Chara

13 A guerra entre os humanos e monstros - Parte 2


Notas iniciais
50X anos atrás acontecera exatamente o que Chara leu em seu livro. Um rei tirano promovera a segregação entre humanos e monstros. Mas onde estariam esses monstros agora?

— Bem, isso é um Adeus, não é? — disse a humana de pele bronzeada.

— É... — disse a menina-cabra.

— Vamos sentir muitas saudades, Tori. — disse a humana com tranças. Ela deu um abraço apertado na sua amiga-monstro.

— Você será a melhor rainha que este reino já teve! — a humana disse soluçando. As três meninas abraçaram umas as outras. Toriel as acompanhou até a entrada do castelo onde uma carruagem as aguardava. As humanas entraram na carruagem e olharam uma última vez para Toriel antes que a carruagem começasse a se movimentar.

Havia dois reinos. Um deles possuía um rei e uma rainha monstros, Asgore e Toriel. O outro reino possuía um rei humano. Ambos os reinos possuíam habitantes humanos e monstros até o momento em que príncipe Phinneas, filho do rei humano, herdara o trono. Phinneas estabeleceu uma nova lei: Humanos e monstros precisavam viver separados. Para ele humanos e monstros eram diferentes demais para continuarem convivendo, embora já tenha sido assim há décadas. Phinneas disfarçara seu preconceito pessimamente. Usando uma desculpa medíocre ele banira todos os seus habitantes monstros e tomou para si todos os habitantes humanos da cidade de Asgore. Ele não apenas separou duas espécies, ele separou amigos e famílias. Pessoas que sequer ligavam para suas diferenças ou para o fato de serem de diferentes espécies e amavam uns aos outros acima de tudo. Asgore e Toriel jamais perdoariam essa crueldade até porque eles próprios tinham amigos humanos muito próximos.

— Não partirei! Sou fiel à família real Dreemurr! Eu os servi a minha vida inteira! A única maneira de me tirar daqui é me matando! — disse o servo humano de Asgore.

—Você não será o único a ser morto se continuar a insistir. — disse o guarda bravo.

— É melhor você ir. Não quero que se machuque. Vou dar um jeito nisso. Terei que dar um jeito! — Asgore implorou. Relutante o servo concordou em partir. O adeus foi doloroso.

No dia seguinte Asgore apressou-se para o outro reino e invadiu o castelo.

— PHINNEAS! O QUE ISSO TUDO QUER DIZER? —

— Aaasgore! Quanto tempo! Ah, e é REI Phinneas agora. Ou "sua majestade", o que preferir... — disse sarcasticamente. Phinneas tinha um tom perverso em sua voz. Ele tinha pele bronzeada e cabelos castanho-escuros que quase chegavam a seus ombros. — Eu seria cauteloso no seu lugar falando comigo. Estou aplicando novas leis. Isso quer dizer quepessoas como VOCÊ estão proibidas em MINHA cidade. — disse orgulhosamente. Seus guardas apontavam suas espadas e lanças para Asgore.

— Não pode fazer isso! Não pode nos separar! Você tem alguma ideia do que está fazendo?! Você está separando amigos e famílias! —

— Ah, é mesmo? Não posso fazer isso? Bem, eu acabei de fazer. Que tocante. Mas por mais que parta meu coração teremos que viver separados. — disse Phinneas sem disfarçar seu sarcasmo. Ele desceu de seu trono e caminhou até Asgore. Por mais que fosse mais baixo que o rei monstro ele não parecia intimidado. Asgore tivera que segurar a vontade de perfurá-lo com seu tridente. Em vez disso ele apenas o olhou fundo nos olhos castanhos do rei humano. De tanta raiva ele soltou um rugido e balançou ameaçadoramente seu tridente no ar soltando várias bolas de fogo. Voltou para casa frustrado e percebeu que teriam de acostumar-se com essa nova realidade querendo ou não.

— Isso não vai ficar assim para sempre. Phinneas um dia morrerá e o próximo rei talvez seja diferente. E nós, como monstros chefes,viveremos tempo o suficiente para virmos isso acontecer. — disse Toriel tentando animar o marido. Isso fez efeito por um tempo delimitado.

Asgore estava triste em viver longe dos humanos. Toriel também estava menos alegre. Ela crescera ao redor de humanos e tivera até duas babás humanas. Sua mãe era uma mulher muito ocupada. Asgore e Toriel tiveram a oportunidade de visitar o reino vizinho ainda crianças. Eles entraram em contato com a família real humana. A princesa era muito gentil e simpática, todavia seu irmão mais novo príncipe Phinneas sempre zombava de Asgore e Toriel. Ele tentava diminuí-los e fazê-los sentirem-se mal por serem monstros. O pai de Asgore conversava bastante a respeito disso com o rei humano. Ele era muito ingênuo e achara que Phinneas apenas estava passando por uma fase. Hoje em dia seu filho era rei, mas não mudou nem um pouco.