Chapeuzinho Vermelho
11 Chapeuzinho Vermelho - X
Notas iniciais
São 09:49 da manhã, eu não fui pra escola, minha garganta está ardendo e tem uma fonte - EU DISSE UMA FONTE - saindo do meu nariz.
(nota nada a ver: estou vendo Ana Maria -.-)
Bom, é isso, espero que o Lorenzzo me distraia.
Violet soltou o rosto de Lorenzzo no mesmo instante, pondo-se de pé.
– Não me siga, por favor.
Ela estava confusa, mas ainda assim, preferia ir para casa tirar suas dúvidas e frustrações abraçada ao travesseiro. Não olhou para trás nenhuma vez, não se sentia pronta para vê-lo de quatro, rosnando.
Lorenzzo não a chamou nenhuma vez, não tentou impedi-la. Não se sabe para onde foi, mas a certeza de que ele não estava atrás dela, a observando, era certa. Nenhum ruído, nem o barulho de respiração.
Já era hora dele sentir vergonha. Do que disse e do que sua mente doentia sonhava em fazer. Desejos íntimos de um homem adulto tomado pelo olfato canino que o avisava sobre a situação corporal de Violet.
Ela já era uma adolescente atraente há algum tempo, porém, ainda não havia passado pela etapa de transição entre a vida adulta e a infância. Violet caminhava sem saber para onde ia, buscando aquele caminho cheio de obstáculos da ida. Mas não havia nada, nem galhos sobressalentes ou muros de terra.
Pensou nas flores da história que a fronteira separava, no lago, na grama verdinha, mas isso só a deixava mais triste. Não se sabe como, mas em questão de minutos, chegou à árvore onde, normalmente, aconteciam os encontros.
Era muito fácil encurtar caminhos, ouvir pensamentos, redirecionar pedras para minha menininha não se machucar. Violet já tinha passado por provações suficientes por um dia, e eu, não queria me sentir responsável por mais uma de suas lágrimas. Levei-a até em casa e fiz com que sua mãe não reclamasse por seu sumiço – pelo menos não hoje.
– Violet... Seus pés, querida. Estão inchados.
– Eu andei demais mãe, não se preocupe... Vou ficar bem.
Tomou um banho, comeu um prato de mingau e deitou na cama esperando esquecer tudo quando acordasse e poder jurar que Lorenzzo não passou de um sonho.
– Mamãe, quem é aquele moço? — Ela perguntou apontando para o alto de uma árvore.
A mãe olhou e a repreendeu dando leves tapinhas em suas mãos. Violet poderia conversar e brincar com todos daquela festa, exceto aquele homem.
Ela o viu sorrir e acenou de volta.
– Carminha, você o convidou para o seu aniversário? — Perguntou Violet no pé do ouvido da amiga.
– EU? Convidar o Lobo? Está louca, Violet?
– Eu o vi bem ali...
Apontou para o galho já vazio e se assustou. Ela realmente o tinha visto, não poderia estar ficando louca.
– Eu vou... Vou... Ao banheiro.
– Mas volte logo, vamos começar as brincadeiras! — Disse Carminha cumprimentando convidados e agradecendo presentes.
Violet levantou a barra do vestido, apertou os laços de fita do cabelo e correu por todo aniversário, procurando até embaixo de pedras por aquele homem misterioso — e tão temido — que provocava sua curiosidade.
Depois de minutos encerrou sua busca sentando no chão de braços cruzados.
– Aquele bobo! Eu não tenho medo dele! — Disse batendo com a palma da mão no chão.
– Que menina corajosa. Qual é o seu nome? — Ouviu perguntarem às suas costas.
Virou-se abruptamente, olhando para todos os lados.
– Aqui, criança. Ao lado dos balões.
E aquela foi a primeira vez que falou com ele. Abriu um sorriso imenso e aceitou o balão que ele ofereceu.
– Violet, muito prazer. — Disse segurando a barra do vestido, curvando-se.
– Lorenzzo. E o prazer é todo meu.
Sentiu alguém a sacudindo fortemente. Abriu os olhos ainda mareados e enxergou Charlie com uma expressão assustada.
– Violet, Violet! Por favor! Acorde! Foi só um pesadelo...
Passou as mãos no rosto e senti-o quente e molhado. Então era isso. Ela estava chorando.
– Charlie... O que... Que está fazendo aqui?
– Eu passei para te ver. Saber se está melhor, mas vejo que não...
– Oh, Charlie... — Disse jogando-se em seus braços.
Violet estava fraca. Fraca demais e se renderia nos braços do primeiro que oferecesse colo.
– Violet... Você está machucada?
– Não.
– Então, por que seu lençol está todo manchado de sangue?
Violet se soltou do abraço e viu o lençol branco, com uma poça de sangue vermelha.
– Saia daqui, Charlie. E chame minha mãe, por favor.
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