Chaos

2 Capítulo 01 - Névoa


O barco levou alguns segundos para parar totalmente. O piloto abriu a porta da cabine e disse:

– Chegamos ao primeiro ponto.

– Chegou a hora – Disse Emma.

– Tem um quarto ali, vocês podem trocar de roupa lá – Disse ele, apontando para uma porta branca na outra extremidade do barco.

– Obrigado – Disse Jake e os dois entraram no quarto, levando algumas mochilas.

– Estamos prestes a acabar com um dos mistérios da humanidade – Falou Matt, levantando seu copo de cerveja para fazer um brinde. Os outros cientistas, que também bebiam, levantaram seus copos e eles brindaram.

O piloto pegou uma âncora de metal com dificuldade e jogou do lado esquerdo do barco. Em seguida, fez o mesmo com outra âncora, só que do lado direito.

Depois de uns dois minutos, Ryan e Jake saíram do pequeno quarto, vestidos com trajes negros extremamente colados à pele. Também tinham óculos e dois cilindros de oxigênio nas costas, com dois tubos ligados à uma máscara.

– Boa sorte, garotos – Disse Gwen.

Eles agradeceram fazendo um sinal com o polegar. Segundos depois, os dois pularam na água, sumindo na imensidão azul do oceano.

– Agora é só esperar – Disse Louis, dando mais um gole no seu copo de cerveja.

– É melhor pararmos de beber – Sugeriu Joey, colocando seu copo em cima da mesa – Ou poderemos acabar dizendo que o Triângulo das Bermudas é um portal para outra dimensão.

Eles ririam da piada.

– Sabe de uma coisa – Matt olhou ao redor – O ele nem é tão assustador assim.

– O mar aberto me assusta, sério mesmo – Comentou Louis.

– Ah, por quê? – Questionou Gwen, sentando ao lado dele.

– Sei lá, é silencioso, deserto e intimidador – Respondeu ele.

– Eu sou fascinada por ele.

– Pois é, o mar é um mistério, o qual nenhum homem poderá jamais desvendar – Disse Matt.

– Que bela frase, de qual site você tirou? – Emma brincou.

– Tô falando sério.

***

O oceano era extremamente silencioso, mas Ryan já estava acostumado com isso. Era escuro também.

Os dois mergulhadores desciam às profundezas geladas do oceano. Estavam quase chegando, na verdade. Segundos depois, avistaram algo. Parecia feito de pedra.

Jake e Ryan se entreolharam e continuaram a descer. Se aproximaram um pouco mais e perceberam que realmente era feito de pedra. Era um pilar. Haviam vários deles.

Que estranho, Ryan pensou.

Continuaram nadando por entre os pilares, até encontrarem uma grande construção, como um templo, quase enterrada na areia do fundo do mar. Se aproximaram um pouco e perceberam que haviam símbolos gravados na pedra da parede. Pareciam formar frases. Na verdade, pareciam algum tipo de letra esquisita.

Depois do templo, havia uma coisa incrível, como uma cidade submersa. Era lindo. Haviam grandes pedras quadradas que pareciam ser casas ou cavernas. Eles se entreolharam novamente, maravilhados com aquilo. Era realmente uma cidade.

***

– É linda! – Dizia Jake aos cientistas. Os mergulhadores haviam subido à superfície há alguns minutos.

– Pera aí – Louis estava perplexo – Você está me dizendo que há ruínas de uma cidade aqui embaixo?

– Isso mesmo!

– Eu não acredito – Falou Matt. Na verdade acreditava, estava estupefato.

– Se não acredita, veja os vídeos.

– Caramba! – Gwen estava impressionada – Eu vou ter de esperar até chegarmos em terra firme para ver isso?

– Você não conseguiria descer até lá embaixo.

– Então quer dizer que não há nenhum navio ou avião? – Joey perguntou.

– Não, nenhum sinal.

– Então vamos para o segundo ponto.

– Caramba, nós encontramos Atlântida! – Ezra brincou.

– Devo ligar o motor? – Perguntou o piloto.

– Sim.

***

Uma hora depois, Jake e Ryan já tinham mergulhado no segundo ponto definido pelos cientistas e não haviam encontrado nada.

– Não tem nada? – Perguntou Emma, decepcionada.

– Não – Jake respondeu – Infelizmente.

– Não fiquem assim – Disse Matt – Nós só não tivemos sorte de encontrar os destroços, não quer dizer que eles não caíram, podem estar enterrados.

Não foi o suficiente para deixá-los animados.

– Eu estava tão animada, nós tínhamos pesquisado tanto – Lamentou Gwen.

– Se isso não der certo, pelo menos fizemos outra descoberta importante, uma cidade submersa – Disse Joey.

– Mas não foi o que viemos procurar – Falou Emma.

***

O piloto dirigia de volta para Miami e Emma estava sentada em seu banco, olhando novamente para o horizonte. Eram duas e vinte da tarde.

Gwen se aproximou e sentou.

– O que está pensando?

– Sei lá, só estou decepcionada.

– Eu também, mas vamos superar, é só uma pesquisa, outras virão – Ela colocou a mão sobre o ombro da colega.

A viagem continuou. Todos estavam em silêncio. O sol que entrava pelas janelas do barco foi desaparecendo gradativamente, enquanto o céu se fechava.

– É uma tempestade? – Perguntou Ezra, assustado.

– Pode ser – Respondeu Emma.

Tudo ficou mais estranho quando eles perceberam que um nevoeiro se formava a poucos metros à frente do barco.

– Não havia nada sobre uma tempestade na previsão do tempo – Joey comentou.

– Isso é estranho – Jake desconfiou – Tempestades não se formam de uma hora para a outra.

– Seja uma tempestade ou não, eu não estou me sentindo confortável com aquela névoa.

Segundos depois, eles estavam entrando no nevoeiro.

– Fechem as janelas – Disse Matt, eles obedeceram, fechando-as.

– Uau – Falou Joey – Isso é incrível.

– Isso é assustador, isso sim – Retrucou Louis, tentando enxergar alguma coisa, sem obter sucesso.

– Onde está a tempestade? – Perguntou Gwen.

– Eu não sei – Respondeu Emma – Já deveria ter começado?

– Quando sairmos da névoa, ela começará – Ryan comentou.

Eles estavam em silêncio, observando a misteriosa névoa, quando foram jogados violentamente para o lado.

– O que foi isso? – Gwen perguntou, prestes a entrar em pânico.

– Acho que batemos em algo – Respondeu Ezra.

A densa névoa se dissipou, revelando grandes objetos de metal oxidado. Pareciam navios. Na verdade, eram navios e barcos.

– Oh meu deus, o que é isso? – Emma perguntou e todos correram para o lado esquerdo do barco, para olhar o que era.

– São barcos? – Perguntou Ezra.

– São – Ela respondeu.

Haviam pedras também, além dos veículos velhos.

Neste momento, o piloto saiu da cabine.

– Nós batemos em algo – Disse ele. Parecia impressionado – Em um barco, há vários!

– Nós vimos – Falou Joey – O que você acha que é?

– Eu não sei, mas há muitos barcos e até navios enferrujados, estão aqui há um bom tempo... E tem mais.

– O que? – Perguntou Gwen.

– É uma praia.

– Uma praia? – Questionou Ezra – Então é uma cidade?

– Parece que sim.

– Vamos sair – Ryan sugeriu.

– Por quê? – Louis parecia não querer.

– O barco está encalhado – Respondeu Emma.

– E porque não ficamos aqui dentro.

– Está com medo, por acaso?

Ele resmungou.

– Claro que não, se vocês querem, então vamos.

O piloto colocou a escada para fora e foi o primeiro a descer, comprovando que ali não era profundo. A água chegava no joelho dele.

Quando todos desceram, caminharam um pouco pela água até achar uma entrada no meios dos barcos. Havia uma entre um grande navio e um iate de luxo, ambos velhos e abandonados.

Eles caminharam pela pequena brecha, com dificuldade, até chegar à areia da praia. O piloto foi o primeiro. Olhou para frente e ficou impressionado o que via.

– Nossa! – Ele exclamou.

– O que tem aí? – Perguntou Matt, mas logo sua pergunta foi respondida, quando ele viu o que era.

Os nove estavam parados na areia da praia, sem acreditar no que viam. Havia uma grande cidade depois dos barcos abandonados, com grandes prédios e avenidas, mas, estranhamente, não havia nenhum habitante, sequer algum carro.

– Onde estamos? – Perguntou Ezra.

– Eu não sei – O piloto respondeu.

– Como assim você não sabe? – Emma ficou assustada.

– Eu nunca estive aqui, eu não sei, e essa cidade não aparece no radar.

– Vamos procurar alguém, algum telefone para pedir ajuda para o barco – Gwen sugeriu.

– Não há um comunicador no barco, ou sei lá o que usam?! – Louis perguntou.

– Não funciona – O piloto respondeu.

– Então vamos procurar um telefone na cidade – Ela disse.

– Não vamos entrar aí, não estão vendo, não tem ninguém! – Matt estava visivelmente assustado.

– É impossível, tem que ter alguém – Jake exclamou.

– Vamos verificar – Concluiu Ezra.

Eles caminharam pela areia até entrar em uma pista de asfalto, indo em direção ao interior da cidade, pelo meio da grande avenida deserta.