Chantagens
10 Lar doce Lar
Notas iniciais
Peter Povs:
Já faz quase uma semana desde que estou na mansão de Harry, tia May me disse que logo está de volta, e espero que seja logo mesmo. Desde o dia em que Harry tentou me beijar não consegui agir do mesmo jeito com ele. Sempre que ele se aproxima eu recuo ou falo que tenho algo a fazer.
E faz uma semana que não vejo Deadpool, para meu alivio. Espero que ele se esqueça de mim e nunca mais venha me procurar. Sempre que penso nele e tudo que me fez uma onda de raiva passa por meu corpo.
Só há ma coisa boa nisso tudo, os Vingadores voltaram. Não posso ir até lá, ainda mais com a chance daquelas mercenárias malucas me seguirem. Graças a ela tenho que trancar a porta de meu quarto todos os dias, senão é capaz de encontra-las em meu quarto quando chego do serviço. É nessas horas que sinto ainda mais falta da Gwen, parece que é a única pessoa normal que já gostou de mim.
Estou em meu quarto e um dos mordomos de Harry acabou de me avisar para me arrumar para o jantar. Confirmei com a cabeça e me joguei na cama. Não a ninguém nessa mansão enorme que vai comer junto a nós, e não quero ficar sozinho com Harry. Acabei de sair de um relacionamento e não quero entrar em outro, mas não posso ficar trancado nesse quarto quando estou na mansão do cara que me convidou pra jantar. O que eu faço? Não tem como negar. Droga!
Tomo um banho rápido. Coloco uma blusa do Darth Vader e uma blusa de frio por cima com um jeans e um all-star.
Desço as escadas e me sento em umas das cadeiras, Harry ainda não chegou, mas logo o avisto descendo as escadas.
– Oi Peter. – Ele me saúda.
– Oi Harry. – Digo meio sem graça.
Harry se senta ao meu lado, fazendo parecer que só existia aquela cadeira ao meu lado quando na verdade têm várias e bem distantes de mim. Agora entendo porque ele veio bem no momento em que sentei, jamais iria sentar ao seu lado.
– Mesmo morando juntos por um tempo não estamos nos falando muito, não é Peter? – Harry solta um sorriso fraco para mim.
– Tenho trabalhado muito nessa semana.
– Você trabalha demais sendo que nem um salário bom tem. Podia trabalhar para mim, você daria certo na empresa Osborn.
– Acho que não. Nem faculdade eu cursei ainda. – Advirto. Na verdade não é isso, apenas não quero mais ninguém tentando me pegar o dia inteiro.
– Mais é bem inteligente, sem você não poderia ter feito a minha cura.
– Mesmo assim acho melhor não.
O mordomo aparece com dois pratos com comida, ele os deposita gentilmente na nossa frente na mesa e se retira. Harry não tira os olhos de mim, seus olhos estão brilhando de malicia.
– Você tá ficando com alguém, Peter?
– Não, claro que não. – Respondo o mais rápido que posso.
– É um homem?
– Não. Harry juro que não estou com ninguém, ainda mais um homem.
– Pra mim você esta mentindo. No primeiro dia em que veio para minha mansão vi que estava sentindo muita dor no quadril e também vi que tinha marcas de chupões em seu pescoço.
Não o olho nos olhos. Estou morrendo de vergonha.
– Por que não me dá uma chance Peter? Não o trataria como esse cara trata você.
– Harry...
– Prometo que serei mais gentil... – Ele se aproxima lentamente de mim entreabrindo os lábios. Não recuo, mas também não correspondo. Suas mãos gentilmente acariciam a minha face descendo a meus ombros onde as envolve. Seu nariz amassa ao meu pela aproximação e seus-
– Tem alguém em casa? – Alguém grita no instante que Harry ia me beijar. Conheço essa vez. Viro meu pescoço mudando para uma expressão séria. Deadpool. Mas o que ele faz aqui?
– Ou foi mal não queria atrapalhar. – Ele volta a dizer. Controlo-me para não ataca-lo na frente de Harry, involuntariamente meus olhos lacrimejam, mas seguro as lágrimas.
– Peter, você está pálido, está se sentindo bem? – Harry toca meu rosto preocupado.
– Sim, só estou meio cansado. – Forço um sorriso para Harry.
– Por que está aqui Deadpool?
– Vim ver minhas amigas, a gente marcou de sair.
– Sério? Porque elas não me avisaram de nada disso.
– Acabamos de confirmar, deve ser isso.
Dá pra ver que Deadpool está mentindo, com certeza estava me perseguindo e só mostrou as caras porque eu ia beijar o Harry.
– Eu vou lá me encontrar com elas. – Ele acena. – Até mais.
Harry se aproxima de mim na intenção de continuarmos aonde havíamos parado, mas perdi qualquer vontade que estava.
– Vou para o meu quarto. Desculpe Harry. – Ele assente com a cabeça a subo para meu quarto.
Dou uma leve batida na porta antes de tranca-la.
– Você mentiu para mim. – Deadpool aparece escondido atrás da porta. – Me disse que não estava interessado no Harry, mas agora a pouco quase o beijou!
– E daí se quase o beijei. – Digo arrogante. – A vida é minha e faço o que quiser com ela.
Deadpool não responde nada, apenas vem em minha direção a passos firmes, instintivamente recuo sentindo minhas pernas ficarem bambas.
Sinto a parede batendo em minhas costas mostrando que esse é o fim da linha.
– Só que você não pertence a ele. – Deadpool me encara parando a poucos centímetros de mim. – Você pertence a mim.
– Eu não pertenço a ninguém. – Digo ríspido. Tento empurra-lo com todas as minhas forças, só que o máximo de dano foi o Deadpool ter dado um passo para trás. Não tem nada que eu possa fazer, estou sem meus lançadores de teia e não posso grudar na parede e sair correndo sendo que Harry me descobriria.
– É claro que pertence. – Deadpool parece certo em suas palavras que me fez ter mais raiva ainda. Ele me pressiona na parede jogando o peso de seu corpo sobre o meu. Com uma de suas mãos ele segura meu queixo, obrigando-me a olhar para ele. – Isso me pertence. – Ele me beija por cima de sua máscara deixando úmida por minha saliva. – E isso aqui também. – Com a outra mão desce sobre minhas costas e aperta minhas nádegas. – E não se esqueça.
– Você não é meu dono. – Digo cerrando os dentes.
– Isso é o que veremos. – Com as duas mãos pega em meus quadris e me joga na cama. Quando Deadpool ia cair em cima de mim, viro-me para o lado na intenção de fugir, só que ele segura meu braço e coloca sua perna em minha costa. Deadpool sobe em cima de mim, comigo de barriga para baixo.
– Sai de cima! – Berro, com meu rosto afundado no travesseiro.
– Por quê? Aqui é tão confortável. – Ele segura em meus pulsos quando comecei a me debater. Já posso sentir sua ereção roçando em minha bunda.
– Se você não sair eu vou gritar. – O ameaço.
– Faça isso. Fica mais fácil deu contar ao Osborn que você é o Homem-Aranha.
– Como se ele fosse acreditar em você – zombo – Nem estou vestido como Aranha.
– Mas vai querer que descubram que quase foi violentado por mim? – Deadpool se divertia com a situação.
Nisso ele tem razão. Todos dessa mansão iriam descobrir e contar a outras pessoas, tia May teria um ataque assim que soubesse, e Harry já esta com suspeitas que me envolvi com um homem, duvido que ele não junte os fatos e perceba que foi com o Deadpool, e nisso por ter duvidas se sou ou não o Homem-Aranha.
Deadpool me vira de barriga pra cima ainda me mantendo preso. Ele deixa sua máscara entreaberta e pude ver o sorriso que se formava em seus lábios.
Ele vai descendo até eu, beijando gentilmente meus lábios. Fecho a minha boca na intenção de não aprofundar o beijo. Deadpool tapa meu nariz e sem ar abro minha boca. Ele aproveita e adentra com sua língua. Fecho minhas mãos em punho e cerro os olhos. Meu estomago está se revirando.
Deadpool explora minha boca com sua, mas não de um jeito bruto e selvagem como sempre fez, e sim de um jeito gentil e carinhoso, como nunca fez antes. Surpreso, abro os olhos tentando entender o porque.
Assim que Deadpool encerra o beijo ele me fita com um sorriso bobo, deve ser por minha cara de confuso.
Ele sai de cima de mim e abre a janela.
– Tchau Peter. – Diz ainda com aquele sorriso na cara e pula a janela.
Fico na cama paralisado tentando processar alguma coisa. Sinceramente, pensei que ele fosse abusar de mim outra vez, mas só me beijou. Claro que não gostei dele falar que sou propriedade dele, nem de ter apertado a minha bunda, mas podia ter feito coisas muito piores, e fico feliz por não ter feito. E por isso só tenho uma coisa a dizer:
– Que merda foi essa?!
oOo
Acordo por um terrível barulho na porta, cambaleante, vou até ela e a abro recebendo um apertado abraço.
– Peter, como eu senti sua falta. – Diz tia May me apertando mais ainda.
– Também tia, e você não faz ideia. – E não faz mesmo.
– Vamos embora?
– Vamos. – Quase grito, essa é a melhor noticia que recebi nessa semana inteira. Finalmente vou me livrar desses pervertidos.
Pego minha roupas todas dobradas dentro das gavetas e as enfio do qualquer jeito em minha mala. Depois de vários socos para fecha-la sorrio para minha tia que me olhava horrorizada.
– Podemos ir? – Pergunto desesperado.
Não espero ela responder, pego em sua mão e praticamente corro até a porta, mas infelizmente Harry e suas mercenárias estão na frente dela.
– Você já vai? – Harry me pergunta com um olhar triste.
– Sim. – Respondo tentando esconder a felicidade.
– Vamos sentir sua falta. – Sablinova acaricia minhas bochechas piscando o olho em seguida. Dominó vem logo atrás passando os dedos em meu cabelo.
– Você não pode ficar só mais uns dias? – Podia ver que os olhos de Harry brilhavam de malicia. Ele chega bem perto de mim levantando as mãos para me agarrar, mas recuo no mesmo instante.
– Vamos logo Peter! – Antes que dissesse mais alguma coisa tia May me puxa pelo braço empurrando todos que ficassem em nosso caminho, ela abre a porta e não diminui seus passos. – Agora entendo seu desespero querido, todos nessa mansão são uns tarados. Não acredito que aguentou isso uma semana inteira.
– Nem eu tia. – Digo sincero.
Chegamos a nossa casa, tudo estava de volta ao normal. Sem nenhuma lona a cobrindo e nenhum cheiro de veneno. Finalmente.
Corro para meu quarto e jogo minhas roupas nas gavetas. Sem minha tia perceber vou à garagem com algumas baterias. Lá encontro várias ferramentas de meu tio Bem, isso é meio nostálgico. Elas podem estar enferrujadas mais ainda as prefiro a novas. Faço outros lançadores de teias. Eles pegam perfeitamente.
Com minha roupa de Spider por baixo saio de casa rumo aos Vingadores.
Quando chego lá sinto algo estranho no ar, eles não parecem normais, se é que já foram.
Falcão e Gavião Arqueiro pra mim estão normais, mas os outros nem um pouco.
Natasha e Bruce se olhavam e começavam a rir. Tony se Steve parece que estão se comendo com os olhos, mas depois do beijo duvido que não fosse acabar assim. Thor ficava em um canto sozinho, com um olhar pensativo, e às vezes corava no que ele está pensando?
– O que está havendo com eles? – Pergunto para os únicos normais no momento.
– Isso tem um nome Peter, — diz Clint -, e se chama falta de sexo.
Não pude evitar dar risada.
– Não entendo esses caras – agora é Sam – Já salvaram o mundo, mas não conseguem se declarar pra pessoa que gostam.
– Isso não é fácil, acredite, pra mim é mais fácil lutar contra um vilão do que me declarar pra alguma garota que gosto. – Digo sincero, ainda lembro-me da vergonha que senti quando beijei a Gwen.
– Garota ou garoto? – Clint me pergunta.
– Como assim?
– Não está namorando o Deadpool?
– Já deixei muito claro que não!
– E aquele tal de Osborn? Ele parece interessado em você. E pelo que soube ficou na casa dele essa semana. Vocês transaram?
– Claro que não. Somos amigos e nada mais!
– Jura? – Me indaga com olhar de malicia.
– Juro! – Respondo ríspido.
– Ai pessoal, temos missões novas. – Tony atrai nossa atenção. – Cada um de nós vamos nos dividir em dupla e ir pra um lado da cidade.
– Eu vou com o Bruce. – Diz Natasha sentando quase no colo dele que cora instantaneamente.
– Vou com o Thor. – Sam informa. Sortudo, ficou com o mais forte, não vai precisar lutar quase nada.
– Vou com o novato. – Clint informa apontando o dedo para mim com uma expressão de tédio e decepção. – Agora vocês podem ficar se pegando a vontade. – Diz para Tony e Steve. Espera ai, o que rolou aqui na minha ausência?
oOo
Clint e eu fomos para o lado sul da cidade lutar contra uns contrabandistas, e adivinhe quem está lá? Aquelas mercenárias loucas. Uma noticia boa, estou de mascara, elas não vão me reconhecer, uma noticia ruim, já que estou de Spider vão começar a me caçar assim que em vir.
– Vamos acabar logo com isso. – Diz Clint. – Estou com fome.
Ele corre para frente tacando varias flechadas em Sablinova que desviava de todas. Assim que se aproximaram bastante, começaram uma luta corpo a corpo.
– Olha o que encontramos aqui. – Grita Dominó assim que me vê. – Ei Wade, seu namoradinho está aqui.
Ouço varias gemidos e corte de lamina depois de ver vários contrabandistas caindo no chão cheio de sangue, Deadpool aparece com suas katanas sujas de sangue. Ele me encara por um momento e sorri malicioso.
– Oi amor.
– Saia de perto de mim. – Digo furioso quando ele se aproximou.
– Belo namoro é o de vocês. – Zomba Dominó.
– Não estamos namorando. – Digo.
– Isso tudo é uma questão de tempo. – Deadpool responde com uma expressão alegre. Quero mata-lo!
– Por que estão aqui? – Pergunto.
– Viemos roubas as armas dos contrabandistas. – Responde Dominó.
– Olha que coincidência, essa é a minha missão também.
Encaramos-nos por um momento, qualquer movimentação e atiro minhas teias e corro para dentro da fábrica.
– Heróis malditos. – Grita um dos contrabandistas apontando uma arma em nossa direção. Ele a saca e sai um monte raios esverdeados, o primeiro tiro acerta o braço de Dominó, que jorra sangue queimando toda aquela área, ela grita de dor e recua.
Desvio-me de alguns tiros procurando algum lugar para me esconder, mas agora sou a única mira do cara. Dou um pulo esquivando meu corpo para desviar de um, mas nisso alguns raios vem direto em minha direção. Desses não tem como desviar.
– Peter! – Deadpool diz num sussurro, que somente eu consegui ouvi-lo. Ele corre em minha direção e me abraça, levando todos os tiros que iriam me acertar.
Ele solta um grito estridente e desaba no chão assim que percebeu que os tiros cessaram. Olho para o contrabandista, suas balas devem ter acabado. Jogo minhas teias nele e o prendo na parede.
Ajoelho-me ao lado de Deadpool. Levanto um pouco sua mascara para que pudesse respirar melhor.
– Eu disse que te salvaria. – Deadpool me diz sorridente se engasgando com seu próprio sangue.
Ele desmaia no mesmo instante. Olho para suas feridas, só se curaram meio milímetro.
O seguro, jogando metade de seu corpo sobre meu ombro. Caramba, que gordo!
– Ai Aranha, aonde você vai? – Clint me pergunta.
– Levar Deadpool até seu apartamento, aqui não é seguro e ele está bem machucado. – Digo.
Clint dá de ombros.
– Ok. Nossa missão já está cumprida mesmo.
Levo Deadpool até seu apartamento e o coloco – jogo – em sua cama. Saio pela janela logo em seguida. Fiz isso por ele ter salvado a minha vida hoje, mas se pensa que vou perdoa-lo está muito enganado.
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