Chapolin -Vazamento de Gás Saint Moon
1 Capítulo único

Era mais uma noite tranquila num edifício de classe média japonesa. Um senhor de longos cabelos grisalhos, aparentando ter uns 50 anos, estava sentado diante da mesa de sua sala de estar, a ler tranquilamente. Enquanto isso, no apartamento de cima, uma jovem de longos cabelos loiros, presos de forma um tanto exótica, como se fossem orelhas de coelho, estava a ligar o aparelho de som. Coloca um CD de uma banda musical das antigas, do tempo das discotecas dos anos 70, e põe pra tocar. Em seguida, vai para o meio da sala e se põe a dançar de forma um tanto desengonçada. No entanto, não sabia ela que a forma como pisava forte, enquanto dançava, causa uma trepidação que é sentida no apartamento de baixo. O morador, que estava a ler, sente aquela vibração toda, e fica irritado.
VIZINHO: Com mil diabos... só pode ser aquela jovenzinha que se mudou pra cá há pouco tempo dançando de novo. Será que ela não sabe que aqui não se pode fazer barulho, que tem gente que gosta de silêncio e calmaria?
Indignado, se levanta e sai porta afora. Certamente vai reclamar com a moradora do apartamento de cima.
Nisso, um rapaz de cabelos cor café saía do banheiro, ainda enrolado na toalha, e com o corpo ensaboado. Devia ser o marido dela.
RAPAZ: Serena, meu amor...
Inútil! Ela não ouvia, tão alto estava o aparelho de som.
RAPAZ: Amor, por acaso você...
Vendo que ela não o ouvia, tão alto o rádio estava, resolve desligá-lo. Ao sentir que a música parou, ela se espanta.
SERENA: Hã... o que...
RAPAZ: Essa foi a única forma de poder falar com você, Serena.
SERENA: Seiya, meu bem... o que houve? — indaga.
SEIYA: É que acabou a água quente do chuveiro, enquanto eu tomava banho – diz.
SERENA: Ué! Mas nós trocamos o botijão esta semana. Por que acabou tão rápido?
Eis que soa a campainha.
SERENA: Me espera aqui, querido, eu já venho.
E atende a porta.
VIZINHO: Boa noite, vizinha... — diz, fazendo cara de poucos amigos.
SERENA: Boa noite, Senhor Saga – cumprimenta – o que o traz aqui?
SAGA: Bem... eu vim dizer – e olha para o marido da jovem, só de toalha e ensaboado, que se envergonha – vim dizer que neste edifício, há pessoas que não toleram escândalos!
SEIYA: Bem que eu disse para não ligar o rádio tão alto – diz.
SAGA: E muito menos suportam a falta de moral – encara o jovem pessoalmente.
SEIYA: Senhor, é que... — tentando se explicar.
SAGA: BASTA!! — grita – eu não quero discutir. Só quero que saibam; não quero escândalos! Entenderam?
SERENA: Sim, Senhor Saga – diz, encabulada.
E o Senhor Saga se retira. No entanto, torna a abrir a porta.
SAGA: Sem-vergonha!! — ralha.
E se retira de vez.
SERENA: Não ligue para esse esquentadinho, meu bem. De qualquer jeito... será que não foi o aquecedor?
SEIYA: Não faço a menor ideia. O ideal seria chamar a Naturgy.(*)
SERENA: Mas nós trocamos o botijão anteontem...
SEIYA: Anteontem?! Então, nesse caso, é bem provável que o gás possa estar vazando – diz.
SERENA: Mas o que nós faremos, então? — indaga.
Enquanto isso, Saga, após discutir com Serena e Seiya, retorna a seu apartamento para continuar sua leitura. Entretanto, sente algo cheirar estranho, o que o deixa preocupado. Corre até a cozinha verificar o que está se passando, pois se for um vazamento de gás, tudo fica ainda mais perigoso. Sentindo o cheiro – provavelmente de gás — ficar mais forte, começa a se alarmar.
SAGA: Oh... e agora... quem poderá ajudar-me? — pergunta.
???: EU!!! — diz um estranho com roupas vermelhas e antenas.
SAGA: O Chapolin Colorado! — sorri.
CHAPOLIN: Não contavam com a minha astúcia!!
SAGA: Que bom que você está aqui, Chapolin! Algo cheira mal.
CHAPOLIN: Pois devia tomar mais banho – graceja.
SAGA: Quero dizer que sinto um odor muito forte e desagradável. Não notou?
Eis que o herói tenta sentir o tal cheiro do qual Saga está a falar.
CHAPOLIN: Eu não fui! — diz.
SAGA: Chapolin... não será gás vazando?
CHAPOLIN: Não... ou sim? Não... ou sim? Não... ou sim? Não...
SAGA: BASTA!! — grita, sem paciência.
CHAPOLIN: Eu acho...
SAGA: Chega!! — interrompe – quer saber? Eu acho que está vazando gás.
CHAPOLIN: Então temos que localizar imediatamente o ponto de vazamento.
E ambos procuram pelo local por onde o gás possa estar escapando.
SAGA: Chapolin, não será que está vazando gás do forno?
CHAPOLIN: Pode ser, vamos checar.
E quando se agacham, acabam por chocar as cabeças uma na outra. De novo tentam ver se o forno está escapando gás, e voltam a bater cabeças.
“Está bem, vai você. Obrigado.”
Novamente batem suas cabeças, tentando se abaixar para verificar o forno. De repente, as anteninhas do Polegar Vermelho emitem um som estranho.
CHAPOLIN: Silêncio! Minhas anteninhas de vinil estão detectando o perigo... vem do apartamento de cima.
Então, realmente, estava havendo fuga de gás no apartamento de Serena e Seiya!
CHAPOLIN: Sigam-me os bons! — diz.
SAGA: Sim, Chapolin.
Ambos vão até a entrada do apartamento, por onde o herói atrapalhado sai. Crente que o herói dará conta de tudo, Saga se senta para continuar sua leitura. Instantes depois, um grande barulho, que parece ser uma explosão, seguido de trepidação e pedaços do teto desabando, se segue, para espanto do mesmo.
SAGA: Que coisa, não? Com esses bailes modernos, cada dia treme mais forte – diz, voltando a ler.
Enquanto isso, Serena chega em seu apartamento, sem se dar conta da surpresa — desagradável — que teria.
SERENA: Querido, cheguei...
Eis que olha a sala toda bagunçada, cheia de destroços e escombros.
SERENA: Meu Deus... o que houve aqui? — indaga – Seiya... meu amor... cadê você?
E olha para um bujão caído.
SERENA: O bujão... o bujão de gás EXPLODIU!!! — grita – oh... e agora... quem poderá me ajudar?
CHAPOLIN: EU!! — diz, entrando pela porta.
SERENA: O Chapolin Colorado!! — sorri, ao ver o herói.
CHAPOLIN: Não contavam com a minha astúcia! Sigam-me os bons – e ao dar um passo à frente, tropeça nos escombros, levando um tombo.
SERENA: Chapolin... não se machucou? — indaga.
CHAPOLIN: Fiz isso intencionalmente... todos os meus movimentos são friamente calculados.
SERENA: Ainda bem... mas que bom que você chegou, Chapolin. Já viu a minha casa?
CHAPOLIN: Não... como é que ela vai?
SERENA: Esta é a minha casa... — diz, um tanto sem graça.
CHAPOLIN: Ah... — e olha à sua volta – pois eu nunca vi uma casa tão bagunçada quanto a sua.
SERENA: Está claro o que aconteceu! Provavelmente foi um vazamento de gás — diz, ainda nervosa.
CHAPOLIN: Minha nossa!
SERENA: E o meu marido pode estar debaixo dos escombros – se alarma.
CHAPOLIN: Palma, palma, não priemos cânico! Por que esse pessimismo de achar que seu esposo pode estar debaixo dos escombros? Pode ter uma cabeça pra lá, outro braço pra cá...
Aquilo deixa Serena ainda mais aflita, imaginando a possibilidade de seu amado Seiya estar morto e despedaçaco.
CHAPOLIN: O importante agora é ter coragem e procurar por todos os pedaços pela casa. Sigam-me os bons!
E ambos se dirigem juntos a uma outra parte da casa. Nisso, alguém abre a porta e entra. Era Seiya, marido de Serena.
SEIYA: Benzinho, voltei... — e se espanta com o que vê — nossa! O botijão de gás explodiu... oh... e agora, quem poderá me ajudar? — pergunta, apreensivo.
CHAPOLIN: EU!! — diz, aparecendo.
SEIYA: O Chapolin Colorado! — sorri.
CHAPOLIN: Não contavam com a minha astúcia! Sigam-me os bons! — e tropeça nos escombros da casa.
SEIYA: Chapolin... — indo ajudá-lo a se levantar.
CHAPOLIN: Nada de perguntas bestas! Todos os meus movimentos são friamente calculados.
SEIYA: Sim, Chapolin, mas você deve saber que explodiu o botijão de gás, e a minha esposa pode estar debaixo dos escombros.
CHAPOLIN: Nossa! Então são duas pessoas.
SEIYA: Como sabe?!
CHAPOLIN: Acabo de ser informado. Mas acalme-se, vamos remover todos os escombros.
SEIYA: Quer ajuda? — indaga.
CHAPOLIN: Serve... mas vou avisando que isso é trabalho para pessoas bastante fortes — caçoa.
Eis que o atrapalhado herói mexicano tenta levantar um pedaço de madeira, e tudo o que consegue é acertar o objeto contundente na própria face, caindo para trás.
SEIYA: Chapolin... só um bujão explodiu, aqui está o outro – diz, verificando um outro bujão ainda intacto.
CHAPOLIN: Me parece que tem outra fuga de gás — diz, com o rosto próximo das nádegas do jovem de cabelos café.
SEIYA: O que... outro vazamento? — se desespera – Chapolin, precisamos achar a minha esposa!
CHAPOLIN: Tenha calma, vamos logo tirar todos esses escombros – se levanta.
Nisso que pega uma outra tábua maior, acaba por acertá-la em Seiya, que cai desacordado.
SERENA: Chapolin... meu marido ainda está debaixo dos escombros! — diz, chegando ali, alarmada.
CHAPOLIN: Minha nossa, onde?
SERENA: Em algum lugar por aqui... Seiya... você está aí?
Do outro lado, eis que o jovem se recompõe da pancada.
SEIYA: Ah... sim, querida...
SERENA: Ele está falando... está vivo! — sorri – Seiya... você está ferido?
SEIYA: Não, e você? — sem se dar conta que sua amada não estava enterrada nos escombros.
SERENA: Eu também não.
CHAPOLIN: Palma, palma, não priemos cânico. Vamos remover tudo isso rapidamente.
E corre para o outro lado da bagunça.
SEIYA: Tenha calma, Serena, o Polegar Vermelho veio salvar você — diz.
SERENA: Sim, temos que ter fé nele!
CHAPOLIN: Não contavam com a minha astúcia!
SEIYA: Você ouviu? — indaga.
SERENA: Claro que sim!
CHAPOLIN: Mantenhamos a calma, logo teremos retirado esses escombros – diz, pegando outra tábua.
SEIYA: Sim, Chapolin...
Mas leva outra pancada, que o faz apagar, enquanto o herói sai cambaleando, devido ao peso do objeto.
SERENA: Tenha calma, meu amor! Logo você estará livre para respirar o ar puro aqui fora..
Mas nota que ele já não respondia mais.
SERENA: Seiya... Seiya... — e se desespera – ele não responde... O QUE SIGNIFICA ISSO?! — sacode a camisa do Polegar Vermelho.
CHAPOLIN: Você... tem que ser forte – tentando consolar a jovem.
Imaginando que seu amado tenha morrido, Serena desmaia nos braços do Chapolin, que a acolhe, mas sai trotando para os lados.
CHAPOLIN: E eu também tenho que ser forte... — diz, gemendo com o peso.
Que herói fracote esse, não?
Do outro lado, Seiya recobra os sentidos, ainda sentindo a cabeça latejar.
SEIYA: Ai... minha cabeça... — e eis que vê o Polegar com Serena nos braços — Chapolin... você a salvou! — comemora — você é o maior, Polegar Vermelho!
CHAPOLIN: Não aguento mais... — diz, já quase caindo.
SEIYA: Eu o ajudo – e pega sua amada nos braços, deitando-a no chão.
CHAPOLIN: Vamos continuar removendo os escombros...
Pega outra tábua, e atrapalhado que só, novamente dá um golpe em Seiya, que cai inconsciente.
CHAPOLIN: Outra vez dormindo? — reclama.
Nisso, Serena recobra a consciência, depois do susto que tomara.
SERENA: Ai, onde eu estou... — e olha para o lado, vendo seu amado no chão — você o salvou! Chapolin Colorado, você é o maior! — comemora.
CHAPOLIN: Não contavam com a minha astúcia!
SERENA: Minha vida!
CHAPOLIN: Meu amor... — diz, todo convencido.
SERENA: Esse é o meu marido – aponta para Seiya.
CHAPOLIN: É ele? — o qual a jovem acena positivamente – e você é o marido da sua mulher? — indaga de volta para Seiya.
SEIYA: Tudo indica, né?
CHAPOLIN: Suspeitei desde o princípio...
SERENA: Já que todos aqui estão bem, pode ajudar-nos a recolher tudo isso, Polegar? — indaga.
CHAPOLIN: Eu acho... — tentando arrumar uma desculpa.
SERENA: Obrigada, Chapolin! — o interrompe.
Eis que Seiya, ajudado por Serena, levanta-se novamente, enquanto o atrapalhado herói com roupa de torcedor do Sport Club Internacional, tenta levantar outra tábua pesada.
CHAPOLIN: Bem, vamos continuar com a arrumação...
Mas atinge novamente Seiya, atrapalhado que só. Tenta levantar outras tábuas do outro lado, e uma delas cai bem na cabeça de Seiya, que tentava novamente se levantar, após mais uma pancada. Coitado... virou saco de pancadas. Nisso, decide fazer uma arrumação no banheiro, removendo alguns tijolos que estavam em cima da privada. Em seguida, surpresa; a tampa da privada sai! Empenhado em continuar a arrumação, joga a tampa da privada para o lado, e vai até a banheira. Retira mais escombros. Um detalhe chama-lhe atenção; o chuveirinho não estava ligado a uma mangueira. Nisso, experimenta abrir o registro, e o chuveirinho, mesmo não estando conectado a uma mangueira, esguicha água na cara do herói. Rapidamente, ele fecha o registro. Na sala de estar, Seiya e Serena continuavam a remover os escombros resultantes da explosão de um de seus botijões de gás. Nisso, eis que um fio chama a atenção do jovem.
SEIYA: Que será isso aqui? — indaga.
SERENA: Cuidado, amor! Isso aí é um fio elétrico.
Rapidamente ele o solta, temendo tomar uma descarga.
CHAPOLIN: O que houve? — indaga.
SERENA: Meu marido encontrou um cabo que acreditamos fazer parte da instalação elétrica.
E o atrapalhado herói, aos poucos, tenta tocar no fio, até que, ao tocar de vez, segura o cabo, e vê que não há perigo nenhum.
CHAPOLIN: Bom, não dá choque.
Experimenta puxá-lo. Enquanto isso, no apartamento de baixo, onde mora o Senhor Saga, o mesmo continuava a fazer sua leitura, e de repente, o lustre do teto, que estava mais baixo, para dar melhor alcance da luz, começa a subir. O homem de meia idade levanta o livro, e quando se dá por conta, seu lustre não parava de subir, seguia em direção ao teto. Nisso, o puxa de volta pra baixo. No apartamento de cima, onde se encontrava o Chapolin, outras coisas aconteciam.
SEIYA: O que está acontecendo, Polegar? — indaga.
CHAPOLIN: Não faço ideia... é como se o puxassem para baixo...
Então, puxando o fio no chão, Chapolin estava mexendo no lustre do apartamento inferior? Se soubesse ele o tipo de encrenca que estaria por arrumar... volta a puxar o fio, puxando para o teto do apartamento inferior o lustre. Saga, ainda não entendendo nada do que se passava, voltava a puxar o lustre, e o herói puxava o fio do lustre. Saga, então, sobe na mesa para alcançar o lustre, antes que vá totalmente ao teto. Chapolin, com o último puxão, cai no chão.
SEIYA: O que está havendo, Chapolin? — indaga.
CHAPOLIN: Vamos, me ajude aqui...
E os dois puxam o fio juntos. Saga, por seu turno, tentava manter o lustre o mais baixo possível.
SAGA: Mas que diabos... que está acontecendo?!
Até que ele se vê pendurado, tentando puxar o fio do lustre.
SAGA: Ei, ei, ei... mas o que... — não entendia nada.
E acaba levando um tombo. No apartamento superior, Seiya e Chapolin puxam o fio com tanta força que o jovem de cabelos café cai dentro da banheira cheia d’água, e acaba levando um inesperado banho.
Instantes depois, eles continuavam a remover os escombros da sala, mas Chapolin ainda estava focado no misterioso fio da instalação elétrica, que nada mais era que um fio ligado diretamente ao lustre do apartamento do Senhor Saga. O herói atrapalhado continuava a puxá-lo, mas algo o prendia lá embaixo.
SEIYA: O que foi, Chapolin? — indaga.
CHAPOLIN: Tem alguma coisa puxando pra baixo – diz.
Saga amarrou o lustre à cadeira, e ainda sentou para impedir que o Polegar Vermelho continue puxando o fio de seu lustre.
CHAPOLIN: Me ajude aqui, ora pombas! — grita.
SEIYA: E depois, eu ir parar novamente na banheira? Comigo não, violão! — diz.
Eis que o herói atrapalhado para de puxar o fio. Notando que pararam de puxar o fio de seu lustre, Saga experimenta se levantar, e nota que, de fato, pararam. Eis que se dirige à cozinha, onde pega um bule com café no fogão. Como a asa do bule ainda estava quente, para não queimar a mão, pega com um pano, e enche uma xícara. No apartamento de cima, outras coisas se passavam.
CHAPOLIN: Isso se resolve facilmente... — e vai ao banheiro.
Chapolin retira a tampa do fundo da banheira, permitindo escoar toda a água. No entanto, a água da banheira vai toda parar no apartamento inferior, caindo bem na cabeça do Senhor Saga, que toma um inesperado banho. Diante daquela situação bizarra, eis que ele pega uma panela para usar como capacete (ao estilo Menino Maluquinho), enquanto tenta bloquear o vazamento com um desentupidor de pia. Lá em cima, Polegar Vermelho sente que fecharam embaixo.
SEIYA: O que está havendo agora, Chapolin Colorado? — indaga.
CHAPOLIN: Não sei... é como se tivessem fechado lá embaixo...
Minutos depois, Saga, já seco, e de roupa trocada, estava a falar no telefone, provavelmente com um encanador.
SAGA: Boa noite, o senhor não tem aí um encanador para consertar um vazamento? — indaga.
No apartamento de cima, enquanto continuava com a arrumação dos estragos da explosão do botijão, Serena encontra um outro fio, mas ligado à parede.
SERENA: Chapolin, achei outro fio – diz.
CHAPOLIN: Vamos examinar.
Eis que puxa o fio. No apartamento de Saga, ele continuava a falar ao telefone.
SAGA: Sim... um encanador. Tem um vazamento enorme aqui no teto de casa...
Nisso, outra surpresa; dessa vez, o telefone dele é que é puxado, tal qual foi com o lustre, naquela hora, para espanto dele. E o cabo de guerra recomeça, dessa vez, com o fio do telefone. Saga puxa o fio do telefone, e nisso, no apartamento de cima era o telefone de Seiya e Serena que estava a ser puxado para a parede.
SEIYA: Esquece esse fio, Chapolin, melhor me ajudar com esse aqui – chama.
CHAPOLIN: Está certo. Mãos à obra!
No apartamento inferior, Saga continuava com a ligação.
SAGA: Sim, senhor, eu entendi... muito obrigado – e coloca o fone no gancho.
Nisso que vai continuar sua leitura, antes que se sente, o fio onde está ligado seu lustre volta a se mexer, e o mesmo cai de bunda no chão. Espantando com seu lustre novamente se mexendo, mesmo preso à cadeira, o agarra.
SAGA: Eu, onde pensa que vai? — agarra a cadeira, puxando-a pra baixo.
No apartamento de cima, Chapolin e Seiya são puxados para a frente.
SEIYA: E agora, o que foi? — pergunta.
CHAPOLIN: E eu que vou saber?
Dessa vez, o lustre estava solto da cadeira, e eles conseguem puxá-lo, mas Saga se agarra ao mesmo, e lutando para puxar o lustre pra baixo, acaba por ser suspendo no alto.
SAGA: Ei... mas o que... que é isso...
Eis que Seiya e o Polegar Vermelho param de puxar momentaneamente.
CHAPOLIN: Parece que bateu alguma coisa – diz.
De fato, era o Senhor Saga, que, segurando-se no fio do lustre, estava a ter a cabeça cacetada contra o teto, de tanto que os dois imbecis de cima puxavam o fio.
SEIYA: Que será? — pergunta.
CHAPOLIN: Não faço a menor ideia – e solta o fio.
Com isso, Saga termina por cair em cima de sua própria cadeira, desmaiando por uns instantes.
SERENA: Chapolin, você não está achando tudo isso muito estranho? — indaga.
CHAPOLIN: Eu acho...
SEIYA: Não ache! — interrompe – me ajude com essa droga de fio!
CHAPOLIN: Se aproveitam de minha nobreza... — diz.
E puxam novamente o fio, soltando-o da cadeira de Saga. No entanto, com a força do solavanco, Seiya cai novamente na banheira.
SEIYA: Uff... acho que o devíamos ter puxado um pouco mais fraco – diz.
SERENA: Chapolin, não acha que o Saga está puxando o fio? — indaga.
CHAPOLIN: Saga?!
SERENA: É o vizinho de baixo.
CHAPOLIN: Suspeitei desde o princípio... mas isso se resolve facilmente. Vou falar com o Senhor Saga pelo telefone para ver se ele está puxando o fio e... AAAAAAAAAAAAAAAAAA – o chão cede.
Lá embaixo, o herói atrapalhado cai em cima da mesa de Saga, que, ao ver aquela cena, fica estarrecido.
CHAPOLIN: Eu vim aqui lhe perguntar se por um acaso não está puxando um fio – diz.
Saga fica com cara de poucos amigos, ao ouvir aquele comentário.
CHAPOLIN: É que o piso lá de cima enfraqueceu com a explosão, e – sente um cheiro estranho – nossa... outro vazamento de gás! Me ajude aqui.
Saga ajuda Chapolin a se levantar, para que juntos, possam localizar o foco do escape de gás.
CHAPOLIN: Sigam-me os bons!
Mas nisso, eis que soa um outro barulho; era Serena, que também despencou lá de cima. Chapolin e Saga ficam surpresos ao ver que a jovem caiu de seu apartamento, ao pisar em outra parte do piso também fragilizada com a explosão decorrente do escape de gás. Serena se recompõe e se levanta.
SERENA: AAAAAAAAAA boa noite, Senhor Saga – diz, encabulada.
CHAPOLIN: Faça a sala, enquanto eu localizo o vazamento – diz.
Saga resolve, então, ajudar Serena, ainda meio grogue com a queda.
SERENA: Obrigada, comigo, tudo está bem... o senhor também está com um vazamento de gás? — indaga.
SAGA: Sim, jovem. Vamos lá verificar?
SERENA: Sim!
Ambos vão à cozinha, onde o Polegar Vermelho tentava localizar o ponto de fuga de gás. E lá chegando, o encontram com o forno do fogão aberto, tentando ver, mas não havia como, pois estava tudo escuro, e o forno não tinha lâmpada.
SAGA: E então? — indaga.
CHAPOLIN: Está tão escuro que mal se pode ver. Mas isso se resolve num piscar de olhos – pega uma caixa de fósforos e risca um palito.
Que burro! Não se risca fósforos onde há vazamento. Feito isso, eis que o pior acontece; EXPLODE! Tudo fica tremendamente ofuscado pela força da explosão. Passada a fumaceira, todos ali aparecem sujos de fuligem, com suas vestes rasgadas, tossindo muito... e Seiya despenca do apartamento do alto, dentro de sua banheira. Pelo visto, o Polegar Vermelho se esqueceu dos riscos de se acender fogo perto de onde haja qualquer produto que seja inflamável.
FIM
Notas finais
https://www.youtube.com/watch?v=fNFzfwLM72c
(*) nome da companhia que distribui gás nos Estados do RJ e SP.
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