Chapeuzinho Vermelho

18 Chapeuzinho Vermelho - XVII


Notas iniciais
Vamos que vamos galera! Reta final da série! Estou preparando um fim surpreendente para vocês o/

– Seu nome vem da flor? – Perguntou o menino acomodando-se na cadeira.

– Não sei. Foi minha avó quem escolheu. Violet. Nunca parei para pensar sobre isso... Por que a pergunta?

– Seria bom. Você é delicada como uma violeta, mesmo tentando parecer durona.

Não se conteve, abriu um sorrisinho no canto dos lábios. Há tempos não ganhava um elogio, na verdade, aquele era o primeiro que a nova Violet ganhara. Ficou tão emocionada que tropeçou nos próprios pés e deixou os pratos caírem no chão.

– Desculpe... – Disse se agachando para recolher.

– Machucou? – Perguntou o menino dando um pulo da cadeira para ver o pé de Violet – Você é um pouco desajeitada, não é?

– É... Ainda não sei andar direito. – Explicou-se ruborizando.

– Não sabe andar? Mas já é uma moça! Você tem algum segredo?

Violet arregalou os olhos e começou a catar os cacos de porcelana que se espalharam pelo chão da cozinha.

– Que é isso menino? Que tipo de segredo eu poderia esconder de você?

– Não sei. Diga você... Parece que é irmã do Victor.

– Que Victor?

– Victor de Aveyron.

– E quem é esse?

– Não o conhece? Em que mundo vive, moça? Bom, posso lhe contar a história dele enquanto jantamos. Posso pôr o jantar, se quiser. Eu sei andar.

Violet o olhou com desdém – talvez um tanto de inveja por ele andar com mais facilidade que ela – mas acabou concordando. O menino arrumou os pratos e serviu o jantar ali mesmo, fazendo companhia a Violet, sentado no chão. No início ela sentiu vergonha de ainda ter dificuldades em segurar com firmeza no garfo; notando isso, o menino pegou uma colher e a ajudou.

– Quando eu terminar de contar sobre o Victor, você me conta o seu segredo?

– Lá vem você de novo com esse papo de segredo...

– Todos nós temos um! Até eu! – Disse colocando o garfo na boca. – Por favor, conte-me!

– Digamos que eu tenha um segredo. E que você também tenha um. Você me contaria o seu?

– Ainda não... – Respondeu, frustrado.

– E por que não me contaria?

– Por que ainda não confio em você.

– Viu só? É assim que funciona. Agora fale-me desse tal Victor de Aveyron.

– Ele era uma criança selvagem que foi encontrada no sul da França a muito tempo... Não sabia falar, só emitia grunhidos. Não tinha família, algumas pessoas acreditavam que quando bebe foi abandonado pelos pais e criado por animais. Victor não era sociável, fazia suas necessidades onde e quando bem entendia. Arrancava as roupas que colocavam nele e dormia no chão. Nem reconheceu o próprio reflexo no espelho! Uma vez, um padre disse...

O menino continuou contando a história até que não sobrasse mais o que falar. Violet o observava com admiração, mesmo que não estivesse compreendendo tudo que ele dizia. Ele era sábio, vivido e muito esperto. Aquele menino a surpreendia de tal maneira que hora ou outra acabaria confiando nele.

– Espere. Onde fica a França? – Perguntou Violet o interrompendo.

– Na Europa, oras.

– Europa? Que é isso?

– Não sabe o que é Europa? Não leu livros sobre ela?

– Não! Pode parar de me dizer o que eu sei ou deveria saber?!

Violet abandonou o prato no chão e afastou-se do menino, olhando-o tristemente.

– Viu. Eu disse que se parecia com o Victor.

A menina começou a chorar deitada no chão. Escondia o rosto para que ele não visse seu rosto ficando vermelho e inchado, com vergonha dos olhos ofensivos que se mesclariam no mel de sua cor.

– Há quanto tempo não conversa com alguém, Violet? – Perguntou o menino afagando seus cabelos.

– Bastante tempo... Bastante. – Respondeu entre um soluço e outro.

– Ele era a única pessoa que você tinha?

– Quem? O Lorenzzo?

– Então o nome da pessoa que está enterrada perto daqui é Lorenzzo?

– Sim... Mas eu...

– Eu sei. Você o amava.

Aquele menino poderia ainda ser uma criança, mas de sentimentos ele entendia bem. Na verdade, entendia de tudo. Parecia ter lido todos os livros do mundo, conhecido cada lugar, estudado todas as pessoas. Ele – além de companhia – veio trazer um pouco de alegria a Violet com todas as suas histórias e respostas irreverentes.

Agora mais que nunca ela estava se esforçando para voltar ao normal. Com a ajuda dele começou a tentar caminhar de pé, segurar os talheres, pentear o cabelo... Violet estava voltando a ser o que era.


Notas finais
"Eu precisava de um lugar para me enforcar
Sem o seu laço
Você me deu algo que eu não tinha
Mas que não teve uso
Eu estava fraco demais para desistir
Forte demais para perder
O meu coração está preso de novo
Mas eu me libertarei
Minha mente me oferece vida ou morte
Mas eu não consigo escolher
Eu juro que nunca vou desistir
Eu me recuso
Alguém está tirando o melhor
O melhor, o melhor, o melhor de você?"
http://letras.mus.br/foo-fighters/139558/traducao.html