Chapeuzinho Vermelho

21 Chapeuzinho Vermelho - XX


Notas iniciais
"Como se sente
Voltando atrás
Aprenda a lição
Nunca diga nunca mais
Como se sente
A falta que faz
O mundo dá voltas
Nunca diga nunca mais"
http://letras.mus.br/capital-inicial/956750/#selecoes/1691480/

A vida é feita de escolhas. Desde o seu início, você determina se respira ou não, é você quem escolhe se segue em frente ou espera o próximo trem. Particularmente, sou contra a espera — por mais experiências que a vida possa ter me trazido — insisto em arriscar.

Arrisco nas escolhas, tomo a frente, escrevo e não penso nem nas consequências. Deixo os personagens tomarem seu próprio rumo, fazendo o que bem entendem com os sentimentos. Que mais poderia fazer? Não permiti-los aproveitar a limitada existência? Que arrogância! Que egoísmo!

Violet seguiu caminhando de pé, de cabeça baixa, ainda sem saber o que seria do seu futuro. O conceito de bem ou mal começaram a se misturar, definindo muito bem o próprio caráter. Se a loucura fosse o não compreender, ela seria bem vinda.

Ter conhecimento da verdade é bem distante de exercê-la. Era preferível continuar dentro de casa esperando pela morte a comprar uma luta em vão? A preguiça, a falta de reconhecimento a abatiam.

Nunca. Não iria mais voltar naquele Bosque. "Deixe de ser boba menina! Assuste-os, vingue-se." — Dizia uma voz em sua cabeça.

– Não aguento mais! CHEGA!

Colocou as mãos trêmulas no chão e deixou a terra passar por entre os dedos. Ah, sim, aquilo era tão bom. E seria tão fácil se entregar. Ninguém estava olhando... Ser loba, agir única e puramente a vontade de seus instintos.

– Não faça isso, Violet. — Disse uma voz rouca.

Não sabia se saia correndo ou se começava a estalar os dedos dançando por todos os lados.

– O medo não a permite nem levantar a cabeça, Violet. Como o quer de volta?

Logo reconheceu a voz infantil do menino que estava em sua casa. Levantou os olhos e o viu com um livro de capa preta nas mãos. Sentiu vergonha da situação em que ele a encontrou, permaneceu parada com as mãos na terra, desconfiada.

– Onde encontrou isso? — Rosnou.

– Onde ele sempre deixou. Você pode até dizer que o conhecia, mas ficou surpresa com a atitude dele. Criança. Era assim que ele te chamava, não é? Há muitos anos, quando enterrei minha irmã eu o vi na mesma situação em que se encontra agora. Ele era um lobo jovem e impulsivo. Isso te lembra alguém?

Não se sabe de onde o menino encontrou coragem para afrontar Violet daquela maneira, mas ele parecia bem seguro de suas palavras. Antes, ela já desconfiava dele, agora era uma constatação. Ele não era qualquer estrangeiro.

– Quem é sua irmã, menino?

– Se eu disser você não vai acreditar.

– DIGA! — Gritou.

– Era uma vez.

– Como?

Ele encostou-se numa árvore e abriu o livro folheando-o desinteressadamente.

– Não gostaria que ficasse brava comigo, Violet. Eu tentei te contar ontem... Era uma vez morreu assim que nasceu. O que vocês chamam de "A pedra do Era uma vez" é, na verdade, o túmulo de minha irmã.

– Então... Quem é você?!

– Não é tão difícil de adivinhar. Pense só mais um pouco...

Quando Violet se deu conta começou a tremer. Sentiu a língua salivando, os dedos se fechando instintivamente na terra. Lorenzzo a alertou sobre sua vinda e ela sabia muito bem o que fazer.

– Duas opções. Ou você foge — o que Lorenzzo fazia bem — ou...

– Te mato.

O menino começou a rir. Ela ficou enfurecida, preparando-se para atacar.

– Não acha mesmo que vá me matar, acha? Eu sou seu amigo, Violet. Não quero que tenha raiva de mim, talvez você não tenha entendido. Quando minha irmã morreu, fiquei incumbido de realizar também sua função.

– Está me garantindo um recomeço?

O menino balançou a cabeça positivamente e ergueu os braços, convidando-a para um abraço. Ela se levantou do chão e limpou as mãos na barra da saia. Caminhou em direção a ele e o abraçou.

Aquele era o motivo do Fim ser conhecido como algo cruel. Aparece de um modo diferente para cada pessoa, tocando em suas ausências, em seus desejos mais íntimos. Tudo que Violet queria naquele momento de solidão era um amigo ingênuo, que não a temesse e a brindasse com muitas histórias. Ele trazia consigo a razão, o ponto final para todas as angústias. Fazia-nos reconhecer que tudo que sabíamos ainda era muito pouco perto da verdade. E ainda, nos consola com uma segunda chance, um recomeço.

– Ora vá, dê-me um beijo de despedida.

Ele entregou o livro de capa preta em suas mãos, abriu na primeira página e leu em voz alta “Chapeuzinho Vermelho”. Naquele momento ela percebeu que Lorenzzo estava certo, que eles não passavam de uma história, mas ao contrário dele, sentiu-se feliz, privilegiada por alguém ter sonhado com ela, tê-la criado com tanto carinho, e acima de tudo ser parte de uma bela história. Ela mordeu levemente a bochecha do Fim e sorriu.

– Desculpe-me, hoje estou me sentindo um pouco mais louc... Loba.

– Vou revê-lo um dia, Fim?

– É só saber onde procurar. — Disse sumindo por entre as árvores.


"Conhecei-vos a verdade, e a verdade vos libertará."

Notas finais
Queridos (as) leitores (as), agradeço por percorrerem comigo esses 20 capítulos. A releitura fez parte do meu crescimento pessoal e de muito trabalho duro, discussões com amigas, pesquisas, leituras... Tudo para dar o melhor de mim. Agradeço os elogios, as dicas e principalmente o carinho - e a paciência - de terem acompanhado a fic, aguentando meus ataques (nas notas) e meu nervosismo. Perdoem-me se corri demais, se viajei demais, se falei demais (como estou fazendo agora para não chegar no fim).
Mas, como é também trabalho do Fim recomeçar, este não será um adeus. Encontraremo-nos em breve! Se o Autor... Se Deus... SE VOCÊS QUISEREM hihi ^^'
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!