai sumir tão rápido quanto veio.

― Apenas por curiosidade, você não deveria estar fazendo as malas agora? ― Amy continuou falando.

― Eu sei que você não me quer aqui mas será que dá para parar de me expulsar? ― Falei incrédula, descobrindo a cabeça e me sentando na cama. ― Eu só quero chorar e comer e comer e chorar e comer mais e chorar mais.

― Esse parece como um dia comum na minha vida. ― Amy disse fazendo um biquinho e meio pensativa. ― Não é assim tão ruim, vai ser como Branca de Neve e os Sete Anões versão pornô.

Meu queixo caiu quando ela falou isso.

― Apenas sendo realista. ― Ela deu de ombros. ― Quer um conselho?

― Não. ― Acenei negativamente.

― Bom, eu vou dar do mesmo jeito porque é de graça. ― Amy falou gesticulando com as mãos. ― Você precisa dar chance para as coisas na vida, você não sabe como é até provar. É como comida, a maior parte das pessoas diz que não gosta de coisas que nunca provaram ou então julgar um livro pela capa. Sim, é clichê e pode talvez ser o pior conselho que você vai ouvir mas você não sabe o quão ruim e o quão bom pode ser até você experimentar. ― Ela fez uma pausa, me deixando refletir sobre isso. ― Quando as coisas estão ruins, eu sempre penso que pode ter alguém pior. Funciona para mim. Está funcionando agora, eu achava que a minha vida estava fodida, até conhecer a sua. ― Ela gargalhou. ― Vai morar com sete caras. Que piada, vai virar uma pornô.

― Obrigado pelo discurso inspirador e depois isso! ― Olhei para ela sem acreditar. No começo estava funcionado, agora saber que a minha vida terrível servia de inspiração para ela não ajuda. ― Você está sempre dando as coisas mesmo.

― Não se atreva, posso matar você e fingir que foi um acidente. ― Ela me ameaçou.

― Dando as coisas para mexicanos. ― Falei baixinho só para eu escutar mas de alguma forma ela ouviu. Quando ela foi vir para cima de mim, ouvimos alguém bater na porta.

Nós duas olhamos uma para a outra, esperando uma de nós dizer que estávamos esperando por alguém. Amy se aproximou da porta para abrir. Ela me olhou por cima dos ombros uma última vez antes de abrir a porta. Amy não pode simplesmente abrir um pouco a porta, ela a abriu por completo, dando visto para dentro do quarto inteiro e para lá fora.

― Hei Amy! ― Pete disse animado quando ela abriu a porta.

Ele e Pablo estavam parados na porta, lado a lado, com aqueles sorrisos extremamente animados. Pete piscou para ela e lhe deu um beijo no rosto, cumprimentando-a e já entrando no quarto sem nenhuma de nós dizer nada.

― Oi para você. ― Pablo disse dando um sorriso charmoso, então como se fosse a coisa mais normal do mundo, ele se aproximou dela e lhe deu um selinho demorado.

Fiquei olhando sem entender e Pete continuou agindo como se nada estivesse acontecendo, olhando o dormitório.

― E bom dia para você! ― Pete olhou para mim, sorrindo de canto. ― Já passou das onze, o que você tá fazendo na cama ainda?

― Morrendo. ― Choraminguei e cobri a cabeça com o edredom novamente.

― Não se preocupe, ela está em negação. Isso passa. ― Amy disse bem humorada.