Chapeuzinho Vermelho

5 Chapeuzinho Vermelho - IV


Notas iniciais
Mais reviews, mais reviews *-* Obrigada !
Violet e Lorenzzo ficam tão felizes quanto eu (ou mais).

– Eu... Eu só estava pensando na Festa da Colheita. Não estou bem disposta para tanta cantoria.

Carminha parou subitamente, encarando-a. A Festa da Colheita era um tipo de ritual do Bosque que acontecia no final de cada período de fartura, um agradecimento transcrito em comida, dança e músicas. Todas as famílias estariam lá para expor suas filhas para casamento como botas lustradas.

– Como assim? Pois chegue em casa agora e durma para recuperar as forças. Preciso de você do meu lado quando o Charlie me chamar para dançar.

– Ah, que bonito da sua parte me usar.

– Violet. Por favor. Há duas semanas venho lhe pedindo para me fazer companhia. Não quero ficar perto do meu pai escutando sobre preservação ambiental...

Violet pegou as chaves embaixo do tapete da entrada principal de sua casa e abriu a porta, deparando-se com a cozinha vazia. Chamou pela mãe algumas vezes, mas ninguém respondeu. Ótimo, ela pensou, enfim livre para dizer o que quiser sem se preocupar com ouvidos nas portas.

– Vou tentar. Talvez eu não tenha roupa pra me vestir apropriadamente. — Disse abrindo o guarda-roupa, passando os cabides sem emoção.

– Eu te empresto.

Violet olhou — inconscientemente — a amiga de cima a baixo, desanimando-se. Aquele não era bem o seu estilo, mas logo lembrou-se de algo que logo poderia encrencá-la.

– Tudo bem, tudo bem, eu te empresto. Mas preciso de uma coisa também.

Carminha permaneceu com os olhos brilhantes até ouvir seu pedido.

– Convença a seu pai de dizer a minha mãe que me emprestou esse livro.

Pegou o livro na penteadeira e o jogou nas pernas de Carminha, esperando que ela não falasse por muito tempo.

– Que coisa horrenda! Violet, não entendo como pode gostar de uma coisa dessas, pelo Autor, tenha piedade!

– Está falando como a minha mãe. — Retrucou abraçando o travesseiro — Vai me ajudar ou não?

Carminha levantou-se da cama, arrumou o chapéu e a saia. Levantou o nariz e disse:

– Tudo pelo Charlie. Agora durma e não se atrase um segundo se quer. Deixarei o vestido no sofá.

Charlie, Charlie. O filho do padeiro, que grande pretendente. Sendo pouco menos rude, ele era estudioso e tinha bom coração — pelo que podíamos ver quando entregava os pães pela manhã. Era o tipo de pessoa que tinha rotina até aos domingos. Nada tão difícil de imaginar: acordar, preparar pão, tomar café, dizer para a esposa o quão belo estava o dia e o quanto ele a amava, alimentar os cachorros e molhar as plantas... Coisas comum no dia-dia, porém tão enjoativas quanto doce de abóbora.

Presa nas coisas que o destino — egoísta — havia reservado para sua colega, Violet acabou caindo num sono profundo e desprovido de qualquer sonho. A respiração era constante e lenta, apenas o suficiente para oxigenar o sangue...

– EU NÃO VOU ... POR SUA CULPA VIOLET! Já ... e você não levanta! Não quero nem ... Então tchau!

Os olhos se abriram lentamente e ela se sentia renovada, mesmo que tenha escutado gritos bem longe e aquele barulho que faz quando o vento forte bate nas janelas fechadas.

Ao se levantar percebeu que o sol já não esquentava as pernas e achou estranho... Acabara de se deitar! Quando viu as sombras negras das árvores se mexendo do lado de fora pulou da cama. Já tinha anoitecido, a festa deveria estar começando.

Correu para a sala e encontrou um vestido branco cheio de laçarotes junto a um bilhete.

– É o menos chamativo que consegui, espero que sirva. Não se atrase, por favor, até as 20:00. Beijos, Carminha. — Leu.

No relógio marcavam 19:50 e ela ainda nem havia tomado banho. Daí pra frente é fácil de acertar, ela tomou banho, se arrumou da maneira mais desleixada possível e saiu de casa correndo.

– Ei, psiu. Para onde vai com esse vestido? Duvido que te pertença...


Notas finais
Mãe mais uma vez. Eu tentei gente, eu juro que tentei.