Chapeuzinho Vermelho
2 Chapeuzinho Vermelho - I
Notas iniciais
OK ok.. Um passo de cada vez.
A mãe de Violet cozinhava um doce quando ouviu a filha gargalhando sozinha dentro do quarto. Largou as panelas para saber qual era o motivo de tanta gargalhada.
Quando abriu a porta deparou-se com Violet deitada sobre a cama com um livro nas mãos.
– Violet, pare de ler isso. Já disse que vou queimar esse livro. O que é isso, o que é isso?
Ela tirou o livro das mãos da filha e olhou a capa com desprazer. "Os contos dos Irmãos Grimm" — leu em voz alta.
– Mãe, devolva-me isso agora! — Disse Violet jogando-se sobre o colo da mãe. — Você não pode tirá-lo de mim!
– Quem disse? Sou sua mãe. Por que não se diverte com as outras meninas do Bosque? Elas estão tricotando na casa de chá. Vá até lá.
– Mamãe, não é bem isso que eu chamo de diversão.
Violet se levantou da cama e tirou o livro das mãos da mãe, guardou-o sobre a penteadeira.
– Como pode rir dessas atrocidades? Não há histórias boas nesse livro minha filha. Onde o conseguiu?
– Na biblioteca. — Disse vestindo as botinas.
– É mentira. Nunca colocariam um livro como esse lá.
Era realmente mentira. Violet não poderia pegar mais nenhum livro da biblioteca porque já tinha lido todos — todos que a seu ver prestavam, o que reduzia uma biblioteca a apenas uma estante. Livros de culinária, costura, e dicas para como criar bem filhos não eram de seus interesses.
– Mamãe, por favor, não faça nada com ele. Peguei emprestado com o pai da Carminha.
– Tinha que ser aquele velho safado! Eu vou falar umas boas para ele hoje a noite.
– Não vai estragar a festa da colheita por uma bobagem, vai?
A mãe teve que concordar, cruzou os braços e virou o rosto mostrando claramente sua insatisfação. Violet se aproximou dela e lhe beijou a testa com carinho.
O record de dias que passaram sem brigar havia sido quebrado, contando com aquele, somavam-se oito. Mas Violet não culpava a mãe por estar nervosa, tinha que trabalhar, cuidar da casa, administrar o Conselho das Costureiras do Bosque e ainda educar a filha — não que fizesse diferença as lições que ela tentava dar à uma garota de 18 anos.
– Deixe-me ler mamãe, sou feliz assim. — Disse saindo do quarto.
– Aonde vai?
– Não se preocupe mamãe, eu volto para casa.
Pegou uma colher de doce de leite, colocou na boca e bateu a porta da frente.
A mãe sentia uma vontade incontrolável de sair correndo e prendê-la em casa, bater até ensinar bons modos e obrigá-la a cozinhar, como dizia o Conselho das Mães do Bosque, mas ela não tinha forças, muito menos coragem para prender a única filha naquele mundo perfeito de contos de fadas. No fundo até se orgulhava de ter tido Violet, menina de personalidade, que ainda sonhava — em segredo — em descobrir o que havia na fronteira do Bosque com Lugar Nenhum.
– Ora veja só, imperdir-me de ler. Prefiro assar ao lado de um pernil a parar de ler. — Dizia Violet sentando-se num banquinho de praça, cruzando as pernas.
– Falando sozinha mocinha? Fale mais baixo, vão pensar que está falando comigo.
Violet escutou uma voz rouca vindo de cima. Será o Autor? Não... Ele é ocupado demais para conversar com ela. Se bem que a mãe sempre disse ele olha por todos e sabe do sentimentos de todos...
– Pare de olhar para o céu, criança. O Autor não fala conosco. Aqui, na árvore.
Violet olhou para os galhos da árvore e esperou que estivesse conversando com um esquilo, mas quando avistou Lorenzzo sentado num galho, com um livro na mão. Ela deu alguns passos para trás segurando a colher com mais força.
– Ficou com medo? Já deveria estar acostumada, criança. O que é isso na sua mão? Uma colher? — Ele riu estrondosamente — É isso que leva consigo para se defender? Deveria ter um pouco mais de bom senso... Isso não machuca nem um... lobo?
– Lorenzzo! Sabe que não pode falar com as pessoas da vila. Volte para dentro do Bosque!
Violet piscou para ele, mandando-o prosseguir, e ao mesmo tempo espantando-o caso alguém os estivesse espionando. Esperou mais alguns minutos sentada para depois se levantar e ir atrás dele.
Notas finais
Sério povo, tá brabo, preciso de opiniões.
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