Chapeuzinho Vermelho

8 Chapeuzinho Vermelho - VII


Notas iniciais
Desculpaaaaaaaaaaaaa, desculpa, desculpa, desculpa leitores.
Essa semana foi complicadíssima, fiquei de postar ontem, mas o caderno com metade do capítulo sumiu e só o achei hoje. Chega de blablablá e vamos lá ... ;)

– Não poderia ter assustado aquelas meninas. E o que fez com Charlie não tem nome!

– Tem sim, sequestro. — Ele respondeu gargalhando, caindo sentado no chão, com as mãos na barriga.

Violet nunca o tinha visto daquela maneira. Talvez não estivesse rindo somente da observação boba, mas por ter atingido seu objetivo.

– As vezes, — Disse Violet aproximando-se dois passos — As vezes eu...

Sua mão esquerda se elevou ao ar, aberta, até que começou a sentir o corpo tremer compulsivamente. Ela nunca havia estado tão próxima a ele, como daquela vez. Lorenzzo se pôs de pé e olhou fundo em seus olhos.

– O que? O que você tem vontade de fazer? Bater em mim, me dar uma lição? Ah, Violet, diga que é isso.

Ela recuou a mão, fechando-a em punho ao lado do corpo, perdida em seus olhos e no cheiro maravilhoso que saia de sua boca.

– É. Tenho vontade de te bater até te ensinar a ser um menino obediente.

– E POR QUE não o faz? — Disse se alterando, segurando a cabeça com as mãos, parecendo ainda mais louco, mais descontrolado... Mais lobo.

– Porque aí seríamos ambos selvagens. — Respondeu Violet voltando a encará-lo como um perigo que não pode ser subestimado e não a fonte de seus desejos mais secretos.

De certo Lorenzzo ficou perturbado depois de seu comentário. Andou de um lado para o outro, agachou algumas vezes, colocando as patas dianteiras, digo, mãos, no chão.

– Violet, você... Não. Eu. Eu preciso te contar uma coisa. Estava planejando falar depois, te preparar para isso, mas do jeito que as coisas estão indo...

Lorenzzo estava definitivamente descontrolado. E de tão confuso, acabou por tomar atitudes impensadas, entristecendo-me de tal maneira que prefiro não comentar meu estado psicológico e limitar-me a voltar somente às palavras, sejam destinadas por mim ou não.

– O que é? O que precisa me falar Lorenzzo?

Violet estava lá, parada, esperando pela grande confissão com a mesma expressão de uma mãe que aguarda o filho mostrar sua obra de arte — que na verdade é apenas um desenho com montes de bonecos palitos deformados. Aquelas mães que pegam, guardam e depois esquecem o papel em algum canto da gaveta, sem ao menos pensar no que inspirou o filho ou no que ele estava preocupado em dizer com aquele desenho.

Lorenzzo se sentiu tão desprezado com aquele olhar, mas ainda tão pressionado que estava disposto a contar a ela, mesmo que não desse validade às suas palavras.

– Abaixe aqui. Ele pode nos ouvir. — Disse Lorenzzo abaixando o rosto próximo ás mãos, no solo.

– Quem vai nos ouvir? — Perguntou Violet abaixando-se.

– Ele. -Lorenzzo olhou para o céu e engoliu em seco.

– Lorenzzo... Você já o subestimou demais. Ele pode jogar um trovão em você! O que tem para me contar dessa vez?

– A história. Ela depende de você.

– Não me venha com essas de que nós vivemos numa história como a dos livros, Lorenzzo!

As arvores começaram a se arrepiar com o uivo do vento fazendo a curva entre seus galhos.

– Não sei se já percebeu, mas tudo fica diferente quando está em minha companhia. Não estou inflando meu ego, acredite, eu também sinto que algo de muito importante pode acontecer se continuarmos juntos.

As folhas que descansavam já mortas no solo começaram a se mexer num ritmo estonteante. O vento as levantou convidando-as para dançar naquele redemoinho que só sabia tocar em dó.

– Precisa. Precisa vir comigo.

Sua voz começou a falhar, a rouquidão ficava mais aparente nesse momento. Lorenzzo tremia tanto que seus lábios se debatiam.

– Para onde?

– Não me pergunte. Apenas me siga.

As últimas palavras não foram pronunciadas. O barulho das folhas e das árvores escondiam sua voz, tentando impedir que... Impedir que a pena continuasse molhada quando tudo chegasse ao seu fim e que sobreasse tiinta no tinteiro.

Ele saiu correndo, curvado, próximo ao chão, com a mão na cabeça, fazendo sinal para Violet, que inocentemente, seguiu seus passos.

Galhos, esquilos, folhas, flores e tudo que houvesse no caminho foi investido contra Violet para impedí-la, mas ela era uma menina muito astuta. Brincar de roda, pique e amarelinha agora tinham ganhado utilidade, diferente do que se tivesse ficado travada em cadeiras de espaldar reto, costurando e aprendendo etiqueta.

Pulou todos os obstáculos, desviou das barreiras, escalou os muros de raízes que surgiam da terra, até que num passe de mágica, ela e Lorenzzo entraram num tipo de trilha. Algo desconhecido para eles, uma camada cinza de pedras paralisou tudo ao seu redor.

– Onde... — Começou Violet, ofegante — Onde estamos?

– Na estrada.

– Estrada?

– Mais conhecido como Fronteira. Lugar Nenhum fica bem ali na frente.

Notas finais
Tentei dar o melhor de mim numa das partes mais movimentadas da história.