Chaos Rising

1 Capítulo Único


É possível se sentir inteiro e despedaçado ao mesmo tempo? Enxergar sua vida ruir, reerguer e ruir novamente como num vídeo em repetição infinita? Um castelo de cartas sendo erguido, soprado e erguido e soprado e por fim o coração ser arrastado no sopro da vida que reaparece?

É possível sentir culpa, remorso e arrependimento junto com a sensação de alívio? Tristeza e alegria duelando dentro de seu peito em questão de segundos?

É assim que me sinto. Assim que estou agora, partido e inteiro, olhando o rosto transformado de Cora. Minha irmã caçula. A parte da minha família que mais doeu perder e que, antagonicamente, é a que mais me dói recuperar.

Vê-la viva enche meu coração de alegria, mas a culpa que eu carrego pelas chamas que destruíram nossa família, logo incendeia essa alegria e o sorriso morre dentro de mim antes mesmo de chegar aos meus lábios.

Ela estava viva este tempo todo e eu não fui capaz de senti-la. Não fui capaz de buscar por ela, de cogitar a possibilidade de outros sobreviventes além de Peter. Não quis contar os corpos, reconhecer os pertences, nada. Tudo o que eu queria na época era sumir de Beacon Hills. Caçar Kate Argent até no inferno se fosse preciso.

Laura me tirou dali, guiou meus passos como boa irmã mais velha, como a excelente alfa que se tornou para o nosso pequeno bando. Apaziguou meu coração e me manteve na linha, longe do sentimento de vingança. Compartilhamos o luto, a dor, a solidão.

E agora eu sou o irmão mais velho. Eu sou o alfa. E tudo o que quero é correr e abraçar Cora e dizer que tudo vai ficar bem. Mas tudo o que faço é estancar diante da realidade, ouvindo ela mais rosnar que falar: "Derek, saia. Saia daqui agora!"

A voz mais madura, mais selvagem, e os olhos amarelos apontando juntamente com as presas e as garras. E a sede de sangue. Ajo de acordo com meus instintos e apenas tento me defender e defender Scott. Não posso machuca-la. Não posso correr o risco de machuca-la novamente.

Scott me pergunta sobre ela e dizer que é minha irmã mais nova são palavras que tem um gosto adocicado, mas eu não posso apreciar o momento. Não posso apreciar a sensação de ter novamente uma família. Não com ela e Boyd transformados em monstros. Não com as nossas vidas em risco.

Não raciocino bem nos próximos momentos e apenas quando Allison aparece e quebra o selo, o peso da realidade se abate sobre mim: aquela não é Cora, a menininha de onze anos que eu via crescer e ficar dividida entre a coleção de bonecas e os primeiros namorinhos de escola. Aquela era uma Cora que eu não conhecia, uma jovem de 18 anos. Uma mulher formada, uma lobisomem encurralada e perigosa.

Ela agora está livre. Colocando outras vidas em perigo. Especialmente a dela.

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