Chaos
3 Capítulo 02 - Os Outros
Era aterrorizante. Estavam no que parecia a maior rua da cidade, com pista de quatro faixas e semáforos quebrados, mas não havia pessoas ou automóveis.
– Eu estou começando a ficar com medo – Comentou Gwen – Onde diabos nós estamos?!
– Ainda está começando? – Perguntou Louis – Eu já estou há muito tempo.
Eles andaram um quarteirão, observando as construções. Casas, prédios e estabelecimentos sem identificação.
– O que aconteceu por aqui? – Perguntou-se Emma, tocando a parede do que parecia ser uma casa.
Eles continuaram caminhando até virar uma esquina, deparando-se com uma rua menor e novamente vazia, a diferença é que nessa havia algo jogado no meio da rua, parecia uma pessoa.
– O que é aquilo? – Perguntou Ezra – É uma pessoa?
– É uma pessoa! – Concluiu Louis – Perece estar desmaiada.
Começaram a sentir um cheiro forte, de carne putrefata, que aumentava à medida que se aproximavam da tal pessoa desmaiada. Ficaram com medo do que iria encontrar, e quando chegaram até o corpo, constataram o que pensaram ao sentir o cheiro, estava morto. Na verdade, já estava em um estado avançado de decomposição. A carne estava extremamente escura e os ossos da face começavam a ficar visível.
– Oh meu deus – Disse Gwen, levando a mão à boca. Os outros olharam o cadáver mais de perto, analisando-o.
– Está aqui há muito tempo? – Perguntou o piloto.
– Não sei – Respondeu Joey – Talvez sim, talvez não – Ele virou a cabeça do cadáver e um espesso líquido cinzento começou a sair pelo nariz dele, misturando-se ao escuro necrochorume que espalhava-se pelo asfalto quente.
– O que é isso? – Perguntou Emma, fazendo uma careta, o cheiro era quase insuportável.
– Estão vendo esse líquido escorrendo pelo nariz? – Questionou Joey, parecendo entender do assunto – É o cérebro dele.
Neste momento, Matt não aguentou segurar e virou-se para o lado, vomitando sobre a pista. Os outros não se atreviam a se aproximar muito do cadáver, a não ser por Joey.
– Está aqui há muito tempo, acreditem – Ele continuou – Mas a carne, apesar de podre, ainda está praticamente intacta, o que significa que ele não sofreu a ação de animais carniceiros, como urubus ou moscas. Isso é estranho...
– Nós precisamos sair daqui – Gwen estava com uma agonia imensa – Não dá nós mesmos desencalharmos o barco?
– Infelizmente não – Respondeu o piloto.
– Temos que procurar ajuda, deve ter alguém vivo por aqui – Ryan sugeriu.
– Ele tem razão – Emma concluiu – Vamos nos separar, ou o que?
– Ah, mas é claro – Louis brincou. Estava nervoso – Salsicha, você vai com o Scooby – Apontou para Ezra e Matt, em seguida apontando para o fim da rua – Não, Emma, nós não vamos nos separar!!!
– E o que você quer fazer?
– Eu não sei, eu estou com medo, olha isso aqui, não tem ninguém nessa porra de cidade!
– Cara, fique calmo – Disse Matt – Nós vamos encontrar alguém.
– Eu não posso ficar calmo, você não percebe? Estamos fodidos!
– Não, não estamos – Concluiu Jake – Eu vou dizer o que vamos fazer, vamos procurar alguém, como o Ryan disse, tem que ter alguém morando aqui... Só... Procurem uma delegacia, ou algo do tipo, sei lá.
Eles não disseram nada, apenas se separaram. Emma, Gwen, Ryan, Joey e Ezra foram por um lado, Matt, Louis, Jake e o piloto do barco foram pelo outro.
***
Eles estavam presos em um lugar totalmente isolado. Não havia nem sinal. Emma e os outros estavam entrando em um estabelecimento, cujo nome eles não tinham ideia. Não havia placa na frente. Na verdade, não havia placa em nenhum lugar daquela cidade, como se não houvesse delegacia, hospitais, lojas, nada, apenas um conjunto de construções iguais e vazias.
Eles entraram e depararam-se com uma sala vazia, com um piso preto e branco, cheio de poeira. Todos os outros lugares em que eles haviam entrado eram iguais, apenas uma sala com piso preto e branco.
– Denovo isso? – Emma ficou brava – Nós já entramos em uns dez lugares e são todos iguais!
– Parece que não há delegacia ou qualquer outra coisa aqui – Comentou Ryan, analisando o lugar.
Gwen pegou seu celular.
– Já são três e quarenta e cinco, vai escurecer logo – Ela disse.
– Ela tem razão – Disse Joey – Precisamos ir embora logo.
– Não há ninguém nessa cidade, é melhor irmos embora – Falou Ezra.
– Não há como tirar o barco – Lamentou Emma – O piloto disse, lembra?
– Nós vamos ter que passar a noite aqui? – Gwen perguntou, com medo.
– Eu não sei, a não ser que encontremos alguém – Ela respondeu.
– Vamos continuar procurando – Disse Ryan.
***
Matt, Louis, Jake e o piloto caminhavam por uma das ruas da cidade. Todas pareciam iguais, exceto pela principal avenida. Não havia placas de identificação, nada. Apenas construções velhas.
– Estamos andando há muito tempo e não achamos nada além de salas empoeiradas. Não tem delegacia, não tem nada nessa droga de cidade! – Exclamou Louis.
– Tenha calma – Sugeriu Matt – Ou você quer passar a noite aqui?
Louis ficou calado.
Eles se assustaram quando viram um caminhão passar rapidamente pelo cruzamento do fim da rua. Havia mais alguém na cidade, eles tinham encontrado.
– Eu estou imaginando coisas ou todos viram aquilo? – Perguntou Jake, surpreso.
– Finalmente! – Disse Louis, começando a correr até o fim da rua. Os outros o seguiram.
– Espere, Louis, não sabemos que é ele, ou ela, sei lá – Disse Matt.
– Eu não me importo, é uma pessoa, não é? Então pode nos ajudar! – Ele falou, enquanto corria.
Ao chegar ao fim da rua, eles olharam para o lado esquerdo, para onde estava indo o caminhão, mas ele já havia sumido.
– Desgraçado! – Exclamou Louis, furioso.
– Ele não nos viu? – Perguntou o piloto, confuso.
– Talvez não, ele passou com pressa – Respondeu Matt.
– Estranho – Comentou Jake – Por que a pressa? O que ele tem de tão importante aqui?
– Eu não sei – Disse Louis – Mas nós precisamos achá-lo.
***
Emma, Gwen, Ryan, Ezra e Joey estavam andando por mais uma das ruas, quando chegaram à esquina e perceberam que haviam saído na grande avenida por onde entraram.
– Como podemos estar aqui? – Emma perguntou, confusa – Estávamos indo em outra direção!
– Em, eu acho que essa é outra avenida – Concluiu Gwen, apontando para o fim da grande rua. Havia uma praia, como antes, mas não tinha navios e barcos velhos, e sim um tipo de porta-aviões gigante, que não parecia nada velho, muito pelo contrário, estava com uma pintura nova e reluzente. Havia uma grande rampa ligando o veículo à areia.
– O que é aquilo? – Perguntou Ezra.
– Eu não sei – Respondeu Emma – Mas com certeza chegou aqui há pouco tempo, olhem o estado da lataria.
– Talvez eles possam nos ajudar – Disse Gwen.
– Ela tem razão – Comentou Joey – Vamos falar com os donos.
***
Matt e os outros haviam encontrado o caminhão estacionado na calçada, correram até ele e pararam ao se aproximar.
– Ei! – Gritou Louis. Ninguém desceu.
Eles se aproximaram mais, até poder enxergar o motorista pelo retrovisor. Não era possível ver se era um homem, pois estava com uma grande roupa branca do pescoço aos pés e na cabeça havia uma máscara de gás.
– Mas que porra... – Disse Louis, antes que o homem descesse e atingisse sua cabeça com o lado contrário de uma AK-47. Ele caiu no chão, desmaiado.
– Ei, nós só queremos saber onde estamos, por favor, largue essa arma – Disse Matt, levantando as mãos.
De repente, a porta da parte de trás do caminhão se abriu e de lá saíram mais homens, vestidos do mesmo modo.
Matt pensou no pior. Por que usavam máscaras de gás? Por que tinham armas? Por que estavam atacando? Quem eram eles? Que lugar era aquele?
Infelizmente, era muito tarde para pensar.
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